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Instruction Encoding

Muito se tem discutido acerca das tecnologias educativas. Em boa verdade, o termo Tecnologia Educativa é um domínio da educação com origem nos anos 40 do século XX e foi desenvolvido por Skinner, na década seguinte, com o ensino programado. O termo não se limita aos recursos técnicos usados no ensino, mas antes a todos os processos de concepção, desenvolvimento e avaliação da aprendizagem.

A Tecnologia Educativa surge para ajudar o Homem a participar de forma consciente num ambiente cada vez mais tecnológico. Mais ainda, ela surge para ajudar a tornar o processo educativo mais eficaz, melhorando, por conseguinte, a aprendizagem.

As Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) representam a junção da informática com as telecomunicações e tem na Internet, nomeadamente na World Wide Web (WWW), o maior domínio. Se estas tecnologias tiverem fins educativos, no sentido de apoiar e melhorar a aprendizagem dos alunos e desenvolver ambientes de aprendizagem, poder-se-ão conceber as TIC como uma derivação da Tecnologia Educativa. Com o avanço adequado das novas tecnologias da informação e da comunicação (TIC), surgiram também novos ambientes de aprendizagem, que visam facilitar da aquisição de conhecimento, independentemente de factores como tempo e espaço.

O ensino democratizou-se, tornou-se acessível a qualquer um. Mas, com a chegada da Internet, esta democratização da educação ganhou um novo sentido, ao favorecer o aparecimento de um novo conceito de educação: o ensino a distância (EAD).

2.5.1 O ensino @ distância: e-learning

É consensual que não há educação se não houver aprendizagem, isto é, para que a aprendizagem ocorra terá se verificar todo um processo de ensino. A aprendizagem poderá resultar de um processo de input (como acontece com o ensino), ou de um processo gerado por outputs (como a auto-aprendizagem, ou a aprendizagem não decorrente do ensino, uma vez que se pode aprender muitas coisas, sem que ninguém no-las tenha ensinado). É neste sentido que Paulo Freire afirma que ninguém educa ninguém, ainda que de seguida afirme que ninguém se educa sozinho.

O ensino (seja ele presencial ou a distância) é uma actividade triádica, pois abrange três elementos: aquele que ensina, aquele a quem se ensina, e aquilo que o primeiro ensina ao segundo. O ensino a distância (EAD), no sentido fundamental da expressão, é o ensino que ocorre quando aquele que ensina e aquele a quem se ensina estão separados (no tempo e/ou no espaço). No sentido que a expressão assume hoje enfatiza-se mais (ou apenas) a distância no espaço, e propõe-se que ela seja transposta através do uso de tecnologias de telecomunicação e de transmissão de dados, voz (sons) e imagens. Escusado será salientarmos que todas estas tecnologias afluem para o computador. Com a ajuda da Internet, ele (computador) tornou-se numa ferramenta fundamental para o ensino e para a aprendizagem. Podemos assim afirmar, com toda a certeza que, a Internet é um local, por excelência, de troca multicultural e permanente. O ciberespaço dá um novo cariz ao social, é um espaço comum e dinâmico, gerado por todos aqueles que o utilizam. Em boa verdade, contactar com o outro, conhecer a sua história, as suas vivências, os seus saberes significa, entre outras coisas, traçar um conjunto de referências e associações comuns, uma rede hipertextual unida, um contexto compartilhado, capaz de diminuir os riscos do desentendimento. A base de sustentação da comunicação, entendida como partilha do sentido, é um contexto ou o hipertexto partilhado (Lévy, 1990). O EAD, que nasceu, como se supra citou, sob o signo da democratização do saber, surge como uma modalidade de ensino, com forte cariz experimental, dada a continua evolução tecnológica, que permite que o aluno não esteja fisicamente presente num ambiente formal de ensino/aprendizagem.

A educação e a formação via Web são vulgarmente conhecidas pelo anglicismo e- learning. Existem muitas outras denominações, não obstante mais comuns são e- learning, formação virtual, teleformação, ensino a distância, ensino à distância, etc. Está directamente relacionado com a formação e ensino on-line, isto é, podemos caracterizar e definir e-learning como sendo uma actividade com fins de formação, que se efectiva encontrando-se o formador e os formandos em lugares geograficamente distantes e que utiliza, como suporte de comunicação, as TIC, com especial destaque para as que têm por base redes de Telecomunicações e de Computadores. Assim, e como delimitação da definição, podemos dizer que os sistemas de e-learning visam, primeiramente, tirar o máximo proveito das tecnologias de comunicação actualmente disponíveis, colocando-as ao serviço das pessoas como suporte na formação e desenvolvimento pessoal, académico e profissional. Numa segunda instância, pretendem fazer com que as empresas e instituições, ligadas à formação e ao ensino, passem a oferecer um leque alargado de soluções de formação, de forma a enriquecer e melhorar continuadamente o nível de qualidade, não só dos serviços prestados, como também do serviço interno de gestão da formação.

O desenvolvimento do EAD pode ser descrito basicamente em três gerações, conforme os avanços e recursos tecnológicos e de comunicação de cada época. Assim, a primeira geração passou pelo ensino por correspondência e foi caracterizada pelo material impresso iniciado no século XIX. A segunda geração caracterizou-se pela Teleducação e/ou Telecursos, com o recurso a programas radiofónicos e televisivos, aulas expositivas, cassetes de vídeo e material impresso. A comunicação síncrona predominou neste período. Nesta fase, por exemplo, evidenciou-se a Telescola, em Portugal. Já para a terceira geração convergem os ambientes interactivos. Com a eliminação do tempo fixo para o acesso à educação, a comunicação passa a ser assíncrona, dando-se em tempos diferentes. As informações são armazenadas e consultadas em tempos desiguais, sem que se perca a interactividade. As inovações da World Wide Web facultaram diversos avanços na educação a distância, nesta geração do século XXI. Actualmente, um sem número de meios facilita a interactividade: teleconferência, chat, fóruns de discussão, correio electrónico, weblogs, espaços wiki, plataformas de ambientes virtuais que possibilitam interacção multidireccional entre alunos e tutores.

Fig. 3 – What is electronic learning? ( http://www.aptitudemedia.com/elearning.htm, consultado em 18 de Setembro de 2008).

O EAD representa a criação de uma comunicação de múltiplas vias. As suas possibilidades ampliaram-se, por força das mudanças tecnológicas, como uma modalidade alternativa, capaz de extinguir os limites do tempo e espaço. O seu referencial está alicerçado nos quatro pilares da Educação do Século XXI, publicados pela UNESCO2, e que são: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser.

Assim, a Educação deixa de ser concebida como mera transferência de informações e passa a ser orientada pela contextualização de conhecimentos, úteis ao aluno. Na educação a distância, o aluno é incitado a pesquisar e entender o conteúdo, de forma a participar activamente no seu processo de aprendizagem. Nesse processo de aprendizagem, o tutor actua como um mediador, que deve orientar o aprendente, ou seja, aquele que estabelece uma rede de comunicação e aprendizagem multidireccional, através de diferentes meios e recursos da tecnologia da comunicação. Esta mediação tem a tarefa suplementar de vencer a distância física entre educador e aprendiz, entre diferentes participantes, entre o participante e o seu contexto, etc. É importante que o aluno deste tipo de ensino seja autodisciplinado e auto-motivado, para que possa transpor os desafios que surgem durante o processo de ensino/aprendizagem. Sendo o EAD uma modalidade educativa, este não pode desligar-se do sistema educacional e deixar de cumprir funções pedagógicas, no que se refere à construção do ambiente de aprendizagem e à utilização das TIC. Em pleno século XXI, a educação a distância permite a inserção do aprendente como elemento

2

In Os Quatro Pilares da Educação: O seu Papel no Desenvolvimento Humano". Unesco (13 de Junho de 2003). Página consultada em 11 de Outubro de 2008.

do seu processo de aprendizagem, com a vantagem de que também ele descobrirá formas de tornar-se sujeito activo da pesquisa e do compartilhar de conteúdos, catapultando-o para a condição de “investigador”.

2.5.2 O modelo misto de aprendizagem: b-learning

Temos vindo a assistir à transição do conhecido conceito de e-learning para um novo conceito, o blended-learning, vulgo b-learning. O b-learning, ou modelo misto de aprendizagem, é o meio-termo entre o ensino a distância e o ensino presencial. Surge como uma modalidade de e-learning, mas onde se misturam as componentes do ensino a distância com actividades presenciais, por intermédio da rede mundial de computadores e de software específico. A introdução do e-learning, misturado com a aprendizagem em sala, permite reduzir custos com o processo de aprendizagem, torná-lo mais flexível, rápido na disseminação do conhecimento e criar uma comunidade de aprendizagem na organização, com consequências positivas ao nível do desenvolvimento de competências e gestão do conhecimento. Existem duas abordagens, normalmente associadas ao b-learning:

Complemento ao ensino presencial: por vezes o b-learning é designado como complemento às aulas presenciais. Assim, o aluno pode aceder (a distância) aos conteúdos, comunicar com os seus pares e com o professor, participar em discussões e actividades de aprendizagem, recuperar e consolidar conhecimentos. No entanto, tal não substitui, de forma alguma as aulas presenciais.

Minimização da componente presencial: a componente presencial mantém-se apenas em fases da formação prévia e estrategicamente definidas. Normalmente são planificadas sessões presenciais no início, no fim das acções e entre os diferentes módulos. Todos os eventos formativos são realizados a distância, com definição de tempos para auto-estudo, sessões síncronas (de tipo chat), testes, desenvolvimento de trabalhos, etc.

Muitas das nossas instituições de formação/ensino estão a recorrer a esta metodologia de ensino. O Blended Learning será uma espécie de complemento para o ensino presencial, possibilitando uma nova organização das aulas presenciais, recorrendo ao ensino a distância.

Fig. 4 – Sumarização da definição do conceito b-learning (adaptado de Gomes, 2005, pp. 231).

As potencialidades da utilização das TIC no ensino são imensas. Gomes (2005) salienta algumas das vertentes e contextos de utilização das mesmas no ensino, defendendo que estas possibilitam apoiar o ensino presencial em sala de aula, proporcionando oportunidades para o auto-estudo, recorrendo a materiais electrónicos. Mais ainda, elas possibilitarão a criação de condições para o desenvolvimento de sistemas de formação a distância, permitindo a “extensão virtual” da sala de aula presencial, particularmente através da Internet. É neste âmbito, como já se viu, que as novas formas de ensino on-line, nomeadamente o e-learning e o b- learning se desenvolvem. Uma outra vertente, como a seguir se verá, será a da exploração das TIC enquanto objecto de estudo de diversas disciplinas, inerentes aos planos curriculares do ensino básico e secundário.

3. Sistemas de Gestão da Aprendizagem - Learning Management Systems