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Mixing rates between different recharge origin

Dans le document RESOURCES in AFRICA (Page 117-122)

O uso de drogas é um fenômeno biopsicossocial, ou seja, envolve aspectos do sujeito que podem ser de ordem biológica, social, espiritual, cultural (BORDIN et al, 2010).

Deste modo, ao se pensar em estratégias e dispositivos de cuidado é preciso que se tenha um olhar ampliado, já que o uso de drogas afeta diferentes pessoas, de formas diversas, razões, contextos e circunstâncias variadas. Na busca por novas estratégias de cuidado, contato e vínculo, importante é pensar, organizar e implementar variados programas de prevenção, educação, tratamento e promoção que sejam adaptados às diferentes necessidades (BRASIL, 2003).

A Política Nacional de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas vem orientada pelas diretrizes da Reforma Psiquiátrica e da lei 10.216, de 06 de abril de 2001, que dispõe sobre a proteção e direitos das pessoas com transtorno mental, redirecionando o modelo assistencial em saúde para outros dispositivos, diferentes de internação em instituições com características asilares e que não assegurem a garantia de seus direitos humanos. A Reforma Psiquiátrica, que deu seus primeiros passos no início da década de 80, é contemporânea à Reforma Sanitária Brasileira e teve início como um movimento social em busca de maiores direitos e cidadania no que diz respeito a políticas de saúde, principalmente a saúde mental, que naquela época vinha acompanhada de denúncias de violência e abandono, por um sistema assistencial hospitalocêntrico, asilar (DELGADO, 2014), que excluía as pessoas consideradas com transtornos mentais, usuários de drogas, ou as que por alguma razão se destoavam das normas e das boas condutas desejadas pela sociedade.

Recentemente, tem-se a criação da Portaria 3.088, de 23 de dezembro de 2011, que institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e também com necessidades decorrentes do consumo de álcool e outras drogas. Para garantir o cuidado à saúde de forma integral, a rede de atenção deve estar pautada em ações e serviços articulados em níveis de complexidade crescentes (BRASIL, 2011), ou seja, não são atitudes isoladas e fragmentadas que vão dar conta das demandas do sujeito.

A Rede de Atenção Psicossocial, também chamada RAPS, deve atuar no território, de acordo com suas especificidades, e enfatizar serviços de base comunitária que se adequam às necessidades do usuário e seus familiares, e não o contrário. Deve ainda garantir o acesso e qualidade dos serviços, ofertando assistência multiprofissional, sob a

lógica interdisciplinar (BRASIL, 2011), onde os saberes das diferentes áreas que trabalham juntas, se cruzam e se complementam na busca pelo cuidado integral do indivíduo.

Uma das grandes diretrizes da RAPS é a organização dos serviços em rede, estabelecendo ações intersetoriais para garantir a integralidade do cuidado. Tem como um de seus objetivos, portanto, garantir a articulação e integração dos pontos de atenção da rede de saúde, qualificando o cuidado por meio do acolhimento, do acompanhamento contínuo e atenção às urgências (BRASIL, 2011).

É sob esta ótica que o cuidado da gestante usuária de crack deve estar. Por se tratar de uma situação, que naturalmente já demandaria cuidados específicos na Atenção Básica, a gravidez, contando com mais essa particularidade do uso de drogas, sugere parceria com o serviço de pré-natal de alto risco, o CAPS ad e mais outros dispositivos que podem ser acionados a depender da necessidade de cada caso, como hospital geral ou serviços de urgência e emergência.

Destaca-se a importância do trabalho das equipes de Estratégia Saúde da Família, ESF, e das Unidades Básicas de Saúde, UBS, no sentido de realizar um mapeamento da população de seu território, a fim de conhecer a realidade e as necessidades do local, identificar precocemente as gestantes e poder realizar, assim, a classificação de riscos de sua gestação, bem como a identificação dos dispositivos de saúde responsáveis pelo atendimento de cada um dos casos específicos. Há um determinado número de gestantes que, por características particulares, apresenta maiores probabilidades de uma evolução desfavorável de sua gestação. (BRASIL, 2012). Deste modo, entende-se por gestação de alto risco, aquela na qual a vida ou a saúde da mãe, do feto ou do recém-nascido pode ser atingida em proporções maiores do que as da média da população considerada (CALDEYRO-BARCIA, 1973 apud BRASIL, 2012).

A redução da morbimortalidade materna e perinatal está diretamente ligada com o acesso da gestante ao acompanhamento pré- natal de qualidade e realizado em tempo oportuno, atingindo os níveis de complexidade necessários para cada caso (BRASIL, 2012). O acolhimento também é parte fundamental para determinar se o acompanhamento pré-natal será bem sucedido ou não. O termo acolhimento implica receber a gestante, desde o primeiro momento em que chega à unidade de saúde, buscando promover um espaço para que expresse suas preocupações e angústias, ouvindo suas queixas, responsabilizando-se e garantindo atenção resolutiva e articulação com outros pontos da rede (BRASIL, 2006).

Por fim, ressalta-se que o acolhimento qualifica a assistência, possibilita o surgimento de vínculos significativos, favorece maior responsabilidade pelo processo de cuidado e manejo sobre situações relacionadas ao acompanhamento, seja individuais, sociais ou até mesmo relacionadas aos programas de atendimento (BRASIL, 2012).

4 PERCURSO METODOLÓGICO

Foi realizada uma pesquisa do tipo descritivo exploratória, com abordagem qualitativa.

Pesquisas exploratórias são utilizadas quando há o objetivo de proporcionar uma visão geral e aproximada sobre determinada situação, tendo entre suas principais finalidades desenvolver, modificar, esclarecer conceitos e ideias. Já a pesquisa descritiva tem como principal objetivo descrever características de determinada população ou fenômeno, bem como levantamento de opiniões, atitudes e crenças de uma população. Quando associadas, atendem os interesses de pesquisadores sociais que se encontram preocupados com a atuação prática (GIL, 1995).

Sobre a abordagem qualitativa, Marconi e Lakatos (2007) trazem a informação de que esta se preocupa em analisar aspectos mais profundos do comportamento humano, descrevendo-o em sua complexidade, visando detalhar as investigações, os hábitos, as atitudes e tendências de comportamentos.

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