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- LISTE DES PERSONNES AUDITIONNÉES

Dans le document RAPPORT N° 53 (Page 191-200)

Retorno ao bairro: cartografando as transformações

O percurso II foi realizado em fevereiro de 2015, e a narrativa que se segue, assim como nos percursos anteriores, corresponde ao conteúdo dos registros do diário de campo da pesquisa, inclusive a partir de gravações da fala da própria pesquisadora. Iniciou-se o percurso pela nova praça construída na chegada da Vila da Esperança, a Praça do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento – Fase 2), que já está concluída e em uso pelos moradores, mas que ainda não foi inaugurada oficialmente. Essa é a primeira transformação observada no bairro no transcorrer do Percurso II. Na praça (figuras 52, 53, 54 e 55), havia alguns adolescentes jogando na quadra,

crianças brincando de bicicleta na pista de skate e algumas meninas conversando junto aos brinquedos de madeira e que saíram ao perceberam que poderiam ser fotografadas.

Figura 52 - Imagem da entrada da Praça.

Fonte: Fotografia realizada pela autora.

À direita, estão implantadas as quadras de esportes; à esquerda, a pista de skate e alguns brinquedos de madeira e, ao fundo, o teatro, em cuja parede foi realizado um mosaico com motivos musicais pelos moradores do bairro.

Figura 53 - Quadra coberta com jovens jogando.

Fonte: Fotografia realizada pela autora. Figura 54 - Rampa para prática de skate.

A pesquisadora e agente comunitária foram recebidas por uma técnica do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) que já está em funcionamento e atende a população dos bairros São Marcos, Santa Mônica, Vila Esperança e Recanto da Fortuna – CDHU no. Uma assistente social acompanhou a visita na Praça e mostrou as instalações do CRAS relatou que, antes de se mudar para esse novo espaço, o serviço atendia em um imóvel alugado, situado no Bairro Santa Mônica, e que, com a transferência, a procura e o número de atendimentos diminuíram. Ela relaciona essa diminuição tanto ao fato de o deslocamento ter ficado prejudicado, em função da insuficiência de transporte coletivo para a Vila Esperança, quanto a alguma “disputa” entre os bairros, o que intimida o acesso “dos que são de fora”, como se refere aos usuários de outros bairros. Diz, ainda, que, quando era no bairro Santa Mônica, a população já estava mais acostumada, os usuários conheciam o lugar e o acesso era mais fácil.

Ao entrar para conhecer os espaços físicos que o CRAS passará a ocupar na nova praça, conversamos com as trabalhadoras que lá estavam e relataram a dificuldade em ocupar aquele espaço, que não se adequa às necessidades e aos processos de trabalho. Os espaços coletivos são insuficientes, de acordo com suas falas, e não há espaço previsto para atendimento individual, que é necessário em determinadas situações, especialmente porque atendem muitos casos de violência doméstica. Embora a proposta do CRAS tenha um foco preventivo, ainda não funciona nesses moldes. As trabalhadoras - uma psicóloga e uma assistente social - problematizaram a proposta de uso de um projeto padrão nacional que não atende às necessidades locais. Para minimizar as dificuldades e não se imobilizarem em função dessa situação, relatam que, com criatividade, foram adaptando os espaços. Por exemplo, ao fundo da sala multiuso, foi improvisado um espaço mais reservado para atendimento individual do CRAS, que deverá sair desse local assim que as outras secretarias passarem a usar o espaço.

Explorando um pouco mais a Praça, observamos que há outros espaços coletivos que poderiam ser melhor usados, porém a lógica de funcionamento é fragmentada. Ou seja, o uso do teatro e da biblioteca é de gestão da Secretaria da Cultura; o CRAS, da Assistência Social; as quadras, da Secretaria de Esportes, e ainda não se organizaram de modo a compartilhar e usar coletivamente também o que pertence a cada área.

Por exemplo, as aulas de violão e dança do ventre, que fazem parte de programa do CRAS, atualmente acontecem na sala multiuso, que deve ser compartilhada com todos, e, em alguns momentos, já está sendo usada para outra atividade. Essas aulas poderiam acontecer também no teatro, que espacialmente é mais adequado de acordo com a assistente social do CRAS, no entanto este permanece fechado quando não há apresentações da cultura. O seu uso para essas atividades possibilitaria que a sala multiuso fosse ocupada com outras atividades coletivas.

Figura 55 - Maquete eletrônica disponível no site da Prefeitura Municipal de Campinas que se refere ao projeto padrão da Praça do PACII que na verificação in loco observa- se alterações das disposições das quadras desta apresentada.

Fonte: http://www.campinas.sp.gov.br/noticias-integra.php?id=17950.

Assim, se deixou a Praça, partindo-se para revisitar os locais percorridos no Percurso I, realizando novas fotografias para verificar as transformações que ocorram no bairro no período de um ano, checando com as imagens que foram a base para a construção das cenas e das narrativas dos moradores durante as oficinas.

As Cenas referentes ao Parquinho de Baixo, à Horta, ao Parquinho de Cima e à Ponte continuam da mesma forma. Assim, decidiu-se por não realizar novas imagens

fotográficas desses locais, focando-se no Campinho, que se transformou na Nave Mãe e na nova escola EMEI que foi construída.

Figura 56 – Antes: Este local era ocupado pelo Campinho.

Fonte: da autora.

Figura 57 – Atualmente: ocupado pela Nave Mãe, que ainda não está ocupada por falta de profissionais.

Durante o percurso, se passou pelas casas das moradoras cujas plantas foram produzidas nas oficinas, mas apenas em uma delas havia pessoas em casa. Como se estava com o material em mãos, perguntou-se a moradora se seria possível entrar naquele momento para conhecer a casa in loco. Explicou-se que a proposta seria checar a construção real em relação ao que foi produzido, especialmente para avaliar se houve correta compreensão da narrativa sobre o que foi construído. Porém a moradora disse que a casa estava muito bagunçada e pediu para voltar outro dia. Foi combinado um retorno, cuja data a agente comunitária que contribuiu nessa comunicação iria passar a pesquisadora.

Seguiu-se o percurso para conhecer a Nova Escola construída, porém mais uma vez não foi possível entrar, pois a diretora argumentou que estava com muito trabalho e não poderia nos acompanhar. Disponibilizou um número de telefone para agendarmos uma visita.

Figura 58 - Imagem externa da nova escola do bairro.

Fonte: da autora.

No caminho de volta, já no retorno ao CS, havia algumas pessoas em frente a uma casa, e a agente comunitária pediu à moradora se poderíamos entrar e conhecer. Ela

autorizou nossa entrada, e pudemos observar a precariedade do espaço. Não se realizou imagem fotográfica por questões de privacidade dos moradores, que ficaram constrangidos ao serem perguntados se poderíamos realizar os registros.

A casa é o modelo ampliado com dois dormitórios e encontra-se da forma como foi entregue pela COHAB, sem revestimento algum, no contrapiso, alvenaria aparente (sem reboco), telhado com toda estrutura exposta, sem laje e forro. Logo na entrada, se observou que ainda se encontra no terreno natural, com um desnível em terra batida para acessar a porta de entrada e parte do baldrame aparente. Apenas a porta da entrada estava aberta; todas as demais janelas estavam fechadas e as que possuem apenas vidros estavam protegidas com pedaços de pano de diversas cores e tamanhos, fazendo a função de cortinas. Havia vários ventiladores ligados. A sala estava mobiliada com um pequeno sofá, encostado na parede lateral esquerda da entrada, um rack com uma TV e, na parede dos fundos, havia porta-retratos pendurados, com fotos da família. Na cozinha havia a pia, uma geladeira, um fogão e uma pequena mesa com cadeiras.

Em um dos quartos, havia um homem dormindo, aparentemente um adulto jovem, duas adolescentes, uma criança na sala assistindo à televisão e a senhora que nos recebeu, dona da casa, que estava na frente da casa no momento em que passávamos. A agente comunitária aproveitou a visita para atualizar o cadastro dos moradores, pois constava que a senhora morava sozinha e naquele momento a casa estava cheia, com quatro adultos e uma criança, que, ao que parecia, estariam residindo ali e naquele momento não estavam trabalhando.

Figura 59 - Imagem externa da casa visitada realizada através do lote da EMEI.

Fonte: da autora.

Figura 60 - Imagem externa da casa visitada realizada retirada do google mapas, na qual observa-se que não houveram transformações significativas na parte externa da moradia.

Seguimos o retorno e, ainda no caminho de volta, paramos conversar com um dos moradores que estava sentado em frente aos containers do canteiro de obras em instalação no local, o qual será usado pela empresa que executará a pavimentação do bairro. O senhor nos conta que é morador do bairro, sendo conhecido da agente comunitária, e foi contratado como assessor de um vereador exclusivamente para acompanhar a obra dia-a-dia. Assim, o tão esperado asfalto será realizado. Ele fala da alegria da chegada do asfalto, tão almejado na Vila Esperança, e da necessidade de se cuidar mais da limpeza e do lixo que ainda se acumula em diferentes locais no bairro, principalmente no matagal as margens do córrego. A pesquisadora sugere ao senhor conhecer o projeto “ Varre Vila” que acontece na Comunidade Nossa Senhora Aparecida, na zona leste de São Paulo, que por iniciativa de liderança de bairro e de agentes comunitários em saúde criam estratégias para enfrentar a questão do descarte inadequado de lixo e sujeira da rua, no entanto, o morador demonstrou pouco interesse nessa troca de experiência.

Figura 61 - Imagem do canteiro de obras para execução do asfalto.

Fonte: da autora.

Duas semanas após a realização do percurso II, retornamos ao bairro para entrar nas duas casas cujas moradoras sinalizaram positivamente à solicitação da pesquisadora de realizar uma conversa in loco na própria moradia.

Dans le document RAPPORT N° 53 (Page 191-200)