IV. LIMITES ET CRITIQUES DU MODÈLE D’INTERPRÉTATION
4.2 Honneth, deux lectures possibles de la Dialectique de la Raison et la notion de
O uso do conceito de “vulnerabilidade” nos estudos ambientais tem sido bastante aplicado nas últimas décadas principalmente a partir do trabalho de Tricart (1977) ao estudar a ecodinâmica das paisagens. Casseti (2005) atesta que como resultado do entendimento integrado da paisagem com seus parâmetros físicos, bióticos e socioeconômicos, se levaram ao entendimento da vulnerabilidade e potencialidade da natureza. Logo, o conceito de “vulnerabilidade” volta-se aos
fatores de natureza física e biótica, considerando a suscetibilidade dos referidos parâmetros em função do uso e ocupação.
De acordo com Dutriex et. al. (2000) o conceito de vulnerabilidade para o sistema costeiro está associado diretamente à relação entre a sensibilidade (relacionada às características naturais de um ambiente) e os fatores de risco (relacionados ao uso que se faz do mesmo).
A sensibilidade do ambiente depende das características intrínsecas do ambiente e varia de acordo com suas especificidades. Ela é definida pela capacidade do ambiente de suportar a deterioração de sua riqueza natural e sua capacidade de resistir a pressões (resiliência).
Já os fatores de risco dependem das atividades humanas em desenvolvimento, e variam de acordo com a tipologia das mesmas. Ao se considerar a sensibilidade de vários ambientes e os riscos a que são submetidos, é possível identificar áreas "vulneráveis".
McCarthy et al. (2001) in Mallmann (2008) define vulnerabilidade como sendo “o grau de susceptibilidade e inaptidão de combater efeitos adversos apresentado por um sistema”.
Mallmann (2008) discutiu acerca da vulnerabilidade costeira á erosão com aplicações em diversos segmentos costeiros do litoral sul de Pernambuco, a fim de representar o potencial de reação da linha de costa às forçantes que atuam no sistema praial e aos efeitos do uso antrópico na área, tendo conseguido atribuir diferentes graus de vulnerabilidade para as praias estudadas, identificando ainda os fatores que mais contribuem para a vulnerabilidade destas.
A vulnerabilidade, no sentido amplo é também definida por Schneider & Sarukhan (2001) como o grau em que um sistema natural ou social é suscetível a danos ou em suportar modificações.
Ao discutir sobre a vulnerabilidade costeira, a resiliência e adaptação às mudanças climáticas Klein (2002) destaca que muitas oportunidades econômicas presentes nos sistemas costeiros naturais induzem à superexploração dos recursos costeiros, poluição, aumentando fluxos de nutrientes, diminuição da disponibilidade de água doce, a escassez de sedimentos e elevada urbanização. Tais mudanças afetam, sobremaneira, a capacidade natural dos sistemas costeiros para lidar com o estresse, ficando todo o sistema costeiro vulnerável. Entretanto, todos os sistemas costeiros naturais são, em diferentes graus, capazes de compensar os
efeitos da intervenção humana, mas em muitas áreas costeiras as intervenções são tão pronunciadas que a sua resistência natural à novas mudanças já foi substancialmente reduzida.
A vulnerabilidade costeira para as Geociências representa segundo Tabajara et. al. (2005) um arranjo de atributos que caracterizam a fragilidade de trechos costeiros a desastres e incidência de fenômenos naturais, bem como aos fluxos e interações entre os elementos componentes da paisagem litorânea (fatores e processos meteorológicos, fatores e processos oceanográficos, fatores e processos morfológicos e sedimentológicos, as fatores de proteção da morfologia da área e as atividades humanas). A integração desses componentes reflete diretamente a configuração da costa e sua vulnerabilidade.
Dal Cin & Simeoni (1994) em trabalho sobre vulnerabilidade a erosão costeira na costa de Marche, Itália, sugerem uma classificação da zona costeira usando indicadores de vulnerabilidade à erosão costeira associados as características morfológicas do perfil de praia (onde considera-se a taxa de variação da linha de costa como a variável mais importante) e ainda ao grau de urbanização da área. Essa metodologia foi utilizada ainda por Pinheiro et. al. (2001a) e Moura (2009, 2012) no Estado do Ceará. Lins-de-Barros (2005) aplicou tal classificação na orla no Rio de Janeiro e Mazzer (2008) em Santa Catarina.
Souza et. al. (2005) trabalha a vulnerabilidade na perspectiva de “indicadores de risco à erosão costeira” apresentando elementos para classificar por meio de uma matriz de presença com base em Souza (1997 e 2001) e Souza & Suguio (2003). Essa proposta metodológica já integra indicadores de vulnerabilidade e indicadores de erosão.
De maneira geral, e independente do conceito adotado, os autores concordam que para a determinação da vulnerabilidade costeira à erosão requer a análise de atributos relacionados tanto ao sistema físico costeiro, quanto ao sistema antrópico que utiliza esse ambiente ou outros integrados a ele.
Porém, a determinação da vulnerabilidade costeira ainda é um método em construção, mas que à medida que se vão construindo as bases do método vão sendo elaborados acervos de informações preditivas do comportamento das zonas costeiras do Brasil, sendo a sistematização dessas informações o ponto culminante para permitir a maior sensibilização dos gestores sobre a questão da erosão costeira.
Capobianco et al. (1999) aponta que o IPCC (The Coastal Zone Management Sub-Group of the Intergovernmental Panel on Climate Change) desenvolveu uma metodologia baseada em sete passos para a avaliação da vulnerabilidade costeira à elevação do nível do mar, sendo importante: a). Delinear a área em estudo e especificar as condições de elevação do nível do mar para a região; b). fazer inventário das características da área de estudo; c). identificar os fatores relevantes para o desenvolvimento da região; d). avaliar as mudanças físicas e de resposta do sistema natural; e). formular estratégia de resposta e avaliar seus custos e efeitos; f). avaliar o perfil de vulnerabilidade e interpretar resultados; e g). identificar ações relevantes para o desenvolvimento de um planejamento de longo prazo para a Gestão integrada da Zona Costeira.
Para Albuquerque (2013), a posição da linha de costa e sua confiabilidade, como medida para estimar tendências erosivas ao longo do tempo, dependem da variabilidade dos indicadores escolhidos e da metodologia empregada, sendo necessário atentar para a relação destes com as condições dinâmicas naturais e antrópicas atuantes. Desse modo, para as quantificações das variações históricas da linha de costa, os métodos mais utilizados são as fotografias aéreas e as imagens de satélites. Sendo possível ainda agregar a estas quantificações dados de relatos das populações tradicionais da área analisada.