I- L’administration du personnel
3. La gestion des carrières
Na cidade e no bairro do Recife, houve lutas por direitos que estavam sendo retirados67, fazendo com que, possivelmente, muitos homens de bem ficassem sem o seu sustento; é o caso da proibição da circulação das carroças, de quatro rodas, pelo Recife. Com a proibição do transitar de caminhões no bairro do Recife a partir do final mês de março de 1909, houve uma greve desses profissionais. A movimentação foi organizada pelos carroceiros que transitavam com carroças de quatro rodas, caminhões, que solicitavam o não cumprimento do decreto que proíbe a circulação dos seus veículos nas ruas. Houve uma adesão à movimentação dos trabalhadores que pegavam frete no forte o Brum, Forte do Matto, Estação central e que desejavam também a adesão dos que trabalham na estação das cinco pontas. Cartas são mandadas com frequência ao Prefeito do Recife, Archimedes de Oliveira, para que seja prolongado o prazo para ser posto em prática o decreto68.
Com a chegada do final do prazo para a proibição da circulação das lagartixas, forma vulgar em que são conhecidas as carroças de quatro rodas, o prefeito solicitou o auxílio da polícia para intervir, caso algum dos prejudicados tentasse atentar contra a ordem69. Alguns dias após ser posto em prática a proibição, começou a chegar aos jornais da capital pernambucana as reclamações referentes ao impedimento da circulação dos caminhões no
66 CORREIO DO RECIFE, 11 de fevereiro 1909.
67 Pela perspectiva de Harley havia “Uma dificuldade similar surge quando os grupos não podem concordar com
“as regras do jogo” e, desde que o estabelecimentos dessas regras predetermina amplamente a resultado, poderá haver conflito tanto em relação às regras como há na própria negociação”. HARLEY, David. A justiça social e a cidade. São Paulo: Ed. Hucitec. 1980. p. 67.
68 CORREIO DO RECIFE, 24 de março de 1909. p. 1.
69 Sobre o caso, na pesquisa que foi feita sobre o assuntos e nas documentações que estavam disponíveis, não
bairro Recife e em outras freguesias. Um dos principais problemas apontados era com relação à limpeza pública, já que a coleta de animais mortos e lixo eram feitas por caminhões de quatro rodas e de tração animal e levados para os incineradores do Estado70, sendo esses veículos iguais aos que foram proibidos e não houve exceção para nenhum, nem para aqueles a serviço do Estado.
Os caminhões de lixos eram caracterizados para se diferenciar dos demais e oferecer um melhor serviço à sociedade, seguindo as cláusulas 10, 11, 12 e 14 do contrato de 1905 para a coleta de lixo:
“10. A remoção do lixo, animaes mortos, e etc. será feita em carroças apropriadas, numeradas cobertas e pintadas exteriormente, sendo a cobertura disposta de modo a poderem receber o lixo de um lado mantendo-se o outro fechado, não se permittindo que encham se em excesso de modo a impedir o completo fechamento depois da collecta.
11. Os carros destinados a collecta do lixo serão providos de uma campa, e o empregado do vehiculo o fará soar fortemente dando o signal indicativo do serviço.
12. Oconductor da carroça receberá o lixo a porta das habitações, e depois de vassal-o no vehiculo, collocanrá a vasilha dentro da casa, ou no interior da escada no prédio.
14. A emprese terá o numero de vhiculos sufficiente para exubutar o serviço de modo perveito dentro do espaço do tempo marcado no número 8.71”.
Mesmo havendo a diferenciação entre os caminhões da coleta de lixo e os que transitavam pegando frete, não houve distinção na lei. Com o passar do tempo e as reclamações dos populares por conta os problemas na coleta do lixo, restituiu-se a circulação do caminhão da limpeza pública. O trânsito apenas com as carroças coletoras de detritos dentro do bairro do Recife era algo preocupante, segundo Monteiro72, “mesmo tendo disciplinado o lixo urbano, havia local em que a carroça recolhedora não passava” uma vez que as ruas eram estreitas, tortuosas e em muitas vezes mal cheirosas, ladeadas, de casa de
70 Possuem dois incineradores de lixo a cidade do Recife, um antigo, situado no cais do Capibaribe no local
denominado, Coelhos, e outro recentemente construído, perto do cemitério público de Santo Amaro, no local denominado de Pombal. O primeiro instalado em maio de 1897 e o segundo em abril de 1908. Arquivo SSOMA - Relatório da Repartição de Obras Públicas, 1909. APEJE – Caixa 3. p. 47.
71 CORREIO DO RECIFE, 05 de abril de 1909. p. 1.
72 MONTEIRO, Denise Brito. Epidemia de Varíola e a vacinação obrigatória: Repercussões na sociedade
recifense do início do século XX. 2005, Dissertação (Departamento de história) Universidade federal de Pernambuco. Recife. p. 83.
três e quatro andares, sendo assim um caos73. A estrutura do bairro não contribuía para a fluidez nas vias, desta forma, a população solicitava que fossem tomadas atitudes com relação aos horários da passagem dos caminhões, para que não ocorressem tais transtornos74. Além dos problemas que estavam sendo enfrentados, havia o problema com as lagartixas que desafiavam a lei, transitando nas ruas do Recife, em alta velocidade. Elas esbarravam em carros de particulares, os condutores batiam boca com os cocheiros dos bondes e, por fim, espancavam os cavalos, que muitas vezes estavam magros e desnutridos, dignos de pena. Esse tipo de situação era comumente vista pelos que circulavam no bairro do Recife.
Com relação ao problema do trânsito no bairro de São Frei Pedro Gonçalves, a prefeitura, a partir do dia 19 de outubro de corrente ano, sinalizou as ruas e o sentido que as carroças poderiam transitar, desta forma, facilitando o deslocamento e amenizando os transtornos que eram causados, já que suas ruas eram, por sua maioria, estreitas e tortuosas. A ação que foi tomada pela prefeitura, noticiada no jornal A Província, foi recebida pela população com grande felicidade. O problema do trânsito com relação aos caminhões foi resolvido por lei que fez ajustar as suas medidas com a necessidade da população.