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Cinquième chapitre : Discussion

FORMULAIRE D’INFORMATION ET DE CONSENTEMENT

Ser agente implica ser capaz de agir, de escolher a forma de intervir no mundo ou de não intervir no mundo, influenciando ou não o estado das coisas. O agente é capaz de exibir poderes no fluxo de atividades cotidianas, inclusive o de influenciar os poderes dos outros agentes. Para Giddens (2009, p. 17), “um agente deixa de o ser se perde a capacidade para ‘criar uma diferença’, isto é, para criar alguma espécie de poder”. Então, todo o agente tem poder. Toda a ação envolve poder, no sentido de capacidade transformadora.

Sztompka (2005, p. 327) explica que o termo “agência” é um termo que se desenvolveu ao longo do tempo. Inicialmente, agência era tratada como algo sobrenatural e após como força natural de diversos tipos. Somente depois é que esse conceito foi atribuído aos seres humanos, porém, esse termo era atribuído aos “Grandes Homens”, como profetas, heróis, entre outros. Esses eram os “transformadores da sociedade”. Ao apresentar a evolução histórica da agência, o autor afirma que houve uma passagem em que a agência era relacionada às ações dos agentes sociais e, na sequência, a agência passou a ser relacionada à função social, ou seja, “a agência mudou de lugar, do talento pessoal, para as funções sociais, particularmente aquelas que têm prerrogativas de agência inerentes, capazes de introduzir ou mesmo forçar as mudanças” (SZTOMPKA, 2005, p. 329) .

Mas o que é um agente? O termo “agência” para Giddens (2009, p.10) não se refere às intenções que as pessoas têm ao fazer as coisas, mas à capacidade delas para realizar essas

coisas em primeiro lugar. Com o conceito de agência é possível identificar o poder de fazer as coisas acontecerem e o de escolher fazer algo acontecer.

Ortner (2006, p. 74) trata a agência como um tipo de propriedade dos sujeitos sociais dentro de um contexto, ou seja, os indivíduos possuem agência, porém não são livres ou desprendidos de uma trama de relações. Essa agência ou protagonismo não é igual para todos os indivíduos, mas é possível observar níveis constantemente negociados. No caso dos líderes, a agência pode estar relacionada ao nível de maturidade e ao próprio cargo da pessoa, considerando-se os níveis de autoridade formal apresentados em cada organização. À medida que todos os atores possuem “doses” de agência, o que acontece no dia a dia das práticas sociais é um tipo de negociação entre indivíduos, hierarquia e estrutura para transformar a realidade da organização, visando os grandes “objetivos estratégicos”.

A abordagem da agência destacada por Ortner (2006, p. 51) está baseada em três componentes: “intencionalidade”, “universalidade” e “poder”. A autora faz uma análise sobre essa temática, partindo da premissa de que agência faz parte de um “processo de estruturação”. Então, o primeiro componente refere-se aos “enredos, planos e esquemas altamente conscientes”, ou seja, a intencionalidade está relacionada a qualquer ação pautada por algum propósito. Essa “intencionalidade” pode ser distribuída numa linha de intensidade: de um lado, versões mais “soft” de agência, em que a intencionalidade não é um ponto central, e, de outro, versões apresentadas como “hard”, em que a intencionalidade está mais no centro do conceito de agência. Ortner (2006, p. 53) afirma estar mais alinhada a conceitos de agência “hard”, citando o autor Wiliam H. Sewell Jr. que define a agência como “esforços e transações motivadas que constituem a superfície vivenciada da vida social”. Sobre o segundo componente, a “universalidade”, a autora destaca que há concordância no meio acadêmico sobre a agência ser universal, ou seja, todos os indivíduos têm capacidade de agência, porém não deixa de considerar o fato de que a agência é “cultural e historicamente construída”. (ORTNER, 2006, p.54). Além disso, o terceiro componente, o “poder”, é algo pertencente à agência, ou seja, quem é agente tem o “poder” de fazer as “coisas acontecerem”. Parece haver uma relação entre o exercício da agência e o exercício do poder, à medida que a agência está inserida numa estrutura que atribui poder de forma diferente aos seus agentes, considerando as suas funções sociais. (ORTNER, 2006, p.57). Os três componentes apresentados auxiliam a entender a liderança, pois é possível observá-los como atributos da liderança: pode existir uma intenção direcionadora na atuação dos líderes, pois estes são

pautados por metas e projetos alinhados com a estratégia da organização. Ao mesmo tempo a liderança também pode ser cultural e construída. Por último, existem “alçadas formais” para as lideranças no contexto organizacional, ou seja, o “poder” de transformação pode estar relacionado à posição na hierarquia organizacional,

Alinhado à discussão sobre agência e poder, Sztompka (2005, p. 439) lembra que para entender quem faz história ou quem atua nas mudanças sociais são atores humanos que têm diferentes níveis de influência e operam em contextos diferentes. Segundo o autor, ao analisar a história como um produto humano, “é necessário distinguir os contextos em que operam os atores humanos, os graus de influência que suas ações podem ter sobre o curso das mudanças sociais, as áreas em que seu impacto é sentido e as maneiras como elas deixam a sua marca”. Quando se fala em liderança na organização em questão, fica claro que existem níveis de liderança, com base nos níveis hierárquicos e nas respectivas funções.

Outra questão que o autor (SZTOMPKA, 2005) aborda trata da marca na construção de algo, ou seja, de que modo o ator humano faz história. E essa marca pode ser voluntária ou involuntária e pode gerar consequências intencionais ou não. Utilizando-se de exemplos na história, o autor demonstra que nem sempre a marca deixada pelo agente é voluntária e o resultado é intencional. A mesma reflexão vale para a construção de pessoa e para a forma como essa pessoa se posicionará no contexto em que convive e em relação às mudanças que deseja promover.