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Connai ssan ces grammati cal es expl ici tes

1.3 Quelques définitions et taxonomies résultantes

2.1.1 Connai ssan ces grammati cal es expl ici tes

Fonte: o autor – (2008)

Quanto à construção e finalidade do Mosteiro de Santa Clara, podemos dizer que este foi erigido em Vila do Conde nos princípios do século XIV. Embora, na altura, o senhorio de Vila do Conde estivesse na posse de D. Affonso Sanches, filho ilegítimo do

Rei D. Dinis e de D. Aldonça Rodrigues Telha, era património de D. Thereza Martins, esposa de D. Affonso Sanches, filha legítima do Conde de Barcelos, D. João Affonso de Menezes, e de D. Thereza Sanches, pois tinha-lhe advindo por herança da sua quarta avó paterna D. Maria Pães Ribeira, a quem D. Sancho I, Rei de Portugal, a doara, como disse (Ferreira, 1923, p.15). Este mesmo autor, apoiando-se na Monarchia Lusitana (Vol. VI, cap. 64, pp. 213ss) continua dizendo que a fundação deste mosteiro

se deu no ano 1318, quando o Rei D. Dinis regressava de Santiago de Compostela, sendo acompanhado do seu filho bastardo, D. Afonso Sanches. Ao passarem por Vila do Conde, este último teve a ideia de mandar construir, ali, um mosteiro em honra de Santa Clara, talvez para imitar o que já tinha sido feito, em 1317, em Coimbra, pela Rainha Santa Isabel. Ambos os mosteiros foram, portanto, edificados, segundo ele:

“… por devoção e sympathia para com a Ordem dos Menores (Ordem de S. Francisco). Assim pensado, D. Afonso edificou e dotou este novo mosteiro, para fidalgas pobres, por carta datada aqui em 7 de Maio de 1318, recebendo a “confirmação de El-Rei D. Dinis, outorgada em Monte-mór-o-Novo aos 4 de Janeiro de 1319 D. Dinis confirma essa construção.

O Convento ou Mosteiro é imponente e a Igreja, de uma só nave e em forma de cruz latina, termina por uma abside em figura poligonal. Embora seja de estilo gótico severo

Manuel de Sá – um diásporo quinhentista português ao serviço da Educação - sua vida -

e grave da igreja de S. Francisco do Porto, com sabor ainda ao estilo românico d’onde

derivara(Idem, p. 16), apresenta uma certa sumptuosidade.

Podemos apreciar, ainda em muito bom estado, a Capela de Nossa Senhora da Conceição, do século XV-XVI, em estilo gótico-florido, sinal da transição do estilo gótico para o da renascença, ou seja, em estilo manuelino. Nela se encontram os túmulos, (de escultores desconhecidos), de D. Afonso Sanches, falecido em 1329 na sua Villa de Albuquerque, em Castela e de D. Teresa Martins, falecida, em Portugal em 1350 ou 1351, para onde veio após a morte do marido. No transepto, do lado esquerdo encontram-se o túmulo brasonado de D. Fernando de Menezes, senhor da Casa de Cantanhede, terceiro neto dos Fundadores e o túmulo de sua mulher D. Brites d’Andrade que foram protectores do Convento, como o descreve ainda Ferreira (1923, p.17). Encontra-se ainda ou outro túmulo no centro que guarda os restos mortais de Dª Brites Pereira que era filha de Nuno Álvares Pereira e foi a progenitora da Casa de Bragança.

Dedicado, portanto, a mulheres, Filhas de algo pobres este mosteiro recebeu das mães dos seus fundadores, em carta de 7 de Maio de 1318, o testamento, no qual é estabelecida a finalidade desta fundação e assinaladas as leis por que se devem dirigir as suas enclausuradas. Deste testamento que se encontra explicado longamente em GEPB (1936-1960, Vol. 35, p. 479) passamos a indicar os pontos principais:

ƒ Nós (D. Afonso Sanches e Da. Teresa Martins) somos os Patrões do Mosteiro; ƒ Somos os fundadores e construtores pelas nossas fontes;

ƒ Nós damos este mosteiro e a este daremos tudo o que for necessário para as

mulheres que aí viverem;

ƒ Damos-lhe, em doação, os Patronatos da Igreja de Fervença de Alcoentre, da

Póvoa de Varzim, Formariz, Touguinha-Beiriz, Terroso, Landão, Nabais e Quirance;

ƒ Este Mosteiro será para alojar mulheres Filhas de Algo pobres, ƒ Nós não defendemos Filhas de Algo ricas;

ƒ Mas, se não há Filhas de Algo pobre ou se estas não são de boa reputação, os

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mosteiro;

ƒ Isto será feito para impedir que as mulheres do mosteiro andem de aldeia em

aldeia a granjear ou a pedir esmola, com perigo das suas almas;

ƒ Pertence à abadessa a administração de todos os bens, tanto seculares como

eclesiásticos, com absoluta independência de toda a autoridade eclesiástica ou secular exterior;

ƒ A ela pertence ainda a autoridade para mudar as disposições que dizem respeito

à distribuição do vestuário e alimentação;

ƒ Os fundadores dispõem para que aí haja quatro capelães que devam cantar

quotidianamente as horas canónicas;

ƒ A abadessa não pode alienar os bens do Mosteiro, mas pode negociar para o bom curso dos negócios;

ƒ O defensor será o filho dos fundadores, D. João Afonso e seus descendentes ou, na falta de descendência, aqueles que são familiares mais próximos.

Tabela 1: Sinopse da construção dos mosteiros e Igrejas.

Construção de Mosteiros Século Local Igreja S. João Evangelista X-XI Igreja do Castro / Vila

do Conde. Mosteiro de. S. Simão XI Junqueira

Mosteiro do Vairão XII Vairão Mosteiro de S. Cristóvão XII Rio Mau

Mosteiro de Stª Clara XIV Vila do Conde Substituição das Igrejas

Do século XI ao século XVI Do século XVI em diante

Aberta ao culto em 1518 Igreja de S. João Baptista (Igreja

Velha) Igreja Matriz (Igreja Nova) Elevada a Colegiada em 1519

Pouco depois da sua fundação, este Mosteiro obteve o padroado da Igreja paroquial de Vila do Conde que, então, pertencia, segundo a mesma fonte (Idem, p. 478), à Igreja e Colegiada de Guimarães, ficando esta, em troca, com o padroado da Igreja de S. Tiago de Murça. Para melhor compreensão do texto, convêm relembrar o que significa Filhas

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fidalgos ou de nobres dessa época sem bens fundiários, urbanos ou rurais.

3.2 - Igreja Matriz e a sua Colegiada

No século XIV, na opinião do autor de Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira (Vol. 26, 481) novas disposições reais vieram beneficiar os habitantes de Vila do Conde. Em 10 de Fevereiro de 1372, D. Fernando isentou-os do pagamento da taxa de passagem que era obrigatória para todas as mercadorias do Reino; em 1381, por carta régia, datada de 12 de Agosto, D. Gonçalo Teles, conde de Neiva e irmão da Rainha, foi confirmado como Senhor da Vila.

No que respeita à vida religiosa, existiu, nesta vila, desde o séc. X-XI, uma pequena Igreja pertencente ao Castro, dedicada a S. João Evangelista e que perdurou, servindo a população durante muito tempo. Incapaz, no entanto, de albergar o elevado número de fiéis que não deixava de crescer, sentiu-se a necessidade de construir uma outra, em nome de S. João Baptista e que viria a ser a Igreja paroquial até aos primeiros decénios do século XVI, data em que foi construída a actual Igreja Matriz (a Nova) em substituição da anterior - Igreja Velha -. A actual veio a ser construída no Campo e Lugar da capela de S. Sebastião, sendo esta, por isso, transladada para a entrada da Rua da Lapa e daqui para o Cemitério público, em 1853, onde se encontra ainda.