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Evolution of fuel operating environment

2. EVOLUTION OF FUEL OPERATING ENVIRONMENT AND FUEL DESIGN CHANGES

2.1. Evolution of fuel operating environment

A partir dos ensaios de René Descartes (s.d.), o discurso sobre a teoria social se dividiu em duas correntes filosóficas, então vistas como antagônicas entre si, a saber, Materialismo e Idealismo, que são construções filosóficas que servem de abordagens metodológicas nas pesquisas e nas explanações.

Historicamente, os protagonistas do lado “idealista”, tais como Jean-Jacques Rousseau, arguiram a partir da pressuposição de que, após a Criação, feita pelo poder (mental?) de Deus, o agente histórico ativo mais importante é a mente do homem (feito à imagem e semelhança do criador), também criativa. Assim, a evolução social do homem seria o seu progressivo amadurecimento mental (evolução psicogênica) e, portanto, social. Desse modo, o estudo do homem deve partir do estudo da sua atividade mental.

Os materialistas, ao contrário, partindo dos estudos de d’Holbach e De La Mettrie (ver Abril Cultural, “La Mettrie, Holbach, Helvétius, Condillac, Degérando”, Os Pensadores, cap. 38. São Paulo, 1973), partiram do princípio de que as forças regendo os assuntos humanos são as mesmas que regem o resto do universo.

Num estudo de sistemas, Miller jr. (2009) taxou aqueles que fazem objeção aos estudos de unidades socioculturais como sendo de sistemas sujeitos às leis da Termodinâmica, como tudo o mais no universo das coisas objetivamente existentes, de “idealistas convictos”. Um resenhista (FERREIRA, 2010, p. 407) fez objeção dizendo que “[...] essa é a minha diferença com os arqueólo- gos evolucionistas. [...] Tudo o que está fora da Antropologia e Arqueologia evolucionistas é rotulado como ideialista; o que não for mensurável e nomotético é ideialista, não científico”.

Ora, está-se rotulando “ideialista” para fins descritíveis, sim; de certo modo sinônima com os termos “mentalista” ou “êmica”; mas não se tem a intenção de denegrir o trabalho de ninguém: a Teoria de Sistemas mostra que a vida mental e a do universo objetivo são complementares e não antagônicas. Diferem entre si apenas em termos da metodologia de pesquisa adequada.

Veja-se bem: o estudo das regularidades na ocorrência de fenômenos no universo material e observável requer métodos e técnicas éticas, ou seja, métodos e técnicas que possam ser verificáveis ou refutáveis e que têm que levar em consideração as possibilidades e limitações inerentes às leis da Termodinâmica. Não se vão encontrar as razões para o êxito adaptativo ou não de um povo em dado ambiente nas mitologias e regras de conduta dentro das cabeças dele. Tem-se que estudar as suas relações com o ambiente, o que é comportamento observável, mensurável e quantificável. Em outras palavras, precisa-se de uma abordagem materialista.

Ao contrário, se se precisa saber o porquê desse mesmo povo não aceitar uma transferência de tecnologia com vantagens óbvias ao proponente da inovação, não se vai encontrar essa resposta no seu ambiente, tecnologia ou relações ambientais. Tem-se que “entrar na cabeça do informante” e estudar o seu sistema de normas e valores – uma abordagem ideialista e “êmica”.

Um “idealista” prefere pesquisar problemas que envol- vam a vida mental de um povo: normas, valores, mitologia,

regras e explanações do povo sobre o seu universo percebido, o que exige o uso de uma abordagem “êmica”. Isso porque o espaço mental, ao contrário do espaço físico, não está sujeito às limitações da Primeira Lei da Termodinâmica: ao contrário da energia/matéria, a informação/organização pode ser aumentada indefinidamente sem se ter de tirá-la de outro lugar.

O problema não está na abordagem. Se as duas forem adequadas, necessárias e legítimas, cada uma no seu âmbito, serão complementares. O problema surge quando o adepto de uma declara que os adeptos da outra não estão “fazendo” Antropologia, ou seja, se não fizer o tipo de Antropologia que ele faz, então não é Antropologia – não é legítima. Como coro- lário, essas pessoas não querem que se fale em idealismo ou Materialismo porque isso seria irrelevante e superado.

Embora se deva questionar a legitimidade relativa de uma ou outra dessas abordagens, pois ambas são necessárias na resolução de tipos diferentes de problemas. Mas, certamente, pode-se questionar a legitimidade de adeptos de uma tentar denegrir ou expulsar da Antropologia o outro. Não se deve, também, tentar abolir os termos, que são descritivamente úteis.

Como resultado tem-se idealistas que consideram o método científico e a procura por regularidades irrelevantes para a Antropologia, uma vez que o método a ser adotado deve tratar apenas de ideias e suas consequências, de regras de comportamento com a sua prática e as suas infrações, da mitologia como guia para o pensamento e a ação; mas não das ações e do comportamento observáveis em si. Como disse uma vez o filósofo antropológico francês Claude Lévi-Strauss, a verificação de dados antropológicos é irrelevante porque ela diz respeito a fenômenos observáveis no mundo “objetivo” material e não a fenômenos mentais.

Isso só poderia aumentar qualquer distanciamento entre a Antropologia e a Arqueologia e, ainda mais, criar uma perspectiva de desalento para essa, que, pela sua natureza

e metodologia, dificilmente poderia se ocupar, em primeiro plano, com fenômenos mentais. Não haveria, portanto, campo de ação para a Arqueologia dentro de uma Antropologia assim.

Ao mesmo tempo, existem arqueólogos que, lamentando tal fato, tentam descobrir meios arqueológicos de se lidar com fenômenos mentais, partindo inclusive de ideias de arqueólogos como Ian Hodder (1982), que é bem ciente dos problemas de identificação dos fenômenos não materiais no contexto arque- ológico. Outros, por sua vez, abraçam a vocação materialista da Arqueologia ao proclamarem que ela é a “ciência da tecnologia” (LEONE, 1973, p. 125).

Em resumo, no passado, os idealistas filosóficos tentaram negar a relevância para a Antropologia dos fenômenos do mundo “objetivo”, observável e mensurável, enquanto materialistas tenta- ram, por sua vez, negar a relevância do mundo mental, considerado fantasioso e, frequentemente, incomparável ao mundo “real”.

Pela abordagem sistêmica, as duas linhas de pensamento se tornam faces complementares, e não antagônicas, da mesma realidade, porque, embora digam respeito a aspectos distintos, estes são igualmente relevantes em relação à realidade de um mundo de seres vivos, ecossistemas e sistemas socioculturais. Isso porque, enquanto o mundo material é regido pelas leis da Termodinâmica, o mundo mental o é antes pelas da Informação. Tal significa que esse estaria isento à Primeira Lei da termodinâ- mica, pois a informação e a organização (dois aspectos de uma única realidade, como também o são matéria e energia) podem aumentar no universo, o que não ocorre com a energia e matéria.