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2.7 Matrices de reconstruction optimales

2.7.2 Exemples, cas particuliers

4.3.2.1 Definição e contextualização da análise de conteúdo

Para análise dos dados coletados nas entrevistas abertas, optou-se pelo emprego do método de análise de conteúdo (AC). Este método tem sido tem sido muito utilizado na análi- se de comunicações nas ciências humanas e sociais. Minayo (2000) afirma que este é um mé- todo mais comumente adotado no tratamento de dados de pesquisas qualitativas, embora seja sabido da sua validade para as investigações quantitativas. Segundo Caregnato (2006), ela é uma metodologia de análise de textos que parte de uma perspectiva ao mesmo tempo qualita- tiva, cuja unidade de informação é a presença ou ausência de uma característica e quantitativa, que tem como unidade de informação básica a frequência do aparecimento de certas caracte- rísticas de conteúdo. Esta divisão não é assim tão linear. Vários métodos recorrem tanto a um como a outro. A AC pode incidir sobre várias mensagens, desde obras literárias, até entrevis- tas.

Para Bardin (2011, p.48), a análise de conteúdo abrange as iniciativas de explicitação, sis- tematização e expressão do conteúdo de mensagens, com a finalidade de se efetuarem dedu- ções lógicas e justificadas a respeito da origem dessas mensagens (quem as emitiu, em que contexto e/ou quais efeitos se pretende causar por meio delas). Mais especificamente, a análi- se de conteúdo constitui:

Um conjunto de técnicas de análise de comunicação visando a obter, por proce- dimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indica- dores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção destas mensagens (Bardin, 2011, p.48).

A escolha da análise de conteúdo baseou-se no fato de que ela é uma sistematização dos dados, que inclui o rigor necessário à pesquisa, e, ao mesmo tempo, uma flexibilidade de re- gras que possibilita apreender nos discursos, os valores, crenças, opiniões, representações e sentimentos dos participantes e que são indispensáveis à compreensão, em profundidade, da cultura organizacional e dos processos de inovação.

Bardin (2011, p.50) argumenta que a AC tem como principal objetivo desvelar “mensagens obscuras que exigem uma interpretação, mensagens com um duplo sentido cuja significação profunda só pode surgir depois de uma observação cuidadosa ou de uma intuição carismática. Por detrás do discurso aparente, geralmente simbólico e polissêmico, esconde-se um sentido que convém desvendar”. O pesquisador que trabalha seus dados a partir da perspectiva da análise de conteúdo está sempre procurando um texto atrás de outro texto, um texto que não está aparente já na primeira leitura e que precisa de uma metodologia para ser desvendado.

Para Bardin (2011, p.35), a análise de conteúdo possui duas funções que podem coexistir de maneira complementar: i) uma função heurística, que visa a enriquecer a pesquisa explora- tória, aumentando a propensão à descoberta e proporcionando o surgimento de hipóteses quando se examinam mensagens pouco exploradas anteriormente; e ii) uma função de admi- nistração da prova, ou seja, servir de prova para a verificação de hipóteses ou suposições apresentadas sob a forma de questões ou de afirmações provisórias.

O processo de explicitação, sistematização e expressão do conteúdo de mensagens, promo- vido pela análise de conteúdo, foi organizado em três etapas realizadas em conformidade com três polos cronológicos diferentes, em conformidade com o que preconiza autores como Bar- din (2011, p.125) e Minayo (2000). Essas etapas foram:

a) Pré-análise: cujo objetivo foi tornar operacional e sistematizar as ideias iniciais de mo- do a conduzir a um esquema preciso e flexível. Nesta oportunidade organizou-se o material; realizou-se a leitura flutuante; escolheu-se os documentos a serem analisados; selecionou os trechos de áudio das entrevistas que deveriam ser mais bem trabalhados; formulou-se suposi- ções e questões norteadoras; e elaborou-se os aspectos e elementos que fundamentaram a in- terpretação final.

Segundo Bardin (2011, p.126), a leitura flutuante é o primeiro contato com os documentos. É leitura geral do material. Momento de conhecer os textos. Por meio dela, surgiram as pri- meiras suposições e objetivos do trabalho.

A escolha dos documentos foi iniciada pela demarcação do universo a ser pesquisado. Em seguida, constitui-se um corpus, ou seja, um conjunto de documentos que foram levados em conta na análise, obedecendo, para tanto, às regras de: i) exaustividade – esgotando-se a tota- lidade da comunicação, sem omitir nada; ii) representatividade – a amostra representa o uni- verso; iii) homogeneidade – os dados referem-se ao mesmo tema, foram obtidos por técnicas iguais e colhidos por indivíduos semelhantes; e pertinência – os documentos adaptaram-se ao conteúdo e objetivo da pesquisa.

Por fim, todo material selecionado foi cuidadosamente preparado: as entrevistas foram transcritas; os temas importantes dos artigos foram recortados etc.

b) Exploração ou Análise do material: esta foi a etapa mais longa e exaustiva. Ela foi di- vidida em duas subfases: a codificação e a categorização.

A codificação foi uma operação em que os dados brutos foram transformados de forma or- ganizada e agregadas em unidades de registro, as quais permitiram uma descrição das caracte- rísticas pertinentes do conteúdo.

Lembrando que unidade de registro é a unidade de significação a codificar e pode ser tema, palavra ou frase. Os textos e áudios foram recortados de seu contexto em função da unidade de registro (palavras-chave; palavras-tema; palavras plenas ou vazias; categorias de palavras: substantivos, adjetivos, verbos, e etc.).

Por vezes, foi necessário o estabelecimento de regras de contagem (quantificação ou enu- meração) destas unidades de registro. Para tanto, o pesquisador pode-se valer de regras de presença e frequência de elementos, de regularidade com que tais elementos aparecem. A ausência, também, pode ser significativa, pois podem indicar bloqueios ou traduzir vontade escondida, como acontece, frequentemente, nos discursos dos políticos.

A intensidade, medida por intermédio de tempos verbais (condicional, futuro, imperativo) ou do uso de advérbios de modo, adjetivos e atributos qualificativos, também, foram impor- tantes na codificação.

Além disso, foi empregada, ainda, a regra da ordem de aparição das unidades de registro. E a de a coocorrência ou presença simultânea de duas ou mais unidades de registro em um de- terminado fragmento de texto, pode indicar alguma observação interessante.

Por outro lado, a fase de escolha de Categorias foi de igual importância. A maioria dos procedimentos de análise qualitativa organiza-se em torno de categorias. Elas formam refle-

xos da realidade, sendo sínteses do saber em determinado momento. Talvez, por isso, se mo- dificaram ao longo do trabalho.

A categorização é um processo do tipo estruturalista e comporta duas etapas. O inventário, que consiste em isolar os elementos, e a classificação, que é a repartição destes elementos. Para categorizar, empregaram-se os dois processos inversos propostos por Bardin (2011, p.148). Inicialmente foi estabelecido o sistema de categorias, baseado na teoria, mas isto não engessou o sistema de categorias, já que novas categorias emergiram da classificação analógi- ca dos elementos.

Seguindo o que preconiza Bardin (2011, p.148), teve-se o cuidado de elaborar categorias com as seguintes qualidades: exclusão mútua, onde cada elemento ou registro pertence a uma categoria; homogeneidade, já que as categorias foram definidas com base em uma só dimen- são na análise; pertinência, já que as categorias selecionadas dizem respeito às intenções do investigador, aos objetivos da pesquisa às questões norteadoras, etc.; objetividade e fidelida- de, tendo em vista que as categorias foram bem definidas; e produtividade, uma vez que as categorias foram bastante produtivas se os resultados foram férteis em inferências e em dados.

c) Interpretação dos resultados: esta foi a etapa da reflexão, da intuição, da busca para estabelecer relações, verificar contradições, compreender fenômenos. Foi a hora de buscar os sentidos daquilo que os dados tratados revelavam. Levou-se em conta que a interpretação se orienta por diversos polos de atenção, que são os polos de atração da comunicação. Numa comunicação há sempre o emissor e o receptor, os polos de interpretação propriamente ditos, além da mensagem e o seu suporte. Neste estudo, a mensagem foi o ponto de partida da análi- se. Por meio dela, foi possível estudar o conteúdo, os significantes e os significados.

Durante a interpretação dos dados, foi preciso voltar atentamente aos marcos teóricos per- tinentes à investigação, pois eles forneceram o embasamento e as perspectivas significativas para o estudo. A relação entre os dados obtidos e a fundamentação teórica é que deu sentido à interpretação. As interpretações foram realizadas sempre no sentido de buscar o que se escon- dia sob a aparente realidade, o que queriam dizer, em profundidade, certas afirmações, apa- rentemente superficiais.

4.3.2.2 Técnicas utilizadas na análise de conteúdo

Do rol das possíveis técnicas da análise de conteúdo, sugeridas por Bardin (2011), fo- ram empregadas a análise temática ou categorial e a análise estrutural.

A análise temática ou categorial consistiu no desmembramento do texto em unidades e categorias, com o objetivo de descobrir os núcleos de sentido que compunham a comunica- ção.

Já, a análise estrutural, baseada em Lévi-Strauss, procurou revelar, por debaixo da disparidade dos fenômenos, as relações ilegíveis ou diluídas que verificam uma ordem escon- dida. Buscou-se a ordem imutável sob a desordem aparente, o esqueleto ou a ossatura invariá- vel. De acordo com Bardin (2011), por trás da análise estrutural, existe o gosto por desmontar o mecanismo, explicar o funcionamento e reencontrar as mesmas engrenagens ou o mesmo motor e isto foi incessantemente buscado.

Neste sentido, vale lembrar que, por se tratar de uma análise estrutural, para cada ma- terial, para cada código, para cada conteúdo, esperava-se surgir um sentido suplementar pela clarificação de uma sintaxe. As análises de frequência não foram abandonadas porque em uma primeira etapa foram muito úteis, mas elas não estiveram no centro do processo.

Por fim, cabe destacar que, em toda a análise dos dados coletados, buscou-se compre- ender, em função do discurso dos participantes, o lugar que o planejador, gestor ou inovador ocupava no universo dos colaboradores e vice-versa. Além disto, foi importante compreender o lugar em que este mesmo grupo colocou o pesquisador, caracterizando um estilo interativo que exige este tipo de análise.