A intervenção que nos propusemos a realizar, teve por base os pressuspostos teóricos centrados no trabalho junto das familias. Como já foi mencionado anteriormente esta intervenção teve por base doi aspetos fundamentais: a realização de um trabalho de caráter educativo/reeducativo e outro um caráter terapeutico, procurando sempre que necessário uma ação proativa e reparadora das situações- problema levando as utentes a uma participação efetiva na aquisição de competências parentais. Fundamentalmente, os núcleos de trabalho que foram criados foram dinamizados em sessões de carater grupal. Sessões essas, que englobaram essencialmente três momentos de trabalho. Foi proposta ao grupo de mães, a responsabilidade de planificarem as atividades a desenvolver e executar mensalmente na dinâmica da instituição. Com a construção destes núcleos de trabalho especifico procurou-se que esta ação despulota-se momentos onde fossem previligiados fundamentalmente o apelo às experiências pessoais, mediante a participação das utentes e que promovesse a reflexão critica junto destas, ajudando-os nas transformações e na forma como pensam as suas próprias vidas e as suas relações interpessoais, nomeadamente com as suas crianças, utilizando estratégias de empowerment. Uma vez progenitoras são a fonte mais preciosa de informações quanto às suas necessidades e funcionamento, tivemos como base o modelo colaborativo que, segundo Webster-
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Stratton e Herbert assume que a colaboração implica a construção de uma relação não culpabilizante, apoiante e reciproca, que é considerados de forma igualitária os conhecimentos do terapeuta e as forças e perspetivas únicas dos pais assente no respeito pelo contributo de cada elemento, na confiança e na comunicação aberta (Webster- Stratton e Herbert, 1993). Do mesmo modo, uitilizou-se a metodologia do trabalho de grupo que, segundo Sarason e Pierce, pode funcionar como catalisador de mudança, ou seja, ao atribuir-se a uma diversidade de fatores tendo em conta a normalização da experiência de ansiedade na relação educativa com os filhos(as), propencia a redução da culpabilidade, podendo daí resultar a abertura a novas possibilidades da diminuição de mal-estar. Concretamente, o grupo opera de forma a reduzir a resistência dos pais, além de ser uma importante fonte de suporte social (Sarason e Pierce, 1990).
Partimos do pressuposto da intervenção centrada na família, referênciada por Mcwilliam, designadamente da importância do “fortalecimento das famílias” e dos seus contextos de vida. Sabemos que, este “fortalecimento” é o imperativo de alinhar a intervenção com base nas “forças” da familia, no fundo, é realçar o que a família tem de mais significativo, com o objetivo de encorajar a mobilização de recursos de rede de suporte (Mcwilliam et al, 1996). Por sua vez, Fredman diz-nos que o empowerment corresponde ao “processo através do qual as pessoas, organizações e grupos tomam conciência da forma como as relações de poder/subordinação operam nas suas vidas e desenvolvem capacidades e confiança para as desafiarem e alcançarem um maior nível de controlo das suas vidas” ( Fredman, 1997,p. 125) . Ainda no mesmo contexto, a UNESCO, a partir da conferência geral realizada em Nairobi, em 1976, apresenta o conceito de “participação cultural”, como a possibilidade efetiva e garantida para todo grupo ou individuo de exptressar-se, comunicar, atuar e criar livremente, com o objetivo de assegurar o seu próprio desenvolvimento, uma vida harmoniosa e o processo cultural da sociedade” (UNESCO, 1989,p.22). Na prespetiva Garcia Checa “ participação significa tomar parte e não apenas exigir, controlar e protestar. Tomar parte nas responsabilidades, nas decisões e no trabalho no lugar onde se está, na função que se ocupa, através do dialogo e da organização. Implicando-se pessoalmente nas tarefas que se julgam necessárias” (Garcia Checa, 1991, p. 48). Compreende-se assim, que o conceito de participação possa ser considerado no sentido de todos os individuos trabalharem de forma cooperante e ativa, implicando-se para isso em situações adversas. Porém Diogo diz-nos que o participar é “ uma forma de exercicio da
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liberdade, sendo por isso, também um exercicio da possibilidade de divergir dos outros (…) a participação é entendida como a capacidade de colaboração activa dos actores na planificação, direcção, avaliação, controlo e desenvolvimento dos processos sociais e organizacionais” (Diogo, 1998, p. 66-67).
Tendo por base estes conjunto de pressupostos pretendeu-se com esta intervenção os seguintes objetivos gerais: - Implementar uma ação que desperte nas utentes o desejo e a necessidade de participar quer na dinâmica das instituição, quer nos seus planos individuais de intervenção; - Desenvolver a capacidade critica e criativa das utentes com o objetivo de procurar soluções cooperativas para os problemas/bem- comum; - Criar condições de organização e desenvolvimento de tarefas fomentando espaços de trabalho em equipa e de trocas de informações válidas. Como objetivos especificos: - Expandir responsabilidades convergentes com vista à participação efetiva por parte das utentes; -Desenvolver o sentido de pertença; - Reforçar canais de comunicação e de cooperação; - Gerar laços de solidariedade, para desenvolver o sentido de pertença com vista a cultivar uma identidade; - Maximizar o poder de iniciativa e participação do próprio e do colectivo; - Trabalhar a capacidade em aceitar o pluralismo e a diversidade de cada membro do grupo; - Desenvolver atitudes cooperativas; - Desenvolver autoestima e autoconfiança individual e grupal para consolidação de atitudes assertivas e adequadas; - Promoção de um esperito crítico com vista a transformar as “atitudes” e formas de “estar”; - Desmestificar no grupo sentimentos negativos face às próprias dificuldades individuais.
Em conformidade com todos estes objetivos, a criação desta nova dinâmica de empowerment foi concretizada em três momentos diferentes tendo em conta os seguintes fases: a fase da planificação, a fase de execução e a fase de avaliação. No que correspondeu à fase de planificação e execução esta revelou-se surpreendente, uma vez que, o grupo aceitou de forma responsável a proposta realizada pelo investigador, evidenciando no decorrer das ações um comportamento adequado às circunstâncias que lhe foram propostas, interagindo de forma dinâmica e proativa. Não podemos deixar de referenciar aqui, que desde o momento que foi proposto esta nova dinâmica, o grupo sugeriu que estas sessões deveraim ter uma denominação propria, e relativamente a isto, denominaram-na como a: “Debate em grupo”. A aplicação desta intervenção foi desenvolvida nos finais de cada mês, sendo estes, o mês de dezembro de 2012, e de janeiro e fevereiro de 2013. Em detrimento disso, a realização deste plano de
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intervenção não foi possível prolongar por mais tempo, devido às delimitações de tempo para conclusão deste trabalho de investigação. Não obstante, esta nova dinâmica de empowermente continua a ser posta em prática, uma vez que, a própria equipa técnica começou a verificar mudanças no comportamento das utentes relativamente à sua participação individual. Em termos de parcerias toda esta dinâmica foi proporcionada com a colaboração estreita com todos os elementos que compõe a equipa têcnica da instituição. Seguidamente apresentaremos a fase que se dedicada à avaliação desta intervenção.