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Gain d’optimisation par focalisation à travers un milieu dynamique

3.4 Optimisation rapide à travers un milieu diffusant dynamique

3.4.4 Gain d’optimisation par focalisation à travers un milieu dynamique

O Cooperativismo é uma das principais estratégias atualmente inseridas no contexto econômico para o enfrentamento da exclusão de espaços que caracteriza cada vez mais o capitalismo globalizado e tecnológico no qual a sociedade está inserida. Isso porque, por meio de uma visão solidária, organizada por meio da sua autogestão democrática, buscam promover a redução das desigualdades sociais, assegurando inclusão social, incluindo-se o acesso a práticas mercadológicas e administrativas, ao passo que seu foco está nas pessoas e não no capital. (STHAL; SCHNEIDER, 2013, p. 150).

Segundo afirmam Morais e Lanza (2010, p. 6) o avanço do ideário cooperativista autogestionário ocorreu em momentos de crise do capital, notadamente em momentos em que a conjuntura econômica caracterizou-se por elevadas taxas de desemprego. Sendo um

38 processo pertinente a lógica do capitalismo, sua existência soaria como uma reestruturação da produção e gerenciamento organizacional com o intuito de recuperar a taxa de lucratividade já que, visando-se um reequilíbrio econômico, se tornou necessário investir em novos modelos de produção. (MORAIS; LANZA, 2010, p.6).

Ao comentar tais aspectos, Morais e Lanza (2010, p. 9) expõem que na conjuntura nacional do início do século XXI, em que há uma combinação de elevação da taxa de desemprego e desemprego estrutural, de precarização das condições de trabalho, de reformas trabalhistas que promovem a terceirização e a subcontratação da mão-de-obra, consequentemente com a ampliação da informalidade e do estímulo às estratégias de “empreendedorismo empresarial” em que o trabalhador passa a ser o único responsável pelo sucesso ou fracasso do seu novo-negócio, em que a classe trabalhadora no geral não está articulada em sindicatos combativos e que busquem a radical transformação a partir do capitalismo, a perspectiva cooperativista) tornou-se:

a) uma via de sobrevivência para muitas pessoas que já estavam à margem do sistema produtivo capitalista (como por exemplo no segmento dos trabalhadores da coleta seletiva e reciclagem ou assentados rurais do programa de Reforma Agrária);

b) um campo de formação de uma nova cultura, em que os participantes por livre adesão, rompem com a hegemonia individualista norteadora dos dias atuais, em que ocorre a adesão ao processo sócio-educativo oriundo da vida coletiva, da participação nas assembleias ou mesmo do contato com os profissionais (administradores, agrônomos, assistentes sociais, contadores, sociólogos, pedagogos, profissionais da saúde ...) que atuam nas políticas públicas de fomento e assessoria dos experimentos de economia solidária; c) um micro-espaço de formulação de uma contra-hegemonia capitalista, que poderá vir a ser significativos para a instalação de um outro projeto societário, em que as relações sociais produtivas estejam subordinadas às demandas sociais e ambientais e não ao lucro individualizante e concentrador.

d) uma estratégia a partir dos subalternizados, e não dos incluídos nos benefícios do lucro e da condição de estratos médios da sociedade, de possibilidade de mudança a longo prazo do panorama atual de descrença absoluta no ser humano e na sua capacidade de reflexão, mobilização e viabilização de novos projetos e utopias. (MORAIS; LANZA, 2010, p. 10).

Percebe-se que o ideário do Cooperativismo, no contexto da economia solidária, embora na prática possa ter desvios de objetivos, na teoria traduz uma perspectiva de reajuste aos desequilíbrios do contexto capitalismo e de inclusão, na medida em que reintroduz ao seio

39 econômico, aqueles que pela lógica da competividade do contexto globalizado, já estaria predestinados à marginalização.

No contexto administrativo, sabe-se que na proposta de autogestão que caracteriza o cooperativismo, todos os sócios têm a mesma parcela do capital e, por decorrência, o mesmo direito de voto em todas as decisões. Para Singer e Souza (2003), o que caracteriza a solidariedade nestes tipos de empreendimentos é o fato de que todos possuem igualitariamente os mesmos direitos e obrigações. (SINGER; SOUZA, 2003, p. 9).

Outro ponto importante é que as cooperativas, pela sua atuação em áreas geográficas delimitadas, não promovem a transferência de recursos gerados para outros estados ou países, recursos estes que geram o desenvolvimento da região. O cooperativismo tem proporcionado no país a tendência idêntica à de comunidades onde suas entidades sócio empresariais estão bem estruturadas, de o IDH – Índice de Desenvolvimento Humano – ser muito superior ao das de outras regiões onde não há cooperativas (STHAL; SCHNEIDER, 2013, p.151).

Para Santos (2011, p. 37), a principal contribuição das cooperativas de trabalho reside no fato de que estas geram benefícios não econômicos para os seus membros e para a comunidade em geral, e tal fato representa elemento fundamental para contrariar os efeitos desiguais da economia capitalista.

No Brasil, essas iniciativas vêm introduzindo novas perspectivas de desenvolvimento no campo produtivo, social e ambiental. No campo ambiental, merecem destaque as cooperativas de trabalho que operam com resíduos sólidos e que, ao mesmo tempo em que promovem a geração de renda, também despontam como veículos potencializadores do desenvolvimento sustentável. (CONCEIÇÃO, 2005, p. 107).

No entanto, muito embora os catadores de ruas, sejam responsáveis pelo grande volume de material reciclado no Brasil, a ausência de uma infraestrutura e política ambiental enérgica neste sentido contribui muitas vezes de modo negativo para o restrito crescimento dos empreendimentos cooperativos nessa área. (CONCEIÇÃO, 2005, p. 108).

A crítica principal relatada por Conceição (2005, p. 108) refere-se, infelizmente, a uma realidade presente em todo o país, a ausência de uma politica que congregue abertura de

40 espaços aos catadores e que garanta a esses melhores alternativas para gestão e acompanhamento do negócio, o que tem ainda deixado brechas para o não fortalecimento do segmento. Existem ainda muitos deles que não trabalham sob a forma associada, os quais, sem ter noção da importância associativa, são alvos fáceis dos donos de indústrias que utilizam materiais recicláveis e acabam fortalecendo uma exploração que concorre negativamente para o próprio crescimento e fortalecimento das associações cooperativas, que em geral possuem uma pequena rede de compradores, muitos deles desleais, e que se aproveitam de períodos de maior facilidade, para barganhar por preços mais baixos os produtos, principalmente por saberem que a não venda prejudica a subsistência de todo o grupo.

Para Barros e Pinto (2008, p. 76), apesar das contraditoriedades vivenciadas pelo movimento cooperativo, a principal contribuição da escolha por essa forma de atuação junto aos catadores reside na proteção social e revalorização dada a identidade profissional desses indivíduos, que passam a ser incluídos como colaboradores e parte do processo de autogestão do empreendimento. A antiga opressão e marginalização, advinda da visão excludente do catador de rua, cede espaço a uma visão institucionalizada de uma atividade econômica, na qual o catador é parte integrante, sendo também valorizado.