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La réduction mythologique devant la critique

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 84-91)

1.1 BIBLE, MYTHE ET FIGURE DE LA RÉVÉLATION

1.1.3.2 La réduction mythologique devant la critique

m 1975, um ano antes de Interview with the Vampire, Stephen King publica ‘Salem’s Lot, uma obra com vampiros repulsivos e que estavam de acordo com a tradição. Anne Rice, por sua vez, traz-nos vampiros chiques e snobs, figuras andróginas, com uma forte componente sexual, que reaproximam os leitores de um género que começava a acusar o peso dos anos. Conjugando as tradições do Gótico com aspectos inovadores e apresentando personagens simultaneamente próximas e distantes de nós, Rice procura levantar questões de ordem social nas suas obras, atraindo leitores que, à partida, parecem não se interessar por este tipo de literatura. No seu The Philosophy of Horror, or Paradoxes of the Heart, Noël Carroll refere que “…what seems to have happened in the first half of the seventies is that horror, so to speak, entered the mainstream. Its audience was no longer specialized, but widened, and horror novels

became increasingly easy to come by.”173 Foi isso que Rice fez. As suas Vampire Chronicles impulsionaram

o ressurgimento deste tipo de literatura e abriram o caminho a autoras mais jovens como Poppy Z. Brite, Chelsea Quinn Yarbro ou Suzy McKee Charnas. As aventuras de Lestat, Louis, ou Armand, entre outros, fascinaram e continuam a fascinar milhões de leitores. Os vampiros são trazidos para primeiro plano em Rice, e não os seres humanos. As vozes e as figuras que eram relegadas para segundo plano, durante o período do realismo, e perspectivas consideradas subversivas ou pouco reais, são agora destacadas e valorizadas.

E

Interview with the Vampire (1976) dá início às Vampire Chronicles e foi um sucesso instantâneo

junto dos leitores e críticos. Rice afirma que escreveu o livro em cinco semanas, em 1973, a pensar não no

Dracula de Bram Stoker, que confessa nunca ter acabado de ler, mas sim nos filmes de terror a preto e

branco, das primeiras décadas do século XX. Comovente, hipnótico, erótico e profundamente revelador, esta autobiografia elevou os vampiros ao estatuto de celebridades. Apesar de serem seres diferentes que vivem à margem da sociedade, os vampiros incorporam as aspirações, medos e desejos do ser humano:

To reveal himself without revealing himself, is the essence of what Rice does. Her vampires embody a central tension in contemporary America: the desire for celebrity, notoriety, and recognition centred with the awareness that fame leaves one vulnerable and exposed in the desert of public culture, without an identity of one’s own.174

Em Queen of the Damned (1988), o terceiro livro das Vampire Chronicles, a jovem humana Jesse, referindo-se a Interview, acaba por explicar o motivo pelo qual também nós, leitores, somos, tal como ela, incapazes de resistir a estes vampiros: “There is something obscene about this novel. It makes the lives of

173 Noël Carroll, The Philosophy of Horror, or Paradoxes of the Heart, p. 2.

these beings seem attractive. You don’t realize it at first; it’s a nightmare and you can’t get out of it. Then all

of a sudden you’re comfortable there. You want to remain.”175

Rice coloca a tecnologia ao serviço das convenções e o uso do gravador de cassetes não é mais que um reflexo das célebres gravações de Watergate, famosas na época em que o livro foi escrito. Esse método fora usado, em 1975, por Fred Saberhagen. The Dracula Tape coloca um Drácula muito diferente do de Stoker a contar, na primeira pessoa, a história da sua vida. Mas não foi só o facto de termos um vampiro a ser

entrevistado, que tornou o livro de Rice célebre. “Like Stoker before her, Rice has changed the code.”176,

afirma Martin Wood. Day, por seu lado, considera que: “Rice’s lonely and damned vampires struggle for the freedom that comes with self-acceptance of specialness, difference, and darkness, rather than the return to

‘normality’.”177 Para este autor, as obras de Rice têm a ver com uma maneira de estar no mundo em que o

indivíduo revela e aceita todas as suas facetas e se sente pleno. Uma crítica do Boston Globe ao livro The

Vampire Lestat (1985) resume a concepção que Rice tem dos seus vampiros: “Her refugees from the sunlight

are symbols of the walking alienated, those of us who, by choice or not, dwell on the fringe.”178 A própria

autora afirma que deseja que as suas personagens sejam representações do ser humano e não de uma figura sobrenatural. Lestat acentua esta ligação ao afirmar, em Memnoch the Devil (1995), que “We have souls, you

and I. We want to know things; we share the same earth, rich and verdant and fraught with perils.”179 Esta

tendência já fora aflorada pelo poeta americano Richard Wilbur, em 1961, no seu poema The Undead, que não terá sido indiferente a Rice. Inspirado também pelos filmes de terror dos anos 30 – nomeadamente, o Drácula de Lugosi –, Wilbur retrata os vampiros como seres paradoxais, dignos de pena e compreensão, e não de pavor:

…fearing contagion of the mortal (…)

Secret, unfriendly, pale, possessed Of the one wish, the thirst for mere survival

(…)

We cannot be much impressed with vampires (…)

Nevertheless, their pain is real, And requires our pity. Think how sad it must be

To prey on life forever and not possess it180

Ao tornar o vampiro no narrador, Rice centra-se na sua vida interior e dá-lhe uma nova face, uma face mais humana do que gostaríamos talvez de pensar, e que se revela muito próxima de nós. A sua voz sobrepõe-se a todas as outras, num tom confessional que chocou pela relevância dada à criação e educação do vampiro, que é, assim, elevado ao estatuto de protagonista como nunca o fora. As Vampire Chronicles de Anne Rice são um marco na transformação do vampiro numa figura com quem simpatizamos e mostram um

175 Anne Rice, Queen of the Damned, p. 178.

176 Martin J. Wood, “New Life for an old tradition: Anne Rice and Vampire Literature” In Leonard G. Heldreth & Mary Pharr (ed.), Vampires in

Literature, p. 60.

177 William Patrick Day, Vampires Legends in Contemporary American Culture. What becomes a legend most, p. 43. 178 Ibidem.

179 Anne Rice, Memnoch, the devil, p. 4. 180 Ver Anexo 38: Poema 5, p. 233.

regresso às origens, pois, antes do Drácula stokeriano, os vampiros procuravam a companhia dos humanos ou de outros vampiros, como acontece com Lord Ruthven e Varney. Lestat, Louis ou Armand são a imagem do dandy vitoriano, do boémio, que Lord Byron encarnava tão bem e que inspirou o Lord Ruthven de Polidori. Tal como Ruthven, estes vampiros são encantadores, mas cada um aproveita a sua época à sua maneira. Rice vê os seus vampiros como uma metáfora para os que ficam à margem, os “outsiders”, daí que optem por viver à margem da sociedade.

Classificado pelo Houston Chronicle como "a novel of mesmerizing beauty and astonishing force – a story of danger and flight, of love and loss, of suspense and resolution, and of the extraordinary power of

the senses.”181, Interview with the vampire deu o pontapé de saída nas Vampires Chronicles. Mas, mais do

que uma revelação dos sentidos, a obra é a revelação da alma atormentada de um ser imortal. Esta espécie de diário em forma de entrevista leva-nos a conhecer profundamente uma criatura complexa que está bem mais próxima de ser fascinante que aterrorizadora.

Natural de New Orleans, Rice tem por hábito situar muitos dos seus romances nessa cidade do sul

dos EUA, “a magical and magnificent place to live.”182, rica pela mistura de povos e raças e onde os

milhares de emigrantes permitem aos vampiros passarem despercebidos no meio da multidão, que satisfaz as suas necessidades sem o saber. Jack Morgan considera-a a cidade gótica ideal: “The plot of Anne Rice's

Interview with the Vampire significantly grows out of a Catholic Louisiana milieu, New Orleans being the

perfect American gothic city in that it is historically a European Catholic enclave in the Protestant American

South.”183 Rice inova também ao localizar as suas histórias nestes contextos urbanos e não em castelos ou

catacumbas, como no Gótico europeu e na literatura de vampiros mais tradicional. Além disso, New Orleans está ligada a um certo misticismo e magia, sobretudo entre a população crioula, com todas as crenças de vudu associadas.

Um factor positivo a destacar nestas obras é que, pela primeira vez na literatura, é descrito, ao pormenor, o processo de criação do vampiro e este processo está directamente relacionado com a troca de sangues entre o vampiro e a sua vítima, tantas vezes revelado na sétima arte e na televisão: “I drank, sucking the blood out of the holes, experiencing for the first time since infancy the special pleasure of sucking

nourishment, the body focused with the mind upon one vital source.”184 A criação do vampiro é descrita

como um renascimento, em que o corpo humano morre para renascer como vampiro: “I was dying as a

human, yet completely alive as a vampire”185, confessa Louis. Para as personagens de Rice, o vampirismo é

uma agonia, mas, como afirma Punter, também é “rich, glowing and lustrous’ and the world is newly open to

the vampire’s vastly expanded senses.”186

Curiosamente, Rice só explica a origem dos seus vampiros em Queen of the Damned. A história, que nos é contada, sobre o aparecimento dos vampiros, vai ao encontro das lendas antigas, dos Seven Spirits, que mencionámos no primeiro capítulo, e até da série Buffy, the Vampire Slayer, que desenvolveremos no

181 Anne Rice, Interview with the Vampire, p. 1. 182 Idem, p. 40.

183 Jack Morgan, The Biology of Horror Gothic Literature and Film, p. 65. 184 Anne Rice, Interview with the Vampire, p. 20.

185 Idem, p. 22.

próximo capítulo, em que o First Evil é também ele um espírito maléfico, como Amel, que inveja os humanos por estes serem seres corpóreos e ele não. Em Queen of the Damned, Maharet explica esta origem: “There was also abundant evidence that what we called bad spirts envied us that we were fleshy and also

spiritual – that we had the pleasures and powers of the physical while possessing spiritual minds.”187

Rice trata os seus vampiros de acordo com a tradição, pois estes não envelhecem, são imortais, dormem em caixões, podem ser mortos pela luz do Sol, pelo fogo ou pelo desmembramento e possuem qualidades sobre-humanas, com sentidos e força desenvolvidos e a capacidade de ler os pensamentos dos outros e se auto-regenerarem. Aliás, vários mitos da Idade Média, que referimos no capítulo I, são aqui referenciados, sobretudo tradições europeias: a descrição do ritual de abertura de campas, a destruição pela estaca no coração, pelo fogo e pela decapitação são aqui intensificados pela mitologia da pureza do cavalo branco, que indica a campa a abrir, tradição já retratada no Dracula de John Badham e que marca presença

também na pintura, inclusive no famoso quadro de Fuseli, The Nightmare188 (1790).

Contra a tradição, no entanto, parece que as estacas, alho, cruzes e crucifixos não têm efeito sobre estes vampiros, que não se desfazem em cinzas, nem se transformam em nevoeiro, têm reflexo no espelho, sonham e têm sentimentos, dormem em qualquer lugar, não têm traços físicos indesejáveis e, quando bebem, partilham com as suas vítimas as suas memórias e recordações.

A mesma oposição entre os países civilizados e os países mais “primitivos”, que Stoker tanto quis expressar no seu Dracula, está patente na visita à Europa Central e reflecte-se até nos vampiros que aí são apresentados, seres completamente selvagens, violentos, sem uma face humana e civilizada. Na Transilvânia, Hungria e Bulgária, países rurais, com grandes castelos e ruínas (tão típicos dos romances góticos), os habitantes acreditavam perfeitamente em vampiros e sabiam como lutar contra eles. Aí, os relatos de vampiros falam sempre do mesmo tipo de criaturas cadavéricas, sem alma, rotos e podres, “Revenants (…)

Their blood is different, vile. They increase as we do but without skill or care.”189, explica o vampiro

Armand, em Interview.

Os vampiros do Novo Mundo, por seu lado, são seres apaixonantes e apaixonados, pela vida, pela morte, pelo sangue. Com o Romantismo, a Literatura Gótica conheceu um novo impulso e os heróis românticos góticos, misteriosos, solitários e soberanos, figuras marginais, rebeldes e deambulatórias, que viviam à margem da sociedade e detinham alguma verdade obscura ou terrível conhecimento, eram transgressores que representavam os extremos da consciência e paixões individuais. Como afirma Botting:

The darker, agonised aspect of Romantic writing has heroes in the Gothic mould: gloomy, isolated and sovereign, they are wonderers, outcasts and rebels condemned to roam the boarders of social worlds, bearers of a dark truth or horrible knowledge (…) are transgressors who represent the extremes of individual passion and consciousness.190

187 Anne Rice, Queen of the Damned, p. 307.

188 Ver Anexo 39: Figura 41 e Anexo 40: Figura 42, p. 234. 189 Anne Rice, Interview with the Vampire, p. 245. 190 Fred Botting, Gothic, p. 98.

Rice revela uma grande influência desta vertente do romantismo mais negro, centrado no indivíduo e com narrativas na primeira pessoa que acentuavam os dilemas da alienação social e individual. Estes vampiros revelam alguma nostalgia pelo passado, mas possuem um carácter transgressor ao perverterem as normas religiosas, sexuais e morais estabelecidas. Para esta autora, o vampiro não pode deixar de ser uma figura romântica e essa é uma das facetas que torna os seus vampiros tão atraentes ao público e os aproxima desse mesmo público, ao permitirem uma maior identificação de problemas, angústias e “inner states of

turmoil and passion”191. Para Katherine Ramsland, os vampiros de Rice são

…a romantic, enthralling image, the image of this person who never dies and takes a blood sacrifice in order to live and excerts a charm over people; a handsome, alluring, seductive person who captivates us, then drains the life out of us so that he or she can live. We long to be one of them and the idea of being sacrificed to them becomes rather romantic. 192

Este romantismo negro desenvolveu-se nos corações dos leitores americanos e espalhou-se um pouco por todo o mundo, tendo os vampiros de Rice contribuído para essa difusão na Literatura Gótica/ vampírica. Isso não significa que, por exemplo, a obra de Stoker, Dracula, não tenha romantismo negro, mas foram os americanos que desenvolveram esta tendência, com as narrativas na primeira pessoa, a valorização do eu e dos seus sentimentos mais sombrios a darem os primeiros passos com Poe e a encontrarem, décadas depois, nova força com Anne Rice. As primeiras quatro obras das Vampire Chronicles são marcadas por quatro vampiros muito diferentes uns dos outros, mas, no fundo, bem iguais: Louis, Lestat, Claudia e Armand ficarão para sempre na história da literatura de vampiros, pois foram dos primeiros a dar voz, na primeira pessoa, aos seus sentimentos e emoções.

Em Interview with the Vampire, Louis conta-nos a sua vida desde 1791, quando, aos 25 anos, foi transformado em vampiro. O luxo e conforto em que vivia não escondiam a profunda amargura que sentia, pois Louis vivia uma vida vazia e sem sentido, ansiando pela morte, desejo que Lestat aproveitou:

I lived like a man who wanted to die but had no courage to do it himself. I walked black streets and alleys alone; I passed out in cabarets. I backed out of two duels more from apathy than cowardice and truly wished to be murdered. And then I was attacked. It might have been anyone – and my invitation was open to sailors, thieves, maniacs, anyone. But it was a vampire.193

Este desejo de morrer vai repetir-se em muitas histórias de vampiros e não só, pois o que se trata aqui é de um estado de profunda depressão da natureza humana. Louis entrega-se totalmente a Lestat, sem entender o que realmente lhe irá acontecer, tal como, mais tarde, Madeleine se entregará a ele. Lestat atrai Louis com promessas de uma vida eterna de prazer, sem obrigações ou responsabilidades, mas Louis depressa sente o peso da herança que herda de Lestat. Um ser à parte, que sempre se sentiu deslocado da sua época, Louis sente que matar é morrer aos poucos e, por isso, encara esse acto com respeito e não com o desprezo e banalidade de Lestat:

191 Idem, p. 100.

192 Katherine Ramsland, “Hunger for the Marvelous: The vampire craze in the computer age” in Psychology Today, volume 23, Issue 11. 193 Anne Rice, Interview with the Vampire, p. 11.

Killing is no ordinary act”, said the vampire. “One doesn’t simply glut oneself on blood.” He shook his head. “It is the experience of another’s life for certain, and often the experience of the loss of that life through the blood, slowly. It is again and again the experience of that loss of my own life, which I experienced when I sucked the blood from Lestat’s wrist and felt his heart pound with my heart. It is again and again a celebration of that experience; because for vampires that is the ultimate experience.194

Sandra Tomc considera que a recusa de Louis em alimentar-se é uma questão moral e metafísica: “Because for vampires eating involves killing people, Louis, who cannot discard his human moral sensibilities, who associates killing with damnation, is engaged in a constant struggle to keep his soul and his

body morally pure.”195 Para Louis, a vida é preciosa, daí a repulsa e arrependimento que sente cada vez que

mata. Por ser vampiro, não deixa de ter sentimentos, amor, compaixão ou simpatia, nem se transforma num monstro e é também isso que marca a diferença nos vampiros de Rice: a ideia de que é a sua verdadeira natureza, como humanos, que determina o seu carácter como vampiros. É a partir daqui que se começa a desenvolver a ideia de que a classificação do vampiro como “monstro”, como “bom” ou “mau”, depende dos seus actos e da sua natureza e não apenas do facto de ele/ela ser um vampiro. É por isso que esta humanização do vampiro, que Rice ajudou a desenvolver, se revela de extrema importância, pois estabelece- se, desta forma, a via para uma análise da natureza humana. Tal como acontece com estes vampiros, são os nossos actos que exprimem a nossa moralidade e integridade e, através do seu exemplo, o Homem pode perceber melhor quem é o verdadeiro inimigo e chegar à conclusão que talvez esse inimigo seja ele próprio, e não um ser exterior a si. Como afirma Margaret Carter:

As a predator at the top of the food chain, one element in the balance of nature, the vampire often stands in contrast to the wanton destruction perpetrated by human beings on their own kind; thus, by his or her moderate, morally neutral predation, the vampire foregrounds the wastefulness of human greed and violence. Hence the vampire’s otherness may cast light on what it means to be human.196

A moderação e hesitação de Louis relativamente ao acto de matar são a base do seu conflito interior. Ele nunca é capaz de se desligar dos seus sentimentos humanos e das suas vítimas, o que é encarado como uma falha no seu carácter como vampiro, mas é precisamente isso que o humaniza. Para Louis, o vampirismo é uma maldição e não uma bênção, tal como também Lestat o vê, daí que se recuse a impor a alguém essa maldição. Armand diz-lhe que ele sente demais, e é essa sensibilidade que o impede de mudar, mesmo depois de morto como humano.

Ironicamente comparado a um anjo (até porque, à semelhança de Lestat, ele é um gorgeous fiend197),

Louis sente-se como um anjo da morte, mas é quando deixa de ser humano que ele melhor compreende a humanidade: “I went through mortal life like a blind man groping from solid object to solid object. It was

only when I became a vampire that I respected for the first time all of life.”198 Carter considera que “Rice’s

vampires behave and think like a separate species, free to “transgress” conventional human ethics and mores.

194 Idem, p. 29.

195 Sandra Tomc, “Dieting and Damnation: Anne Rice’s Interview with the Vampire” In Joan Gordan & Veronica Hollinger, Blood Read. The

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