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8.3 Formulations sur les tournées et sur les arcs du SNDRP

8.3.3 Modélisation du SNDP

A partir dos séculos XV e XVI, a beleza da mulher vai ser realçada. Entra em um processo de dignificação e a celebração de uma estética simbolizada pelo divino, estabelecendo uma ruptura com a diabolização tradicional da aparência feminina. Surge,

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então, a adoração pela cultura do “Belo Sexo”, sendo considerada uma concepção da Renascença. A cultura do belo sexo contribuiu para um reconhecimento nítido e metódico da ideologia de superioridade e personificação da suprema beleza feminina e sua exagerada glorificação de atributos físicos e espirituais. Ou seja, a cultura do belo sexo usufrui de ferramentas e métodos que irão enaltecer o gênero feminino dentro de uma sociedade marcada por uma ideologia que sempre a subjugou e a menosprezou, elevando a beleza feminina à condição angelical, que manifesta beleza e virtudes superiores que a dos homens.

À medida que uma misoginia dominante estabelecia a velha ideologia de que a mulher era um ser perigoso, cheio de malícia, libidinoso e indisciplinado, surgia, ao mesmo tempo, a literatura que exaltava e glorificava a beleza e os encantos do sexo feminino. Uma das artes pioneiras e que representou bem a cultura do belo sexo, foi a pintura “Nascimento de Vênus”, do artista Botticelli, no século XV. Foi uma pintura carregada de simbolismos e significados que exaltavam o feminino, desprendendo-o da associação da mulher com o pecado, permitindo uma aproximação de Vênus com a imagem sacra da Virgem Maria, idolatrada pelos cristãos. No período em que a Igreja dominava, a imagem da Virgem Maria, não representava a mulher, mas ela estava em um patamar superior por ser mãe de Cristo. Vênus serviu como um espírito neoplatônico que traz aspectos positivos a beleza feminina, livrando-a das conotações negativas. Ela foi representada de uma forma lânguida, que evoca a ideia de uma mulher a ser contemplada e desejada, uma mulher desapossada de si mesma, sendo o sonho de posse de qualquer homem.

Durante a história da beleza, a concepção moderna foi influenciada pela oposição entre duas concepções, a tradicional e a clássica. Na concepção tradicional, a beleza não possui autonomia e não se separa das virtudes morais, a beleza das pessoas é dotada de pouco valor, há uma hierarquia estética dos sexos e que foi dominada pela predominância da valorização social da beleza feminina. Na concepção clássica, a beleza se separa das virtudes morais, suas características são exclusivamente físicas, dotada de um valor estético e sexual. Mas essa comparação limita o verdadeiro sentido do processo de autonomização da condição da beleza e engana a verdade sobre a história da idolatria do belo sexo. Em verdade, a beleza entra no período moderno quando a mulher é exaltada como a supremacia do ser belo. Essa idolatria ao culto do belo sexo exprime uma cultura e uma hierarquia da própria existência da era moderna. A beleza feminal se transforma em um assunto nobre, servindo como objeto de estudo e de uma reflexão específica.

Durante a Renascença, a beleza entra em um processo de interrogação, de conceitualização e valorização, no gênero literário. Os “brasões” se tornam mais famosos e o

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corpo feminino se beneficia do ar poético, nenhuma parte do corpo feminino escapa da glorificação dos poetas. Portanto, a cultura do belo sexo passa a obedecer a uma lógica de especialização e de normalização sistemática, ou seja, obedece a um conjunto de normas estéticas que irão promover uma diferenciação, o processo de racionalização moderna, nas aparências estéticas entre homens e mulheres,

Toda essa adoração pelo feminino possui o seu lado positivo e o negativo. De pontos negativos, a cultura do belo sexo não trouxe nenhuma melhoria para as relações de hierarquias, somente reforçou o caráter frágil, passiva e de dependência em relação aos homens. Idealizaram um ser imaginário e não real. Os brasões anunciavam o corpo feminino como se fosse um objeto de desejo de um jogo sofisticado e elegante. Enfim, toda essa idolatria pelo belo sexo somente continuou a propagação da dominação masculina e a negação da mulher por outros meios.

Porém, os benefícios e mudanças proporcionados pela adoração do feminino, deu a mulher um poder dignificado, exaltado e cercado de homenagens enfáticas que conferiu títulos de nobreza, prestígio e riqueza simbólica, impulsionando uma promoção do ser feminino. Gerou reconhecimento da dignidade social da mulher carregada de menos conceitos ameaçadores em relação à beleza feminina, para um posto de natureza mais familiar, resultando em uma posição que desse para perceber uma diferenciação dos sexos.

Ao passar dos séculos, a beleza feminina se tornou uma notável constante. Celebrada por artistas e, ao mesmo tempo, assimilada a uma armadilha mortífera. Objeto de veneração, mas que despertava a desconfiança dos homens. O período da Renascença, não trouxe uma mudança dessa ambivalência, a beleza perigosa perdurou nos costumes e nas artes. Tal mudança vai ocorrer de fato, somente no século XX. Antes do período da Renascença, predominou o caráter teólogo dos séculos cristãos, a beleza era instrumento do mal, a mulher era considerada uma criatura vaidosa e viciosa. Encarnação do mal, seu corpo e seus adornos, eram instrumentos que levavam a perdição do homem. A beleza feminina inspirava medo e desconfiança, durante este período. Durante os séculos XVII e XVIII, períodos pós-renascentistas, os atrativos naturais femininos ainda estão ligados a ruína e a perdição, mas existe uma oposição dos grandes estereótipos clássicos, como a pureza e a luxúria, a beleza virginal e a beleza destruidora. Essa bipolaridade antinômica perde sua força no segundo terço do século XX.

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