As Oficinas de Ambiências foram estratégicas para acessar os moradores de modo coletivo, entrando em suas casas, no bairro, nas vivências cotidianas através de suas narrativas e discussões a partir das questões e dinâmicas disparadoras conduzidas pela pesquisadora, por meio das quais se criaram condições inclusive para algumas visitas no interior das casas, com o fim de discussão in loco das condições da moradia e seu impacto na saúde, ação que, até então, durante a realização dos percursos no território, não havia sido possível. Essas oficinas criaram uma brecha de interlocução, abertura e estabelecimento de algum grau de confiança entre a pesquisadora e os moradores.
As oficinas com os moradores da Vila Esperança aconteceram em um espaço coletivo já existente no Centro de Saúde São Marcos, aproveitando os encontros periódicos
semanais com os usuários cadastrados no Programa de Hipertensão e Diabetes (HiperDia). A realização dos grupos é uma das atividades coletivas integrantes desse programa (BRASIL, 2002), que tem como objetivo a ampliação das ações no âmbito da Atenção Básica em Saúde na prevenção e diagnóstico da hipertensão arterial e da diabetes mielittus.
Os grupos consistem em espaços coletivos compostos por usuários do Centro de Saúde que são hipertensos e diabéticos, e cuja proposta terapêutica é a realização de atividades multiprofissionais e coletivas. Os grupos HiperDia da equipe amarela, referência para os usuários do território estudado, acontecem todas as quartas-feiras, no período da tarde, e os pacientes dessa equipe estão divididos em quatro subgrupos, de acordo com a sua microárea. Assim, a cada quarta-feira do mês, um subgrupo se encontra.
Inicialmente, no desenho da pesquisa de campo para produção dos dados, havia sido proposta uma construção de narrativas individuais durante o percurso no bairro, usando como materiais as imagens fotográficas da Vila Esperança que foram realizadas pela pesquisadora. No entanto, no decorrer da pesquisa, na fase exploratória, em discussões com a equipe do Centro de Saúde São Marcos, identificou-se como mais estratégico que essa construção acontecesse no próprio processo das oficinas. Dessa forma, as Oficinas de Ambiência passaram a ter a seguinte configuração e dinâmica:
1ª Etapa: Discussão e problematização com os grupos sobre os modos de vida, as condições do território habitacional e a compreensão da relação desses temas com a saúde, assim como a criação de um entendimento do que é qualidade de vida para eles. E, aproveitando o momento da roda de conversa, foram-se construindo as narrativas a partir das imagens fotográficas apresentadas.
Como cada grupo teve uma dinâmica singular, a pesquisadora decidiu o melhor momento para apresentar as imagens na conversa, utilizando a construção de narrativas também como forma de disparar algumas questões e aquecer a discussão acerca da qualidade de vida e o território que habitam.
2ª Etapa: O objetivo desse momento na oficina foi “entrar” na casa dos moradores a partir da expressão em uma planta interativa da situação em que se encontra a moradia, uma vez que, nas visitas realizadas in loco para construção dos percursos no bairro, apenas um morador permitiu o acesso à sua residência. A pesquisadora apresentou um painel metálico com a planta do embrião de fundo e disponibilizou imãs que simulavam mobiliários, paredes construídas ou demolidas, indicação de aberturas que foram feitas para ventilação ou para passagem, com objetivo de mostrar as transformações que foram sendo realizadas a partir do embrião. Os mobiliários foram sendo inseridos nas plantas para composição dos espaços, auxiliando nas discussões sobre a motivação das transformações na casa (figuras 32, 33 e 34).
Figura 32 – Material usado na oficina de ambiência no C.S. São Marcos: Imãs indicando mobiliários usados para locação do layout na planta.
Figura 33 - Imãs usados para identificar as paredes existentes, as ampliadas e as aberturas para ventilação, iluminação e passagem.
Um roteiro norteador foi elaborado previamente para guiar as oficinas (apêndice D), cujo desenho se transformou e se modulou no decorrer do processo, a partir do envolvimento e dinâmica dos participantes e da relação que foi se construindo entre pesquisadora e grupo, ao habitar o território existencial que naquele momento se construía.
o trabalho da pesquisa se faz pelo engajamento daquele que conhece no mundo a ser conhecido. É preciso, então, considerar que o trabalho da cartografia não pode se fazer como sobrevôo conceitual sobre a realidade investigada. Diferentemente, é sempre pelo compartilhamento de um território existencial que sujeito e objeto da pesquisa se relacionam e se codeterminam (ALVAREZ; PASSOS, 2009, p. 131).
A primeira oficina aconteceu no dia 06/08/2014 e a segunda no dia 20/08/2014, no período das 13:30h às 18:00h, cada uma com um subgrupo – micro área de abrangência da equipe amarela. Por ambas as oficinas, passaram aproximadamente 20 pessoas e participaram do processo entre 10 e 12 pessoas. Ambos os grupos estavam compostos na maioria por mulheres acima de 40 anos e idosos. Alguns idosos comparecem acompanhados de um parente, na maioria das vezes, de uma filha. Na primeira oficina, participou uma jovem com menos de 20 anos que é diabética, e um homem na faixa etária de 35 anos. Os dois falaram muito pouco, mas observaram atentamente todo o processo. Na segunda oficina, uma acompanhante, filha de uma usuária idosa, foi a mais participante, ocupando grande parte do tempo da conversa contando sua história de vida na Vila Esperança. Os participantes da primeira oficina são residentes nas casas mais do final da vila, nas proximidades da Rua 10, e os da segunda oficina residem mais no início, nas proximidades da Rua 30. O número de pessoas foi considerado aproximado em ambas as oficinas, pois nem todas as pessoas permaneceram no grupo ao mesmo tempo. À medida que foram sendo atendidos pela médica, alguns usuários foram embora e outros, para os quais aquele momento da oficina acessou algum grau de sentido e relevância nas suas vidas, retornaram para roda. A sazonalidade de participação e modo de funcionamento das oficinas foram inerentes ao processo, em função da proposta da pesquisadora em não realizar oficinas exclusivamente para fins de pesquisa, mas para aproveitar um espaço coletivo já existente e inserir-se na sua dinâmica.
Os usuários começam a chegar a partir das 13:30h e se acomodam nas cadeiras organizadas na sala em forma de roda. A técnica de enfermagem afere pressão arterial, peso e realiza o teste de glicemia em cada um, antes do atendimento médico. A médica de referência da equipe chega por volta das 14:30h, começa a chamar cada paciente individualmente, em uma mesa localizada na frente da sala, e realiza o atendimento, que é individual, mas em um espaço coletivo. Os usuários são chamados por ordem de chegada. De acordo com informações de uma agente comunitária, eventualmente elas trabalham temas coletivamente, referentes à prevenção e ao controle da hipertensão e diabetes, mas, na maioria das vezes, os pacientes ficam ociosos, aguardando “passar pela médica”.
A agente comunitária relata que estão “cansados de ouvir sempre a mesma coisa” e que a possibilidade de apresentar outra discussão, como a do tema da pesquisa - habitação e saúde, seria muito interessante e uma forma de mantê-los motivados a participar do grupo, discutindo questões importantes sobre a qualidade de vida, o que poderá contribuir para melhora na saúde dessas pessoas. Para a agente comunitária, o maior objetivo na participação do grupo é o seu condicionamento ao momento de “passar pela médica”, pois é ela quem libera a prescrição para retirada na farmácia do medicamento, que é de uso contínuo pela maioria dos usuários.
Nas duas oficinas realizadas, a pesquisadora aguardou a chegada de no mínimo dez pessoas para o início da atividade. Na primeira oficina, a agente comunitária atuante em uma micro área da equipe amarela apresentou a pesquisadora e sua colaboradora, que atuou como observadora no grupo, contando de forma sucinta a proposta da pesquisa. Na segunda oficina, a técnica de enfermagem fez essa função. Na sequência, em ambas as oficinas, a pesquisadora detalhou o tema e seus objetivos, apresentou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e combinou o que seria realizado naquele momento.
O aquecimento feito pela equipe de saúde foi fundamental na criação de condições favoráveis para se estabelecer uma relação entre a pesquisadora e participantes do grupo. A agente comunitária sugeriu a gravação das oficinas e os participantes concordaram, mas, logo no início da primeira oficina, percebeu-se que o uso apenas de gravação não seria uma boa estratégia para registro dos dados, pois os
participantes falavam todos ao mesmo tempo e de forma confusa. Assim, pesquisadora e sua colaboradora se lançaram a registrar em tópicos o máximo de informações possível.
É importante destacar que a pesquisadora possui experiência na condução de oficinas de ambiência, em especial relacionadas aos espaços físicos de unidades de saúde, o que facilitou a condução desse processo de pesquisa. Assim, mesmo as oficinas tendo sido atravessadas por momentos de dispersão e confusão, os quais se incluíram na análise, ainda foi possível a retomada do foco no tema para produção dos dados. 4.4. As Oficinas realizadas nos dias 06 e 20/8/2014 com os grupos que participam na primeira e na terceira quarta-feira do mês.
Após o momento inicial de apresentação da pesquisa e pactuação da sua realização com os grupos, assim como do relato do interesse em relação ao tema e de realizá-la na Vila Esperança, conforme exposto anteriormente, passou-se à atividade seguinte, na roda de conversa, que consistiu na problematização sobre os modos de produção de vida e as condições do território habitacional, discutindo e construindo uma compreensão sobre a qualidade de vida que fizesse sentido para aquelas pessoas, uma vez que o conceito de qualidade de vida é amplo e subjetivo e está fortemente relacionado ao campo do desejo e da experiência de cada indivíduo e suas relações. A pesquisadora propôs aos participantes que conversassem entre si sobre o que entendem por qualidade de vida e como a percebem na Vila Esperança, em relação à sua situação anterior de moradia e em relação a outros bairros mais estruturados que conhecem ou em que já moraram.
Os participantes começaram a conversar entre si, bem como com a pesquisadora e sua colaboradora, que foram registrando as falas. A colaboradora estava presente no grupo com a função de observadora, anotando especialmente aquilo que escapava das falas, por exemplo, uma expressão ao expor determinada opinião.
Em ambas as oficinas, os grupos aparentemente dispersavam e fugiam do tema proposto para conversa inicial acerca da qualidade de vida, e por diversas vezes houve intervenção da pesquisadora para a retomada do foco. Foi-se percebendo no decorrer das oficinas que, ao desviar do assunto, na realidade os participantes traziam
para a roda de conversa a temática do asfalto do bairro, ponto para eles era emergente, fundamental e valoroso (Figura 35), e que, no campo do desejo e necessidade, esse tema se conecta diretamente com as condições/qualidade de vida e sentimento de cidadania. Assim, a ausência do asfalto foi a tônica de todas as conversas com os moradores, nos espaços coletivos das oficinas e nas conversas individuais que se aconteceram nos percursos realizados pela pesquisadora no bairro.
Figura 35 - Faixa chamando reunião de moradores para discussão do asfalto.
Fonte: Fotografia realizada pela autora.
O grupo questiona de quem é a obrigação do asfalto; se a COHAB o deveria ter executado na entrega do loteamento ou se é responsabilidade da Prefeitura. É esclarecido o Decreto Nº 12.842, de 09/06/98, que aprova os planos de arruamento e loteamento da Vila Esperança, no qual configura a Prefeitura Municipal de Campinas como proprietária do loteamento e responsável pelas melhorias no bairro, e que, entre elas, não consta a pavimentação das ruas, apenas guias, sarjetas, drenagem de terrenos pantanosos, terraplanagem, o que não significa que essa situação não possa
mudar. As falas no grupo evidenciam que esse é um tema emergente entre os moradores:
“Aqui tem muito pó de terra que faz mal (...) minha filha é alérgica, eu sou alérgica (...) muitos anos esperando o asfalto e não chega (...) não deram essa oportunidade pra gente ainda”.
“Qualidade de Vida pra mim é morar em outro lugar”. “Se eu tivesse uma faculdade, não morava ali”.
“Aqui minha pressão é sempre alta e tenho muito medo”.
“Os carros correm muito, não dá pra ficar na rua. As crianças não podem brincar na rua”.
“Qualidade de vida é boa moradia, família unida, não passar nervoso”.
“A qualidade de vida lá é péssima, por causa do pó e do cisco de queimada (...) eles põem fogo na fazendo e outros põe fogo no lixo (...) entra tudo em casa se deixar aberta”.
“Aqui não tem nem comparação com Minas, de onde eu vim. Lá é muito mais saudável”.
“Por que vocês vieram para Campinas?”.
“Porque lá a gente vivia na roça, não tinha muito trabalho. Lá não tem médico. Minha mãe que está aqui mora em Minas, mas vem pra cá se tratar e fica na minha casa”. A pesquisadora explica para o grupo os resultados encontrados no estudo dos indicadores de saúde disponibilizados pela equipe do Centro de Saúde São Marcos, referentes às doenças mais prevalentes em crianças, que são: gripe, resfriado, asma, diarreia e, em adultos, as doenças respiratórias e hipertensão. Esclarece que existe um impacto das condições de moradia nesses resultados, por exemplo, em relação à deficiência de ventilação das casas, o que propicia o crescimento de mofo e impacta nas alergias e doenças respiratórias. Expõe também sobre a situação do bairro, que não oferece condições favoráveis para caminhadas, as quais contribuem para
prevenção e controle da hipertensão. A partir dessa fala, os participantes trazem algumas experiências nesse sentido:
Na casa...
“Quando minha filha veio morar comigo foi chegando gente e foi amontoando, daí tive que construir mais cômodos (...) minha filha ficou na parte da frente e eu fui morar no fundo e não deu pra pensar nas janelas (...) a gente precisava de cômodo. (...) é sou muito alérgica e minha filha também. É o pó.”
“Eu fico perturbada quando abro. Entra ar frio. Passa caminhão e levanta poeira. O pó entra e fica preso na casa. Daí eu não abro. Deixo tudo fechado.”
“Eu deixo a casa toda aberta, mas quase não tenho janela porque na ampliação cheguei até o muro. Na frente, a casa é toda fechada. Tem espaço no fundo, no quintal. Mas o ar entra e sai pelas portas mesmo. Gosto de tudo muito aberto.” No bairro...
“Não tem como caminhar, não tem calçadas e as ruas são cheias de buracos.”
“Mesmo se tivesse pista não daria para caminhar porque é muito perigoso, os carros passam correndo muito lá vila...”
As falas aqui transcritas fornecem algumas pistas de sentimentos que os moradores expressam em relação à sua condição de moradia e do bairro, assim como de certo entendimento sobre qualidade de vida e saúde. Três elementos que aparecem na maioria das falas são destacados para análise: a ausência do asfalto e a presença de pó, ao que se relacionaram principalmente as alergias; a situação de medo, que, embora tenha aparecido em diversas falas, não explicita de quê; e a necessidade de ampliação das casas para acomodar a família.
A maioria dos participantes de ambas as oficinas vieram do estado de Minas Gerais em busca de melhores condições de vida e trabalho na cidade. No decorrer das conversas, sempre se remetiam a Minas como local de moradia anterior. No entanto, a maioria dessas pessoas foram removidas da ocupação irregular das margens do córrego, onde habitaram quando chegaram em Campinas. Foi difícil falarem algo
sobre esse período, mesmo quando provocados pela pesquisadora, evidenciando uma lacuna, uma interrupção nas suas trajetórias, possivelmente como forma de autoproteção de uma fase muito difícil da vida. Apenas uma participante do grupo disse que era horrível quando estava no córrego, que tinha lixo e esgoto na porta, que entrava bicho no barraco e que preferia não se lembrar dessa época.
A dispersão foi recorrente nas duas oficinas. Em cada uma delas, em momentos específicos para retomada da conversa, foi preciso começar a mostrar as imagens fotográficas para construção das narrativas. A estratégia usada para apresentação das imagens foi através de fichas com as imagens impressas em uma folha tamanho A4 e plastificada com a intencionalidade destas irem rodando de mão e mão, inclusive da passando pela pesquisadora, que se colocou na roda, lado a lado, com os moradores.
A primeira imagem trabalhada (Figura 36) foi denominada de “Parquinho” para ambos os grupos. Ao olhar as fotos, alguns participantes da primeira oficina disseram que o lugar não é muito usado, mas que é importante, porque tem criança no bairro, e que o “parquinho de cima” é mais usado. Já na segunda oficina, uma das moradoras relatou que seus netos sempre usaram muito esse parquinho e que depois, com a construção da nova quadra, passaram brincar lá. Conta, ainda, que ter o parquinho no bairro e agora a quadra traz tranquilidade, pois ela sabe onde os netos estão. Porém, algumas falas foram evasivas e confusas em relação a esse lugar. Essas narrativas definiram a seleção da próxima imagem trabalhada na primeira oficina, que foi reproduzida na segunda – o parquinho de cima (Figura 37).
Figura 36: O Parquinho.
Fonte: Fotografia realizada pela autora. Figura 37: O Parquinho de cima.
O “parquinho de cima” é o mais usado, de acordo com as moradoras da primeira oficina, mas, como está situado na margem da “rua de cima”, os carros passam com muita velocidade, fazendo com que seja também mais perigoso. Elas acreditam que a instalação de uma grade de proteção iria torná-lo mais seguro. Consideram que é importante ter os parquinhos, porque há muitas crianças no bairro, mas que, do jeito que estão, não são adequados para levar seus filhos e netos.
No decorrer de três visitas realizadas no bairro, a pesquisadora observou, ao passar pelos dois parquinhos, a ausência de crianças brincando. No primeiro parquinho, havia trânsito de pessoas, usando-o como forma de reduzir o caminho para o outro lado da quadra e ou para acessar uma banca de frutas localizada em uma das laterais da praça onde ele está instalado, mas não havia crianças brincando. E no segundo, o parquinho de cima, havia a presença de alguns jovens sentados embaixo das árvores ou em bicicletas.
A imagem seguinte, apresentada nas duas oficinas, foi denominada de “A Horta”. Trata-se de uma horta situada à margem da Avenida Uriassi de Assis Batista e que, no início, deveria ser uma horta comunitária, havendo movimento de um dos moradores para que isso acontecesse. Ele convidou vários moradores para um encontro, mas ninguém compareceu, o que fez com que ficasse abandonada por certo período. Atualmente, o morador que tenha interesse pode utilizar um pedaço de terra e plantar para consumo próprio ou para vender na Vila a um preço menor que em outros lugares, porém nada é coletivo. “A horta é de algumas pessoas que pegaram o lugar e usaram para plantar. É particular”, afirma uma das participantes da segunda oficina. “Está bonita a hortinha”, expressa outra moradora que participou na primeira oficina, ao olhar a imagem fotográfica.
Figura 38: A Horta.
Fonte: Fotografia realizada pela autora.
A imagem de um dos campos de futebol existentes no bairro (Figura 39) foi mostrada aos grupos, cujo registro fotográfico havia sido feito pela pesquisadora no primeiro semestre de 2013. O local hoje é uma das transformações pelas quais o bairro passou a partir do segundo semestre de 2013 e nele, atualmente, está em fase de finalização uma creche municipal que é chamada de Nave Mãe. As moradoras falam da importância dos campos no bairro, pois tanto as crianças quanto os adultos os usam. Nesse “campinho”, relata uma das moradoras participante da primeira oficina, aconteciam os campeonatos com “os de fora”, referindo-se ao time de jogadores que não moram na Vila Esperança, e agora passaram a usar o outro campinho, mais no final do bairro, e a “quadra” (Figura 40).
Figura 39 - O Campinho.
Fonte: Fotografia realizada pela autora.
A conversa sobre os campinhos direcionou a seleção da imagem seguinte na primeira oficina, cuja sequência foi reproduzida na segunda. Em ambas as oficinas, o nome dado à paisagem foi “A Quadra” (Figura 40). É o local onde se implantou a Praça do PAC II e no qual anteriormente havia uma quadra. A quadra existente era bastante