Quanto ao espaço urbano, esse não se refere apenas ao espaço físico de uma cidade, abrange, também, por exemplo, fenômenos psicológicos/mentais. O espaço urbano pode se equivaler ao núcleo central, como também aos centros regionais, por exemplo. O espaço urbano também é moldável, principalmente por aqueles que usufruem dele. É notória a diferença, por exemplo, entre maiores e menores espaços urbanos, especificamente, para esta pesquisa, pelo modo que as informações são transmitidas - virtualmente, em contraposição à fisicamente. Assim, por sua vez, um maior número de antenas é requerido para esta transmissão.
Os usos múltiplos do espaço urbano fazem com que em um espaço individual, agreguem-se estabelecimentos de mesmas funcionalidades. Conforme colocam Giometti e Braga (2004), muitas vezes a distribuição dentro do espaço urbano segue uma lógica de natureza econômica, e não ambiental, e sobrecarregando o ambiente o máximo possível, causando, dentre outros fenômenos, impactos negativos ou conflitos, em busca de beneficiamento - uma área com muitas ferramentas proporciona maior qualidade de vida e bem- estar para as pessoas, resultando-se em um maior valor agregado à essa área.
Conforme colocam Giometti e Braga (2004, p. 1), na cidade o modo de vida “permeia não apenas sua estrutura, mas toda a sua região de influência, moldando um mundo urbano além das suas fronteiras”. De fato, essa aglomeração urbana, na qual a locomoção diária para os núcleos centrais, por diversas razões, dentre elas o trabalho e o acesso a uma gama de serviços, é comum em todo o globo. Essa região é denominada região metropolitana, mas também pode receber outros nomes.
Dentre outros nomes para a região metropolitana, tem-se a denominação do inglês
greater area (grande área de), como é referida no Canadá, Estados Unidos e, por vezes, no
Brasil; ainda do inglês commuter belt (cinturão de transporte), como é nomeada a área metropolitana de Londres, na Inglaterra. Em francês utiliza-se o termo aire urbaine (área urbana). De fato, considera-se a região metropolitana como uma grande área urbana, isso
ocorre, por exemplo, com Birmingham, na Inglaterra, em que existe o Distrito Metropolitano de Birmingham, abrangendo, também, a cidade de Birmingham. Sydney, na Austrália, também é o nome de uma área metropolitana, com a cidade Sydney sendo parte dela. Roma e Milano, na Itália, são parte das cidades metropolitanas de Roma e Milano. O mesmo ocorreu com Toronto, no Canadá, em que um grupo de cidades faziam parte da Municipalidade da Região Metropolitana de Toronto, até que estas foram combinadas e se tornaram somente uma: Toronto. Vale colocar, também, que durante a locomoção dentro desta região há o uso do celular para diversas finalidades.
Quanto à paisagem, esta também é um recurso ambiental, percebível e modificável. Como qualquer recurso ambiental, a paisagem pode ser degradada, também. Existe já o conceito de que a paisagem não está relacionada somente com o senso de visão, mas, também, com as experiências dos humanos, e, também, com outros sensos, principalmente quando levado em consideração indivíduos que possuem deficiência visual.
O termo paisagem é usado na legislação ao se referir às áreas de proteção ambiental. O atual Código Florestal (Lei 12.651, de 25 de Maio de 2012) dispõe sobre a proteção da vegetação nativa, o termo aparece somente relacionando-se ao conceito de Área de Preservação Permanente, no artigo 3º:
[…] II - Área de Preservação Permanente - APP: área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas […]
Conforme colocam Giometti e Braga (2004, p. 1), a cidade também pode ser entendida como “a intervenção mais radical do homem na paisagem”. De acordo com Pieper, Behling e Domingues (2014, p. 7), “os modos de viver humano vão construindo sua forma de civilização e produzindo sua cultura, incorporando também paisagens que representarão essa sociedade, através do relacionamento homem, meio ambiente”.
Uma modificação desagradável à paisagem pode gerar o que se chama de poluição visual. Da mesma forma que com a poluição sonora, este tipo de impacto ambiental ainda não é muito aprofundado, possivelmente a partir do conceito que se tem da adaptabilidade humana. Uma pesquisa do termo entre aspas, no portal Scielo (The Scientific Electronic Library Online, famosa coleção de artigos científicos brasileira) por exemplo, retorna 29 resultados. Vale notar que, conforme colocam Giometti e Braga (2004), por exemplo, os usos de um espaço em comum na cidade normalmente partilham impactos, também. A partir da capacidade de
adaptação, os seres humanos ao redor da poluição, por exemplo, se acostumam com ela. Outro exemplo é a distração de cidadãos ao utilizarem celulares, já considerada culturalmente como hábito.
Dentre as características da cidade há, também, a coexistência de distintos grupos sociais, responsáveis por moldar, além de utilizar, o espaço urbano (físico). Em seu livro, o Doutor Roberto Lobato Corrêa (1989, p. 11), professor do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e “um dos principais estudiosos das questões urbanas no Brasil” (CORRÊA, 2011, p. 1), afirma que o espaço urbano capitalista “é um produto social, resultado de ações acumuladas através do tempo, e engendradas” por estes agentes, de forma complexa. Nestes grupos o professor insere: os “proprietários dos meios de produção, sobretudo os grandes industriais”, os “proprietários fundiários”, os “promotores imobiliários”, o Estado e os “grupos sociais excluídos”, sendo que, destes todos, apenas o último possui alto número na população urbana, sendo responsável por moldá-la fisicamente ao construírem em áreas, muitas vezes, inadequadas e socialmente, a partir de lutas sociais e reivindicações de direitos de cidadãos, ou seja, o direito de “participar, direta ou indiretamente, do processo de elaboração” de leis e de gestão da cidade.
Pode-se criar a hipótese de que o pequeno grupo de proprietários dos meios de telecomunicação são os principais responsáveis por moldar o espaço urbano quanto à temática desta pesquisa, a partir do momento que instalam antenas em diversos locais, muitas vezes próximas umas das outras, para satisfazer a necessidade da população pela telecomunicação.