4. PRE-PROJECT STAGE
4.7. National infrastructure
Foto: Thiago Augusto Nogueira de Queiroz, 18 de agosto de 2019.
Portanto, conforme podemos observar no Mapa 4, até a década de 1990 o processo de verticalização urbana em Natal se restringia à Região Administrativa Leste – os bairros de Cidade Alta, Ribeira, Praia do Meio, Petrópolis, Tirol e Barro Vermelho – e à Região Administrativa Sul – apenas no bairro de Lagoa Nova. Enquanto esses bairros se verticalizavam, os demais bairros do município de Natal ainda passavam por um processo de produção do espaço urbano e transbordavam para os municípios vizinhos.
Esse transbordamento foi observado com a produção do espaço urbano dos bairros de Neópolis e Ponta Negra para o bairro de Nova Parnamirim. Como também, pela produção do espaço turístico nos distritos litorâneos de Parnamirim como um transbordamento dos espaços turísticos de Natal.
O Mapa 4 mostra ainda que durante a década de 1990 houve o transbordamento também da verticalização urbana de Natal para Parnamirim, visto
que a verticalização da capital norte-rio-grandense se espraiou para outros bairros como Areia Preta e Lagoa Seca na Região Administrativa Leste, Dix-Sept Rosado (o primeiro na Região Administrativa Oeste), além de Candelária, Capim Macio e Ponta Negra na Região Administrativa Sul. Também, na mesma década, após a promulgação do Plano Diretor de Natal de 1994, houve o transbordamento da verticalização para Nova Parnamirim e os distritos litorâneos de Cotovelo e Pirangi do Norte, nitidamente como uma continuidade da verticalização de Natal.
Por fim, esse transbordamento do espaço urbano e do processo de verticalização de Natal para Parnamirim teve continuidade, de acordo com o Mapa 4, até 2010 com o espraiamento da verticalização em Natal para os bairros de Potengi (o primeiro da Região Administrativa Norte), Neópolis e Pitimbu (ambos na Região Administrativa Sul) e o transbordamento para o bairro de Emaús no município de Parnamirim. Esse transbordamento continua até o presente.
A descentralização das atividades do setor terciário moderno também transbordou para o município de Parnamirim, quando em 2012 foram inaugurados o supermercado Nordestão (maior rede de supermercados de Natal) e o hipermercado Extra (de um Grupo nacional) na avenida Maria Lacerda Montenegro, no atual bairro de Nova Parnamirim. Naquele mesmo ano de 2012, foi licenciada e autorizada a construção de um hipermercado da rede internacional Wal Mart, na avenida Abel Cabral, também em Nova Parnamirim, o que ainda não ocorreu.
Ainda no ano de 2012, o Grupo Nordestão criou o atacarejo Super Fácil, o primeiro do grupo, na BR-101, bairro de Emaús. Em 2014, foi inaugurada o primeiro Mc’Donalds, rede internacional de fast food, de Parnamirim, na avenida Abel Cabral. Enfim, em 2016, houve a inauguração da Leroy Merlin, uma rede internacional de lojas de departamento, em Nova Parnamirim, na BR-101.
Os bairros de Emaús e, principalmente, Nova Parnamirim, tornaram-se os principais bairros receptores do transbordamento da produção do espaço urbano, do processo de verticalização e da descentralização do setor terciário de Natal, processos convergentes que segregam e fragmentam o território do município de Parnamirim e articulam Nova Parnamirim com o espaço urbano de Natal.
Mapa 4 – A expansão do processo de verticalização de Natal e seu transbordamento para Parnamirim até 2010.
Porém, essa articulação não ocorre com todos os bairros de Natal, mas sim com os bairros mais valorizados, de status quo, onde ocorre a verticalização e a descentralização. Esse espaço fragmentado-articulado é também percebido (reflexo e condição social), concebido (campo simbólico) e vivido (campo de lutas diárias).
É nesse contexto de progresso nos investimentos do PMCMV e do PAC, ou seja, no contexto de urbanização, crescimento populacional e da continuidade do transbordamento da produção do espaço urbano de Natal, que a crise econômica chegou ao espaço-tempo do Brasil em 2013. Inicialmente, essa crise teve um caráter de crise urbana, na qual os moradores das cidades reivindicavam melhorias e investimentos públicos maiores e mais eficientes em saúde, saneamento, educação, segurança, moradia e transportes. Em 2014, passou a ter um caráter político, com o início da operação Lava Jato do Ministério Público e da Polícia Federal, com envolvimento de políticos e empresários da construção civil em atos de corrupção, além da polarização política das eleições daquele ano.
Em 2015, essa crise tornou-se iminentemente econômica. De acordo com o Banco Central do Brasil, houve um crescimento negativo do Produto Interno Bruto (PIB) – que continuou negativo também em 2016 - e em conformidade com o Ministério da Economia também houve um decrescimento da Balança Comercial do Brasil – que vinha com saldos negativos desde 2013. Essa crise urbana, política e econômica culminou, em 2016, no impeachment da presidente do país, que tinha sido reeleita em 2014.
Em 2018, a crise continuou como uma crise econômica de circulação, devido aos altos preços dos combustíveis e baixos preços dos fretes do transporte rodoviário, culminando na greve dos caminhoneiros em todo o Brasil. A crise tornou- se mais aguda no início de 2020 gerada pela disseminação da COVID-19 (Corona Vírus) pelo mundo e pelo Brasil, o que provocou uma estagnação das atividades econômicas. Assim, podemos afirmar que é uma crise urbana, política, econômica, de circulação e de saúde-sanitária, porém, parafraseando Santos (2000), a única crise que desejam afastar é a crise financeira-econômica.
Toda essa crise no Brasil (2013-2020) refletiu na produção do espaço e no mercado imobiliário da Região Metropolitana de Natal. Em concordância com os dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Siduscon), em 2014 foram vendidos 3.380 imóveis na Região Metropolitana de Natal, com destaque para 2.061
em Natal e 1.144 em Parnamirim. No ano de 2015, houve uma queda para 2.442 imóveis vendidos, porém ainda tendo Natal (com 1.664) e Parnamirim (com 662) em destaque. Em 2016, foram 1.716 imóveis vendidos, sendo 1.219 em Natal e 408 em Parnamirim. Em 2017, o mercado imobiliário continuou em decadência, com 1.020 unidades de imóveis vendidos, sendo 618 em Natal e 337 em Parnamirim.
Em dezembro de 2013, a indústria da construção civil atingiu seu auge de acordo com o Siduscon. Naquele ano, havia 7.261 empregados na área e a oferta de 5.437 unidades imobiliárias. Com a crise no período de 2013 a 2018 já se verificou a decadência do setor, que em decrescimento contínuo chegou a dezembro de 2017 com 1.702 empregados e 1.087 unidades.
Diante da crise econômica, política, urbana, de circulação e sanitária, que vem ocorrendo desde 2013, houve uma menor intensidade da produção do espaço urbano de Natal e seu transbordamento para Parnamirim, como também, uma paralisação do processo de verticalização. Com o novo Plano Diretor de Parnamirim de 2013, houve uma modificação no gabarito da Área Especial de Interesse Turístico, com a retirada do bairro de Pium, liberando o transbordamento da verticalização de Natal para esse distrito litorâneo de Parnamirim, que contém o único condomínio Alphaville da Região Metropolitana.
Nesse contexto do novo plano diretor de Parnamirim, foi lançado, em 2016, mas não incorporado oficialmente na prefeitura e no cartório, o Residencial Rota do Sol, em frente ao Alphaville (Figura 6). Entretanto, o momento de crise não permitiu a venda de unidades habitacionais, muito menos o início da construção dos edifícios, dependente em grande parte do pagamento das mensalidades por parte dos compradores. Assim, no lugar do condomínio tem apenas um contêiner, que era um local de plantão de vendas dos apartamentos, além do aparente descaso da firma incorporadora em relação ao terreno (Foto 12).
Figura 6 - Panfleto do Residencial Rota do Sol, incorporado pela CNH.
Fonte: Panfleto distribuído pela incorporadora CNH.