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MATERIAL ET METHODS

Dans le document Vol 08 – N01 (Page 197-200)

3.2 .Determination of total flavonoid concentration

MATERIAL ET METHODS

A vida no ciberespaço se desenvolve por meio do relacionamento entre pessoas de todo o mundo, com as mais diferentes crenças, ideais, objetivos e idades. Como destacado, esse contato entre os diferentes povos por meio das conexões em

rede influencia fortemente a construção das identidades e a maneira como os indivíduos se posicionam socialmente. Influencia também o modo como vivem o seu dia a dia, seu cotidiano, não sendo mais possível, na segunda década do século XXI, separar a vida humana em digital e real. A digitalização e os computadores conectados são elementos constituintes da vida social e mesmo os indivíduos que não estão inseridos integralmente na internet têm suas vidas influenciadas, de alguma maneira, por ela. “As redes interativas de computadores estão crescendo exponencialmente, criando novas formas e canais de comunicação, moldando a vida e, ao mesmo tempo, sendo moldadas por ela” (CASTELLS, 1999, p.40).

As novas tecnologias da comunicação e a internet permitiram que as trocas relacionais e os processos comunicacionais passassem a ser desenvolvidos com base em outras perspectivas. A velocidade no envio de mensagens e obtenção de respostas, as plataformas e programas de comunicação em tempo real, a possibilidade de participação na construção de conteúdos e o acesso a bancos de dados permitiram que as práticas da vida cotidiana passassem a ser regidas por paradigmas diferentes daqueles existentes antes dessa inundação tecnológica. A convergência dos meios digitais criou sistemas que caracterizaram a sociedade da informação e influenciaram mudanças nas práticas sociais. Como afirma Di Felice (2012, p.16):

Surge, portanto, não somente uma nova forma de interação, consequência de uma inovação tecnológica que altera o modo de comunicar e seus significados, mas também os pressupostos e as características de uma nova arquitetura social que estimula inéditas práticas interativas entre nós e as tecnologias de informação.

As trocas relacionais mediadas por computadores passaram a fazer parte da essência da vida atual e as complexidades em suas estruturas precisam ser avaliadas pois influenciam diretamente as dinâmicas sociais.

O primeiro ponto a ser levado em consideração é que a presença de máquinas capazes de influenciar as interações sociais e os processos comunicacionais não apareceu com a internet. O telégrafo, o telefone, o rádio e a televisão já proporcionavam formas de interação entre os indivíduos, as quais permanecem existindo nos meios digitais, mas foram potencializadas ou acrescidas de novas possibilidades conectadas.

Em sua obra, Primo (2008) explica que os meios digitais possibilitam dois tipos de interação claros e distintos: reativa e mútua. A “interação reativa” é o

processo baseado somente em possibilidades pré-determinadas por processos tecnológicos, em que os indivíduos apenas reagem aos estímulos propostos pelo produtor do conteúdo (seja em um jogo eletrônico, em uma enquete, ou durante a navegação de um site). O autor explica que nesse tipo de interação somente é possível agir dentro de um universo determinado, caminhando por trilhas já demarcadas e atendendo a fórmulas previstas.

[...] as interações reativas dependem da previsibilidade e da automatização das trocas. Se um ato foge daquilo que era esperado previamente, ele pode ser ignorado e recusado no processo ou até mesmo acabar com a situação interativa, por se constituir em erro incontornável. Uma interação reativa pode repetir-se infinitamente em uma mesma troca: sempre os mesmos outputs para os mesmos inputs. (PRIMO, 2008, p.149-150)

Esse tipo de interação também pode ser observado em processos realizados em meios não digitais. Ao enviar uma carta para um jornal ou para uma emissora de rádio, por exemplo, o leitor/ouvinte segue um caminho proposto pelo produtor do conteúdo: envia uma carta para um endereço determinado, recebe uma resposta (normalmente baseada em padrão comum para todas as respostas) e tem sua interação, muitas vezes, encerrada nesse ponto. A interação é previsível, ela acontece a partir de estímulos e por meio de canais pré-determinados e vai até um ponto especificamente definido.

Já no outro tipo de interação definido por Primo (2008), que acontece pelos meios digitais, a relação pode ser considerada mais dinâmica e por isso ela é denominada pelo autor como “interação mútua”. Nesse tipo de processo, a bidirecionalidade proporcionada pelos meios digitais aparece de maneira mais evidente, sendo a troca relacional realizada sem predeterminação, o que permite uma maior liberdade dialógica. Na interação mútua, os indivíduos participantes são considerados elementos mutantes, vivos, capazes de influenciar o processo e se influenciar por ele, podendo mudar o tom, o conteúdo e a direção da comunicação a qualquer momento. Nas interações mútuas a análise se faz a partir do todo, de suas conexões, e não com foco nas ações individuais. Primo (2008, p.116) afirma que “os processos de interação mútua caracterizam-se por sua construção dinâmica, contínua e contextualizada”, e completa: “a interação mútua é ação conjunta muito mais que mero movimento ou reação determinada” (PRIMO, 2008, p.116).

Considerando o modelo de interação mútua apresentado por Primo (2008), em que as interações mediadas por computadores podem avançar (e aprofundar) o campo das reações baseadas no binômio “estímulo/resposta”, aceita-se que essas relações possam influenciar e ser influenciadas pelo universo das intencionalidades dos indivíduos e por todo o contexto social. Assim, é interessante observar, também, a análise que Recuero (2009) faz dos laços relacionais estabelecidos na internet.

Em sua obra, a autora faz uma profunda análise sobre as formas de interações sociais dentro do ambiente digital e afirma que, para existir uma interação na internet, é preciso que existam atores e conexões, isto é, pessoas – ou empresas, governos etc. – e laços sociais por eles estabelecidos. Destaca, também, que o ator não precisa ser alguém físico, podendo ser identificado como um blog ou um perfil em rede social.

Em termos gerais, as conexões em uma rede social são constituídas dos laços sociais, que, por sua vez, são formados através da interação social entre os atores. De um certo modo, as conexões são o principal foco do estudo das redes sociais, pois é sua variação que altera as estruturas desses grupos. (RECUERO, 2009, p.30)

Os laços sociais constituídos a partir de relações entre indivíduos são chamados pela autora de laços relacionais, já aqueles que determinam a relação do indivíduo a grupos são os laços associativos (RECUERO, 2009, p.39-40). A autora também inclui2 a intensidade da relação como mais um fator de análise, podendo o laço ser considerado forte (marcado pela intimidade, proximidade e intenção em manter a conexão) ou fraco (marcado pela ausência de proximidade ou intimidade). Em sua análise, Recuero (2009) considera que todos esses elementos devem ser utilizados para classificar o tipo de relação que se estabelece no contexto das redes sociais digitais e avança a sua obra propondo classificações para os tipos de redes sociais digitais existentes.

Santaella (2013) analisa as estruturas das redes sociais digitais e, sobre as ligações relacionais entre os indivíduos, afirma:

[...] os laços se mantêm de acordo com o termômetro da motivação intrínseca, ou seja, na medida em que as relações grupais recompensam nossos desejos, tanto de participação quanto de

2 Para tratar da intensidade dos laços, a autora se baseia em GRANOVETTER, M. The Strenght of

compartilhamento. Isto porque nós temos motivações que brotam, espontânea e intrinsecamente, do desejo de fazer coisas pelo prazer que elas nos dão. (SANTAELLA, 2013, p.37)

Unindo as características de laços relacionais apresentados por Recuero (2009) e a proposta de interação mútua e reativa de Primo (2008), é possível perceber que as relações estabelecidas por meio da internet e das tecnologias digitais são complexas e heterogêneas, assim como os indivíduos (atores) que a compõem e a sociedade em que estão inseridos. Di Felice (2012) defende que cada elemento social influencia a vida em rede e é influenciada por ela, criando um movimento contínuo, circular e mutável, responsável pela manutenção da vida social, que ele compara a um ecossistema.

O caráter cognitivo da rede, a arbitrariedade de sua forma, a não linearidade, a sua propensão à saída do eixo, a sua estrutura reticular e interativa e a sua não externalidade a tornam uma arquitetura ao mesmo tempo interna e externa a nós, isto é, um ecossistema do qual fazemos parte como participantes e não apenas como observadores externos e independentes. (DI FELICE, 2012, p.15)

Com as possibilidades oferecidas pelas tecnologias digitais de informação e as conexões disponibilizadas pela internet, é preciso notar que todas as trocas relacionais do ciberespaço podem acontecer com atores localizados em todo o mundo e é neste ponto que se faz necessária a presença da reflexão proposta no início deste capítulo.

Os atores participantes de um processo relacional podem firmar um laço associativo (usando a terminologia de Recuero) em um grupo digital e, ao mesmo tempo, pertencerem a grupos culturais (físicos) distintos. Um indivíduo que vive em um determinado continente, por exemplo, pode viver experiências relacionais firmando laços de intensidade forte com indivíduos de outro continente. As particularidades locais de suas culturas coexistem com os interesses globais que os uniram no ciberespaço.

A globalização dos processos comunicacionais interpessoais pode ser percebida claramente quando são investigadas as relações estabelecidas no ciberespaço. Superando a etapa das diferenças linguísticas (consideradas por alguns autores como Wolton (2006) um grande problema a ser superado no caminho pela conquista de um mundo unificado), os indivíduos passam a transitar no ciberespaço

encontrando-se e construindo relações – fortes ou fracas – mesmo que fisicamente estejam localizados em áreas distintas. Nesse processo, as barreiras físicas e geográficas são eliminadas com a presença dos suportes tecnológicos e as diferenças culturais são minimizadas pela presença dos interesses comuns ao grupo. O indivíduo preserva as particularidades locais que compõem sua identidade, mas sente que ela pode tornar-se mais completa, ou interessante, se adicionar os elementos globais que despertem seu interesse.

Esse jogo de coexistência do global e do local, apresentado na discussão sobre o panorama social colocado no início deste capítulo, existe também na composição das identidades dos indivíduos e em como cada um deles se comporta dentro dos grupos a que se associa. Os “papéis” sociais mencionados por Heller (2000), que vão construir o cotidiano, também existem no mundo digital, afinal, as pessoas constroem uma vida no ciberespaço. Um determinado indivíduo pode estabelecer um laço forte com um grupo específico, desenvolvendo uma interação mútua, e, em outro grupo, esse mesmo indivíduo pode posicionar-se de maneira menos ativa, firmando uma interação reativa. Por isso, a análise das relações sociais no ciberespaço não pode ser feita a partir de generalidades e de maneira simplificada.

Neste momento, faz-se importante mencionar a contribuição crítica de Trivinho (2005), que, ao analisar os conceitos que envolvem a valorização do global e/ou do local em uma “tecnossociedade”, como ele emprega, lança mão do termo “glocal” para delimitar o contexto social atual. Para o autor, em uma sociedade emparelhada por suportes tecnológicos, que permitem, influenciam e impulsionam a comunicação em tempo real, não é possível mais admitir a valorização de um ou de outro aspecto (global e local), sendo necessária a admissão de sua coexistência como condição para a vida social.

O glocal representa a própria condição sine qua non de possibilidade dessa civilização, radicando, como tal tanto na base de sua existência, quanto no modo pelo qual ela se expressa na história. Assim como, na teoria econômica de Marx, a mercadoria, como signo do todo, está para o desenvolvimento integral do capitalismo, o glocal está para o funcionamento estrutural dessa civilização. (TRIVINHO, 2005, p.66)

Nessa mesma linha de análise, Di Felice (2012) aponta que, na nova configuração social, baseada em redes que transitam pelas mídias digitais, o sentido

de lugar, ou localidade, se transformou. Para ele, “o resultado de tal condição é que o social deixa de ser somente algo que está na nossa frente, observável e reconhecível, para, uma vez descolado também nas redes, se tornar um conjunto infinito de informações a ser reconstruído e reinterpretado por nós” (DI FELICE, 2012, p.17).

Trivinho (2005), ainda, considera que a estrutura “glocalizada” da sociedade pode ser entendida por meio da analogia do bunker, capaz de proteger e aprisionar. Para ele, é nesse bunker invisível, criado pela vida tecnossocial, que o indivíduo vive, considerando-se livre, autônomo e empoderado, mas que, na verdade apenas, sucumbe à ordem já determinada pelos detentores da estrutura social.

Em geral, esse microcinturão tecnológico alimenta a (ou, ao menos, comparece vinculado à) ilusão de que a condição existencial por ele fundada e reproduzida concentra poder absoluto nas mãos do indivíduo, quando, ao contrário, caracteriza justamente – na perspectiva de uma antropologia politicamente orientada – perda social desse poder, a contar pelo flagrante e significativo decréscimo na autonomia humana observado num universo de dependência

tecnológica inaudita, na forma de uma subordinação fatal do corpo e da subjetividade ao objeto infotecnológico e ao cyberspace. (TRIVINHO, 2005, p.73, grifos do autor)

O estudo das relações sociais dentro do ciberespaço, seja entre pessoas ou entre indivíduos e empresas, governos, ongs etc., deve ser feito tendo em mente toda a complexidade que envolve o universo digital. É preciso compreender que as práticas existentes em outros meios não devem ser simplesmente transferidas para o mundo digital, pois ele possui particularidades – como a possibilidade de comunicação a distância, em tempo real, com processos de interação mútua e por meio de multiplataformas convergentes – que o diferem dos demais meios comunicacionais. Também se faz necessário entender que os indivíduos não são homogêneos apenas por visitarem as mesmas páginas na internet ou por pertencerem à mesma plataforma de rede social. Os indivíduos presentes no mundo digital também estão presentes no “mundo real” e, por isso, suas identidades são formadas por interesses, hábitos e normas que regem esses dois “universos”.

Primo (2008, p.142) afirma que “reduzir a interação a aspectos meramente tecnológicos, em toda e qualquer situação interativa, é fechar os olhos para o que há além do computador.” Nesse mesmo sentido, Recuero (2009, p.31) considera que as “interações não são, portanto, descontadas dos atores sociais. São parte de suas

percepções do universo que os rodeia, influenciadas por elas e pelas motivações particulares desses atores.” Com base nos pensamentos dos autores apresentados, entende-se ser preciso contextualizar os fluxos comunicacionais que transitam pelas mídias digitais, compreendendo que os atores envolvidos pertencem a uma sociedade globalizada, que mantêm vivas, porém, as suas particularidades locais.

Faz-se necessária a análise do ambiente social global (abordado no início deste capítulo e que inclui a globalização e a necessidade de valorização das individualidades e das identidades culturais) em conjunto com as potencialidades e limitações da presença das tecnologias digitais nos processos relacionais para que se obtenha um panorama da atual sociedade conectada e digitalizada. Defende-se aqui que, somente unindo todos os aspectos essenciais: a influência da internet na vida social, o entendimento da importância da valorização do global e do local e a influência dos papéis desempenhados pelos indivíduos em suas vidas e no social geral, será possível desenvolver a análise proposta para esta pesquisa.

As novas tecnologias da informação e a conexão de computadores em rede criaram um ambiente digital bastante particular, que influenciou, de maneira decisiva, a economia, a política e a forma como os indivíduos se relacionam e constroem suas vidas cotidianas. Essa consciência, bem como todos os conceitos apresentados neste capítulo, auxiliam na definição de um panorama geral do universo em que se encontram os principais elementos de análise desta pesquisa que investiga como as empresas do segmento esportivo se relacionam com seus consumidores por meio das redes sociais digitais conectadas.

Capítulo II – O UNIVERSO EMPRESARIAL E A

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