• Aucun résultat trouvé

Expression de la m´etrique hyperk¨ ahl´erienne de l’espace

Dans le document TH`ESE DE DOCTORAT pr´esent´ee par (Page 136-143)

2.6 Structure hyperk¨ ahl´erienne de l’orbite complexifi´ee O C D d’une or-

2.6.4 Expression de la m´etrique hyperk¨ ahl´erienne de l’espace

interligam pelo fluxo de informações ou contatos.

Um exemplo de território em rede é a disciplina de Língua Portuguesa, que se organiza em espécies de células (léxico, gramática, textualidade, interação) que, diferentemente do tratamento na maioria das práticas pedagógicas atuais, devem sempre se encontrar próximas umas das outras, articulando-se em redes de complementações múltiplas, de segmentos, de trocas e enriquecimentos, criando assim um sistema interligado e profícuo.

Consideramos, pois, a língua portuguesa como um território por ser constituída por características singulares que lhe especificam, particularizam, diferenciam-na em relação a outros territórios linguísticos. Dentro desse território singular e formado de outros territórios, a gramática se estabelece como o território responsável por assegurar um equilíbrio, um porto, uma ordenação, uma estabilidade e uma coerência necessária para o estabelecimento do entendimento, da efetivação de uma comunicação universal e acessível a todos os indivíduos.

3.2 Desterritorialização

Construímos um conceito de que gosto muito, o de desterritorialização. (...) precisamos às vezes inventar uma palavra bárbara para dar conta de uma noção com pretensão nova. A noção com pretensão nova é que não há território sem um vetor de saída do território, e não há saída do território, ou seja, desterritorialização, sem, ao mesmo tempo, um esforço para se reterritorializar em outra parte. (Gilles Deleuze, 1995, em entrevista em vídeo)

O conceito de desterritorialização, oriundo da filosofia de Gilles Deleuze e Félix Guattari, compreende o processo de movimentação transformacional de (re)criação do território, que se dá, inicialmente, pela desterritorialização dos agenciamentos, e, em seguida, pela reterritorialização de novos agenciamentos. Desse modo,

O território pode se desterritorializar, isto é, abrir-se, engajar-se em linhas de fuga e até sair do seu curso e se destruir. A espécie humana está mergulhada num imenso movimento de desterritorialização, no sentido de que seus territórios “originais” se desfazem ininterruptamente [...] com os

sistemas maquínicos que a levam a atravessar cada vez mais rapidamente, as estratificações materiais e mentais. (GUATTARI & ROLNIK, 1996, p. 323)

Lima e Yasui (2014) mencionam que “esses movimentos de desterritorialização são inseparáveis de novos mundos que se fazem em processos de reterritorialização, que não consistem em um retorno ao território de origem, mas na construção de um novo território”. Segundo as reflexões de Costa e Oliveira (2017), “trata-se de um movimento ininterrupto que envolve, de um modo geral, todas as mudanças provocadas na sociedade e em seus mais diversos âmbitos, isto é, em seus mais diversos e distintos territórios”.

O processo de (des)(re)territorialização, como Deleuze e Guattari explicam, refere-se, grosso modo, a um movimento transformacional pelo qual um território rompe valores “tanto simbólicos, com a destruição de símbolos, marcos históricos, identidades, quanto concreto, material-político e/ou econômico, pela destruição de antigos laços/fronteiras econômico-políticas de integração” (HAESBAERT,1995, p.181). Trata-se, portanto de um processo no qual a espécie humana está mergulhada, produzindo ininterruptamente mudanças no sentido de desterritorializar seus territórios “originais” (GUATTARI e ROLNIK, 1986, p.323) e, numa continuidade, reterritorializá-los a partir de novos agenciamentos, novos valores, novos pensamentos.

3.2.1 Procedimentos de desterritorialização relativos ao ensino de Língua Portuguesa – a desterritorialização „absoluta‟ da gramática

Como já enfatizado, uma desterritorialização é conceituada como um movimento ininterrupto que envolve, de um modo geral, todas as mudanças ocorridas na sociedade, contemplando seus mais distintos contextos, ou seja, relacionando-se a seus mais diversos territórios existentes. Segundo Deleuze e Guattari, esse movimento ocorre por meio de vetores de desterritorialização e de reterritorialização, explicados pelos autores com o desenvolvimento de um conjunto de teoremas – que aqui não caberia esboçá-los todos, em virtude do nosso foco delimitado – dentro dos quais está um teorema que “envolve conceitos novos e compreende o movimento pelo qual os elementos menos desterritorializados se reterritorializam sobre o mais desterritorializado” (COSTA & OLIVEIRA, 2017),

constituindo assim, mais dois tipos desterritorialização: a relativa (transcodificação) que diz respeito ao socius; e a absoluta (sobrecodificação) que se refere ao pensamento.

Esses dois tipos de desterritorialização são movimentos que se relacionam, um perpassando o outro, logo, de um modo geral, as desterritorializações relativas se reterritorializam sobre uma desterritorialização absoluta.

Correlacionando esse processo de desterritorialização absoluta com o ensino de Língua Portuguesa, evidenciamos a ruptura social e cognitiva do ensino dos conteúdos gramaticais com a realidade na qual o indivíduo está inserido. Com essa percepção do ensino de Língua Portuguesa como território desterritorializado, porém de forma negativa (pois não houve reterritorialização), obtemos entendimentos sobre a razão de tantos fracassos nos processos de ensino e aprendizagem.

Consideramos ter havido, no ensino de Língua Portuguesa, uma desterritorialização quanto ao seu processo metodológico, isto é, diante das discussões e questionamentos levantados ao longo dos anos, evidenciou-se a necessidade de abandonar, por exemplo, processos metodológicos de ensino voltados para a perspectiva tradicional, como abordamos anteriormente. No entanto, como também já enfatizamos, as atuais práticas e posturas advindas inicialmente para ruptura com o tradicional, não estão sendo suficientes no sentido de garantir uma reterritorialização positiva, que seja profícua e alcance os anseios do ensino de uma língua.

Quando discutimos a desterritorialização, para além do debate filosófico, conseguimos, claramente, transpor os sentidos para problemas e questões concretas da educação, uma vez que, nesse território, são contínuos os problemas que necessitamos resolver. A partir da conscientização de que há algo a modificar, construímos os primeiros passos para a compreensão dos conceitos, do próprio pensamento e da necessidade de agir.

3.3 Reterritorialização

Vemos em Lima e Yasui (2014) que, para Deleuze e Guattari, o território é pensado como uma construção provisória, dando-se sempre em relação a processos de desterritorialização e reterritorialização. Nas palavras desses filósofos, “o território

Dans le document TH`ESE DE DOCTORAT pr´esent´ee par (Page 136-143)