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7.1 LAVAGE DE L’ÉQUIPEMENT

Tom de voz % média de palavras alçadas % da pessoa que alçou o menor nº. de palavras % da pessoa que alçou o segundo menor nº. de palavras % da pessoa que alçou o terceiro menor nº. de palavras % da pessoa que alçou o maior nº. de palavras % da pessoa que alçou o segundo maior nº. de palavras % da pessoa que alçou o terceiro maior nº. de palavras Baixo 48,12% 32% 44% 50% 61,80% 52,81% --- Médio-baixo 43,14% 28% 31% 35% 68% 53% 46% Médio 32,46% 10% 15% 15% 60% 54% 52% Médio-alto 25,11% 18% 18% 39,33% ---- ---- ---- Alto ---- ---- ---- ---- ---- ---- ----

Como já fora frisado na variável velocidade de pronúncia, também na variável tom de

voz podem ser encontrados determinantes resultados e probabilidades de alçamento das vogais e e o pretônicas, sendo estes considerados a partir da média geral dos sujeitos de cada

categoria, bem como na porcentagem de cada sujeito.

Nessa perspectiva, os resultados obtidos na variável tom de voz são, quanto à média geral: baixo, 48,12%; médio-baixo, 43,14%; médio, 32,46%; médio-alto, 25,11%; e alto, sem sujeitos pertencentes. Logo, percebe-se que quanto mais baixo o sujeito falar maior é a probabilidade dele alçar as vogais e e o pretônicas.

Na consideração da porcentagem de alçamento de cada sujeito individualmente também é possível corroborar que, quanto mais baixo for o tom de voz do sujeito, maior é a probabilidade do mesmo alçar as vogais e e o pretônicas, já que os resultados obtidos são os seguintes: da categoria baixo, 32 é a porcentagem do sujeito com menor número de alçamento e 61,8 a do com maior número de alçamento; da médio-baixo, 28 a do com menor e 68 a do com maior; da médio, 10 a do com menor e 60 a do com maior; da médio-alto, 18 a do com menor e 39,33 a do com maior; e da alto, sem sujeitos integrantes.

Graças à realização da pesquisa, à análise do corpus e aos resultados apurados é possível concluir que é inexato pensar que o alçamento das vogais e e o pretônicas é uma marca de um determinado grupo social. Fica evidente, então, que o dialeto é o mesmo que o do grupo ao qual cada indivíduo pertence, mas o idioleto é exclusivo de cada um.

O alçamento das vogais e e o na sílaba pretônica, analisado na presente pesquisa, confirma a afirmação acima, pois cada sujeito alçou palavras diferentes. Portanto, cada sujeito possui suas particularidades, pois caso duas ou mais pessoas tenham ou tivessem alçado a mesma porcentagem de palavras e, inclusive, as mesmas palavras, é ou seria mera coincidência.

Quanto ao porquê de ocorrer o alçamento das vogais e e o pretônicas, várias teorias foram elaboradas por estudiosos e discordâncias foram encontradas. Alguns defendem que esse processo ocorre devido à presença de algumas consoantes precedentes e/ou sucedentes na sílaba. Já Bisol (1988 e 1987), assim como outros estudiosos, enfatiza que ocorre também devido à presença de uma vogal alta (i ou u) na sílaba tônica.

Não obstante, pode-se perceber que a harmonização vocálica é um processo relevante para ocorrer o alçamento das vogais e e o pretônicas. Por exemplo, as consoantes da sílaba tônica e da pretônica das palavras bonito e boneca são as mesmas, mas na primeira há a presença de uma vogal alta na sílaba tônica e houve alçamento de 52,86%, enquanto que na segunda há uma vogal média baixa e houve alçamento de apenas 01,43%14.

Diante das análises feitas, também foi observado que quanto mais rápido a pessoa pronunciar as palavras, maiores serão as chances de ocorrer o alçamento. Assim, as sílabas são articuladas em um espaço-tempo mais curto, facilitando a harmonização entre as vogais.

Essa afirmação também equivale ao tom de voz, pois se comprovara que quanto mais baixo um sujeito falar, maior é a probabilidade do mesmo alçar as vogais e e o pretônicas. Entretanto, ao contrário da velocidade de pronúncia, não há no tom da voz uma explicação contundente para tal ocorrência, pois o espaço/tempo é o mesmo, só muda o tom da voz e, devido a isso, talvez tenha a ver com o timbre da voz.

Já os resultados obtidos nas demais variáveis extralinguísticas, como sexo, escolaridade, grau de parentesco, profissão, entre outras, mostraram-se, algumas vezes, paradoxais, contraditórios uns aos outros, no sentido de que ora uma variável pode ser determinante ora não. Portanto, a regra “cada caso é um caso” faz se presente nos resultados obtidos. Afinal, “cada sujeito é um sujeito”.

Em compensação, os resultados obtidos mostram que o alçamento das vogais e e o pretônicas é um processo que atinge todas as idades, as profissões, os graus de escolaridade e inclusive os mais diferentes integrantes de um grupo familiar, pelo menos na região onde residem os sujeitos que forneceram os dados. E, por serem todos de uma determinada região – região noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, vale concluir, a partir do subtítulo 2.1.1, “As diferentes variações cabíveis a Sociolinguística”, que a variação diatópica faz-se presente, já que ela estuda as variantes regionais.

Ao passo que a variação diatópica estuda as variantes regionais, a variação diastrática está voltada às variáveis extralinguísticas de um grupo social, dentre os quais estão o sexo, a idade, a escolaridade, etc. Já a variação diafásica estuda as diferentes formas de expressão: língua falada, língua escrita, língua dos homens, língua das mulheres.

Além disso, a variação diafásica também considera o contexto, isto é, a situação, que pode ser formal ou informal. E, portanto, é através da situação que a variação diafásica está presente nessa pesquisa, uma vez que a situação é formal, já que a coleta de dados fora feita através de adivinhas e, além disso, os sujeitos ainda escreveram as palavras, o que pode ter influenciado um pouco no modo de falar dos mesmos.

Essa probabilidade de policiamento da fala no momento da coleta dos dados pode ser ratificada a partir de uma curiosidade extraída a partir dos sujeitos 10 e 21: o sujeito 10 falou, durante o processo das adivinhas, p[o]lícia e p[o]licial e após a coleta dos dados falou p[u]liciar; já o sujeito 21 falou pr[o]duto no momento de adivinhar tal palavra e logo em seguida pronunciou, bem descontraído, pr[u]duto: “ah é, que falam pr[u]duto disso, pr[u]duto daquilo...”.

Entretanto, pode-se questionar se apenas as variáveis extralinguísticas são relevantes para entender o alçamento das vogais e e o pretônicas ou as variáveis linguísticas também são? Em virtude da busca pela resposta a essa pergunta e de outros múltiplos anseios registra- se, aqui, a possibilidade e o desejo da realização de estudos futuros, mais aprofundados, a respeito do alçamento das vogais e e o pretônicas. Talvez essa seja uma instigação mais que

suficiente para tal desejo veemente, mas há muito mais aspectos envolvidos e, portanto, muito “pano pra manga”.

Em um panorama mais descritivo, de antemão evidencia-se que também são muitas as variáveis que devem ser analisadas para um arraigado estudo a respeito do alçamento das vogais e e o pretônicas. Ao que tudo indica, as variáveis linguísticas são tão determinantes quanto as extralinguísticas. E, em virtude disso, tem-se a intenção de analisá-las em estudos futuros.

Assim como nos estudos das variáveis extralinguísticas feitos aqui e que possivelmente serão aprofundados em próximos estudos, pretende-se analisar várias variáveis linguísticas, dentre as quais já foram selecionadas:

contexto fonológico seguinte e contexto fonológico precedente: levar-se-ão em consideração sobretudo os apontamentos de Bisol (1987) para a análise e seleção dessas duas variáveis,

De acordo com a zona de articulação (independentemente do modo), as consoantes que precedem ou seguem a vogal pretônica foram classificadas em quatro grupos: 1 – Alveolar: [t, d, s, z, n, l, r, ř]

2 – Palatal: [t∫, d3, ñ, ∫, 3] 3 – Velar: [k, g, x, y]

4 – Labial: [p, b, m, f, v] (p. 22);

contiguidade: “apesar de sabermos que a vogal alta em sílaba subsequente é o grande motivador da harmonização vocálica, interessava-nos saber se sua distância da sílaba-alvo era significativa” (SCHWINDT, s.d., p. 165). Dessa forma, interessa também aqui a veracidade dessa variável;

homorganicidade: levar-se-á em conta essa variável, uma vez que ela pode ser uma das mais importantes:

A homorganicidade aqui medida diz respeito ao ponto de articulação do alvo e do gatilho da regra, isto é, tenta responder se a vogal alta frontal i pode exercer maior poder sobre a elevação de e pelo fato de ambas serem frontais e o mesmo acerca da influência de u sobre o, por ambas serem posteriores.

Homorgânica – menino, coruja

nasalidade: analisar-se-á se há maior probabilidade de alçamento entre as palavras com vogais e e o pretônicas nasais ou orais a partir das mesmas circunstâncias que Bisol (1987):

A mudança de timbre que se costuma atribuir às vogais quando nasalizadas, percebida ora como abaixamento ora como centralização ou ambas, foi uma das razoes que nos levou a examinar o papel que esse fator poderia desempenhar no processo de harmonização vocálica (p. 21);

(a)tonicidade: conforme salientado por Bisol (1988), “a variação está ligada à condição de atonicidade” (p. 14). Então, verificar-se-á o grau de ocorrência do alçamento nesses casos;

localização morfológica: para a análise dessa variável, seguir-se-ão as considerações de Schwindt (s.d.),

Intentou-se, com esse grupo de fatores, verificar a circunscrição morfológica da harmonização vocálica, ou seja, se a regra olha ou não para fronteiras de morfemas. Na raiz – pesquiiiisa, políííítica

No sufixo verbal – sentiiiia, poderiiiia Nos sufixos nominais – freguesiiiia, formosuuuura

No sufixo – inho – aparelhiiiinho, boliiiinho (p.167);

classe gramatical: quanto na classe gramatical comparar-se-ão as ocorrências do alçamento nas diferentes classes gramaticais, tais como substantivo, verbo, adjetivo.

Além dessas variáveis linguísticas, outra já percebida como uma possível determinante é a origem das palavras. Essa, como o próprio nome já evidencia, considera a origem das

palavras e não algo dentro da estrutura da palavra, como é caso das variáveis anteriores.

Essa motivação para analisar a origem das palavras deve-se à Viegas (s.d.),

Em Viegas (1987), o trabalho pode estar também tendenciado devido ao acréscimo de itens que deveriam ser analisados separadamente (bizerro, do lat. hisp. Ibicerra, ibicirra; minino, provavelmente de miniño; piqueno, do lat. vulg. pitinuu, associado a uma base expressiva pikk = ‘pequenez’; etc.) (p. 309).

Assim, graças à pesquisa de Viegas que nascera o intento de pesquisar a origem das

palavras para conseguinte análise de sua influência no processo de alçamento das vogais e e o

pretônicas. Pode ser percebido, porém, que poucos são os teóricos que consideraram a origem

das palavras, uma vez que, até os que agora foram pesquisados, apenas Viegas fizera uma

Além do mais, há uma grande probabilidade de serem feitos estudos com a verificação da influência do alçamento das vogais e e o pretônicas na escrita. E já que o método da coleta dos dados para a pesquisa feita aqui consistira em adivinhas e, para despistar os sujeitos e também já com a intenção de analisar esse processo na escrita, solicitara-se que eles escrevessem as palavras a fim de que houvesse corpus para a análise desse processo de variação também na escrita. Portanto, o mesmo corpus poderá ser usado para essa análise, mas utilizá-lo-se-á voltado para outro panorama, para a comparação do alçamento das vogais

e e o pretônicas entre a fala e a escrita, e não para apenas a análise da ocorrência dele na fala.

E, visto que há várias palavras com a vogal e em posição pretônica e também várias com a vogal o em posição pretônica, intenta-se comparar uma à outra, bem como analisar em que contexto há a possibilidade de alçamento da vogal e pretônica e em que contexto há a possibilidade de alçamento da vogal o pretônica. Será que são os mesmos contextos? Se não são, quais são as características, tanto linguísticas quanto extralinguísticas, marcantes dessa possível distinção? Enfim, dados já há para essa análise, cuja coleta possui a mesma origem que a daqui, conforme já esclarecido anteriormente.

Outro interessante estudo que se pretende fazer é quanto à ocorrência do alçamento das vogais e e o pretônicas na leitura. Diferentemente dos casos da fala e da escrita, na leitura os sujeitos enxergam as palavras, mas será que isso impossibilita ou pelo menos interfere n processo de alçamento das vogais e e o pretônicas? Será que o ritmo e a velocidade de leitura influenciam assim como fora comprovado, aqui, que há influência da velocidade na fala? Será que o tom de voz também é determinante na leitura assim como na fala? E as demais variáveis extralinguísticas, também são determinantes? Se são, quanto?

Registra-se, aqui, que também há a possibilidade de análise do processo de alçamento das vogais e e o pretônicas na música. Sabe-se que a música possui ritmo, e também que são muitos os gêneros musicais. Portanto, um estudo adequado a respeito disso seria selecionar músicas dos mais diferentes ritmos, cuja letra contenha, obviamente, palavras com vogais e e

o em posição pretônica para poder compará-las. Para tornar o trabalho mais persuasivo e com

resultados mais satisfatórios é interessante selecionar músicas cantadas pelo(s) mesmo(s) cantor(es), alguns do mesmo ritmo e outros de diferentes ritmos.

Bagno (2000), sociolinguista, destina um dos capítulos do seu livro A língua de

Eulália: novela sociolinguística ao alçamento das vogais e e o pretônicas, cujo título é

musicalidade quando alçadas. Além disso, são privilegiadas quando cantadas, ou seja, são alçadas com maior facilidade quando em contexto musical.

Devido às possibilidades de estudos aqui introduzidas, vale registrar que o alçamento das vogais e e o pretônicas é um processo complexo e, talvez por isso, há poucos estudos que se aprofundem no mesmo. Em compensação, há estudos interessantes a respeito do mesmo, tais como os de Bisol, Viegas e Schwindt, citados ao longo deste trabalho. Entretanto, nenhum deles analisou esse fenômeno na leitura, na escrita, na música e de uma forma tão abrangente na fala, pelo menos não que se tenha ficado sabendo e não envolvendo tão profundamente aspectos sociolinguísticos.

Enfim, em vista à pesquisa, às análises, aos resultados obtidos e aos possíveis estudos futuros, é possível concluir que muitos são os mistérios que rondam o processo de alçamento das vogais e e o pretônicas e que esse processo de variação possui um enorme leque de possibilidades de estudos que é cativante, curioso, instigante e, sobretudo, misterioso. Afinal, como fora afirmado na introdução deste trabalho, mistério é “uma palavra que desperta o interesse e a curiosidade de bastantes pessoas, uma vez que ela indica algo ainda não decifrado, pelo menos àqueles que ainda não o desvendaram” e o alçamento das vogais e e o pretônicas é recheado de mistérios a serem desvendados.

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