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1.2 Prosodie et métrique

1.3.3 Grilles rythmiques

Na contemporaneidade, o lazer tem sido um tema abordado e discutido por vários segmentos da sociedade. Apesar dos avanços das pesquisas acadêmicas, ainda são poucas e restritas aquelas destinadas ao lazer na adolescência, especialmente as pesquisas que tragam a um enfoque na autoformação humana na perspectiva da ludicidade. Uvinha (2007) destaca que o lazer, mesmo considerado um assunto especial por muitos, quando relacionado ao adolescente tem sido pouco abordado em pesquisas no Brasil.

Pinho (2007) verificou as vivências de lazer entre adolescentes de ambos os sexos com idades entre 14 e 17 anos, de diferentes realidades sociais da cidade de Montes Claros – MG, analisando as possíveis relações entre realidade social de duas escolas, uma particular e outra pública, tempo disponível e conteúdos vivenciados no lazer, constatou-seque o tempo disponível dos adolescentes de ambas as realidades sociais tende a uma restrição devido às obrigações sociais: que no caso da escola particular são, em sua maioria, os cursos extra- escolares, enquanto na instituição pública são as tarefas domésticas.

A principal barreira para o lazer dos adolescentes da instituição privada foi a falta de tempo, já para os adolescentes da instituição pública foi a falta de recursos econômicos. No que se refere às vivências do lazer dos adolescentes, notou-se uma restrição nos conteúdos culturais. Ao mesmo tempo em que o lazer dos adolescentes é restrito em suas vivências, grande parte dos adolescentes (em sua maioria da instituição privada) não anseia por outras vivências além do que já é praticado. Para o autor, esta contradição afirma a falta de informação da população em relação ao lazer.

Em outra recente pesquisa realizada na região Sul do Brasil, num contexto educacional, envolvendo dez escolas das redes públicas e privadas, com o objetivo de conhecer os hábitos de lazer e o autoconceito dos adolescentes, julgou-se necessária a atenção à população jovem, focalizando o cuidado com as problemáticas específicas advindas dessa fase do desenvolvimento e do contexto em que vivem os jovens (BONATO, 2006).

Evidenciou-se que o lazer tem um importante papel na redução dessas problemáticas, atuando como fator protetor de condutas de risco e promotor da saúde integral. Destacou-se, naquele momento, a importância da diversificação das atividades de lazer no contexto juvenil, aspecto salientado nas análises em relação à preponderância dos hábitos hedonistas. A vivência de práticas de lazer alternativas promoveu melhores níveis de autoconceito, através do desenvolvimento de diferentes áreas da vida do adolescente.

Identificou-se também que os hábitos instrutivos correspondem a melhores níveis de autoconceito, seguidos dos hábitos hedonistas.

Destaca-se que as relações existentes entre os hábitos de lazer e o autoconceito indicam que as práticas de lazer qualificam o autoconceito dos adolescentes e este, por sua vez, atua na escolha e na manutenção dos hábitos de lazer bem como no envolvimento com esses hábitos.

Em outro contexto educacional, envolvendo adolescentes em escolas de ensino médio da cidade de São Carlos – SP um estudo realizado por de Prata e Santos (2007) revelou que os interesses e as atividades praticadas pelos indivíduos nessa fase da vida sofrem alterações no que diz respeito aos momentos de lazer. Esses autores observaram que, nessa etapa de vida, o adolescente quer sair sozinho com os amigos, frequentar lugares diferentes e ter horários diversificados para praticar atividades.

A Organização Mundial da Saúde (1986) tem dado grande importância às atividades exercidas pelos adolescentes, uma vez que foi observado que existem relações entre elas e diversas doenças (em curto ou em longo prazo), uma vez que algumas delas como comportamentos de risco, como o uso de drogas e comportamentos nocivos à saúde do próprio indivíduo ou de outra pessoa (BARROS et al, 2002). Para esta pesquisa, esses fatos foram de relevantes, pois reforçou a nossa intenção para investigar o lazer não como atividade, mas como fenômeno procurando evidenciar o significado das vivências do lazer no cotidiano de estudantes residentes em moradia estudantil e sua repercussão no processo de autoformação humana.

Larson e Verma (1999) consideram que as atividades lúdicas como a conversa, as interações sociais dentro e fora do contexto familiar, podem estar entre os espaços mais importantes de aprendizado e podem oferecer a crianças e adolescentes oportunidades de desenvolverem competências sociais e emocionais.

No estudo exploratório realizado em três países (Estados Unidos, Chile e Itália) envolvendo 493 adolescentes, com o objetivo de analisar a aplicabilidade do modelo geral de experiências relacionadas à identidade na autodefinição das atividades do lazer, verificou que a maioria dos adolescentes tem altos níveis de experiências identidade dentro de atividades de auto-definição, confirmando que os processos de desenvolvimento da exploração de identidade e formação na adolescência ocorrem frequentemente no contexto de atividades de lazer (COATSWORTH et al, 2005).

Outro estudo realizado por Moraes et al (2004) na Escola Agrícola de Jundiaí - RN apresentou como objetivo investigar os aspectos positivos e os negativos da experiência de

internato para o desenvolvimento de alunos de uma instituição pública federal de ensino técnico bem como a influência da vivência coletiva sobre o desempenho escolar e a concepção sobre um internato ideal.

Salienta-se que esse estudo trouxe uma significativa contribuição a nossa intervenção, primeiramente por tratar do mesmo lócus da investigação em questão. A partir deste estudo foi possível compreender o fenômeno do lazer em relação ao cotidiano dos sujeitos da pesquisa. A partir dos resultados foi possível também fazer algumas reflexões acerca das fortes implicações da convivência grupal, das limitações estruturais do internato e a rotina estressante vivida pelos residentes para um melhor desempenho escolar e nas dificuldades interpessoais enfrentadas entre os residentes, na moradia estudantil.

No período de 2003 ao primeiro semestre de 2008, foram publicados, na revista do Centro de Estudos de Lazer e Recreação da Escola de Educação Física da Universidade Federal de Minas Gerais, Licere6, 82 artigos acadêmicos que tratam de estudos teórico- práticos interdisciplinares sobre recreação e lazer, assim como da ampliação da abrangência da ação de ambos em nossa sociedade. Nos trabalhos publicados nesse periódico, foi constatada uma diversidade de experiências e análises conceituais das políticas públicas do lazer, discussões sobre essas políticas e sobre suas dimensões em diferentes contextos, formais ou não formais.

A partir desse levantamento e com base nas principais e variadas categorias (palavras-chaves) apresentadas nos artigos publicados, verificamos pouca aproximação da temática do lazer com a formação do profissional dessa área e a contribuição do lazer no âmbito escolar, porém não observamos relação direta das vivências do lazer que possibilitassem as pessoas na fase da adolescência criar seu lazer com vistas a uma autoformação ludopoiética, em outras palavras uma autoformação na qual o próprio sujeito exerce a capacidade de criar sua alegria de viver.

Nesta perspectiva, destaca-se um trabalho publicado nesta revista no ano de 2008, que apresentou a ludicidade num enfoque transdisciplinar por meio do jogo de areia, fazendo

6 LICERE é um periódico especificamente dedicado a discutir a temática do lazer, em suas múltiplas dimensões,

e a partir de uma ótica multidisciplinar. Foi lançado com dois intuitos básicos: a) preencher uma lacuna na área, uma vez que não existiam, em nosso país, publicações periódicas dedicadas exclusivamente ao assunto; b) contribuir para o avanço das discussões, ao dar visibilidade à crescente produção acadêmica (seja eminentemente teórica, fruto de discussões conceituais e de pesquisas realizadas ou resultado de reflexões entabuladas a partir de experiências de intervenção), reflexo do aumento do número de teses de doutorado, dissertações de mestrado, monografias de especialização e graduação, assim como da ação de grupos de pesquisas organizados.

uma relação das vivências ludopoiéticas com o processo de autoformação humanescente na pós-graduação de educação em uma instituição pública federal (CAVALCANTI, 2008a). Assim, verifica-se uma necessidade acadêmica, epistemológica e metodológica em se aprofundar a temática no estudo em questão, considerando-a como um processo singular na vida das pessoas.

Esse processo autoformatvo na vida desses adolescentes não ocorre apenas na instância escolar; constrói-se em outros espaços de interação onde aspectos como o prazer e a liberdade possam permear as ações. Dumazedier (1999, p.12) conceitua o lazer como “[...] o tempo de uma autoformação permanente e voluntária muito mais séria que a formação imposta pela escola em crise, ou então será reduzido a uma simples recreação pela extensão e pela reforma da educação escolar”. A afirmação do autor parte da realidade de que nas escolas não são oportunizados momentos em que os educandos possam desfrutar da ludicidade e do lazer, pois, para muitos, o lazer ainda é visto como algo distante da escola e sem importância na vida do homem. Assim, o autor enaltece que "a autoformação coletiva ou individual de uma pessoa supõe uma autolibertação dos determinismos cegos, fonte de estereótipos, de idéias feitas e de preconceitos, produzidos pela estrutura social" (DUMAZEDIER, 1980, p.16).

Diante dessa realidade educacional, acreditamos que a autoformação humana na perspectiva da ludopoiese do indivíduo, no ambiente escolar, pode ocorrer por meio de uma intervenção vivencial, sendo a ludicidade o eixo principal da educação pelo e para o lazer. Na perspectiva de uma educação para o lazer, considera-se que as vivências do lazer podem ser desenvolvidas como uma abordagem transdisciplinar da educação, a partir dos interesses culturais do lazer. Dumazedier (1975) propõe cinco interesses culturais do lazer: o físico- esportivo, o manual, o intelectual, o social e o artístico. Posteriormente, essa classificação foi ampliada, incluíndo o lazer turístico (CAMARGO, 1989) e o virtual (SCHWART, 2004).

Neste estudo, a classificação cultural do lazer apresenta-se de acordo com as pesquisas do sociólogo Joffre Dumazedier (1975), por concordar-se que tais características auxiliam no entendimento do significado do lazer no cotidiano das pessoas, nos diferentes momentos e nas distintas faixas etárias.

Um dos desafios desta pesquisa foi concentrar a atenção e o envolvimento do estudante residente numa proposta de trabalho numa perpectiva transdisciplinar, diferenciada das então desenvolvidas pela instituição, e, acima de tudo, podendo ajudá-lo a se sentir e a se imaginar como Ser que mantém uma relação consigo, com o meio e com o planeta. Que a vida possa, a partir dessas experiências, tornar-se mais bela e ser vivida, em suas diferentes dimensões, com a criação de seus momentos de lazer de maneira lúdica e plena.

A contribuição epistemológica desta pesquisa se configura como um referencial teórico acerca da temática do lazer quanto à autoformação ludopoiética e as suas implicações no contexto escolar, em particular num meio onde o sujeito mantém uma convivência diária em comunidade, dividindo cotidianamente seu espaço com outros sujeitos, compartilhando, sentimentos e emoções; enfim, construindo relações significativas na vida presente e na futura na autopoiese do lazer.

Esse estudo também cumpre papel relevante para as instituições públicas federais, a seus dirigentes e residentes, principalmente àquelas que oferecem moradia estudantil, uma vez que apresenta uma nova perspectiva da ressignificação do conceito e da importância do lazer e do lúdico na vida, para essas instâncias educativas.