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3. Les rédacteurs web

3.4 Formation

O presente trabalho pretendeu fornecer um contributo empírico para a compreensão das barreiras e dos facilitadores à criação de conhecimento, nos centros de investigação. Procuramos ainda indagar, junto dos investigadores, quais as estratégias mais eficazes para recolher, criar e disseminar o conhecimento, bem como as tecnologias de informação e comunicação consideradas mais eficazes para estas actividades.

Para a prossecução desses objectivos, enveredámos por realizar uma observação indirecta, concretizada num inquérito por questionário, cujos resultados se mostraram relevantes, atendendo ao carácter exploratório desta investigação. Como base de apoio ao estudo empírico realizamos uma revisão da literatura que nos deu a percepção da complexidade dos conceitos de conhecimento, conhecimento organizacional e de gestão do conhecimento. Procuramos seleccionar fontes que nos ajudassem a sistematizar os conceitos e a situar o nosso estudo na área da gestão do conhecimento organizacional.

Transversalmente, às diferentes perspectivas encontradas na revisão literária, ficou reforçada a noção de que o conhecimento pode ser encarado como um valioso recurso; logo deve ser gerido. No caso particular do conhecimento científico, a sua gestão parece dever ter como preocupação fundamental proporcionar o acesso, em tempo útil, ao conhecimento acumulado para a construção de novo conhecimento; adicionalmente deve permitir uma fácil disponibilização dessa informação para o exterior, de modo à sua aplicação em novos produtos e serviços.

A nossa focalização foi num tipo específico de organização, o centro de investigação. Esta opção prende-se com a sua singularidade, ao nível do seu objectivo principal. A criação de conhecimento não só é a razão de ser dos centros de investigação, mas também pode servir de indicador do grau de eficácia da gestão de conhecimento de cada uma destas organizações.

Pareceu-nos adequado fazer uma observação indirecta, procurando junto dos investigadores da Universidade de Aveiro a sua opinião sobre as barreiras e facilitadores ao seu trabalho de investigação. Em complemento, estes inquiridos também nos indicaram quais as estratégias que consideravam mais eficazes para a recolha, criação e partilha de conhecimento. A nossa observação situou-se nas pessoas, visto este ser o factor crítico na criação de conhecimento; a sua opinião constitui uma rica fonte de informação.

Ao nível das barreiras e dos facilitadores, as principais conclusões que emergiram foram:

• as barreiras e os facilitadores são de natureza diversa;

• existem dificuldades que se podem considerar individuais e outras organizacionais;

• a dificuldade de lidar com excesso de informação é um entrave individual que deve ser minimizado pela gestão de conhecimento organizacional não só no acesso à formação para ultrapassar esta barreira, mas também na manutenção de repositórios actualizados e portais temáticos;

• a burocracia é apontada como barreira, principalmente ao nível da criação de conhecimento; os inquiridos clamam por uma simplificação das burocracias dos financiamentos considerando mesmo ser este um dos principais facilitadores à sua actividade;

• o horário de docência e a falta de tempo são razões que os inquiridos alegam para as suas dificuldades na criação e na recolha de conhecimento; de notar que muitos investigadores são também professores sendo sugerido que o exercício desta dupla função pode constituir um entrave;

• a criação de conhecimento seria incentivada se fosse alvo de uma avaliação da produção de conhecimento e dos seus impactos; ou seja, parece transparecer das respostas dos inquiridos que é indiferente produzir ou não novo conhecimento; esta falta de motivação parece estender-se à disseminação e partilha de conhecimento;

• a valorização do risco e do fracasso pela organização e a valorização dos resultados científicos pela indústria, pelos serviços e, em geral, pela sociedade parecem constituir grande incentivo não só para a criação de conhecimento, mas também para a sua disseminação;

• Os factores comportamentais têm influência, particularmente ao nível da disseminação/partilha de conhecimento.

Os resultados obtidos foram ao encontro dos nossos objectivos, ou seja, foram identificados quais são os factores inibidores e facilitadores que os investigadores consideram que condicionam o seu trabalho. Conseguimos ainda identificar quais as principais estratégias e ferramentas utilizadas nas actividades na captura, criação e partilha de conhecimento. Constatamos que os investigadores têm a percepção de que a gestão de conhecimento não se limita à gestão dos processos e das infra-estruturas das tecnologias de informação, mas também abarca o desenvolvimento de uma cultura do conhecimento, com vista ao uso eficaz do conhecimento na organização. Estas conclusões referem-se à população de investigadores da Universidade de Aveiro, mas muito possivelmente podem ser aplicadas a outras Universidades.

Globalmente, parece transparecer das respostas que os participantes do inquérito reconhecem a necessidade da gestão de conhecimento nas suas organizações, particularmente nos centros de investigação. De igual modo ficamos com a percepção que existem lacunas, logo pode haver lugar a uma contínua melhoria dessa gestão de modo a incrementar a criação de conhecimento. Não se pode afirmar que há uma relação de causalidade mas talvez uma associação entre gestão de conhecimento e criação de conhecimento.

Relativamente às estratégias que os inquiridos consideravam utilizam para a recolha, criação e partilha de conhecimento podemos concluir que a participação em congressos, redes de investigação e unidades de investigação são as consideradas mais eficazes. As conversas com outros investigadores constituem também uma estratégia muito valorizada. Os artigos científicos, tanto em papel como on-line, são os materiais mais invocados para a recolha de conhecimento, enquanto que a nível da criação de conhecimento os inquiridos reconhecem que a participação em redes e em unidades de investigação se revelam da maior utilidade. Finalmente a participação em congressos é considerada a acção mais eficaz para a partilha e disseminação do conhecimento.

Os inquiridos consideram que as tecnologias de informação e comunicação são utilizadas nestas diferentes tarefas, mas o seu grau de eficácia é variado. A sua utilização revela-se mais eficaz ao nível da recolha de conhecimento. A eficácia decresce quando utilizadas para a partilha de conhecimento, mas é ao nível da criação de conhecimento que a lacuna é mais notória. Parece haver lugar a melhorias na sua utilização o que poderia reverter num aumento da criação de conhecimento. Em complemento, foram indicadas como sendo as mais eficazes as seguintes tecnologias de informação e comunicação: Internet, bases de dados, correio electrónico e intranet.

Com o presente trabalho cremos ter contribuído para uma sensibilização junto dos investigadores à gestão do conhecimento nos centros de investigação. Na prática, o trabalho pode também sensibilizar os gestores destes centros para a necessidade de melhorias a implementar. A identificação das barreiras e dos facilitadores à recolha, criação e disseminação do conhecimento ajuda a eliminar as barreiras existentes e as percepcionadas, bem como permite a compreensão de quais as condições que facilitam a criação de conhecimento. Desta forma, podemos dizer que a gestão do conhecimento deve procurar melhorar continuamente com vista a se tornar mais eficaz. Esta eficácia poderá vir a reflectir-se num aumento do desempenho individual e organizacional.

As Universidades e os centros de investigação em particular são organizações de conhecimento intensivo, onde a criação e distribuição de conhecimento devem ser uma constante. O conhecimento deve ser gerido de modo a facilitar estas actividades com vista a um incremento do seu desempenho organizacional.

O conhecimento científico tem sido percepcionado como um trabalho solitário com interacções humanas limitadas a um pequeno grupo de um domínio de pesquisa. Actualmente, devido à crescente especialização e ao incremento das tecnologias de comunicação e informação, o trabalho científico é feito em rede. O investigador participa em diversas redes como consumidor e produtor de informação. A comunicação entre investigadores está facilitada através do desenvolvimento das tecnologias de comunicação, mas o contacto face-a-face continua fundamental, principalmente a nível do conhecimento tácito.

Em organizações vocacionadas para a criação de conhecimento, como são os centros de investigação, a gestão do conhecimento deve ter como preocupação identificar e proporcionar o contexto facilitador para atingir este objectivo. Os gestores necessitam de estar alerta para as dimensões sociais da criação de conhecimento, que muitas vezes podem explicar diferentes desempenhos destas organizações. Assim, na prática, os gestores devem procurar saber junto dos investigadores das suas necessidades para criar conhecimento, procurando que estes identifiquem as barreiras e os facilitadores para o exercício do seu trabalho. A sua participação activa na gestão de conhecimento é um recurso valioso para os responsáveis dos centros de investigação; por outro lado reforça o sentimento de pertença que pode incrementar a motivação e o empenhamento. Parece-nos que é necessário motivar as pessoas a participar activamente para que o processo de criação de conhecimento se desenrole de modo eficaz

A gestão do conhecimento eficaz deverá permitir valorizar o conhecimento, ou seja, rentabilizar o conhecimento acumulado. Deve ainda procurar eliminar “gargalos” que impeçam o fluxo do conhecimento (tácito e explícito) e facilitar a criação de espaços formais e informais de conversão de conhecimento.

Cada centro de investigação pode ser considerado uma organização cujo objectivo principal é o de criar conhecimento. Estes espaços físicos e sociais apesar de apresentarem conteúdos, processos e contextos diversos têm características comuns, mas também características específicas. São organizações que requerem uma análise de contexto para melhor as compreender. Parece que a gestão do conhecimento, nos centros de investigação, pode acumular várias funções:

• catalizador na criação de conhecimento;

• um serviço a prestar a diferentes tipos de clientes;

• criador de espaços amigáveis para a recolha, criação e disseminação de conhecimento.

Finalmente, consideramos que este trabalho pode ser útil, não só para os responsáveis da gestão dos centros de investigação, mas também como ponto de partida para um maior

aprofundamento do tema. Esta investigação poderia ser enriquecida com análises mais extensivas e elaboradas. Contudo, tem o mérito de nos despertar a curiosidade para continuarmos a explorar este assunto, levantando uma série de questões que poderão ser objecto de futuras pesquisas, nomeadamente:

De que forma a gestão de conhecimento pode contribuir para a criação de conhecimento, nos centros de investigação da Universidade?

Quais as condições que facilitam a criação de conhecimento? A identificação dos factores inibidores e facilitadores poderá ajudar a incrementar a criação de conhecimento?

A identificação das barreiras e dos facilitadores à recolha, criação e disseminação do conhecimento poderá ajudar a construir espaços de criação de valor? Haverá uma relação entre estes factores e a criação de conhecimento?

A melhoria do desempenho individual reflecte-se na criação de valor para o centro de investigação?

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Anexo A – Produtividade dos países em investigação sobre

gestão de conhecimento e capital intelectual

Anexo B – Ranking de publicações