3. La destination géographique des multinationales des BRICs
Section 1 L’internationalisation des PME algériennes
No local onde foi construída a base física, foi feito o primeiro inventário florístico de Caxiuanã em uma área de quatro hectares, antes da derrubada das árvores, com autorização do Ibama. Esse inventário, realizado por Pedro Lisboa, Samuel Almeida e Antonio Sérgio Silva gerou uma publicação, talvez um dos trabalhos mais consultados sobre Caxiuanã porque é uma referência sobre florística, embora hoje em dia já existam dados mais completos, pois a área estudada naquela época incluía um sítio velho onde havia algumas árvores cultivadas, e isso influenciou os dados89. Sua importância é a de ser um trabalho hoje considerado histórico.
A seguir foi iniciado o inventário do Puraquequara. A equipe de pesquisadores ficava de 15 a 20 dias acampada, sem voltar à base física. O local foi
88 Na viagem de volta já no Ferreira Penna encontramos o Colombinho. Perguntei o que houve e segundo ele o Marco Antonio não tinha recursos suficientes para pagar o valor da diária R$ 30,00. Felizmente vim a saber mais tarde, pelo Aleixo, que o grupo tinha conseguido que, o Doca, do Museu, ficasse exercendo a função de cozinheiro. Solidariedade é tudo.
escolhido pelo Pão90, guia de campo que trabalha na Estação desde a construção da base física. A equipe era composta por Samuel, Sergio e Carlito. Os pesquisadores disseram que queriam uma área de terra firme com jatobá, copaíba e Angelim, que fossem pouco freqüentes em ambientes alagados. Foi feito um plot quadrado de mil por mil, dividido de cinqüenta em cinqüenta metros. A equipe ficou acampada na beira do igarapé trabalhando diariamente desde de manhã cedo até as quinze horas quando paravam para descansar. O Pão é muito solicitado para esse tipo de trabalho por ser um profundo conhecedor da floresta. Conhece o nome vulgar da maioria das espécies e isso facilita o trabalho dos pesquisadores. Pão diz que prefere trabalhar com inventário botânico por causa das plantas. É um serviço que ele conhece. Dos bichos ele tem uma prática também, mas de muitas coisas ele não entende.
Ainda com inventários botânicos, outro morador, o senhor João Moura, relata um aprendizado em decorrência de sua vivência acompanhando pesquisadores em campo. É sobre família. Ele aprendeu que há árvores que pertencem a uma família grande, por exemplo, o matá mata. Castanha de anta, o tauari, e sapucaia são todos da família do matá matá. Seu João Moura aprendeu com os pesquisadores que árvores também tem famílias assim como a gente e ele diz: “nós formamos uma família: tem os pretos, tem os brancos, os cabelos direito, os cabelos enrolados, mas é a mesma família”.
6.2.2 Acompanhando guaribas
O trabalho do Pão com Márcia, gaúcha que estudou guaribas foi considerado por ele um dos mais interessantes. O Pão acompanhou o trabalho durante um ano. Saiam às cinco da manhã e chegavam às oito da noite. Levavam lanche para comer durante o dia. Quando não levavam, no horário do almoço às vezes ela ia buscar comida na Estação e o Pão (ou Márcia) ficava vigiando os guaribas, pois não podiam deixar o bando sozinho. Precisavam saber para onde eles iam. Diariamente deixavam os macacos na toca dormindo e quando chegavam às seis horas eles estavam lá, daí a necessidade de sair tão cedo todos os dias. Se os macacos se aquietavam, dormindo, os dois ficavam embaixo esperando. Segundo o Pão, guariba anda bem pouco. No verão, às onze horas
eles param e só vão andar às três, quatro horas da tarde. Durante o dia inteiro o pesquisador tem que ficar lá observando e acompanhando até às seis e meia, sete horas, quando vão se abrigar para passar a noite. Quando seguem o bando, o pesquisador e o guia precisam fazer barulho para que o bando se acostume com a presença deles, até chegar a ponto de dar a impressão de que fazem parte do bando.
6.2.3 Pesquisa com peixes
No mês de março de 2004, Benedito91 passou 45 dias fora da Estação acompanhando Luciano92 na sua pesquisa de doutorado, dentro da Flona Caxiuanã. Entraram no rio Pracupi e depois foram até a Baía, voltaram e foram ao rio Quaquajó. Jogavam a rede à meia noite e faziam a coleta às sete e meia. Durante o dia, Benedito fazia a triagem do peixe, abrindo o peixe e identificando o macho e a fêmea. Benedito diz que aprendeu muito, inclusive a técnica de identificar o sexo do peixe, porém ensinou o Luciano a trabalhar com a rede, colocar à distância uma da outra para que uma não se enredasse com a outra. Para essa excursão alugaram um barco de ribeirinho. Ficaram quatro pessoas durante 45 dias viajando no barquinho, mas não houve problemas “pois todos eram muito comunicativos”. Todos os peixes tinham que ser pesados e medidos. Os mais importantes eram fixados e colocados no tanque com formol, os outros serviam para alimentação tanto da equipe como eram distribuídos para os moradores da área.
Todos os guias de campo ficam curiosos a respeito dos nomes científicos das espécies que o pesquisador está estudando. Após essa excursão o Benedito ficou aguardando uma relação com os nomes científicos das espécies para estudar. Há claramente competição entre os guias, e estes procuram se qualificar para serem preferidos pelos pesquisadores.
6.2.4 Coletando formigas
91
Benedito Brazão Lopes, o Bené, guia de campo da Estação. 92
O Cafalate93 relata sua experiência em coletar formigas, acompanhando a Ana Harada. Aprendeu que se coleta formigas nas folhas, coisa que ele não sabia, e quais são as árvores onde se encontram formigas. Aprendeu, também, que existem formigas tão pequeninas que não são visíveis a olho nu.
6.2.5 Grandes mamíferos – o território
Acompanhar o trabalho da Simone com os mamíferos de Caxiuanã, também em uma pesquisa para tese de doutorado, foi o trabalho que o Calafate mais gostou. As câmaras fotográficas foram instaladas em locais indicados por ele que reconhece os lugares por onde passam os animais devido aos vestígios deixados por estes, as pegadas. Outra forma de saber se é um bom ponto é se existe água dos dois lados. Provavelmente ali no meio passam os animais. Segundo o Calafate, em todos os pontos escolhidos por ele apareceram animais. Algumas câmaras no momento da manutenção estavam com o filme cheio. A pesquisadora conseguiu muitos dados, mais de 500 fotos nítidas e identificadas. O Calafate também recebeu uma relação com o nome vulgar e o nome científico de cada animal e está empenhado estudando para poder repassar para outras pessoas. Da análise das fotos o animal mais fotografado foi o veado, seguido do tatu. A onça também foi fotografada aparecendo três espécies, a pintada, a puma e a sussuarana, considerada pelos ribeirinhos a mais feroz, pois costuma matar o cachorro dos caçadores. O que mais o impressionou foi a informação de que os animais também possuem seus territórios. As guaribas, por exemplo, quando cantam estão disputando o território e vence aquele grupo que cantar mais alto e por mais tempo. A isso o Calafate chama de “ganhar no grito”.
6.2.6 Trabalhando com aves
Para trabalhar com aves é preciso silêncio absoluto, diz o Calafate. Às quatro horas da madrugada já está em campo e ainda dá para gravar algumas aves noturnas. “Trabalhar com aves é através da vocalização, não é que a gente veja o bicho”. O
93
Calafate conhece várias aves pela vocalização. Algumas vezes, Renata94, pesquisadora que faz o doutorado em ornitologia, discorda dele outras vezes concorda, uma das principais discordâncias diz respeito ao capitão da mata que, segundo o Calafate, “assobia do jeito que ele quiser”, podendo facilmente confundir quem ouve. Renata já está gravando há dois anos, agora com menor freqüência. Está indo para a Estação de três em três meses. Já gravou mais de trezentas fitas. Por precisar sair de madrugada, o trabalho dos guias é feito em regime de revezamento. A pesquisadora no entanto, quando está em excursão, vai a campo todos os dias levantando sempre de madrugada.
6.2.7 Trabalhando com morcegos
O Conceição95 conta a sua experiência no trabalho com morcegos. Ele começou a trabalhar com morcegos com o Prof. Márcio. Trabalharam em vários lugares de Caxiuanã e também no Laranjal que fica na franja da Flona. As seis e meia da tarde as redes são armadas e é necessário realizar uma verificação a cada dez minutos. Após recolhidos, os morcegos são plaqueados e numerados. Depois, o morcego é levado para o laboratório e colocado no formol.. O Conceição sempre escolhia o local para armar as redes e também o local onde ficar esperando, que devia ser longe de árvores grandes de onde podem se desprender galhos e machucar as pessoas que estão embaixo. O trabalho às vezes era realizado durante toda a noite, às vezes até a meia noite. Lembra-se da preocupação que o professor tinha quanto à sua segurança, exigindo que usasse luvas antes de apanhar os morcegos. “Por esquecimento, a gente queria pegar logo o bicho e ele falava pra mim que não, que eu devia usar luva pro bicho não me atingir, pois ele podia transmitir raiva”. Outra coisa importante citada foi a utilização de calçados, especialmente botas para proteger contra picadas de cobras. Nas comunidades, com certa freqüência as pessoas são picadas por cobras porque andam descalças ou com sandálias abertas. Os guias de campo da Estação Científica são treinados para utilizar sempre calçados fechados e calças compridas quando saem pro mato.
94 Renata de Melo Valente, ornitóloga, fez a pesquisa para o seu doutorado em Caxiuanã.
95 Conceição, cujo nome oficial é Manoel Brazao dos Santos, é guia de campo da Estação Científica Ferreira Penna.
6.2.8 Coletando borboletas
A coleta de borboletas se faz colocando a armadilha e uma isca de banana. Elas sentem o cheiro da banana e começam a voar até que entram na armadilha e não conseguem mais sair. Aí o guia de campo faz a coleta. Cada borboleta é colocada viva num saquinho de papel em separado. Numa prancheta é registrado o horário da coleta, a temperatura, a umidade do ar. Com antecedência, o pesquisador explica para o guia de campo como utilizar o aparelho que faz a medição para que ele mesmo faça as anotações na prancheta. Os guias de campo gostam muito de aprender a utilizar os aparelhos científicos. É também uma forma de se valorizarem por meio com esse aprendizado.