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Handling Exceptional Situations

Part 2 The Software Side: Disappointments and

7 Implicit Assumptions

7.1 Handling Exceptional Situations

DA HISTÓRIA NA SALA DE AULA

A partir do início do estágio de formação docente (estágio supervisionado de formação de professores), o exercício da prática docente se efetiva e juntamente com ela surgem as mais variadas experiências vividas no cenário da sala de aula. Esta mesma prática, tem como principal função, tornar os alunos estagiários, ao fim de sua formação inicial, capacitados a exercerem a docência de uma forma consistente e eficaz, como o que se espera de outros profissionais em qualquer área que seja.

Na chegada à sala de aula, o estagiário precisa observar, analisar e logo em seguida, fazer uma reflexão acerca da turma que irá trabalhar. Sendo assim, na medida do possível, ele irá situar esta turma etnograficamente para si. Neste momento, ele é carregado pelo sentimento de responsabilidade no que diz respeito à sua prática docente, agora efetivada.

A cada novo ano letivo, vemos novas turmas de alunos que iniciam seus estudos nos diferentes níveis escolares, e neles iniciam da mesma forma o estudo da disciplina história. No entanto, é perceptível que a história ensinada nas salas de aula é, muitas vezes, uma história retilínea, estruturada em ciclos, ou seja, que possui um início, um meio e um fim, divergindo das atuais propostas educacionais onde, “Hoje prevalece a ênfase nas relações de complementariedade, continuidade, descontinuidade, circularidade, contradição e tensão com outros fatos de uma época e de outras épocas” (BRASIL, 1998, p. 39).

Com isso, outra característica relevante pode ser observada: as questões de memória e patrimônio, como objetos da história, são dois elementos que não permeiam as aulas, sendo

49 que estes, carregam consigo uma rica atmosfera de discussões que podem ser trabalhadas na sala de aula, tanto do ensino fundamental quanto do médio, e que além do mais, podem transitar sem problema algum em todas as temáticas do conteúdo de história.

É na percepção desta realidade que este projeto pretende abordar o uso dos conhecimentos referentes à memória e ao patrimônio como objetos da história na prática de ensino da referida disciplina para os alunos da educação básica, e consequentemente, torná- los aptos a reconhecerem, no decorrer de seus estudos em história, visualizações que compõem tais elementos. Desta forma, sobre memória, Ulpiano T. Bezerra de Meneses faz a seguinte reflexão:

A memória está em voga e não só como tema de estudo entre especialistas. Também a memória como suporte dos processos de identidade e reinvindicações respectivas está na ordem do dia. Estado (principalmente por intermédio de organismos documentais e de proteção ao patrimônio cultural), entidades privadas, empresas, imprensa, partidos políticos, movimentos sindicais, de minorias e de marginalizados, associações de bairro, escolas, e assim por diante, todos têm procurado destilar sua autoimagem – mais raramente e com dificuldade a da sociedade como um todo. (MENEZES, 1999, p. 12)

Já sobre patrimônio, Françoise Choay o caracteriza da seguinte forma:

A expressão designa um bem destinado ao usufruto de uma comunidade que se ampliou a dimensões planetárias, constituído pela acumulação contínua de uma diversidade de objetos que se congregam por seu passado comum: obras e obras-primas das belas-artes e das artes aplicadas, trabalhos e produtos de todos os saberes e savoir-faire dos seres humanos. (CHOAY, 2001, p. 11)

5.2 DESENVOLVIMENTO

O desenvolvimento do meu projeto de pesquisa do estágio III se deu na Escola Estadual Santos Dumont, uma escola bastante tradicional localizada no município de Parnamirim – RN que nasceu dentro de uma base militar e que até hoje carrega esse sentido histórico. A escola no início deste ano de 2014 recebeu seu novo prédio e desta forma desvinculou-se dos limites territoriais da Base Aérea de Natal. Uma estrutura moderna, ampla, que atende alunos com necessidades especiais mas que logo de início enfrentou problemas como pequenas enchentes e alagamentos. Mesmo diante disto, a equipe da escola buscou soluções para os mesmos e o ano efetivamente começou. 2014 foi o ano de total mudança para a Escola Santos Dumont. Logo de início fiz, junto à professora Fernanda Bezerril, a escolha da turma para a realização do meu projeto, a escolhida foi o 6º ano “F”, uma turma

50 bastante mista na faixa etária e com um número de 34 alunos divididos igualmente entre meninos e meninas. Detém boa participação e como qualquer turma do ensino fundamental, é bastante agitada, porém muitíssimo carismática. Por fim do estágio, senti-me como se tivesse escolhido a turma certa.

A partir de então já estava dentro dos limites da “nova” Santos Dumont, a professora Fernanda mais uma vez seria a minha orientadora (pela terceira vez), a equipe pedagógica da escola já me era familiar e até mesmo os alunos da escola já me reconheciam como “o estagiário de história”. Depois que estes limites são ultrapassados dentro da escola, fica muito mais confortável a ação desde a chegada à mesma até o efetivo trabalho dentro da sala de aula. Senti que com o passar do tempo a figura do estagiário vai se fortificando como uma figura própria de professor – nunca imaginei ser chamado de Senhor tão cedo.

Sendo assim, compreendi que a pesquisa pode e deve ser o foco principal na estrutura do estágio, pois ao mesmo tempo em que as aulas e os conteúdos vão sendo aplicados os métodos pelos quais me utilizarei para a execução do mesmo formariam em conjunto o resultado de aulas com a aplicação do projeto.

Para início efetivo do estágio, parti necessariamente do que digo ser uma das partes mais importantes na proposta da prática docente: as observações. Desde o dia em que fui apresentado à turma, já passei a observá-la, de fato durante três dias de observação pude verificar como se dava o prosseguimento das aulas naquela turma, ver as dificuldades enfrentadas nela mas principalmente os pontos fortes dos alunos. Para este último destaco que, ao mesmo tempo que a turma se mostrava bastante agitada, esta mesma agitação denotava ao longo da aula de história como componente da participação dos alunos – achei isso interessante, pois muitas vezes para quem passasse pelo corredor poderia demonstrar uma bagunça, mas no entanto grande parte das vezes era uma inquietação das ideias dos alunos.

A observação foi altamente necessária para eu saber minimamente como poderia trabalhar com aqueles alunos.

No prosseguimento do projeto parti do princípio da coleta de dados sobre o que os alunos entendem basicamente dos objetos de estudo do meu projeto: memória e patrimônio. Logo me veio à mente a necessidade de aplicar aos meus alunos um questionário de sondagem para que eu pudesse até mesmo visualizar não só o entendimento deles mas também outras importantes características que envolvem todo o processo educativo como por exemplo, a escrita deles, a forma como cada um objetiva suas ideias nessa escrita e também sem deixar de lado o viés do interesse em saber algo relacionado a estas questões. Aplicado

51 este questionário, pude em um momento extra sala de aula verificar todas estas proposições minhas, e de fato obtive o resultado esperado para ele: através das respostas dos alunos, pude detectar como estava constituída a ideia de memória e patrimônio para eles. O questionário de sondagem foi sem dúvida alguma, a melhor forma de se avaliar a situação do ponto de partida da turma com relação ao projeto.

Expresso aqui sobre a forma como eu avaliei o resultado das respostas dos questionários dos alunos: levei em consideração qualquer tipo de ideia que remontasse ao que seria proposto durante todo o perpassar do projeto. Todas as respostas de todos os alunos foram visualizadas e, por fim deste processo, constatei que a grande maioria das respostas se deram de maneira satisfatória. Todos eles foram espontâneos em suas respostas evidenciando qual seria a minha perspectiva de resultado ao término de aplicação – o entendimento do que os objetos de estudo realmente são.

Exemplifico aqui duas das falas dos alunos (suas respostas) das quais achei mais interessante. Para isso utilizarei os pseudônimos “A” e “B” para representa-los respectivamente.

Perguntados no questionário de sondagem sobre o seu entendimento de memória e patrimônio estes dois alunos responderam da seguinte maneira:

aluno “A” – “Entendo que a memória é a nossa capacidade de guardar as coisas na

cabeça e patrimônio é aquilo que os pais deixam para os filhos”;

aluno “B” – “Memória é quando a gente grava algum acontecimento na cabeça e

patrimônio é herança”.

Feitas as observações e aplicado o questionário de sondagem, era chegada a hora de ministrar os conteúdos. Minha primeira aula efetiva foi sobre os hebreus. Passei pelos conteúdos com a plena ajuda do livro didático abordando as peculiaridades daquele povo e no final da aula, mesmo que com um excesso de nervosismo, me senti satisfeito com o resultado da aula. Refleti com os alunos as primeiras visualizações relacionadas à memória e ao patrimônio como objetos históricos fazendo com eles entendessem que para qualquer assunto histórico eles poderiam visualizar estes dois objetos.

Contudo, mais uma vez diante dos meus questionamentos sobre o que seria uma aula proveitosa no que diz respeito à questão teórica me embasei no texto de Pimenta e Lima (2005/2006, p.13) a respeito da relação entre teoria e prática, algo que é tão discutido nas aulas de estágio e desta forma obtive a seguinte resposta:

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A compreensão da relação entre teoria e prática, conforme explicitado anteriormente, possibilitou estudos e pesquisas que têm iluminado perspectivas para uma nova concepção de estágio. Pimenta e Gonçalves (1990) consideram que a finalidade do estágio é a de propiciar ao aluno uma

aproximação à realidade na qual atuará. Assim, o estágio se afasta da

compreensão até então corrente, de que seria a parte prática do curso. Defendem uma nova postura, uma re-definição do estágio que deve caminhar para a reflexão, a partir da realidade.

Ou seja, não apenas visualizar mas tentar compreender a realidade dos alunos se faz necessário para estabelecer então uma dinâmica de aula que leve em consideração o uso da teoria juntamente com a prática que aquele ambiente de aula requer.

Os alunos da minha turma evidenciavam claramente que queria sim saber e aprender o que eram os “danados da memória e patrimônio” que eu estava trabalhando ali. Eles são carregados de muita curiosidade de qualquer que seja a novidade de ensino, métodos e novas propostas. Percebi que meus alunos eram muito ativos também para aprender coisas novas.

Ao ler o trecho citado acima, fiz a reflexão de que muitas vezes a aula da turma “a” que altamente comprometida, esforçada e participativa, poderá não funcionar com a turma “f”, que por sua vez preferirá outro tipo de dinâmica de classe. Assim, cabe ao professor a partir de suas observações diagnosticar como proceder com o uso da teoria em determinada sala de aula. O ambiente e os alunos é quem determinaram isto.

A partir de agora, outro aspecto que considerei importante na execução do meu projeto, foi o de que dentro das ministrações das aulas me comprometi a levar em consideração todas as opiniões dos alunos. Na primeira vista, poucos foram os que se comprometeram em retratar diante dos demais o que ele mesmo entendia ou refletia sobre determinado assunto, posso citar como exemplo disto a aula em que trabalhamos a expansão territorial grega. Quando levantei o assunto a eles para que pudessem expressar o que entendiam sobre uma expansão territorial, os que se dispuseram a responder logo evidenciaram que entendiam que aquilo era:

- “alguém que tem uma fazenda e compra mais terras deixando ela bem grande”; - “gente rica que compra um monte de terrenos” e ainda

- “Quando uma cidade vai crescendo e crescendo”.

Achei essas respostas excelentes, primeiramente em termos das participações dos alunos e em seguida levando em consideração os aspectos iniciais de entendimento.

A busca de opiniões entre a explicação do assunto da aula e a aplicação do entendimento do meu projeto – assunto/busca de opinião/aplicação do projeto, me fornecia

53 uma ponte necessária para a articulação do enfoque da minha pesquisa dentro dos assuntos estudados, ou seja, na expansão territorial grega, pudemos perceber que os gregos, com a cultura de apropriação de muitos territórios, tornaram seu império muito mais representativo no aspecto mnemônico, ou seja, temos as noções de memória de uma Grécia grandiosa e poderosa, o que inicialmente não poderia ser exatamente desta forma.

A partir desta aula, pude perceber que realmente a ideia do meu projeto cabia e fazia sentido de ser aplicada em sala de aula. Percebi também que os alunos a todo o momento no levante de suas ideias e demonstração perante uns aos outros iam captando de uma maneira cada vez melhor o sentido da minha proposta, isso mesmo sem que eles percebessem teoricamente.

Dando continuidade à minha aplicação, passei para a fase que antes me preocupava bastante, que era a das explicações conteudais. No entanto, com o passar do tempo e com base no que eu mesmo tinha aprendido sobre a questão da teoria junto à prática, pude desenvolver as aulas sem nenhum problema específico. Sobre as aulas e as explicações analiso a utilização do livro didático como sendo parte importantíssima na consecução das aulas. Quando chegava num assunto pelo qual eu não me sentia muito seguro para explicar, o livro didático fazia com que esse sentimento fosse deixado de lado uma vez que o seu auxílio por parte dos textos e figuras e até os complementos, colaboravam totalmente para a continuidade das exposições. E ressalto aqui, que o próprio livro dava espaço para que eu pudesse aplicar, nesta fase das explicações específicas dos assuntos, os conhecimentos atrelados à memória e patrimônio.

Cheguei à fase das contextualizações que, na minha opinião, é uma das mais importantes. A educação brasileira vive nesse momento uma situação em que não basta apenas deter um referido conhecimento sem que ele esteja atrelado à vivência de mundo e ao cotidiano do aluno. Dentro deste enfoque um parâmetro é estabelecido ao papel do professor: promover essa contextualização e transmitir aos alunos onde e como determinado assunto influencia ou está presente em sua vivência.

Desde a primeira aula tentei ao máximo estabelecer as contextualizações referentes a cada assunto. Iniciando com os hebreus e os fenícios, passando pela civilização grega e seu alfabeto, vendo os cretenses e micênicos, as expansões territoriais, enfim. Em todos estes temas tentei ao máximo trazer a ideia de que estávamos estudando os assuntos numa temporalidade anterior à nossa e que, fazer uma tentativa de colocação do que ocorria naquelas épocas nos dias atuais é uma técnica para entender melhor como tal acontecimento ou estrutura existiam por si só. Ressalto aqui, que durante todo o período das

54 contextualizações tive que tomar cuidado no que diz respeito ao uso de anacronismos na prática de ensino. Tentar remontar nos dias atuais algo do passado, ligeiramente tende a fazer com que nos utilizemos de anacronismos, então junto com a contextualização tentei efetuar também o uso de ilustração para que a estrutura da época fosse evidenciada de acordo com o que se tinha proposto na época.

Considero que as minhas contextualizações foram bem proveitosas e que os alunos em sua fala e demonstrações de percepção conseguiram entender os assuntos.

De fato, com o passar das aulas fui conseguindo ser melhor entendido pelos alunos. Percebi que o tempo de exercício com a turma colabora bastante para a melhoria do entendimento dos alunos com o professor. A cada nova explicação, a cada novo tópico e a cada novo tema as propostas que eu, mesmo como estagiário, levava para a sala eram aos poucos sendo absorvidas pelos alunos e finalizadas com uma satisfatória conclusão.

Analisando a prática de aulas voltadas às questões de memória e patrimônio, pude verificar que os alunos do 6º ano do ensino fundamental se interessam por estas temáticas muito mais do que eu, no início do estágio, poderia pensar. Desta forma, o estágio como campo de conhecimento me possibilitou visualizar que, a minha ideia inicial de que o estudo da concepção mnemônica e do patrimônio eram inexistentes no ensino de história, era de fato verdadeira. Levando em consideração que ao longo das aulas todos os conteúdos referentes ao terceiro bimestre letivo foram discutidos e analisados num viés que levou em consideração a existência desses estudos, percebi que os alunos conseguiram aprender a observar características e as bases das questões de memória e patrimônio nos seus conteúdos de estudo.