11 .1 Objectifs et configuration d’étude
11.3.1 Fonctions objectifs et variable d’optimisation
Sei que tudo se foi e não mais vem.
Sei que tudo me é longínquo e vago como o porto dum naufrago Sei que as minhas realidades são êsse além
feito da névoa que outros dissiparam.
Sei que os meus braços longos me abarcaram quando abarcavam o que a vida tem.
Sei que os meus pensamentos são o princípio e o fim de tudo quanto existe e não existe em mim.
Sei que os dias me desgastam e que este meu querer morre como um fiozinho de rio no areal do leito onde corre Sei que o meu grito agudo, se não for bem estudado, será um lamento a mais, lamento já gasto e usado, e que se o mundo o ouvir (que aos gritos está afeito) será para murmurar que ―isto não está mal feito‖ Sei que às rosas que são minhas as esmago à cata de perfumes doutras rosas,
que nas minhas não cabe.
Sei que o círculo fechado que percorro
é o zero desta vida, o bôrdo dêste poço em que morro
Sei além disso que o sei [↑ e que] se o não sei, que o sinto se o não sinto que pressinto
que a tôda a hora me minto com gôsto nesta certeza, de que [↑ me] minto.
E assim teimo na esperança de poder sonhar com brancas velas
sulcando arminho… e no bem que me seria se um vendaval me afundasse
73 e as quebrasse
a elas,
a meio do caminho,
Rajada
‗Stou cansado de parar já tanta vez,
de esbarrar
na dúvida, no anseio, no revés. Ai a luta que se acaba!
Anda, corpo. anda, alma,
fura a vida, fura a fôrça! que eu já estou farto de calma! Fôrça, fôrça,
mata aqui. vinga ali,
fura, mata, rompe, avança, como a lança
dum maluco que se lança para a frente
e que a gente chama herói. Anda, vida,
vamos, anda, que eu já canso
desta anda <e desanda.> [e desanda.]
Rasga os veios da verdade! Põe os ferros na vontade, que tem feito os imortais. Anda, alma<!>/;\
mais! mais!
75 MAIS!
À minha alma
sorrir… já não; eu quero a gargalhada doida… sonora… brusca de pavor, que me embriague itodo no calor
de sonhos torpes duma luz cansada.
Sorrir… já não; antes febril, irada espumes em delírios de rancor e chicoteies toda a minha dor com rasgos duma fera endiabrada
Depois… depois… que ficasses doente num ninho de algodões bem fofo, quente e eu te adorasse por te ver sofrer…
Depois… o estrabuchar desta loucura, que seja morte ou vida ou a fartura de não saber que mais hei-de querer…
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O sol da Meia Noite
Estou cansado de tudo o que nunca hei-de ter - bens da minha esperança (a ânsia de desejar) Estou cansado de ser o rei do mundo,
de possuir tôda e qualquer mulher
de ser <rei> Creso, Nero, Calígula, Platão cansado de ser todo o Sim e Não
cansado…
Eis-me tal qual morto no comêço, a procurar um não sei quê de inúti,
porque ao ante-gôzo do gôzo de [↑ tudo] o que peço e não peço não dou sequer agora, vazio de bens,
<o mínimo aprêço> o mínimo aprêço
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Balada
Ai génios maus não acordeis
minha alma <antiga> [↑ antiga] o meu amor
Ai génios bons não me mal trateis a minha dor
Deixai-me estar aqui sozinho assim partindo
só para a ver… só para a ver…
Ela não sabe, ela não sabe já não fui eu…
E ela não gosta que eu me mendigue ás outras portas.
E ela não gosta que eu me castigue (que eu não sabia que era castigo)
<Fim de viagem> [↑ <A chegada>] [O fim]
Quando eu parti ainda era correctoE era moldável e tinha verniz. (Por dentro ideais, que fariam feliz
Qualquer romântico ‗inda e mais completo…)
Gastaram-me isso, que se chama afecto, Embebedaram-me com rum e anis, E a sorte, caprichosa, quando quis, Foi-me arrancando ideais pelo trajecto.
E roto e bêbedo, de riso alvar, Eu não deixei jamais de caminhar, Arrasado de tropas e fadiga…
Cheguei. E ao veres-me tão pobre e só, Troçaste muito mais: – tiveste dó E disseste-me que eras…minha amiga.
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[Testemunho 2] BNP Esp. E31/8702
<6>/5\
Fernando quere escrever um romance novo. Romance que fale <das mágoas> [↑ daqueles] que vivem sofrendo. Mas Fernando não <pretende que os> quere que os seus heróis chorem. <Porque o pranto> ou sonhem com estrelas e lua e flores. Porque o pranto e o sonho <é>[↑ são] luxo[s] de felizes. Homens de aço.
[Testemunho 3] BNP Esp. E31/552
[Fl-1] Por que o deixara ela? Ela que dissera «nem que me matem, juro-te; nunca te deixarei!» ¿ Por que o deixara? E todavia êle queria justamente que tudo acabasse. Mas <que>/não\ que fôsse ela a acabar. Nem êle. Queria afinal não ser esmagado por aquela certeza de que não valia nada, de que Joana o intrujara. Por isso lhe apetecia comovê-la ou insultá-la, fazer-lhe ver que ela mentira, dizer-lhe que ela era como tôdas, calculista, intrujona. Sair airosamente do apêrto. Sentia-<†>/se\ humilhado, 1fundamente humilhado porque o Cosme não
reparava 2que Rui seria médico, 1que Rui era um rapaz inteligente. Todos o aceitavam, todos se
curvavam <quando> lá na terra quando Rui discutia sôbre polìtica, religião… Êle era entendido. Êle sabia. Por [↑ tudo] isso Joana e o pai deviam querê-lo, aceitá-lo de braços abertos, com orgulho. Mas Joana despedira-o. E Rui chorou sôbre si! <Rui sabia que> Reconhecia agora que as mulheres o não poderiam amar porque lhes faltava qualquer coisa necessária. O defeito era seu. Triste. De uma tristeza sem fim.
Rolava sôbre a cama revolta, dilacerando-se gostosamente <mas>/com\ aquela dor amarga de se ver desprezado. ¿ Que importava que êle fizesse sentir a Joana a intrujice do seu procedimento? Ela não o entenderia, ela havia de rir-se porque Rui parecia ignorar que o amor é um negócio <onde a mentira> [ como] qualquer outro que não dispensa a mentira<.> [convencional].
Para tôda a gente, Rui quisera também negociar. Joana era rica e êle um «pobretana». Isso o humilha também. Mas o desgôsto mais fundo vem-lhe de Joana o ter deitado fora. Rui não prestava para mulher alguma. Porque Rui não sabia rir, ser alegre, ser malandro como convém. Ser mau. Gozar, <disfru> deliciar-se friamente com a carne da mulher, intrujar, levá- las <†>/à\ rendição, fa<zer-lhes>/zê-las\ sentir, coxa contra coxa, beijos vorazes<,> e depois deitá-las <fora> [↑ para o esterco.] Elas se humilhariam então. Elas amariam. Porque a mulher não entende senão <a>/o\ gôzo da carne.
Mas êle é uma bêsta, sempre longe do mundo. Por isso lhe apetece insultar-se a si mesmo, insultar Joana, vomitar a ambos o seu fundo rancor.
«Nunca mais! Eu seja cão! Você é uma p. como as outras! Mas garanto-lhe, que não <c>/v\olto a ser burro. Se eu <voltar> [↑ tornar] a ser anjo, <dou-lhe> [↑ você] [↑ pode<r>] descarrega[r]-me no focinho <com> montes de trampa. Sua reles! Estupor!»
<…>/Rosto\ anguloso da raiva que lhe cerrava os dentes. «Burro! Grande cavalo! Eu seja cão se tornar! Qualquer mulher que me apareça, eu ponho-a debaixo e mando-a depois à merda! Com tôdas as letras. Cambada de estupores!» Cansado. Nervos ao rubro num furor
83 adaptar-se a êle. Valorizar-se pelo trabalho [fl. 2] embora soubesse que tôda a gente lhe mentia quando o aconselhava: «Isso, Rui! Estude que você há de ser alguém! Você é um rapaz com qualidades. † *certo, de que há-de vencer!» Trampa para a vitória! Pois que raio de vitória era essa que não se<g>/d\uzia ninguém? ¿ Que lhe não dava compensação alguma? [↑ Trampa para a vitória.]
Em todo o caso Rui iria virar-se para os livros. Para os livros que esperavam…
Mas por sôbre tudo, <R> o dedo espetado de Rodrigues continua a garantir: «és uma bêsta!»
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