A avaliação do treinamento é uma ferramenta utilizada pelas organizações para monitorar a eficiência, ou seja, sobre a qualidade da utilização dos recursos de um treinamento, e a eficácia da formação, ou seja, sobre o alcance dos objetivos finais do treinamento proposto a seus funcionários, com o intuito de, entre outros, aperfeiçoar práticas e integrar saberes.
Segundo Gil (2008), a avaliação deste nível constitui um desafio, por ser uma atividade delicada e complexa, que muitas vezes fica em segundo plano ou é superficialmente desenvolvida, mas que somente a partir dela é possível saber se o treinamento atingiu seus objetivos.
Nesse sentido, alguns modelos de avaliação dos treinamentos na Educação Corporativa já são desenvolvidos, e a pesquisa teve como modelo teórico o referencial do modelo de Donald Kirpatrick. Ele foi desenvolvido no ano de 1959 para medir o valor específico do treinamento de uma instituição oferecida aos seus funcionários, e que deve ser avaliado em quatro níveis, a observar:
I.Reação: refere-se a satisfação dos funcionários sobre a realização do curso;
II.Aprendizagem: refere-se aos conhecimentos, as habilidades e as atitudes adquiridas pelos alunos;
III.Aplicabilidade: refere-se à aplicação do conhecimento adquirido no cargo que exerce;
IV.Resultados: refere-se ao retorno para a instituição que realizou aquele treinamento. Segundo Gil (2008), a avaliação nesses níveis podem ser melhor compreendidos da seguinte forma:
I.Nível I, o de reação, avalia-se a percepção do treinando em relação ao conteúdo do treinamento, metodologia adotada, atuação do instrutor, carga horária, aplicabilidade. Esta avaliação pode ser efetuada no final de cada sessão ou no final do treinamento, mediante depoimentos ou questionário apropriados.
II.Nível II, o de avaliação da aprendizagem, é utilizado para compreender o que o treinando aprendeu através do treinamento. Não se restringe apenas a aquisição de novos conhecimentos, mas para aprimorar habilidades e desenvolvimento de atitudes. Para a avaliação do conhecimento podendo ser utilizado testes de múltipla escolha ou questões subjetivas; já do de habilidades são utilizadas, normalmente, provas práticas e que estão relacionadas ao ambiente de trabalho; e a de atitudes seria mais complexa, por ser caracterizada por uma “disposição para agir”.
III.Nível III, o de comportamento no cargo, só pode ser observado após o treinando tenha voltado a desenvolver suas atribuições e são utilizadas, por parte dos formadores, quatro principais técnicas: a amostragem de atividades, diário do observador, autodiário e entrevista/questionário.
IV.Nível IV, o de resultado, deve verificar as mudanças ocorridas em função dos treinamentos, mas é uma de difícil aplicação pela dificuldade de separar os efeitos dos treinamentos de outras atividades e eventos ocorrido nas organizações.
Na elaboração do questionário foram utilizados os dois primeiros níveis da avaliação baseada nos conceitos de Kirpatrick (1994) que descreve, entre outros, a aplicabilidade e a aprendizagem adquirida a partir do ponto de vista dos treinandos, por ser, segundo Adelsberg
e Trolley (1999) um modelo elegantemente lógico e sem dúvida útil, e que continua a ser o referencial mais aceito para medir o impacto do treinamento.
Em países como os Estados Unidos, berço da educação corporativa, ainda parece ser difícil isolar o benefício sobre os resultados institucionais. Na verdade, como observam Carnevale & Schultz (1990) a maioria dos treinamentos continua a ser feito somente ao nível de reação. Bem como afirmou Lima (2004) que, de forma estruturada ou não-estruturada, o nível de reação demonstra ser o mais aplicado dos quatro níveis de Kirkpatrick, pela facilidade de sua condução pelos facilitadores e coordenadores dos programas de treinamento. Para superar essa falha, é sugerido por Adelsberg e Trolley (1999) que as universidades corporativas sejam administradas como um negócio. Um negócio centrado nas necessidades de seus clientes, e que essas fossem consistentemente traduzidas em soluções de aprendizado, nitidamente alinhadas com as estratégias institucionais. A avaliação de desempenho deve traduzir esse alinhamento para que os usuários percebam de forma incontestável que a atividade de treinamento adiciona valor ao negócio.
É importante perceber as contribuições do modelo de Kirpatrick para a literatura da área de avaliação em Educação Corporativa, por ser bastante citado na literatura de avaliação de programas e ser um referencial para novas intervenções.
O contexto de surgimento de seu modelo teve início em 1952 quando, em sua dissertação sobre essa temática, entendeu que era preciso observara reação dos participantes do programa, a quantidade de aprendizagem que ocorreu, a mudança de comportamento no desenvolvimento de suas funções, e qualquer outro resultado alcançado ao retornarem ao trabalho. Ele acabou restringindo seu trabalho ao nível de reação e aprendizagem surgiu, assim, a abordagem em quatro níveis.
Segundo a revisão de literatura feita por Marinelli (2007), foi a partir do estímulo de um amigo e colega de trabalho chamado Jane Halcomb, ao afimar que haviam muitas pessoas interessadas no tema, que Kirkpatrick escreveu o livro: Evaluation Training Programs: The
Four Levels, onde usou modelos de casos de companhias como Motorola, Intel, para mostrar
Segundo Kirkpatrick (1998a) as avaliações de aprendizagem são mais difíceis que a de reação por haver a necessidade de comparar o que era conhecido antes e depois que os princípios forem ensinados, e só então será possível dizer o quanto foi aprendido.Já no que se refere ao último nível, Kirkpatrick (1998b) descreve que a avaliação em termos de resultados está a passos lentos e que as técnicas utilizadas ainda não sõa tão apropriadas para coletar esse tipo de informação.
Assim, percebe-se que é um modelo antigo, mas que traz contribuições consideráveis sobre a avaliação de programas e é utilizado como referencial para as outras avaliações de programas em EC nas principais pesquisas nacionais.