• Aucun résultat trouvé

IV. Le Module de traitement flou

IV.2. Moteur d’inférences

O conceito de career anchors, ou âncoras de carreira, em uma tradução literal, recebe no Brasil a denominação de inclinações ou aptidões profissionais. A noção de âncora de carreira surgiu a partir de pesquisa desenvolvida por Edgard Schein (1928) com alunos de administração da Sloan School of Management, do

MIT, em seus percursos profissionais, no período compreendido entre os anos 1960

a 1980.

Funciona como uma força estabilizadora, uma âncora, uma vez que está constituída a partir do autoconceito, e pode ser vista como as motivações e os valores de que a pessoa não desiste quando é forçada a fazer uma escolha. Noutras palavras, as inclinações profissionais não estão, em condições normais, sujeitas a barganhas, trade offs e concessões, pois estão situadas no campo do fazer-sentido e do sentir-bem.

Sabe-se que ainda não há completa definição comportamental de motivação, e que o comportamento do homem no tocante a carências e desejos ainda necessita de objetividade na observação, sendo essas informações tradicionalmente subjetivas (MASLOW , 1999).

De acordo com Vergara (2000), motivação é uma força, uma energia que impulsiona as pessoas na direção de algo, sendo intrínseca, ou seja, surge a partir de nossas necessidades mais interiores. A motivação, segundo Casado (2004), é definida como uma inclinação para a ação, um impulso à ação, que tem origem em um motivo (necessidade).

A motivação, dessa forma, pode ser percebida como uma força propulsora, cuja procedência se encontra oculta no interior da pessoa. É a motivação intrínseca e se aplica às pessoas de uma maneira geral, no trabalho e na vida.

É bem verdade, os indivíduos podem ser motivados pelas recompensas dadas pela organização, ou recompensas intrínsecas que cada um dá a si próprio. Há, normalmente, forte motivação quando, simultaneamente, as pessoas realizam tarefas que lhes recompensam intrínseca e extrinsecamente. Este é o caminho para que consigam satisfazer suas necessidades sob a óptica do trabalho.

Há inúmeras teorias que explicam a motivação, cada uma com sua forma peculiar. Constituem uma maneira de ver e perceber o ser humano, não podendo representar a verdade absoluta sobre o tema. Dentre as mais conhecidas, destaca- se a teoria de Maslow, apresentada como a Teoria da Hierarquia das Necessidades. Segundo ele, as pessoas possuem necessidades insatisfeitas que orientam e influenciam o comportamento; ou seja, para Maslow (1999), há uma escala de prioridade compreendida nas seguintes necessidades humanas:

1) fisiológicas - incluem fome, sede, abrigo, sexo e outras necessidades corporais;

2) segurança – envolve segurança e proteção contra mal físico ou emocional;

3) sociais – compreende afeto, relacionar-se com alguém, aceitação e amizade;

4) estima – abarca fatores internos de estima como amor próprio, autonomia e realização; e fatores externos de estima como status, reconhecimento e atenção;

5) auto-realização - o impulso de alguém se tornar o que é capaz de tornar-se; envolve crescimento, atingimento de seu potencial e auto-realização.

Para Maslow (1999), as necessidades humanas estão ordenadas em uma pirâmide de importância e de influência do comportamento humano. Na base da pirâmide, estão as necessidades mais baixas e concorrentes, enquanto no topo estão as mais intelectuais e sofisticadas.

Schein (1993) comenta que a inclinação profissional constitui autoconceitos baseados em motivações e habilidades que orientam, estabilizam e integram as experiências profissionais de uma pessoa, ou seja, segundo o referido autor, a âncora de carreira de uma pessoa é o seu conceito, consistindo na auto- percepção de talentos e habilidades.

Neste estudo será explorado o referencial de âncoras de carreiras desenvolvido por Schein (1993), por se apresentar como a mais completa entre as abordagens do gênero, além de coadunar-se com a mencionada tendência atual de as carreiras serem autodirigidas, ou seja, de responsabilidade dos próprios indivíduos, que conseqüentemente, segundo Kilimnik et al. (2004), necessitam estar conscientes de seus objetivos de vida e valores em relação à carreira e desenvolver competências adequadas para tal.

As âncoras profissionais estão relacionadas à satisfação de necessidades e desejos mais fundamentais e genuínos do indivíduo, atuando de maneira expressiva na constituição de prioridades individuais e profissionais. Âncora, nesse contexto, está ligada à permanência e mudança na busca dos elementos que motivam e dão satisfação intrínsecas ao indivíduo. Para Schein (1993) é importante conhecer a própria âncora de carreira para escolher sabiamente quando escolhas tiverem que ser feitas. Segundo Schein (1993), as âncoras de carreira são:

1 aptidão técnico-funcional – preocupação com o desenvolvimento da perícia pessoal e especialização, construindo a carreira em uma área técnica específica ou determinada profissão. Relaciona-se com a motivação em utilizar as aptidões da sua área de atuação/especialização e nela continuar buscando o

desenvolvimento. São pessoas que necessitam de tarefas estimulantes, interessando-se mais pelo conteúdo do trabalho do que pelo seu contexto. Desejam ser recompensadas em conformidade com suas aptidões e talentos, e se norteiam pela eqüidade externa, valorizam o reconhecimento do seu trabalho mediante seus pares, cursos de aperfeiçoamento e similares, bem como por meio de um reconhecimento formal (prêmios, comendas, etc);

2 aptidão gerencial ou administrativa – a preocupação central é com a integração dos esforços dos outros para a obtenção de resultados e com a articulação das diversas funções de uma organização. A pessoa é motivada pela oportunidade de alcançar níveis mais elevados em uma organização, alinhada a um trabalho desafiador. Combinam os talentos e habilidades nas áreas de competência analítica, no relacionamento interpessoal e intergrupal; e equilíbrio emocional. São pessoas que desejam responsabilidades em alto grau, um trabalho desafiador, diversificado e integrador. São pessoas sensíveis ao reconhecimento sob a forma, por exemplo, de aumentos.

3 segurança e estabilidade – a preocupação com a estabilidade e com a garantia de emprego, segurança, benefícios e boas condições de aposentadoria. Algumas pessoas têm uma necessidade imperiosa por um emprego em uma organização que proporcione segurança, mesmo que não ocupem altos cargos ou exerçam funções relevantes. Costumam aceitar os benefícios de longo prazo, e tendem a deixar suas carreiras nas mãos de seus empregadores. Concordam com a noção de que lhes estabeleçam o trabalho a fazer, em troca da garantia de estabilidade. Querem ser recompensados com aumentos constantes e previsíveis de salário, com base em tempo de serviço; e enfatizam benefícios do tipo plano de seguro e aposentadoria;

4 criatividade empreendedora/empreendedorismo - a preocupação com a criação de algo, envolvendo a motivação para ultrapassar obstáculos, a vontade de correr riscos e o desejo de proeminência pessoal naquilo que é alcançado. O impulso criativo desse grupo é especificamente orientado no sentido de empreender algo, criar organizações, com grande necessidade de autonomia. São pessoas que não permanecem muito tempo em organizações tradicionais;

5 autonomia e independência – a preocupação com a liberdade e a independência, com o não-ser constrangido pelas regras, buscando sua maneira realizar as atividades. O indivíduo tem necessidade de fazer do seu jeito, dentro do seu ritmo e de acordo com seus padrões. Prefere seguir carreiras mais independentes e tende a ser profissional liberal. Em organizações, procuram áreas de relativa autonomia, como pesquisa e desenvolvimento, dentre outros. São pessoas que preferem trabalhos claramente delineados, com metas e prazos definidos. Não suportam supervisão rigorosa, e preferem ser remuneradas pelo mérito de seu desempenho;

6 estilo de vida – a preocupação em desenvolver um estilo de vida capaz de equilibrar as necessidades da carreira e da família, de modo que nenhuma delas se torne dominante. O indivíduo não abre mão de um trabalho que lhe permita conciliar e integrar suas necessidades pessoais, às de sua família e às exigências de sua carreira;

7 desafio puro – a preocupação primária com a resolução de problemas aparentemente insolúveis, com a possibilidade de vencer oponentes duros e de ultrapassar obstáculos difíceis. Costuma procurar empregos onde tenha que enfrentar problemas cada vez mais difíceis. Sua ocupação precisa proporcionar oportunidades constantes de provar sua capacidade, tais como cargos de nível estratégico, dado sua variedade e o desafio constante oferecido. Essas pessoas são altamente motivadas a desenvolverem-se por si mesmas, e uma carreira só tem significado se habilidades competitivas puderem ser postas à prova;

8 vontade de servir – são pessoas que se utilizam das capacidades interpessoais para ajuda em serviço dos outros, comprometimento com uma causa importante na vida e a conseqüente devoção a ela. São dedicadas a uma causa. Essa inclinação motiva a pessoa a executar um trabalho que tenha um valor especial, norteando-se mais pelo valor do que pelas suas verdadeiras aptidões ou áreas de competência. Desejam um trabalho que lhes permita influenciar as organizações que os empregam ou a política social na direção de seus valores. Suas decisões baseiam-se no desejo de melhorar o mundo, de alguma forma.

Muitos, de acordo com Schein (1993), não estão cientes da âncora de carreira antes que sejam forçados a tomar uma decisão relacionada ao seu desenvolvimento, a família ou a carreira. Para o autor é importante conhecer a própria âncora de carreira para escolher sabiamente quando escolhas tiverem que ser feitas.

Provavelmente, a maioria das pessoas se preocupa com várias dessas questões, em graus diferenciados, mas o que caracteriza uma delas como a âncora de carreira para um indivíduo é o fato de ser tão importante que se torna imprescindível, irrenunciável em sua carreira.

Supõe-se que, em relação às pessoas que buscam trabalhar nas ONGs, predominem a âncora de serviço e dedicação à causa, de acordo com a classificação de Schein (1993), pela vontade de ajudar aos outros. Isso se relaciona diretamente ao estilo em questão, pois este assevera que as pessoas assumem responsabilidades orientadas por valores centrais que preenchem uma necessidade interior de transformar o mundo num lugar melhor.

Dentre as razões para a entrada nas ONGs, os itens mais importante são o comprometimento filosófico ou político, o comprometimento com mudança social, além do horário ou local conveniente para a família, experiência de vida pessoal e experiência voluntária.