III. Relation entre structure, viscosité et comportement au feu des matériaux
III.2. Influence du type de charges
Abordando a Nova Geografia Econômica, CEDEPLAR (2004) comenta que “Dentro de uma estrutura analítica de centro-periferia, a Nova Geografia Econômica tem no processo de causação circular o elemento central na explicação do crescimento regional. Baseada no papel dos custos de transportes e economias de escala, conclui a Nova Geografia Econômica que, em virtude das economias de aglomeração, as empresas tendem a se concentrar em regiões mais desenvolvidas, em detrimento das mais atrasadas, processo que se retroalimenta progressivamente (causação circular). Obviamente esta concentração pode ser invertida quando as chamadas forças centrífugas, tais como custos de congestionamento, escassez de insumos e a renda fundiária urbana se sobrepõem aos fatores aglomerativos (efeito mercado local e índice de preços)”.
Um centro industrial é sustentável enquanto: a) custos de congestionamento e renda fundiária (valor do imóvel) forem baixos; b) mercados periféricos forem pequenos; c) demanda por produtos industriais for elevada em relação ao consumo de produtos agrícolas (vantagens nas trocas); d) custos de transportes forem reduzidos; e) estruturas industriais integradas; e f) firmas tiverem significativos ganhos de escala.
Para um desenvolvimento regional, a nova geografia econômica propõe:
a) os sistemas de transportes devem integrar, inicialmente, regiões complementares e não substitutas, ou integrar regiões depois que as indústrias locais já estejam em condições de concorrer com as indústrias centrais;
b) políticas regionais que estimulem o processo de difusão de tecnologias, pois estas minimizam os efeitos de geração privada de tecnologias;
c) descentralização de núcleos de pesquisa e desenvolvimento, criação de parques tecnológicos e (re-) qualificação de mão-de-obra;
d) para geração de empregos, seriam três políticas: Capacitação técnica e qualificação da mão-de-obra nos bolsões de desemprego; Coordenação e escala dessas políticas de capacitação; Políticas salariais regionais;
e) trato específico na questão das políticas fiscais e de subsídios; f) políticas de abertura econômica;
g) industrialização regional progressiva;
h) crescimento e transporte intra-regional e inter-regional.
3.4 Tópicos conclusivos
O desenvolvimento regional é um processo intricado que envolve um diversificado conjunto de estruturas e relações. São variados os interesses, em diferentes escalas que vão desde relações internacionais e nacionais chegando até opções pessoais nos indivíduos. Diferencia-se do simples crescimento econômico, posto que não interessa apenas o incremento de fluxos econômicos, mas também como estes fluxos são distribuídos entre os elementos constituintes do sistema espacial além da fortificação das estruturas encontradas, nas mais diversas dimensões como social, cultural e ambiental.
O sistema espacial é mais que um mero ajuntamento de lugares e estruturas. Os elementos constituintes devem estar integrados, com objetivos comuns, congruentes. Existe o envolvimento de toda uma cadeia de atividades e é importante que se mantenha o equilíbrio, coerência e bom funcionamento. Não apenas os interesses de maior monta, mas também os menores componentes devem ser atendidos. As barreiras prejudiciais devem ser removidas ou atenuadas. São naturais as mudanças em um Sistemas Espacial. Ele deve estar preparado para adaptar-se a novos cenários.
As interações entre os lugares é o aspecto mais visível e almejado no desenvolvimento regional. Para que elas ocorram é necessária a existência de um ambiente propício. A compreensão do espaço e de seus elementos constituintes é vital para condução de ações voltadas para manutenção e incentivo a estas interações.
Estas interações surgem da demanda dos lugares por bens, informações e serviços. Fatores como o posicionamento espacial, configuração das estruturas de conexão, regras de movimentação de fluxos, capacidade de desenvolvimento e oferta de bens e serviços, dentre outros, influenciam no quanto cada lugar vai se beneficiar. Quanto mais beneficiados, mais elevados são os postos alcançados pelos lugares na hierarquia espacial. É clara a importâncias das estruturas espaciais no desenvolvimento regional. O fato de um lugar estar bem atendido não necessariamente o fará se destacar, mas debilidade nas estruturas espaciais em atendimento às suas demandas fatalmente prejudica suas interações. Apesar de natural o surgimento de centros mais desenvolvidos, as estruturas não podem estar configuradas de maneira a perpetuar uma situação de submissão dos lugares na hierarquia espacial, dificultando que os lugares possam se desenvolver ou que possam optar por novas alternativas de interações. Os lugares devem receber oportunidades equânimes e proporcionais para que se desenvolvam.
São diversas as necessidades de recursos no ambiente regional. Estes recursos (seja bens, serviços ou informações) fluem por diferentes canais de circulação. Dentre estes canais, as redes de transportes são amplamente reconhecidos como de fundamental importância. Apesar delas sozinhas não serem as responsáveis pelo sucesso ou fracasso do desenvolvimento regional, a maneira com que atua pode gerar bifurcações nocivas ao arranjo dos lugares.
O espaço geralmente é observado em termos econômicos. Esta visão deve ser estendida para além, em abordagens como as sociais, ambientais, culturais e outras.
As interdependências entre os setores devem ser observadas. O desenvolvimento regional não pode se apoiar em apenas alguns setores fortalecidos e outros fragilizados. Como o processo de desenvolvimento é visto fica sujeito a critérios subjetivos e diversos, seja pela
compreensão dos objetivos envolvidos, seja pela diversidade de interesses. É importante que seja debatido o mais amplamente possível os resultados desejados e os parâmetros para mensurá-los.
É importante trazer para dentro do processo de desenvolvimento todos os residentes no espaço, mesmo aqueles elementos que não sejam de interesse dos grupos de maior influência. O desenvolvimento pode ser visto de forma unilateral (linhas de ação onde se prioriza ganhos individuais) ou dentro de ganhos sistêmicos (onde os resultados são mensurados em termos do quanto o sistema como um todo ganha e sua distribuição). Os desequilíbrios regionais podem ser nocivos ao desenvolvimento e devem ser evitados. Apesar de naturais, os efeitos de polarização devem ser controlados. A região polarizada deve se fortalecer para enfrentar os desafios que surgem e não ser região de exploração do centro. O centro deve ser um impulsionador, não um sugador de esforços. Os elementos mais frágeis dos sistemas espaciais merecem cuidado para que não se esfacelem dentro do circuito de interações e que não se torne dependentes da comunidade. O importante é que todos os elementos possam contribuir para seu próprio desenvolvimento e da comunidade. Deve-se evitar círculos viciosos e danosos de interações.
É importante que sejam fortalecidos os arranjos espaciais locais, e que estes sejam bem integrados com seus vizinhos. Esta integração deve ser buscando complementaridade e não apenas competitividade. Isto estimula o desenvolvimento local e reduz a dependência com lugares mais distantes. As economias locais e as informais devem ser consideradas.
As inovações são importantes para expansão e manutenção do desenvolvimento. Atrasos tecnológicos são riscos por aumentarem a desvantagem na relação de trocas, por incapacitar os lugares atrasados de gerar bens e serviços de interesse e também por prejudicar o acesso a novas técnicas e delas fazer uso.
A sustentabilidade é importante para que se mantenha um desenvolvimento contínuo. Ela se fundamenta em fatores como físicos (como estruturas de comunicação e conexão), fatores inovadores, fatores orgânicos (como alinhamento de políticas legais, operacionais, culturais) e integração dos elementos do Sistema Espacial.
A listagem a seguir sintetiza os princípios observados para o sucesso do desenvolvimento regional. Tal listagem será novamente usada no capítulo seis, para que se possam ser traçadas diretrizes para o setor de transportes orientar seu planejamento em sua função de atender o desenvolvimento regional.
Quadro 3.2: Quadro sintético dos princípios de desenvolvimento regional
Estruturas de suporte às interações Incentivo das interações
Equilíbrio nos ônus e bônus do Sistema Espacial. Evitar graves desequilíbrios regionais Fortalecimento da estrutura global, com destaque aos elementos mais frágeis
Remoção de barreiras
Congruência de objetivos e ações Sustentabilidade
Medidas para que o desenvolvimento regional não degenere em cenário prejudicial aos seus elementos constituintes, com especial atenção para que as estruturas espaciais não perpetuem nem incentivem estes cenários
Competição vista como fator de estímulo de crescimento e não como gerador de conflitos
O desenvolvimento regional é fundamentado sobre diversos setores, inter-dependentes. Não pode ser apoiado em apenas alguns poucos setores
Complementaridade das atividades
Prioridade às estruturas locais em relação às mais exteriores Policentrismo
Estratégias solidárias de desenvolvimento
Ampla inclusão dos lugares e setores no sistema espacial
Equidade nas oportunidades de interações e na distribuição dos benefícios gerados Capacidade de geração, disseminação e assimilação de inovações
4. INTEGRAÇÃO REGIONAL