4.2 Mesures des sondes Vives
4.2.1 Les spectres temporels
A pesquisa empírica apresentada neste capítulo se caracteriza por ser uma análise do conteúdo da informação veiculada, de um lado, pela propaganda eleitoral e, de outro, pelas propostas preparadas pelas equipes de campanha dos dois principais candidatos nas eleições 2006 no RN.
A análise do conteúdo tem como base o banco de dados elaborado pelo Grupo de Estudos Mídia e Poder (GEMP) da UFRN, construído para subsidiar a pesquisa intitulada “As estratégias discursivas dos candidatos a governador do Rio Grande do Norte no Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral 2006”.
Nessa pesquisa, os programas eleitorais televisivos foram gravados nos horários vespertino e noturno, durante os dois turnos do pleito, que se estenderam de 16/08 a 27/09 e de 12/10 a 27/10 de 2006.
O estudo das narrativas dos programas do HGPE lançou mão do modelo de pesquisa utilizado por Porto (2002). Nesse modelo, os conteúdos dos programas são apreendidos pela análise dos “apelos”, unidades de sentido que compõem os programas eleitorais de cada candidato no HGPE. Os apelos foram quantificados pelo tempo (em segundos) em que apareciam nos programas.
À metodologia original de Porto, foram adicionados outros tipos de apelos, com o intuito de refinar a análise do direcionamento da campanha de cada candidato. A legenda abaixo mostra como ficou a classificação dos apelos com essa nova organização:
1) Políticas Futuras (PF): “apelo no qual o programa do candidato apresenta suas propostas ou planos de governo”.
*Foram adicionados os seguintes subitens a esta configuração inicial: Políticas Futuras em – a) Economia e Desenvolvimento, b) Educação, c) Saúde, d) Segurança, e) Emprego e renda, f) Recursos hídricos, g) Transporte, h) Turismo, i) Programas Sociais, j) Habitação, k) Cultura, l) Paisagismo/urbanismo, m) Geração de energia, n) Saneamento básico e o) Outras (em geral – quando não é especificado uma política concreta) .
2) Políticas Passadas (PP): “remete ao que o candidato ou seu partido realizou quando esteve no governo, seja na esfera municipal, estadual ou nacional”.
3) Atributos Pessoais (AP): “ressalta as qualidades/características da pessoa do candidato, como, por exemplo, conhecimento, preparo, experiência, honestidade etc. Inclui relatos sobre a biografia dos candidatos”; 4) Partisão (PART): “vincula o candidato a partidos, personalidades, movimentos sociais, incluindo manifestações de apoio à sua candidatura”; 5) Ideológico (IDEO): “apelo que relaciona a candidatura com categorias como esquerda/direita, socialista, liberal, conservador, nacionalista etc..”; 6) Simbólico (SIMB): “remete a valores culturais, mitos, ideais, tais como estabilidade, união, otimismo, justiça, solidariedade etc.”;
7) Análise de Conjuntura (AC): “avalia a situação do país, apresentando um diagnóstico de uma ou mais áreas (desemprego, saúde pública, educação etc.)”;
8) Metacampanha (MET): “destinado a promover a campanha do candidato, incluindo a divulgação dos resultados de pesquisa, chamamentos para participar de comícios ou para contribuir financeiramente, divulgação do número do candidato etc.”;
9) Pontuação (na metodologia inicial, denominada “Música” - MUS). Subdivide-se em: Pontuação-música (PONT-MUS: tempo destinado no programa à apresentação de trilhas sonoras musicais, incluindo os jingles dos candidatos) e Pontuação-Vinheta (PONT-VIN: tempo destinado às vinhetas – ou apelo semelhante – não musicadas);
10) Direito de Resposta (DR): “tempo ocupado pelos direitos de resposta concedidos pela justiça eleitoral a outros candidatos”;
11) Outros (OU): “categoria que inclui os segmentos que não se encaixam nos demais tipos de apelo”.
Ao encontrar dificuldade de inserir os discursos de ataque pessoal e defesa dos candidatos, o GEMP acrescentou outros dois apelos à tipologia original: Ataque (OUA) e Defesa (OUD).
No que se refere ao detalhamento das políticas futuras (PF) e das políticas passadas (PP), os dados coletados seguiram a seguinte ordem de classificação36:
Políticas (PF e PP) Descrição
Economia e desenvolvimento
Propostas apresentadas com o intuito de promover desenvolvimento e de dinamizar a economia do estado.
Educação
Destinadas ao investimento em escolas, ampliação de salas de aula, construção de bibliotecas, laboratórios de informática, salários dos professores etc.
Saúde
Proposições de investimento em construção de hospitais, melhoria em equipamentos, serviços prestados à população etc.
Segurança
Destinadas a investimento em equipamentos para polícia, salários e estratégias para combater a criminalidade.
Emprego e renda
Medidas para promover emprego ou gerar renda para a população.
Recursos hídricos
Propostas de construção de barragens, adutoras, poços etc.
Transporte
Proposições que visam a melhoria nos transportes urbanos.
Turismo37
Medidas para ampliar divulgação do estado, criação de calendário com eventos etc.
Programas sociais
Programas sociais, como bolsa família, programa do leite etc.
Habitação
Propostas de construção de casas pelo Estado ou financiamento diferenciado para construir ou reformar casas.
Quadro 1a: Classificação das Políticas Futuras e Políticas passadas
Fonte: GEMP,2008. [Continua]
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Uma observação cabe a esse detalhamento das PFs e PPs. As políticas passadas e futuras foram classificadas em cada um desses tipos mostrados na tabela, de acordo como eram apresentadas nos programas. O programa do leite, por exemplo, oraaparece como um projeto social de auxílio, ora aparece como proposta para a melhoria da educação, ora como proposta voltada para o desenvolvimento da economia do estado. Portanto, um mesmo projeto pode ter diferentes finalidades e, consequentemente, foram considerados de acordo com as áreas que os candidatos queriam destacar.
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O turismo, comumente, é considerado como uma atividade da economia, por isso poderia ser inserido dentro da categoria “Desenvolvimento e economia”. Porém, no HGPE essa atividade foi bastante salientada, por isso a necessidade de destacá-la como um tipo específico de apelo.
Para a análise das propostas elaboradas pelas equipes de campanha, a ideia inicial era: 1) analisar o programa de governo elaborado pelas equipes de campanha dos candidatos e compará-las com as propostas que aparecem nos filmes do HGPE; 2) consultar as equipes de marketing dos dois candidatos para sabermos mais detalhes sobre os aspectos mais destacados dos programa de governo trabalhados no HGPE.
No entanto, duas dificuldades foram enfrentadas por nosso trabalho. De um lado, não tivemos acesso ao marqueteiro da candidata Vilma de Faria, que não se manifestou após algumas tentativas de contato. Porém, por meio do assessor da candidata tivemos acesso ao seu programa eleitoral de governo, um documento denominado “Plano de Governo: 2007-2010: Agenda para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte”.
De outro lado, o programa de governo documentado de Garibaldi, embora exista, não foi encontrado na empresa de marketing que coordenou a sua campanha (RAF Comunicação). Porém, conseguimos realizar uma entrevista com o responsável por coordenar a elaboração do programa de governo do candidato, o engenheiro e professor da Universidade Federal do
Políticas (PF e PP) Descrição
Incentivo à cultura
Políticas destinadas a incentivar movimentos culturais.
Paisagismo/urbanismo
Construção de praças, projetos de plantação de mudas, arborização,asfaltamento ou calçamento de ruas etc.. Geração de
energia/infraestrutura
Projetos de geração de energia, construção de estradas.
Saneamento básico Propostas de obras de saneamento.
Outras
Quando não se inserem nas demais categorias, ou ainda quando não se especifica uma política concreta.
Quadro 2b: Classificação das Políticas Futuras e Políticas passadas
Rio Grande do Norte, Jaime Mariz38, que nos informou sobre o processo de elaboração e detalhes de alguns projetos que o documento contemplava.
Importante frisar que esses programas de governo não estavam arquivados nas sedes dos partidos, o que supõe, no quesito organizacional, uma relativa desvalorização ou um baixo grau de sua importância para essas instituições partidárias.
Para investigar a correspondência entre o que convencionamos chamar aqui para esta análise de Programa de Governo Documentado (PGD) e as propostas veiculadas no HGPE, seria necessário elencar todas as Políticas Futuras (PFs) que apareceram no HGPE e comparar com as propostas contidas no PGD. Contudo, tal metodologia não permitiria analisar equitativamente as estratégias dos dois candidatos, uma vez que não temos como fazer essa averiguação com Garibaldi, já que não tivemos acesso ao seu PGD.
Assim, na busca de tornar o estudo mais uniforme, optamos por: analisar os tipos de PFs mais destacadas e as menos destacadas no HGPE dos candidatos e observar como aparecem 1) no PGD de Vilma de Faria e 2) no programa de governo de Garibaldi, descrito pelo seu coordenador. Essa decisão de utilizarmos como suporte a entrevista feita com o coordenador do seu programa de governo – devido às dificuldades de acesso às fontes necessárias para a análise - não compromete a nossa investigação, na medida em que tanto o PGD de Vilma quanto a entrevista do responsável pela elaboração do programa de governo de Garibaldi são fontes válidas de informação e permitem indicar o direcionamento das propostas que foram ou deixaram de ser veiculadas no HGPE.
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Para encontrar o programa de governo de Garibaldi, entramos em contato com os responsáveis pela empresa de marketing que coordenou a sua campanha. Lá, fomos informados sobre o responsável pela coordenação do programa de governo da coligação Vontade Popular. Jaime Mariz foi ex-secretário de planejamento da anterior gestão do PMDB no estado. Em entrevista a nós concedida, o professor Mariz informou sobre todo o processo de elaboração desse documento, porém, apesar de ter falado detalhes sobre a composição do mesmo, não conseguiu encontrá-lo nem em seus arquivos digitais nem impressos. Além disso, é importante registrar que uma entrevista com o marqueteiro de Garibaldi teria sido de grande importância para a nossa pesquisa. Contudo, em razão das dificuldades causadas por não termos tido acesso ao programa escrito do candidato, não houve tempo para realizarmos essa entrevista, uma vez que o seu marqueteiro, Alexandre Faleiros, reside em São Paulo