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II- Le Développement des Ressources Humaines

2. Attirer, retenir et développer les talents

2.1. Les modalités et mécanismes de la motivation

Os problemas da capital pernambucana não eram unicamente o saneamento e a limpeza das ruas, havia o problema das residências, questão de saúde pública. As moradias insuficientemente espaçosas, mal arejadas, sem luz, úmidas e mal aceiadas139, era o ambiente propício para outro mal, a tuberculose, que vitimava um grande número de pessoas e, como já foi dito, que procuravam o Hospital Pedro II.

O discurso médico da época condenava esses tipos de moradias. Octavio de Freitas, médico sanitarista com grande atuação dentro da cidade, afirmava que, entre os males que assolavam a cidade, um dos locais de maior propagação de moléstias eram as “habitações operárias140” (mucambos e cortiços), esses dois que eram vistos como de péssima condição sanitária, sendo que ambos eram um amontoado de heresias sanitárias, mesmo ou mais comezinhos princípios da higiene141.

Os mucambos são edificados em logares húmidos, aterrados quasi sempre com lixo e cercados de pantanos e alagadiçosm invadido as aguas das grande marés o interior de muitos delles. Seu material de construção é composto de latas velhas ou pedaços de caixões para as paredes e capim, palha ou folhas

138 CORREIO DO RECIFE, 01 de setembro de 1909. p. 1.

139 Esse tipo de moradia constitui um dos fatores mais importantes da tuberculose, seja favorecendo o contagio,

propagando por uma incessante promiscuidade, seja provocando o debilitamento progressivo dos organismos humanos, pela ausência de luz, de ar, etc. In. FREITAS, Op. Cit.: In. Annaes do 1º congresso de medicina de Pernambuco. Recife. Off. TYP. Do DIARIO DE PERNAMBUCO. 1909. p.49.

140 O termo utilizado é dado por Octavio de Freitas para caracterizar as casas da população pobre da cidade do

Recife.

141 FREITAS, Op. Cit. p.54. In. Annaes do 1º congresso de medicina de Pernambuco. Recife. Off. TYP. Do

de zinco para a coberta. O chão não tem revestimento algum e a divisão interna, quando existe, é a seguinte: - uma sala de frente, uma alcova sem ar e sem luz, onde dormem amontoadas tras e mais pessoas, uma slaa de jantar e ao mesmo tempo cosinha e, num pequeno patco posterior, uma fossa fixa constituída por um barril enterrado no solo. Isso nos mucambos que a possuem, porque em muitos, os despojos são feitos na maré que passa perto ou econstadas á habitação.

Nos cortiços os aspectos é menos desolador: - são pequenas habitações em numero de cinco a vinte, comprehendendo o que chama um quadro, compostas de uma sala e um ou dois quadro, compostas de uma sala e uma ou dois quartinhos para cada família de cinco ou mais pessoas, tendo a mesma torneira de agua potável e o mesmo apparelho sanitario todos os habitantes de um quadro. Estas pequenas casinhas fazem seguimento uma ás outras, dão todas para um pateo commum e teem univamente uma sahida para a rua :- uma porta que dá para o pateo commum142.

As moradias identificadas acima e suas caracterizações foram feitas pelo médico sanitarista Octávio de Freitas. Apontaram-se os problemas estruturais que se encontravam nesse tipo de residência, sendo que ele não foi o único a perceber a precariedade das habitações miseráveis, como o engenheiro Saturnino de Brito costumava chamar, ressaltando a sua perspectiva sobre a construção:

“...formando-se os monticulos que fiam apenas alguns centimetros emergentes em preamar, sobre os quaes se erguem os “mocambos”. Cobertos de palha ou de materiaes velhos e tendo, os melhores, as peredes formadas de entulho de barro e ripas (o “barro armado” com esqueleto de madeira, systema precursor do cimento armando com esqueleto de ferro). Nestas taperas mora uma consideral população, fazendo os despejos em torno e trazendo dos “chafarizes” a agua para beber; esta população está entregue aos beneficios da bisa, do sol e das marés, as quaes levam as immundicias e proporcionam ás crianças um banho salino e pouco limpo143”.

As habitações dos menos favorecidos eram consideradas como lugares propícios para proliferação da tuberculose, pois na maioria das residências não havia luz, nem conforto, apresentando uma péssima circulação de ar no seu interior. Normalmente, os quartos dentro dessas casas são divididos por três ou mais pessoas, em condições higiênicas “precárias”, e, quando existia uma pessoa enferma, não havia preocupação em separá-la do grupo. Sendo assim, continuava-se dividindo o mesmo espaço, fazendo com que a residência se encontrasse em condições adequadas para que a infecção se espalhasse. A tuberculose não era um mal que, unicamente, atingia os desfavorecidos, poderia se encontrar nas residências de todas as

142 FREITAS, Op. Cit. p. 54. 143 BRITO, Op. Cit. p. 20.

classes sociais. Dentro dos lares dos mais humildes também existia outro mal, o álcool, que causava um efeito depreciativo do indivíduo no meio social.

“Pondo de lado os casebres infectos de que já falamos, não me ferindo tambem ás casas das classes pobres (não miseraveis) e médias e menos algumas do pessoal mais abastado, muitas, muitissimas dellas carecendo das indispensaveis condições de arejamento, luz, e quasi todas soffrendo a influencia do solo e dos materiaes de construcção utilizados pelos nosso empreiteiros, quero referir-me á boa ou má orientação das casas na via publica, á largura relativa das ruas, etc., pondo em destaque aqui todo o bairro do Recife e parte do de S. Antonio, construídos por culpa dos nossos avoengos, de ruas estreitas e mal orientadas, onde o ar e a luz são substituídos por uma atmosphera confirnada e doentia144”.

As doenças não poupava ninguém, podendo ser encontradas nos lares de qualquer grupo social, o que deixava a população em alerta, buscando medidas preventivas para que não caísse sobre os seus lares tal mal. Perante essa preocupante situação, uma notícia anima a população, o início das obras do porto145 e do saneamento do Recife, uma vez que os problemas relacionados com o saneamento do Recife poderiam ser resolvidos. Houve, no momento, muitos apoiadores de tal procedimento, entre eles o médico sanitarista Octavio de Freitas.

“Na ancia justificada e insofreavel em que ultimamente vivemos, de transformar esta colonia Veneza Americana n’um Recife novo, cheio de vida, pleno de progresso e melhoramentos hygienicos que nos proporcionem um goso e um bem estar a que temos inconteste direito, vem-nos logo á mente a modificação completa, absoluta, radical do nosso systema de edificação antiquário, tão cheio de desvios sanitarios, quanto vasio de conforto e de commodidades146”.

O ímpeto modernizador do médico sanitarista também se apresentava pelas páginas dos jornais solicitando remodelação do defeituoso sistema de casas147, enquanto Saturnino de Brito assume que tem que ser feito o processo de saneamento, visto que o Recife era uma

144 FREITAS, Op. Cit. p.55. In. Annaes do 1º congresso de medicina de Pernambuco. Recife. Off. TYP. Do

DIARIO DE PERNAMBUCO. 1909.

145 Foi inaugurada as obras do porto no dia 29 de julho de 1909 e noticiada em diversos jornais da época.

146 FREITAS, Op. Cit, p.49. in. Annaes do 1º congresso de medicina de Pernambuco. Recife. Off. TYP. Do

DIARIO DE PERNAMBUCO. 1909.

147 Reformem por completo, os proprietários, os defeituosíssimos sistemas de casa que possuímos, tornando-as

higienicamente habitáveis, assim far-se-ão benemeritos e terão dado profundo golpe em nossa insalubridade... DIARIO DE PERNAMBUCO, 11 de junho de 1911

cidade insalubre148. A Haussmannização149 era necessária para a capital de Pernambuco, já que os anseios de se retornar aos seus tempos áureos eram muito fortes, regatando o seu poder econômico e ter uma cidade moderna. Para atingir o seu objetivo, terá que seguir caminho semelhante ao de Paris, de meados do século XIX e do Rio de Janeiro desse início do século XX, exemplos a partir dos quais podemos ter uma noção de com base no ponto a seguir dessa dissertação.