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Interprétation des besoins

Dans le document UNIVERSITÉ DU QUÉBEC (Page 90-118)

Chapitre 7. Interprétation des résultats

7.1. Interprétation des besoins

Teoricamente a mitigação dos efeitos do Hydro-peaking poderá ser atingida por via de diversas alterações, quer nos padrões de funcionamento dos AH quer na alteração do desenho das instalações, apesar de estas estarem intrinsecamente relacionadas com as características do local onde está inserido o AH e também poderão não ser possíveis de implementar em AH já existentes, fruto da insustentabilidade das alterações estruturais a que os empreendimentos já existentes deveriam ser submetidos de forma a poderem ser alvo destas medidas.

Primeiramente será explicado sucintamente que parâmetros intrínsecos à operação de AH foram alvo de estudo por diversos autores, de forma a serem identificadas as condições ideais de funcionamento dos AH em horas de pico, com o menor impacte possível para os troços a jusante da infra-estrutura hidráulica, uma vez que os impactes a montante, resumem-se normalmente ao stress causado na vegetação ripária, como consequência das flutuações do nível de água. Desta forma, a relação entre o caudal máximo e o caudal mínimo turbinado é sem dúvida um dos critérios mais importantes assim como a variação do caudal turbinado horário, pois estes terão grande influência na diminuição da altura de água na albufeira e no consequente aumento da altura do leito a jusante do AH.

Segundo [Schneider e Noack (2009)] os valores de referência para os critérios acima referidos estão representados na Tabela 24 sendo que a sua adequação e optimização dependem das características hidromorfológicas do local uma vez que os parâmetros de escoamento não são suficientes para criar uma solução óptima. Assim, baseado em estudos de deriva de organismos aquáticos aquando das operações de pico, transporte de sedimentos, alteração de parâmetros físico-químicos tais como a temperatura, turvação e concentração de oxigénio dissolvido, declive do talvegue do curso de água e características da zona ripícola e planície aluvial torna-se possível a mitigação de alguns dos impactes causados pelo hydro-peaking.

Relação entre Caudal Máximo e Mínimo

5:1 Meile et al. (2005) 2:1 - 6:1 Limnex (2004) 4:1 Oppeliguer (2003) 3:1 Marrer (2000 Caudal (m³/s.h) 0,5 - 1,7 Oppeliguer (2003) 1,0 - 1,68 Meile et al. (2005) Taxa de diminuição da altura do leito

(cm/min)

0,2

Meile et al. (2005) & Saltveit et al. (2001)

0,25 Limnex (2004)

0,23 Halleraker et al. (2002) Tabela 24 – Critérios operatórios de manobras de pico (Adaptado de [Schneider e Noack (2009)] A par de estas medidas, outras de carácter operacional poderão ser implementadas para uma melhor gestão destes eventos. Desta forma, a redução da capacidade de produção de pico, como consequência da diminuição do caudal máximo a turbinar ou o aumento do caudal ecológico (se aplicável) podem ser medidas a ter em conta de forma a reduzir a relação de caudais máximos e mínimos nestas operações com efeitos positivos na sobre-saturação de humidade na vegetação ripária conferindo-lhe maior estabilidade, para além de provocarem uma alteração menos acentuada do volume de água escoado a jusante dos AH, com consequências também benéficas para a fauna e flora aquáticas. A Figura 15 ilustra exactamente a diminuição do escoamento e consequente regressão do leito fluvial após uma operação de pico. Note-se que, ao longo de uma hora, e após um período de pico de produção e respectivas descargas elevadas associadas, o leito fluvial experiencia uma forte regressão, com impactes nefastos para as comunidades

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bentónicas e piscícolas, uma vez que estas poderão não conseguir acompanhar esta tendência, ficando retidos no substrato e com possibilidade reduzida de voltar para o leito fluvial.

Como consequência da implementação destas práticas operacionais, os fenómenos descritos no capítulo anterior poderão ser mitigados. Com o controlo da taxa de diminuição da altura do leito, a possibilidade de peixes ou invertebrados ficaram retidos e aprisionados em zonas sem água seria reduzida, uma vez que estes teriam a possibilidade de acompanhar a variação do nível de água, aumentando dessa forma os habitats de refúgio e desova perenes e constantes ao longo do ano. Por outro lado, a limitação dos caudais a turbinar em regime de hydro-peaking seria também benéfica para a permanência das comunidades de invertebrados que normalmente estão dispersos no seio da água e são facilmente arrastados quando as correntes são mais elevadas, com efeitos benéficos também para as comunidades piscícolas que deles se alimentam.

Analogamente, a redução das descargas de pico em período de verão teria também influência positiva na vegetação ripícola, pois providenciaria uma maior estabilidade na estação do ano em que a sua actividade metabólica é mais acentuada proporcionando uma maior oportunidade para o seu crescimento e reprodução, conferindo uma maior estabilidade deste ecossistema de transição aumentando a conectividade lateral entre o sistema fluvial e terrestre. Adicionalmente, a ausência de descargas de pico durante um ou dois dias por semana, reduziria significativamente o stress causado pelas frequentes inundações e encharcamentos na margem, diminuindo dessa forma o impacte causado no ecossistema ripícola.

Por outro lado, uma medida bastante mais vantajosa para as organizações exploradoras de AH poderá ser a introdução ou gestão conjunta de outros AH a jusante com o intuito de controlar activamente as variações da altura de água no leito, pois no caso de os AH a jusante possuírem albufeiras de retenção com alguma capacidade poderão então ser utilizados para armazenar água e descarrega-la de uma forma permanente e controlada, para além de aumentar o potencial hidroeléctrico do sistema, com repercussões positivas a nível financeiro.

69 Torna-se óbvio, que a implementação destas medidas em simultâneo se tornaria vantajosa, não só na minimização dos impactes decorrentes destas operações como também resultariam numa maior eficiência de utilização da água para fins hidroeléctricos, uma vez que, numa bacia onde existissem AH sequenciais e integrados operacionalmente, o rendimento total dos mesmos seria incrementado (o que acontece hoje em dia). No entanto, esta medida, torna-se pouco prática, uma vez que a maioria dos AH já existentes, foram projectados sob outros paradigmas, pelo que a adequação dos sistemas a estas práticas poderiam não ser viáveis técnica e economicamente apesar de que noutros sistemas estas práticas poderiam ser equacionadas após um estudo profundo, não só tendo em conta as finalidades energéticas das barragens mas todos os outros objectivos que estão por detrás da implementação destes empreendimentos, nomeadamente para abastecimento público e rega.

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