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Chapitre 1 : La fabrique narrative du Grenelle

2. Les groupes de travail

2.3. Le Grenelle et les autoroutes dans la presse

A fenomenologia é descrita como um método que permite ao investigador aceder ao que é dado à consciência, uma vez que tudo o que é falado ou citado está implicitamente incluído na consciência. Por conseguinte, é através da descrição do sujeito que vivencia essa experiência que o investigador tem acesso à sua consciência. Poderemos, então, afirmar que os participantes são um ponto central da investigação fenomenológica.

Num estudo de caráter qualitativo não é exigido que a amostra seja de grande dimensão, pois o que se procura é a riqueza de dados que permita um entranhar no fenómeno (Fortin, 1999). Na metodologia fenomenológica o que o investigador procura nos participantes é a descrição das suas experiências vividas, é a análise da experiência humana enquanto vivida. Como tal, na procura dos participantes, estes são escolhidos deliberadamente, por terem essa vivência em comum, por representarem uma fonte rica em dados sobre a estrutura da experiência que investigamos, o que se projetará nas suas descrições. Mais importante que o número de participantes é a sua representatividade relacionada com a adequação destes ao objetivo do estudo (Fortin, 1999; Giorgi e Sousa, 2010).

Como tal, a nossa opção recaiu numa amostra intencional, por permitir ao investigador escolher os participantes que, na sua opinião, pelas funções que desempenham, são relevantes para o fenómeno estudado. Os enfermeiros que cuidam reclusos, por terem em comum a experiência na primeira pessoa, permitem ao investigador estabelecer um diálogo íntimo partilhando as suas vivências, o que vai originar uma descrição mais exata do fenómeno, “(...) a lógica e o poder da amostra intencional está na seleção de casos

ricos de informação para estudar em profundidade” (Patton, 1990:169). O que se

coaduna com o método fenomenológico, que procura nas descrições do mundo vivido desvelar os significados do fenómeno.

Visto o investigador não ter qualquer relacionamento, de índole laboral ou social, com enfermeiros nestas condições, aliado ao facto da dificuldade em aceder a enfermeiros que trabalham no sistema prisional, participantes chave deste estudo, optou-se por definir como técnica de amostragem, a amostragem em bola de neve, “(...) esta é uma

abordagem para a localização de informantes-chave ricos em informação ou casos críticos” (Patton, 1990:176). Como o nome sugere, na amostragem em bola de neve é

pedido aos participantes iniciais que indiquem ao investigador outro possível participante, que reúna características que vão de encontro aos objetivos da investigação, porque

vivem ou experienciaram o fenómeno. Este processo é consecutivo, o que possibilita o acesso a um número crescente de participantes. Este tipo de amostragem permitiu-nos a recolha de dados repletos de intersubjetividades e vivências marcantes.

Uma das desvantagens, apontadas por Sixsmith et al. (cit. por Streubert e Carpenter, 2002:31) da amostragem em bola de neve, é limitar o estudo pelo background idêntico entre os participantes. Para colmatar esse inconveniente, na nossa seleção tentámos obter um grupo de participantes com alguma heterogeneidade, considerando enfermeiros que cuidassem reclusos em diferentes estabelecimentos prisionais, em diferentes regiões do país, limitado, em todo o caso, à dificuldade de acesso a alguns possíveis participantes e pelo tempo disponível para a recolha de dados.

Os participantes foram enfermeiros que trabalhavam em estabelecimentos prisionais na região norte, centro e sul de Portugal. A cada participante foi pedido que sugerisse outros colegas, cujo contributo considerasse ser pertinente, pelas vivências do possível participante, e reunisse as características definidas pelos critérios de inclusão:

 Ser enfermeiro/a;

 Exercer funções num estabelecimento prisional, vivenciando o fenómeno de cuidar reclusos;

 Aceitar voluntariamente participar no estudo.

Na definição dos participantes, através da amostragem em bola de neve, os enfermeiros que aceitaram participar neste estudo, sem exceção, trabalham em estabelecimentos prisionais masculinos. No entanto, consideramos que esse facto não foi prejudicial para o estudo, aliás, pensamos que cuidar num estabelecimento prisional feminino, poderá fazer emergir particularidades pelo facto de nestes estabelecimentos poderem existir crianças.

A intenção de um estudo fenomenológico não é generalizar, mas sim descrever a essência do fenómeno. Casos ricos em informação são aqueles a partir do qual se pode aprender muito sobre questões de importância fundamental para o objetivo da pesquisa (Patton, 1990).

A amostra foi constituída por catorze enfermeiros e a colheita de dados decorreu de dezembro de 2013 a fevereiro de 2014.

A decisão relativa ao término da recolha de dados depreendeu-se essencialmente com a saturação dos dados, ou seja, as descrições pareciam conter informações repetidas, na linha de pensamento de Streubert e Carpenter (2002:37): “(…) a natureza repetitiva dos

dados é o ponto no qual o investigador determina que a saturação foi alcançada”.

Para uma breve apresentação dos participantes considera-se a descrição das principais caraterísticas demográficas e profissionais destes. Dos catorze participantes, cinco são do sexo masculino e os restantes nove, do sexo feminino. A maioria (cinco)

encontravam-se na faixa etária dos 21 aos 30 anos, seguida da faixa etária dos 31 aos 40 anos, com quatro participantes. Os restantes cinco distribuem-se, respetivamente com dois e três, nas faixas etárias entre os 41-50 e 51-60 anos.

Relativamente às Habilitações Académicas, além de todos eles terem licenciatura, três tinham mestrado e quatro haviam efetuado pós-graduações. No que concerne às Habilitações Profissionais, a análise revelou que oito dos catorze participantes haviam concluído um curso de especialização em Enfermagem, sete dos quais em Saúde Mental e Psiquiátrica e um em Saúde Comunitária.

O Tempo de Experiência Profissional dos participantes situou-se, na sua maioria, nos intervalos temporais de 0-5 e 16-20 anos, com cinco cada um. Relativamente ao Tempo de Experiência em Instituições Prisionais a maioria dos participantes, sete, situa-se no intervalo temporal entre os 0-5 anos, seguido de três participantes no intervalo de 16-20 anos. Adicionalmente, doze dos catorze participantes no estudo, têm experiência noutras Instituições de Saúde.

Este tipo de amostragem permitiu aceder a participantes que consideramos que enriqueceram o estudo com a partilha das suas experiências. Esta experiência foi marcante para o investigador pela disponibilidade e envolvência que os participantes demonstraram, assim como pelas estimulantes descrições que fizeram.

O que de mais aprazível reconhecemos é que esta técnica de amostragem, a conduta do processo de recolha e os participantes que tivemos oportunidade de conhecer facilitaram a relação interpessoal e de confiança entre o investigador e os participantes, que foi manifestamente importante para o momento que se avizinhou, o da entrevista.