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Identification des spécificités du marché de la R&D

3 La responsabilité, un moteur des innovations et du changement technologique

3.2 Identification des spécificités du marché de la R&D

“Aquilo que um objeto é, é aquilo que os métodos de abordagem permitem ou determinam”. (Pais, M., 1986, p. 7)

A investigação tradicionalmente tem-se centrado em aspetos específicos do todo, isto é, no aprofundamento de particularidades/especificidades de determinado objeto de estudo. No entanto, essa perspetiva mais positivista tem sido identificada como ineficaz na análise articulada e integrada de fenómenos sociais complexos e abrangentes, como é o caso da questão sem-abrigo. Assim, optou-se por um estudo que se suportasse numa visão holística, de forma a tentar perceber não o fenómeno em si, mas a forma como este está enquadrado na sociedade.

“One of the most contentious issues in sociology is over the question of how to integrate micro and macro levels of analysis”. Turner (2005, 405)

Por outro lado, parte-se do pressuposto de que não é possível conhecer e compreender a questão sem-abrigo de uma forma holística sem estar em contacto com as pessoas em situação de sem-abrigo, ou seja, adotando uma perspetiva etnográfica. No entanto, também não nos parece possível compreender o fenómeno de uma forma abrangente sem o inserir na sociedade onde o próprio se enquadra. Por um lado, a ótica das pessoas e, por outro, as relações de poder. Schleiermacher defendia que em Filologia a parte podia somente ser compreendida através da totalidade, e toda a explicação de um aspeto particular pressupunha a compreensão do conjunto (Agamben, 2013, p. 124).

Neste estudo concreto assume-se o que não se pretende: não se pretende conhecer determinada faceta da questão sem-abrigo. O objeto de estudo é o fenómeno sem-abrigo, mas não na sua especificidade. Para isso já contribuíram inúmeros estudos, de várias áreas do saber, que já focaram inúmeras facetas do fenómeno. O que se procura aqui, mais do que estudar o fenómeno sem-abrigo per si, é a sua relação com a sociedade em que se insere, o seu posicionamento no tempo e espaço.

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Nesse sentido optou-se não por nos debruçarmos sobre aspetos específicos do fenómeno, mas antes por uma abordagem holística de aspetos específicos. Pretende-se um conhecimento “multidimensional” do objeto de estudo, que é também ele multidimensional.

Em La misère du monde, Pierre Bourdieu defende que para dar a conhecer locais difíceis é necessário substituir imagens simplistas e unilaterais, muitas delas veiculadas pela imprensa, por representações complexas e múltiplas, fundadas na expressão das mesmas realidades e discursos diferentes, por vezes inconciliáveis:

“Abandonner le point de vue unique, central, dominant, bref quasi divin auquel se situe volontiers l’observateur, et aussi son lecteur au profit de la pluralité des perspectives correspondant à la pluralité des points de vue coexistants et parfois directement concurrents". (Bourdieu, 1993: 7 apud Silva, S., 2011)

Assim, nesta investigação concreta parece-nos fulcral uma integração dos níveis macro, meso e micro para uma profunda compreensão da questão sem-abrigo, partindo-se do princípio que os vários níveis são complementares e que tal como não se pode descurar uma análise social macro dos fenómenos políticos e económicos, nem o impacto que esse contexto tem nas instituições e na vida concreta das pessoas, também não se deve negligenciar a influência bottom-up dos indivíduos e dos próprios movimentos sociais.

“O essencial é que a separação crescente do ator e do sistema seja substituída pela sua interdependência, graças à ideia de sistema de ação”. (Tourraine, 1984, p. 31)

Desta forma, este estudo não se volta exclusivamente para “ações individuais” ou para a “estrutura social”, mas, sim, para o fluxo de práticas sociais, que representam o ponto de conexão entre estrutura e agência, pretendendo-se compreender a questão sem-abrigo sob o prisma dos discursos e das práticas, tentando, simultaneamente, superar o tradicional foco nos atores (teorias interacionistas) ou nos sistemas (teorias sistémicas), tentando, assim, ir ao encontro da complexidade e multidimensionalidade do fenómeno sem-abrigo.

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Tal operacionalizou-se através de um estudo que se pretendia holístico, já que não se visava isolar/trabalhar/estudar o fenómeno sem-abrigo como uma determinada cultura ou subcultura específica, mas antes que ajude a compreender o fenómeno sem-abrigo a partir da sociedade em que este se insere.

FIGURA 10-DIMENSÕES E NÍVEIS DE ANÁLISE DO ESTUDO

Para o efeito identificam-se, na figura acima exposta, as dimensões do estudo (os discursos e as práticas de intervenção social) - já operacionalizados anteriormente - e os respetivos níveis de análise (macro, meso e micro), que se passam a definir de seguida.

Nível macro - o enquadramento socioeconómico, político e cultural, dando-se particular atenção às políticas sociais, legislação e aos discursos veiculados pelos

média sobre o tema aqui alvo de estudo – questão sem-abrigo;

Nível meso - a organização e a ação no contexto organizacional, seja ao nível de entidades governamentais ou não-governamentais;

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Nível micro - considera-se não apenas os sujeitos individualmente, sejam eles interventores sociais ou pessoas em situação de sem-abrigo, mas também o trabalho relacional de ajuda e o impacto desse apoio na vida dos sujeitos que são alvo da intervenção.

Devido à abrangência do estudo optou-se por dividi-lo em três fases distintas, sendo que as duas primeiras fases são mais descritivas e a terceira versará uma leitura interpretativa, enquadrando os dados numa reflexão integrada na rede de práticas mais abrangente:

Fase 1 (Exploração) – Cada dimensão (discurso e práticas) e cada nível de análise (macro, meso e micro) serão abordados de forma exploratória, enfatizando-se uma perspetiva diacrónica, ou seja, um panorama histórico-descritivo;

Fase 2 (Afunilamento e Descrição) – Descrição mais pormenorizada de algumas situações que melhor elucidem: a) a relação entre as dimensões estudadas (discursos e práticas) ou/e b) a relação entre os vários níveis (macro, meso e micro) de um ponto de vista sincrónico;

Fase 3 (Relação) – Na última etapa todos os dados serão analisados nas suas diferentes relações, enfatizando-se convergências, incongruências, regularidades, levantando dúvidas, identificando pontos de ignorância e de falta de conhecimento que possam ajudar na compreensão, caracterização, explicação do fenómeno.

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FIGURA 11-FASES DO ESTUDO