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true muon momentum [GeV/c]

7.5 Binning, Distributions, Detector Response and Smear-

A compreensão dos fenômenos globais atualmente evidenciados exige referência a momentos marcantes dos últimos trezentos anos da história da civilização, posto que são acontecimentos particular e profundamente relacionados à Revolução Industrial. Nesse sentido, é necessário desenvolver argumentos sobre a transição qualitativamente diversa do século XX, em relação àquela do século XIX.

No atual pensamento filosófico há autores qualificando a atual transição como “principalmente crítica, isto é, ela se peculiariza por criticar e debater aqueles valores dogmaticamente estabelecidos no século precedente.” [Carvalho, 1989:102]. Nesse sentido, as críticas que interessam ao presente estudo, em particular, são aquelas que permitem criar as condições necessárias à compreensão daquela transição paradigmática (sentido khuniano) civilizatória, em curso. Seguem-se algumas delas.

Em relação à concepção de ciência, aquelas críticas vêm se concentrando no debate sobre a validade dos postulados da objetividade, da separação-redução1, da linguagem matemática, da formalização, entre outros pontos de vista, que permitem, por um lado, um desenvolvimento científico sem precedentes e, por outro, uma situação onde se revela uma ciência sem consciência [Leff, 1994; Brüseke, 1996; Morin, 1996; Della Senta, 1996; Capra, 1997]. O tom desse discurso pode ser claramente apreendido das palavras contundentes de E. Morin [1996:137-38], chamando atenção para uma ciência que tem sido “(...) incapaz de determinar seu lugar, seu papel em sua sociedade, incapaz de prever se o que sairá de seu desenvolvimento contemporâneo será o aniquilamento, a subjugação ou a emancipação”.

Preocupações harmonizadas às de Morin [op. cit.] citadas no parágrafo anterior, também podem ser apreendidas das recentes palavras do professor Della Senta [1996]:

“(...) a ciência tornou-se o fator estratégico predominante, tanto para os avanços tecno-industriais, quanto para a supremacia tecno-militar; em última análise, na

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“A separação sujeito/objeto é um dos aspectos essenciais de um paradigma mais geral de separação/redução, pelo qual o pensamento científico ou distingue realidades inseparáveis sem poder encarar sua relação, ou identifica-as por redução da realidade mais complexa à menos complexa” [Morin, 1996:138]; É esclarecedor ter em conta que a separação sujeito/objeto, realizada em nome da neutralidade nas atividades científicas, também retira a ética, a moral e os valores culturais, inerentes a toda e qualquer atividade humana.

luta para a hegemonia político-econômica mundial. O resultado é que em dois séculos e meio, uma nova civilização emergiu do homem-máquina e do homem- ciência, ganhou dimensões globais, e brandiu a capacidade de alterar as condições da vida sobre o Planeta. Ao explorar os recursos da natureza, maciçamente, o homem passou também a ferir profundamente os sistemas naturais, provocando um impacto destrutivo sobre o meio ambiente. As conseqüências foram aparecendo, também, na saúde individual e coletiva, assustando populações e governos”.

Do ponto de vista sócio-econômico e ecológico, as críticas concentram-se em discussões sobre as tendências do atual padrão de desenvolvimento da sociedade, no processo de globalização, e seus possíveis desdobramentos. Elas se referem às sistêmicas, crescentes e já reconhecidas problemáticas globais (uso de drogas, violência, desemprego, miséria, não eqüidade da riqueza, perda da diversidade cultural, exclusão social, escassez de recursos naturais, perda da biodiversidade, degradação de ecossistemas, ampliação do buraco na camada de ozônio, aquecimento global, complicações climáticas, desertificação, etc.), as quais desafiam e põem em xeque a lógica ou a razão subjacente à ação antrópica. Aquela idéia de uma sociedade globalizada difunde-se cada vez mais e é tida, de um modo sem precedentes na história humana, como o paradigma existencial da humanidade. Mas sua singularidade está, justamente, na redução da realidade através da suposta hegemonia da lógica de desenvolvimento centrada na globalização dos mercados ou na racionalidade econômica [Arendt, 1989; Ramos, 1989; Lux, 1992; Salm, 1993; Leff, 1994; Morin, 1996; Leis, 1996; Della Senta, 1996; Brüseke, 1996; entre outros]. Sobre essa lógica, as já clássicas palavras de Ramos [1989:22-23], são ricas e profundamente esclarecedoras quando argumenta em tom de alerta:

“(...) hoje em dia a expansão do mercado atingiu um ponto de rendimentos decrescentes, em termos de bem-estar humano. (...) Os resultados atuais da modernização, tais como a insegurança psicológica, a degradação da qualidade de vida, a poluição, o desperdício à exaustão dos limitados recursos do planeta, e assim por diante, mal disfarçam o caráter enganador das sociedades contemporâneas. (...) No decurso dos últimos 300 anos, a racionalidade funcional tem escorado o esforço das populações do Ocidente central para dominar a natureza, e aumentar a própria capacidade de produção. É certo que essa é uma grande realização. Mas agora há indícios de que semelhante sucesso está a ponto

de se transformar numa vitória de Pirro. A percepção dessa situação está abrindo novos caminhos de busca intelectual”.

Em uma linha crítica similar àquela de Ramos [1989], Lux [1993:85] é contundente na sua avaliação das conseqüências intrínsecas ao pensamento econômico ocidental e de suas distorções:

Desde a Revolução Industrial e seguindo pelo presente adentro, o interesse próprio tem produzido poluição, esgotamento e destruição progressiva da natureza. A evidência começa com as ruas imundas, os esgotos e o ar da Londres de Adam Smith, e prossegue com a chuva ácida, a destruição da camada de ozônio e o efeito estufa de hoje. Agora, aproximadamente duzentos anos depois de A Riqueza das Nações, a sociedade está apenas começando a reconhecer as conseqüências destrutivas do interesse próprio econômico; entretanto, não demonstra a mesma facilidade para reconhecer que esse estado de coisas é sustentado implicitamente pela teoria econômica em sua pura forma smithiana.”.

Das palavras de Della Senta [1996], também se pode observar a importância e a profundidade daquele debate quando esse autor argumenta:

“(...) a diversidade de valores reflete-se no comportamento ético, na prática

econômica, nos estilos de vida e nos padrões de consumo das várias sociedades do Planeta. O mundo moderno globalizado, contudo, está se ressentindo da falta de uma reflexão mais profunda sobre a essência da existência do ser humano no cosmo, e sobre as bases que devem harmonizar as relações homem-natureza. (...) Existe um consenso generalizado de que, para administrar a mudança global da atividade humana, há que se negociar convenções e instrumentos de gerenciamento com a participação, em condições igualitárias, de todos os países.”.

O item que se segue, desenvolve-se sob o argumento de que aquelas e outras críticas similares são como ecos do ambientalismo, à luz ou no contexto do qual o foco do presente estudo converge para a necessidade de se compreender a transformação organizacional concomitante.