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Mergers and Acquisitions: Section Seven of the Clayton Act

Nesta quarta etapa de revisão de pesquisas, agrupamos trabalhos sobre sambas- exaltação, que têm, como denominador comum, evidências de que esse gênero musical, até então marginalizado (produzido e consumido pelas classes populares), foi usado como importante ferramenta de propagação de uma identidade nacional e de valores trabalhistas.

A análise de Pereira (2012) evidenciou que, nesses sambas de exaltação, alguns conteúdos temáticos sobressaíram mais que outros (a unidade da pátria; a formação social brasileira e a miscigenação étnico-cultural), sendo seus discursos orientados sempre para a ideia de unidade e integração nacional. A insistência na construção de uma memória nacional era uma preocupação da época para reforçar o nacionalismo e para que o sujeito se identificasse e se representasse com uma cultura macro.

O pesquisador ressalta que o discurso de construção de uma brasilidade deu-se a partir da integração de uma cultura popular à cultura nacional, “estabelecendo e reforçando os laços sociais entre as classes populares e a nação; negros, mestiços, pobres e outras minorias representacionais tinham um traço cultural reconhecido e nacionalizado” (PEREIRA, 2012, p. 117). Também atesta que, apesar do reconhecimento das minorias, outra parte da grande diversidade regional brasileira foi silenciada ou simplesmente não se viu representada.

Por fim, a apropriação do samba de exaltação, um gênero tipicamente popular, que traz “carga genética” de “cultura negra” converteu essa manifestação considerada “perigosa” em algo “seguro”, “limpo” e “domesticado”. Além disso, ao transformar uma manifestação “subalterna” em hegemônica, pôde despertar o sentimento de pertencimento em uma comunidade imaginada nacional” (PEREIRA, 2012, p. 117). Em termos conclusivos, aponta a música como um sistema de linguagem capaz de difundir e forjar identidades culturais. Nesse contexto, o samba cívico é orientado pela formação ideológica do Estado Novo. Assim, a invenção de elementos formadores da cultura de toda uma nação foi a forma encontrada pelos grupos de interesse para homogeneizar a identidade brasileira e assegurar a ideia de uma cultura como artefato.

Outro artigo que reforça o pensamento de Pereira é o do Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo, Filho (2009). O pesquisador analisa sambas de exaltação surgidos nos anos de 1930 e 1940, entre eles “Aquarela do Brasil”. Esse samba-exaltação é identificado como um discurso que “vende” uma imagem do Brasil, traduzida por sua natureza, pela felicidade, pela música, pela simpatia, e pela sensualidade de sua gente. A investigação de Filho também teve como objetivo perceber em torno de quais ideias buscou-se uma identidade nacional. Essa percepção é recorrente em várias pesquisas sobre samba-exaltação.

Também em consonância com essas reflexões precedentes, a tese de Paranhos (2005) analisa o discurso musical de compositores da música popular brasileira, entre o final dos anos 20 e meados dos anos 40 do século XX, justificado por ele por ser o “período que cobre desde o surgimento do samba carioca até sua consolidação como expressão musical de brasilidade” (PARANHOS, 2005, p. 56). Sob sua ótica, o samba foi sendo inventado como elemento essencial da singularidade cultural brasileira por obra dos próprios sambistas, que contribuíram para a invenção do Brasil como terra do samba, imagem que foi construída e que perdura até hoje. Como mostra ainda o pesquisador, este gênero musical foi usado pelo Estado Novo como “instrumento na construção de um discurso de unanimidade nacional e propagação de valores” (PARANHOS, 2005, p. 142). No entanto, mesmo diante da incansável pregação trabalhista do governo Vargas, Paranhos encontrou vozes que destoavam desse discurso e seguiam, em contracorrente, mostrando que havia limites que o Estado não podia transpor.

No âmbito da Análise do discurso francesa, o artigo de Pereira (2012) referencia os mecanismos usados pelo Estado Novo no processo de nacionalização do samba para a

construção de uma identidade nacional. Nesse contexto, o samba de exaltação atuou como um discurso de consolidação de uma consciência nacional, enaltecendo/valorizando a diversidade regional. No curso de sua reflexão, o autor observa que, para descer o morro e ocupar o asfalto, o samba passou a ser controlado/domesticado pelo governo e, por isso, sofreu uma série de exigências e transformações. Os sambas-enredo, por exemplo, foram obrigados a abordar temas nacionais, eventos históricos e hinos nacionais de exaltação às dádivas do país. Aproveitando-se ainda mais desse gênero, a ditadura Vargas estimulou o aparecimento do chamado samba cívico, também conhecido como samba de exaltação. O objetivo desse novo gênero era a exaltação de temas patrióticos e ufanistas, sempre buscando ressaltar as maravilhas ao som de “orquestral pomposo”. Aquarela do Brasil foi o primeiro samba desse gênero, responsável por difundir uma tradição discursiva de exaltação.

O samba-exaltação é também entendido como hino de exaltação ou samba cívico. Sob nossa perspectiva analítica, como já aludimos na primeira seção, assumindo, pois, essa orientação, consideramos pertinente apresentar algumas pesquisas que analisam o gênero hino e que vão contribuir para as discussões apresentadas nesta pesquisa.

Na Universidade de São Carlos (UFSCAR), Moraes (2015) buscou compreender os mecanismos utilizados na construção do gênero hino a partir da perspectiva bakhtiniana. O autor analisou os hinos do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) e do Movimento Zapatista, além do enunciado concreto “Vem Pra Rua”. Para o autor, há uma relação dialógica entre as canções populares e as canções hinárias, pois as canções populares podem tornar-se hinárias. Ele explica que, nessas composições, há “reações ao campo/esfera na construção do tema”. Defende a tese de que as demandas de reforma agrária, urbana e sociais, entoadas, “formam uma cadeia sócio-ideológica”, como um chamado “aparentemente constante dos embates e lutas”. Esses movimentos são sempre “dinâmicos e diferentes, dado que em cada entoação há uma eventualidade única”. Também constata, pelos relatos de memórias, que o hino do MST, com sua tonalidade axiológica, de fato reflete e refrata boa parte da realidade presente em suas letras. No caso das marchas de junho, verifica, na tonalidade de sua entoação, a consciência imediata das condições em que foi produzida. Em seu encaminhamento conclusivo, admite que tenha sido esse momento histórico o grande motivador das transgressões.

Ainda sobre o gênero hino, encontramos um artigo escrito pelos pesquisadores Tubino, Souza e Valadão (2009), tratando dos hinos oficiais e populares dos principais clubes cariocas de futebol, tendo como referência a primeira república do Estado Novo. Os pesquisadores observaram que, nesse período, os governantes viram no futebol um ingrediente fundamental para a construção de um discurso patriótico. Aliás, em sua percepção, essa foi uma tendência frequente durante esse período, pois não apenas o samba, como verificamos nos trabalhos anteriores, mas também os hinos de clubes de futebol serviram como instrumento na construção da identidade nacional. Além disso, conforme constataram, os pesquisadores ressaltam que os hinos de futebol serviram como importante registro histórico sobre os modos de viver e de se relacionar do carioca e sobre as contradições do período histórico analisado.