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Nouvelle génération d’hormonothérapie

IV. CHAPITRE IV : LES TAXANES

IV.6 LA REPONSE CELLULAIRE AUX ANTI-MITOTIQUES

No romance O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo, cuja escrita foi concluída em novembro de 1988, o autor retrata a imagem social da cidade do Mindelo, em São Vicente, antes e depois do 25 de abril de 1974, através da vida de um comerciante local que conseguiu enriquecer, vendendo 10.000 guarda-chuvas numa terra, cujo principal problema é a seca permanente.

O protagonista Napumoceno nasce em 1898, mas a narração da sua vida só começa, quando ainda rapazote, chega à cidade do Mindelo e termina com a sua morte em 1984. O período político da narração dos acontecimentos vai de 1975 a 1983.

O narrador na terceira pessoa, descreve a personagem Napumoceno, solteirão de hábitos ponderados, como pertencente à pequena burguesia crescente no espaço

mindelense. Na personagem há um sentimento enraizado de origem e que é despoletado pela memória que invoca a infância do protagonista já adulto. Em menino, Napumoceno tinha vindo de pés descalços de São Nicolau, sua terra natal onde fora lenhador e passara fome e miséria, para o Mindelo (São Vicente).

Napumoceno torna-se comerciante. Como o seu armazém ficava situado na zona de Salinas, tinha necessidade de deslocar-se, caminhava a pé, não tinha carro e foi devido ao sol abrasador de agosto que por intermédio de um caixeiro viajante, fez um pedido de 1000 guarda-sóis. Devido a um engano de um zero em vez de 1000 guarda- chuvas apareceu uma remessa de dez mil “[...] numa terra em que são utilizados como guarda-sol porque infelizmente não chove!” (TSN:55).

Irónica e inesperadamente começa a chover e o solteirão Napumoceno vende todos os chapéus e enriquece, alcançando um prestigiado lugar social no meio comercial mindelense.

O protagonista dá a conhecer os aspetos sociais e políticos de Cabo Verde, num período conturbado na época colonial e já na Independência, marcado pela ocorrência de mudanças profundas na sociedade cabo-verdiana. Ao morrer, deixa um testamento escrito de 387 laudas, guardado num envelope lacrado, redigido dez anos antes de sua morte.

Durante a abertura do testamento e leitura pública feita pelas personagens Américo Fonseca e Armando Lima na presença das testemunhas Carlos, sobrinho de Napumoceno e de Maria da Graça, sua filha, o sobrinho Carlos, que acreditava ser o único herdeiro, via-se já sentado na cadeira do diretor da Sociedade de Importação e Exportação, Araújo Ldª, mas o velho Napumoceno deixara os seus bens a Graça e pouca coisa a Carlos.

No decurso da leitura do testamento, o leitor identifica as razões que levaram Napumoceno a escrevê-lo. Em primeiro lugar, o seu descontentamento político que o levou a retirar-se da vida ativa, a necessidade de deixar a sua fortuna em mãos seguras, fruto de uma vida de trabalho, a sua velhice (74 anos), a ingratidão do sobrinho Carlos e o reconhecimento da sua filha Graça.

Pela leitura do documento, o protagonista revela a sua relação íntima com D. Chica, mulher de limpeza do escritório com quem tinha entrado de “[...] amores [...]

lhe fazer um filho, melhor dizendo uma filha, em cima do tampo de vidro.” (TSN:11), o desejo de casar com Adélia, o encontro com D. Jóia na Boa Vista, com Armanda “que era uma rapariga não só bonita como parecia vir a ser uma óptima companheira [...]” (TSN:56) e as viagens que fez a Paris “[...] cidade que ele chamou de aberta e amável e de gente afável” (TSN:45), à Noruega, aos Estados Unidos e a Lisboa.

Da América, Napumoceno trouxe um carro de marca Ford e lembrou-se que não tinha carta de condução nem sabia conduzir “[...] e foi uma festa na cidade quando atravessou a Rua de Lisboa ao volante do seu carro, empurrado por 4 homens.” (TSN:66).

É importante dizer que D. Chica, grávida ,”[...] instalara-se lá para trás de Lombo de Tanque, nem para compras vinha à cidade e todos os meses, por portador certo recebia envelope com conteúdo proveniente da firma Ramires & Araújo, Ld. ª a título de pensão de reforma. (TSN:12). A ida de Napumoceno à Boa Vista, deve-se ao facto do seu grande empenhamento na reconstrução da cidade do Mindelo, danificada pelas cheias provocadas pela chuva.

Ainda no envolvimento de domínio amoroso, o romance vivido com Adélia desencantou-o, visto que ela era casada com um marinheiro que estava fora do Mindelo. Quando o marido regressa, Adélia sente que tem que deixar Napumoceno.

Apesar das insistências do protagonista para que ela ficasse com ele, ela rompe a relação. Napumoceno sofre com a separação e retorna desgostoso à sua terra natal, S. Nicolau, marcada pelas suas origens culturais e míticas.

Mais tarde, após o seu retorno, Adélia quer reatar a relação com Napumoceno, dizendo que tinha deixado o marido e que estava disposta a casar com ele. Passam a noite juntos, mas parece que algo morreu dentro dele, pensando que depois de ter sofrido tanto para esquecê-la não quer voltar a repetir a situação. Napumoceno prefere vê-la a chorar, a implorar como uma espécie de autovingança por ele ter sofrido quando ela o deixou. Ao recusá-la, ele afirma a sua liberdade espiritual e individual.

As descrições de Adélia feitas por Napumoceno enchem páginas do testamento em que ela fora “[...] no entanto objecto de cinco cadernos escolares de 24 páginas cada e mesmo assim outros escritores avulsos foram-lhes dedicados.” (TSN:85). À beira da morte, Napumoceno pronuncia o nome de Adélia.

É de realçar ainda o Dr. Sousa, personagem defensora da cultura regional e enraizada, como fazendo parte da tradição insular.

Napumoceno era considerado um respeitável comerciante do Mindelo e compara a sua vida à de Abhram Lincoln enquanto self made man, quer pelo exagero de situações, quer pela sua linguagem.