6. FUEL STRUCTURAL DAMAGE AND OTHER FUEL ASSEMBLY ISSUES
6.5. Other miscellaneous damage
Na Escola de Michigan, entre os antropólogos e arqueó- logos, partindo da abordagem materialista de Leslie White (A
Ciência da cultura, 1949; A Evolução da cultura, 1959), surgiram as
primeiras tentativas de ver o sistema sociocultural (com os seus três subsistemas: Tecno-economia, sociopolítica e ideologia, lem- brando a estratégia de Marx de dividir o sistema sociocultural em infra- e superestrutura) como um sistema termodinâmico, sujeito às leis do universo, inclusive às de energia.
Nessa visão, os sistemas termodinâmicos são sistemas autorreguladores que absorvem energias para gerar produtos, e para prolongar a sua vida. Exemplos de sistemas termodinâmicos são seres biológicos e sistemas socioculturais (sistemas vivos), e servomecanismos e computadores (sistemas artificiais).
Partindo da sua abordagem materialista, White definiu a cultura como sendo os “meios extrassomáticos (isso é, não geneticamente derivados) de adaptação do organismo humano”; melhor seria dizer, da sociedade humana. Com isso, os arque- ólogos finalmente encontraram uma definição operacional da cultura, para o seu trabalho com restos materiais de atividades
culturais. Assim definida como meios adaptativos, a cultura já pode ser mensurada e quantificada.
Outros trabalhos e definições de White utilizam muito do conceito da energia, como a parte que aciona sistemas, sendo mensurável. A evolução seria vista, então, como um aumento do fluxo de energia per capita por ano através do sistema: assim há uma base material e mensurável para registrar o grau de civiliza- ção – a energia quantificada, captada e armazenada ou aplicada. Posteriormente, Marshall Sahlins, aluno de White, cha- mou atenção para o fato de que a capacidade do sistema de captar e incorporar novas fontes de energia envolve mais outro concomitante mensurável: a complexidade da organização das suas partes (componentes) especializadas. Ou seja, por mais energia que fluísse através do sistema, mais órgãos (compo- nentes, subsistemas) especializados o sistema teria que possuir. A evolução, portanto, também pode ser medida através da complexidade das suas partes componentes.
Outros destacados antropólogos dessa “escola” são Elman Service (A Primeira Sociedade de Afluência, Organização Social
Primitiva e Os Caçadores), Eric Wolf (Os Camponeses), Morton Fried
(A Evolução da Sociedade Política), além de Sahlins (Sociedades
Tribais) e outros. Por exemplo, pode-se
contrastar [...] os dois esquemas unilineares dos antropólogos culturais Elman Service e Morton Fried. Os dois se compilaram ao juntar muitos exemplos de diferentes sociedades humanas das pesquisas ettnográficas. Ambos tiveram muita influência entre arqueólogos. Service nos oferece uma tipologia de quatro estágios ao longo de uma escala de simples para complexo que consiste em bando, tribo, chefia e estado. Fried oferece um esquema alternativo, que consiste em igualitário, hierar- quizado, estratificado e de estado. Observa-se que enquanto diferem na sua terminologia, as descrições de Service e de Fried compartilham muito terreno. Os dois começam e ter- minam no mesmo ponto (começam com sociedades ‘simples’ de caçadores-coletores, embora as suas definições de tais sociedades difiram, e terminam com o estado moderno).
Compartilham uma metodologia semelhante; em outras palavras, os métodos usados para elaborá-los são os mesmos: Service e Fried juntaram muitos exemplos etnográficos de diferentes sistemas sociais e, em seguida, os seriaram ou classificaram de acordo com critérios de complexidade per- cebida (JOHNSON, 2010, p. 153).
Vários alunos de White, destacadamente Sahlins e Service (Evolution and Culture, 1960), elaboraram uma abordagem para o estudo da evolução da cultura baseada nas ideias da referida “escola”. Esses pesquisadores fizeram uma distinção já conhecida na Biologia, ou seja, a distinção entre a evolução específica, que seria a especialização adaptativa, e a evolução geral, que seria o aumento da capacidade do sistema de captar e incorporar novas fontes de energia. As duas aumentam a quantidade de energia disponível, só que, no primeiro caso, é apenas um aumento de eficiência no aproveitamento de energias já captadas, que conduz a especialização até o ponto em que o sistema dificil- mente conseguiria outras adaptações, se a situação mudasse – o caminho para a extinção. No segundo caso, o sistema, captando maior variedade de energias de mais fontes diferentes, é mais generalizado do que especializado, e pode ocupar e incorporar maior variedade de nichos ecológicos.
Os estudiosos referidos propuseram uma “Lei do Potencial Evolucionário” que postula que “por mais especializada e adaptada seja uma forma num dado estágio evolucionário, menor seria o seu potencial para passar ao próximo estágio [...]. Progresso evo- lucionário específico relaciona-se de maneira inversa ao potencial evolucionário geral” (SAHLINS; SERVICE, 1960).
A partir disto, eles propuseram também, como um prin- cípio derivado desta lei, o da Descontinuidade filogenética do progresso. “Significaria [...] que uma forma normalmente não gera o próximo estágio do avanço; que o próximo estágio começa numa linha diferente” (SAHLINS; SERVICE, 1960, p. 99). Citam como exemplo o princípio de Thorstein Veblen e de Leon Trotsky de que as civilizações mais avançadas são também as
mais especializadas, “oneradas” pelo seu investimento no ferro velho do passado, enquanto as sociedades menos especializadas têm o “privilégio do atraso histórico” (Trotsky) porque poderiam renovar com muito melhor facilidade.
Assim, esse grupo explicou que a primeira revolução socia- lista, que pelos teóricos deveria ter acontecido na Alemanha, aconteceu num lugar atrasado e, portanto, bastante improvável: a Rússia. Esqueceram-se de que essa não tinha sido a primeira, a qual aconteceu em 1910, no México, mais atrasado ainda. Em outras palavras, de acordo com Trotsky, o princípio do “privilégio do atraso histórico” significa que uma civilização “subdesenvolvida” tem certas potencialidades evolucionárias que falta numa Civilização avançada:
Embora compelido a seguir na esteira dos países avançados, um país atrasado não toma as coisas na mesma sequência. O privilégio do atraso histórico – e tal privilégio existe – permite, aliás, compele à adoção do que estiver disponível, adian- tando-se a qualquer data prevista, pulando uma série inteira de estágios intermediários [...] (TROTSKY apud SAHLINS; SERVICE, 1960, p. 100).
A Sahlins também vai o crédito para o esclarecimento de um assunto antes difícil de entender, ou seja, a transição entre a tribo e a civilização. Ao estudar sociedades polinésias, Sahlins chamou atenção para um nível de organização social em que há hierarquias, mas não estratificação, há governo com delegação de poderes de cima para baixo, mas sem Estado. O ponto central deste tipo de sociedade é um príncipe (“chefe”) redistribuidor. O chefe recebe um excedente de produção dos que podem produzir, dando apoio político em troca. Esse chefe redistribui o excedente aos necessitados, recebendo apoio político em troca. O chefe e a sua parentela acumulam excedentes e fomentam a produção. Outras tribos entram na órbita, e cada uma utiliza-se do seu micro-ambiente para uma produção especializada, criando uma interdependência das tribos originárias através do chefe redistribuidor. Esse arranjo é instável e a chefia tende a (1)
crescer além da sua capacidade de manter coesão, resultando em desagregação, ou (2) aparece o Estado como mecanismo emergente, permitindo restabelecer a estabilidade, agora em nível de civilização.
Sahlins, posteriormente, mudou de rumo e se embrenhou no Estruturalismo (Tópico 7.1), sem, no entanto, abandonar a visão diacrônica nem o respeito pelos fatos angariados e verificados na pesquisa.
Também da Escola de Michigan é o arqueólogo Lewis Binford, cujas contribuições serão apreciadas no Capítulo 1119.