(Chapitre III) L’apport de la linguistique systémique fonctionnelle
3.2 Le modèle architectural de la langue en LSF
3.2.1 La stratifi cati on
Fonte: Miguel Pires Proa (2007). Colégios Universitários em Coimbra. In Gaveta com Saber: [Online] [Consult 13/11/08] Disponível em
http://gavetacomsaber.blogspot.com/2007/10/quem-passa-pela-rua-da-sofia-em- coimbra.html
Manuel de Sá – um diásporo quinhentista português ao serviço da Educação - sua vida -
A vida deste grupo era de tal modo edificante e cativante, no dizer de Baltazar Tellez
(1645, Liv. I, cap XXXIX, p. 196), que logo alguns estudantes começaram por se
interessar por eles. Assim, a 25 de Agosto de 1542, passou a fazer parte desse grupo,
um padre transmontano, Pedro Lopes; seguindo-se os Padres João de S. Miguel, o de Bretonços (Galiza) e Adão Francisco, no dia oito de Novembro desse mesmo ano. O mesmo Telles continua dizendo:
Foram os que neste tempo abraçaram a cruz de Christo o Padre Manoel de Sâ mancebo de excelente habilidade, e talento; tam conhecido ao diante no mundo todo, por suas obras que nos deixou em especial por aquelle livrinho de ouro, a quem com razam chamamos de Manual, porque, na verdade, anda nas mãos de todos: foi pregador do Papa em Itália, doutor famoso, homem de grande virtude, e letras.
Em 1544, eram 26 portugueses que se tinham unido a esta família religiosa (Idem, p. 442). Entretanto, Manuel de Sá encontrava-se já em Coimbra ou teria aí chegado, por volta do ano 1543, para cursar o estudo das Artes. Dizemos 1543 por levarmos em conta o ano do nascimento (1530) e a idade de 7 a 13 anos dedicados às primeiras letras que deveria ter estudado na Colegiada de Santa Clara de Vila do Conde, como já referimos. Teria sido, pois, entre os anos 1543 e 1545 que ele fez o seu bacharelato em Artes, na Universidade de Coimbra.
Segundo Franco (1719 Tom. II, Cap. XXIV, pp. 388, nº 3), que se reporta a um testemunho manuscrito do Padre Ribadeneira – História manuscrita livro primeiro
capitulo quinto –, Manuel de Sá foi recebido na Companhia de Jesus a sete de Abril do
ano 1545, ou seja, cinco dias depois do Padre Luís da Câmara ter dado o mesmo passo. Nesse ano, segundo este mesmo autor, ele parte juntamente com Luís Gonçalves da Câmara para Valência a fim de, ali, fazerem o Noviciado, cumprindo-se, assim, o desejo da sua mãe quando o enviara para Coimbra: (…) que puzesse tanto cuidado no estudo
das letras, que ela tivesse o gosto de ouvir dele cousas grandes; em especial que desejava fosse apóstolo, nome que em Portugal se dá aos da Companhia (Ibidem).
Tanto relativamente à data de nascimento (1530), quanto à data da entrada na Companhia de Jesus (07-04-1545), os autores que investigámos concordam, à excepção de dois autores, um para cada uma efeméride. De facto sobre o ano de nascimento temos o Larousse (1866 - 1876,Vol. 9, p. 1469) que refere o ano 1531, enquanto sobre a data da entrada na Companhia de Jesus Diogo Barbosa Machado destoa de todos os
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outros ao assinalar o dia vinte e sete de Abril (27-04-1545). Vejamos, num quadro sinópticos essas concordâncias e discordâncias:
Tabela 2: Variação do ano de nascimento e do dia de entrada na Sociedade de Jesus
Autor Ano de
Nascimento Companhia de Jesus Data da entrada na GEPB (1936-1960, Vol. 26, p. 450) 1530 Sete de Abril 1545 Rodrigues (1974). In ELBCV, Vol. 16, Col. 991) 1530 Sete de Abril 1545 Vigouroux (1899-1912, Tom. V, Col. 1283) 1530 à quinze ans
Michaud (1843-1865, Vol. XXXVII, p. 159) 1530 à quinze ans Le Grand Dict. Universelle du XXe siècle (1875, Tom
XIV, p. 3) 1530 á quinze ans New Catholic Encyclopedia, Vol. 12, p. 773 --- Sete de Abril 1545 Sommervogel (1890-1909, Tom. VII, Col. 349) 1530 Sete de Abril 1545
Larousse (1866-1876, Vol. 9, p. 1469) 1531 ---
Barbosa Machado (1752, Tom. III, p. 361) --- 27 (vingt sept) de Abril de 1545
António Franco (1719, cap. XXIV, p.388, nº 2), --- Sete de 1545 de Abril Aos
O curso das Artes seria o primeiro grau académico e o primeiro passo para uma ascensão gloriosa no campo das letras e do pensamento filosófico e teológico. Alguns autores afirmam que Manuel de Sá chegou a ser professor de Filosofia em Coimbra, o que para outros não passaria de uma lenda. Por exemplo, Michaud 1843-1865, Tom. 37, p.159) diz o seguinte : (…) après avoir enseigné la philosophie à Coimbre, il vint à
Gandie (…), enquanto Franco (1719 Tom. II, Cap. XXIV, pp. 388, nº 1, Idem, n. 3)
confirma esse facto com um testemunho tirado da Biblioteca da Companhia de Sommervogel (1890-1916), dizendo: A Biblioteca da Companhia tem, que ensinara
Philosophia em Portugal de tam pouca idade (…) que entrando alguns na aula antes de vir o mestre (…).
Se admitíssemos o facto como verídico, então Manuel de Sá teria ensinado na Universidade de Coimbra antes de entrar na Companhia, visto que, nesse tempo, apenas os leigos podiam ali ensinar filosofia e artes, e, neste caso, teria sido antes de Abril de 1545, ou então poderíamos admitir que tenha ensinado na primeira casa Jesuíta, antes de
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ter partido para Valência.
No entanto, se de lenda não passar, esta teria o seu fundamento histórico, na sua precocidade e no seu admirável talento. Ela recorda que, pelo facto de ele ser de baixa estatura e de tenra idade, foi confundido pelos alunos como se fosse um deles, e, sem lhe ligarem, continuaram à espera do professor. Vendo, porém que era ele quem esperavam, ficaram todos confusos pelo qui, pro quo, e admirados pela sabedoria profunda e eloquência arrebatadora que a todos encantava (Ibidem).
Sobre a sua ida para Gandia, referida por Michaud (Ibidem), Franco (Idem, nº 2) fornece-nos o seguinte esclarecimento:
Aos sete do mesmo anno de 1545 entrou Manoel de Sà, que era estudante de rara habilidade, & passou com Luiz Gonçalves a continuar seu Noviciado em Valência.
O Padre Ribadaneira tem, que foram entrar em Gandia; porém o que fica ditto he o que nos consta dos nossos catálogos, & documentos, que carecem de dúvida.
A sua boa preparação e a sua admirável inteligência, manifestadas ao longo dos anos da sua formação, fizeram dele um Menino Prodigioso, de maneira a ser incluído por Klefeker (1717, petit in 8º, p. 326), na obra que dedicou aos Autores Precoces e aos Temas e Ocasiões especiais, como poderemos verificar na fotocópia do documento, existente na Biblioteca de Hidelberg, que, aí, consultámos e fotocopiámos. Em Munique um exemplar idêntico está identificado com o nº 176.
Desta forma, não é de todo impossível que Manuel de Sá tenha ensinado algumas das cadeiras, nomeadamente filosofia elementar, visto que esta cadeira fazia parte do Bacharelato em Artes do qual faziam parte a Lógica Aristotélica, as Sumulae logicae e a Filosofia Elementar, correspondendo ao Trivium (Gramática, Lógica, Dialéctica).
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Ilustração 1: Frontispício da Obra de Klefeker
Fonte: Biblioteca de Heidelberg (por especial favor de Frau Schmidt)
Seria, no entanto, descabido pensar que ele tenha ensinado no Colégio das Artes, pois que este só foi fundado em 1547-1548 por D. João III e entregue à direcção pedagógica dos Jesuítas, em 1555, pelo mesmo monarca, como o afirma Serrão (1986, p. 104), nem no Colégio da Companhia de Jesus cuja fundação data de 1547 (que coincide com o aparecimento do Primeiro Índice Português, manuscrito, dos livros proibidos).
Como dissemos, poderia ter acontecido o facto na Casa/Residência do primeiro grupo de Jesuítas conimbricenses que foi fundada em 1542 e que, no dizer de Rops (1955, p. 73) seriam Maisons d'Enseignement d'un type nouveau. Deste modo o que para Francisco Rodrigues seria uma pura lenda, no que respeita ao ensino em Coimbra, ou desta mesma lenda se ter dado em Gandia, na opinião de Rodrigues (1931, T. I, Vol. I, p. 454), deveria ser deixado como questão em aberto.
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