MATÉRIEL ET MÉTHODES
5. Essai de classification
Conforme setor de Comunicação da Unemat, não há planejamento ou calendário fixo para os principais eventos científicos da instituição, por exemplo, a Jornada Científica, que é o maior evento de Divulgação Científica da Unemat. Da mesma forma, não haveria uma sistematização das informações relativas às pesquisas desenvolvidas nos programas de pós- graduação, além de projetos desenvolvidos no âmbito da graduação. Essa falta de disponibilização e sistematização de informações acabaria comprometendo o trabalho de divulgação, o que é dificultado ainda mais pelo fato de a equipe de comunicação ser reduzida.
Apesar das limitações, a equipe está construindo uma revista de DC, chamada Eureka, que conta com projeto gráfico, formatação, sessões divididas. A proposta é ser quadrimestral.
Para a sua concretização, falta a equipe de jornalismo visitar os câmpus para sistematizar informações.
A gestão da Unemat afirmou, também, que está empenhada em reorganizar a editora, as revistas científicas e, mais do que isso, os próprios planejamentos dos grupos de pesquisa. A partir daí, pretende ver como será dinamizada a divulgação científica, “saída dos professores para eventos, como é que nós vamos organizar eventos próprios da universidade, como é que nós vamos trabalhar a divulgação da universidade, do que se produz na universidade para que a comunidade saiba disso”, afirmou o representante da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós- graduação.
Na UFMT, a gestão declarou ter a preocupação, não só de possibilitar a ampliação desses canais no circuito acadêmico, mas também trabalhar no sentido de que haja essa circulação e publicização também para setores da população em geral. A Universidade criou linha de financiamento para tradução de papers, linha editorial que busca também dar suporte para os pesquisadores, linha editorial para revistas eletrônicas e sistematização de revistas nos programas de pós-graduação.
A gestão também afirmou que as parcerias com o Governo do Estado e prefeituras, no sentido de prestação de assessorias e consultorias, visando responder às problemáticas regionais pontuais, como Meio Ambiente e Saúde, contribuem para aproximar as pesquisas desenvolvidas na UFMT da população local.
Em relação ao jornalismo científico, foram apontadas várias iniciativas como a TV Universitária, criação de revista UFMT Ciência, Fapemat Ciência, UFMT.Ciência e ações para implementação de uma rádio universitária. “Mas o problema nosso é o financiamento, porque não é fácil você ter financiamento para essas publicações. Então, todo ano a gente tem que buscar garantir isso”, afirmou a reitoria da Universidade. Para incentivar novos talentos, a UFMT tem o programa Jovens Talentos, que é voltado para alunos do Ensino Médio, objetivando que eles possam trabalhar junto com professores da UFMT nos seus laboratórios, além da distribuição da UFMT Ciência para escolas da rede pública.
Ainda, de acordo com o profissional do setor de comunicação da instituição, essa política de comunicação científica está formalizada em um documento, elaborado para concorrer ao Prêmio José Reis de Divulgação Científica, já aprovado pela reitoria.
5.3.1 Públicos prioritários para a Divulgação Científica
A Unemat, segundo declaração dos colaboradores, ainda não delineou seu público preferencial para a Divulgação Científica.
Já na UFMT, pontuou-se que o público é delimitado em interno e externo. O público interno prioritário é constituído pelos pesquisadores, alunos de mestrado, doutorado, professores pesquisadores, líderes de grupo etc. E o público externo é constituído pela imprensa e autoridades que atuam diretamente no processo de popularização, e alunos de Ensino Médio. “A gente quer criar o foco de interesse, porque não adianta: se a audiência é ativa, eu tenho que ir lá onde a audiência é ativada. Não adianta eu ficar soltando publicação daqui que não vai atingir, não vai chegar”, afirmou o coordenador da comunicação institucional.
5.3.2 Iniciativas para qualificação da cobertura jornalística
Na Unemat, conforme colaboradores, ainda não há iniciativa nesse sentido. As ações ficariam limitadas devido à falta de recursos financeiros, capacitação do quadro de jornalistas para essa especialização e falta de profissionais, para atuarem diretamente em todos os câmpus.
Já os depoentes da UFMT, afirmaram que existe essa aproximação por meio de releases, newsletters e também dos cursos de Divulgação Científica, ministrados para jornalistas, estudantes e interessados, além do atendimento diário à imprensa.
5.3.3 Sensibilização para Divulgação Científica
“Os pesquisadores gostam de ser valorizados, de mostrar o que estão fazendo, para que as pessoas saibam que existem coisas boas acontecendo dentro da universidade”, apontou a pró- reitoria de Pesquisa e Pós-graduação da Unemat. Entretanto, ressaltou, também que há a necessidade de se ter projetos mais efetivos de divulgação, de mostrar mais o que se faz. “A gente quer criar um catálogo de grupos, organizar os nossos projetos de forma mais visível, mostrar melhor essa situação para a comunidade”. Para sensibilizar os pesquisadores, a Unemat está construindo um Fórum de Gestores, onde será destinado espaço para este objetivo.
Na UFMT, entretanto, esse parece ser o maior desafio da Divulgação Científica. De acordo com entrevistados, internamente, ainda há necessidade de maior entendimento de que o tempo da imprensa é diferente do tempo da pesquisa. Outra dificuldade apontada reside em ampliar o quadro de pesquisadores que atendem a imprensa. Haveria, também, conflitos
gerados pela falta de confiança, diferença nos discursos, além de inseguranças sobre o que o jornalista pode fazer com a informação. “Ele gosta de ler o que o jornalista vai escrever, o jornalista não deve mostrar, ele não pode se submeter ao crivo da censura do pesquisador. Então, é uma relação um pouco delicada, e esse talvez seja o maior desafio”, afirmou coordenador da comunicação (Entrevista 6).
A gestão da UFMT afirmou que, principalmente os docentes que atuam na pós- graduação, entendem a importância da Divulgação Científica, pois sabem que sem divulgação das pesquisas, não têm possibilidade de continuidade no programa. Somado a isso, também foi relatada a dificuldade sentida em algumas áreas para transformar o linguajar mais técnico em um linguajar mais aplicado.
5.3.4 Sistematização das informações sobre pesquisa
A Unemat começou a construir agora um banco de fontes. O setor de comunicação informou estar iniciando essa empreitada pela Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, solicitando o nome dos projetos cadastrados, institucionalizados e, com base nesses projetos de pesquisa, ampliam as informações, checando junto ao Lattes dos professores. E esse banco de fontes, inclusive, também alimentará o portal da Rede de Divulgação Científica (RDC).
Junto a UFMT, na Secretaria de Comunicação há um Guia de Fontes online, com cadastro dos pesquisadores que autorizam a sua inclusão nesse catálogo, para ser acessado pela imprensa (http://cpd1.ufmt.br/guiadefontes/index.php). A atualização é feita anualmente.
5.3.5 Nível de conhecimento das pesquisas desenvolvidas pela Universidade
Para a gestão da Unemat, antes do desafio de divulgar para a sociedade as pesquisas desenvolvidas, a Universidade tem que criar mecanismos para maior divulgação para o público interno. Diferentes gestores apontaram que uma política de divulgação tem que ser urgente e, nesse sentido, deve articular pró-reitoria, editora e comunicação.
Os principais desafios relatados nesse sentido apontam para a necessidade de se fortalecer a Editora com a definição das linhas editoriais; a montagem de livraria, constituindo- se como um espaço de divulgação; a reativação da Fundação desta Universidade (Faespe), viabilizando editais para publicação; a regularização de periódicos e a viabilização de mecanismos para acompanhar a divulgação docente, para além dos relatórios enviados para comitê de avaliação docente.
Na UFMT, a gestão apontou que as pessoas começam a compreender o que é feito na Universidade, a importância da universidade para a região, embora a sociedade tenha uma compreensão muito própria desta IES. “Se você sair hoje em qualquer setor público ou privado e perguntar se tem alguém que já cursou, ou está cursando, ou se tem um parente, você vai ver que sempre tem alguém. E aí, vejo a respeitabilidade da universidade federal que é muito grande no estado e eu acho que no Brasil também”, disse a reitoria (Entrevista 4). “Hoje a UFMT tem visibilidade nacional, internacional, porque nós crescemos muito na internacionalização, eu acho que pelo trabalho desenvolvido pelos seus pesquisadores, pelos seus professores, que colocam ela com essa visibilidade e importância”.
5.3.6 Visibilidade institucional no contexto estadual e nacional
Os gestores da Unemat não têm muito claro como deveria ser trabalhada a imagem da Universidade. Mas apontam a necessidade de repensar e definir a identidade institucional e, dessa forma, padronizar e alinhar os discursos, para trabalhar uma imagem única e coerente.
Segundo informações dos depoentes, a equipe de comunicação traçou um manual para os serviços de comunicação da Unemat, buscando padronizar procedimentos e ações, mas o material ainda não foi concluído. Também foi apontada a necessidade de padronizar o uso da marca e condutas de comunicação. Conforme representante da reitoria (Entrevista 1), as diretrizes de uma política de comunicação devem ser feitas, inicialmente, por uma comissão ligada à reitoria, submetidas à prática para, a partir de críticas e sugestões durante a ação, ser aperfeiçoada, estendida e submetida aos conselhos.
Já na UFMT, os colaboradores afirmaram que a Universidade tem que se colocar publicamente como uma instituição social. “A visibilidade que a gente quer dar para a universidade é a de uma instituição social. De uma instituição disposta a participar do processo, não como você fala do processo de desenvolvimento, mas todos os processos que envolvem o estado de Mato Grosso”, apontou profissional do setor de Comunicação. Um dos mecanismos criados para maior visibilidade social é a participação da Universidade em vários conselhos, de arquitetura, de educação, nos conselhos estaduais da comunidade, representação da reitoria em diferentes conselhos (Andifes, Secretarias de estado). “Porque lá é o lugar efetivo de participação, de proposição, de definição de políticas, de orientação do estado. Então, ao mesmo tempo em que você tenta mostrar para a sociedade qual o caminho que você vai adotar, você efetivamente caminha naquela direção. Então está bem alinhada a política de gestão, com a política de comunicação”, ponderou.