Part IV. Infrastructure Services
Chapter 8. Managing Services with systemd
8.2. Managing Syst em Services
Apesar deste ingresso do Brasil em programas ambientais, o país ainda vive sinais diários de degradação ambiental, de desrespeito às leis e, sobretudo, da imposição econômica em locais cuja cultura extrativista se apresenta para muitos como a única maneira de não morrer de fome.
Segundo o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais), o Brasil perdeu 36% de sua cobertura vegetal desde o descobrimento, e cerca de 200 mil queimadas são identificadas por satélites anualmente no país. Se não bastassem esses dados alarmantes, 75% das emissões de gás carbônico do Brasil vem dessas queimadas na Amazônia, que colocam o país entre os cinco maiores poluidores do planeta. Além disso, o estudo mostra que 24,5 milhões de m3 de árvores foram derrubados na Amazônia em 2004 e, 60% dessa madeira ficou abandonada na floresta, apodrecendo. Um dado que mostra a substituição das matas nativas na Floresta Amazônica por pastagens é que, de 1990 para cá, o número de cabeças de gado aumentou 144% naquela região, quatro vezes mais do que no restante do país.
A Amazônia Legal, construção geopolítica estabelecida em 1966 para fins de planejamento regional, possui uma extensão de 5.109.812 Km², correspondente a cerca 60% do território nacional, e abrange os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão. É bom dizer que, embora 67% da floresta Amazônica pertença ao Brasil, os outros 33% estão distribuídos entre a Venezuela, Suriname, Guianas, Bolívia, Colômbia, Peru e Equador.
Em que pese sua grande extensão territorial, o efetivo demográfico da região no país é de 21.056.532 habitantes, ou seja, 12,4% da população nacional, o que lhe confere a menor densidade demográfica do Brasil – 4,14 hab/km². E é exatamente nesta região que se encontra uma das maiores, se não a maior, variedade de organismos vivos de todas as origens e complexos ecológicos. O Brasil é dono da maior reserva hídrica do mundo – 13,7% da disponibilidade de água doce do planeta -, e dois terços dessa água estão concentrados na Amazônia.
Tamanha exuberância atraiu os olhares de todo o mundo para as riquezas naturais existentes no Brasil principalmente naquela região. Os acidentes ecológicos ocorridos em vários pontos do planeta ajudaram a alertar a opinião pública sobre os riscos de extinção da vida na Terra, e, ao mesmo tempo, sobre as possibilidades que ainda restam de o mundo se recuperar. Sob este aspecto, a Amazônia é tida por muitos como tábua de salvação e de onde sairão os recursos para a retomada da qualidade de vida no planeta. É bem verdade que há muitos mitos, os quais a ciência vem tratando de derrubar, como por exemplo, de que a região seria considerada o “pulmão do mundo”. As pesquisas demonstraram que todo o oxigênio produzido na Amazônia é consumido pela própria floresta.
Diante da riqueza daquela região e da conseqüente importância adquirida, mais de 60 satélites capazes de vigiar a Amazônia foram lançados ao espaço nos últimos 20 anos. Também entrou em operação o Sistema de Proteção da Amazônia, braço civil do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), que utiliza equipamentos em órbita, aviões e 800 estações terrestres para a região, um custo de US$ 1,4 bilhão. Além disso, outros R$ 31 milhões foram gastos na modernização de centros científicos como o Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), ambos com estrutura para analisar dados relativos à floresta.
Apesar de tantos investimentos, seu resultado não é a preservação em si da floresta, mas uma constatação visível e mensurável do quanto ela vem sendo destruída. Dados do Ibama dão conta de que a Floresta Amazônica tem hoje menos de 80% de seu tamanho original e vive acelerado processo de devastação. Somente em 2005 já havia se desmatado o equivalente a dez vezes a área da cidade de São Paulo. Em 2004, foi-se quase uma Bélgica. Segundo a entidade, só nos últimos 15 anos, 28,8 milhões de hectares foram devastados, metade de tudo o que fora destruído desde 1500.
A Amazônia vem sendo degradada desde a colonização do Brasil de várias maneiras, de acordo com a disponibilidade dos seus recursos naturais e da necessidade econômica em cada etapa deste processo. Houve contudo, uma intensificação a partir da década de 1970 com maior ocupação e extração mineral e vegetal. Atualmente, os principais processos de degradação são: desmatamento: para agropecuária, extração de madeira e ocupação; mineração: para a exploração principalmente de ferro, cassiterita, bauxita e ouro; as queimadas: para formação de pastagens, abertura de estradas, etc. Dessa forma, há uma sensível alteração do ciclo de nutrientes da floresta, abalando os fatores que a mantém.
Recentemente, foi divulgado o resultado de um relatório final da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investigou o tráfico de animais e plantas silvestres da fauna e
flora brasileiras. Segundo o texto do relator Sarney Filho, ex- ministro do Meio Ambiente, o tráfico de animais e plantas movimenta anualmente US$ 1 bilhão no país, só ficando atrás do tráfico de armas e de drogas. Os parlamentares dividiram as investigações em três vertentes: (a) tráfico de animais silvestres; (b) exploração e comércio ilegal de madeira; e (c) biopirataria. Foram ouvidas 122 pessoas entre policiais, técnicos de órgãos governamentais, profissionais do terceiro setor e pesquisadores de universidades e institutos.
Para se ter uma idéia de como as questões ambientais brasileiras repercutem, quase sempre negativamente, em outros países, basta levar em conta a notícia publicada no jornal norte-americano The New York Times e também no site do veículo, em 16 de outubro de 2005, matéria assinada pelo correspondente Larry Rohter, sob o título “Madeireiros desdenham lei e devastam Amazônia – Apesar do governo, comércio de madeira está maior do que nunca”. Segundo o repórter, a partir do mês de junho, assim que chega a estação da seca, uma prática assustadora se repete várias vezes ao dia. São caminhões que saem vazios de um assentamento ao longo da rodovia Transamazônica e voltam na metade da tarde carregados de troncos, recém-cortados, de ipês, jatobás e cedros.
De acordo com Rohter, de nada adianta o governo ter suspendido, no ano passado (2004), essa atividade naquela região. Segundo ele, também não se leva em conta que valiosas árvores para o conjunto ambiental estejam em terras públicas e que elas sejam postas ao chão por força de motosserras e tratores.
Ainda segundo a notícia do jornal norte-americano, os números do governo brasileiro mostram que as exportações de madeira brasileira da Amazônia aumentaram quase 50% em valor em 2004, em comparação ao ano anterior, chegando a quase US$ 1 bilhão. No geral, cerca de 40% da madeira cortada na Amazônia é enviada ao exterior, em relação a 1999, este número era de apenas 14%. Os principais mercados do Brasil são os Estados Unidos, que representam um terço de toda madeira enviada ao exterior, seguidos pela China, com 14% e em franca expansão, além de países europeus, que coletivamente representam 40%.
A reportagem ainda destacou o depoimento de Paulo Adário, que dirige a campanha para a Amazônia do grupo ambientalista Greenpeace. “O problema é que os próprios números do governo indicam que cerca de 60% destas exportações são ilegais.” De acordo com Adário, é inconcebível que isto ocorra, pois as licenças de corte estão suspensas desde julho de 2004, e as exportações de madeira continuam crescendo assustadoramente
Defensores dos posseiros, incluindo sindicatos trabalhistas e representantes da igreja católica atribuem tal fato à precária estrutura do Ibama, que não consegue agir contra os madeireiros e donos de serrarias. O órgão apresenta uma escassez crônica de pessoal e
dinheiro, seus funcionários são freqüentemente ameaçados e nem o exército, nem a polícia estão dispostos a fornecer proteção aos fiscais em missões oficiais.
E, se as matérias de caráter ambiental ecoam no exterior, internamente, não é diferente. Temos também acesso a informações sobre o que ocorre neste campo em outros países. Em uma rastreada rápida, no dia 14 de outubro de 2005, por exemplo, a temática ecológica foi manchete nos principais jornais do Brasil. A Folha de S. Paulo, em sua capa, trouxe as seguintes manchetes: “Degelo isola 1,2 mil turistas nas ruínas de Machu Picchu (Peru)”; “2005 deve ser o ano mais quente, diz estudo da Nasa” e “Gripe do frango já ameaça os europeus.”
Outro fato de mostrou o Brasil negativamente lá fora foi o assassinato, em 12 de fevereiro de 2005, da missionária norte-americana Dorothy Stang, morta com seis tiros por pistoleiros em Anapu, no Pará. A missionária vivia há mais de 30 anos na região Amazônica e sua mais forte bandeira era defender os direitos dos trabalhadores rurais. Ela foi executada a mando de fazendeiros, descontentes com a postura da irmã que lutava pelo direito à terra e pela adoção de um modelo de desenvolvimento sustentável, com promoção de melhor qualidade de vida à comunidade. Os pistoleiros foram presos, mas os fazendeiros- mandantes aguardam em liberdade o julgamento.