ILll.2.2 Etude sur un biofilm préformé dans une microplaque
IL 12.3 Evaluation de Vactivité mitochondriale (test MTT)
8 - Que se contratasse um técnico com larga prática de trabalhos em mármore, a quem se confiasse todo o trabalho da serração de Estremoz.
9 - Que se conseguisse, em Lisboa, um agente comercial e um de- pósito de chapa serrada e outros produtos.
10 - Que se entrasse em acordo com o proprietário das pedreiras por detrás do cemitério de Estremoz, a fim de explorar certos mármores brancos e utilizar uma nascente ali existente, para trazer, por meio de canalização e de motor elétrico, água para as pedreiras do Monte de Santo António.
O engenheiro Lisboa de Lima terminava o seu relatório destacando a divulgação que tinha desenvolvido para conseguir obter no estrangeiro colocação para os mármores da empresa, afirmando que tinham um mer- cado assegurado a preços altamente remuneradores. Em fins de 1923, ti- nha-se iniciado a exportação para a Bélgica e para o Brasil, motivo por demais conveniente para que se conseguisse obter no Barreiro um terreno para estaleiro de blocos, para se evitarem grandes demoras e pesados en- cargos nos armazéns dos caminhos de ferro. Os navios não se demoravam no Tejo e a conjugação com o seu transporte a partir de Estremoz era quase impossível, ora chegavam demasiado cedo, ora quando o navio já tinha partido, obrigando a esperar vários dias por um outro navio.
Quanto ao mercado espanhol, este estava circunscrito à importação de Mármores de Carrara por Barcelona, mas a preços que poderiam ser facilmente batidos, colocando-se em Espanha os mármores da empresa com um apreciável lucro.
Contudo, para que uma larga publicidade pudesse resultar, era neces- sário dispor-se sempre de um razoável stock de blocos das várias cores, tipos e dimensões mais procuradas. Um stock não inferior a 900 m3, para que se
tivesse um stock de cerca de 20 m3 a 30 m3 para cada uma das colorações
e cada um dos tipos, pois as encomendas eram sempre feitas com um ca- rácter de máxima urgência e tinham que ser prontamente satisfeitas. Para justificar estava afirmação apresentou, como exemplo, que não há muitos meses, tinha surgido em Estremoz um cliente belga que ali se deslocara propositadamente para comprar 100 m3 em blocos de uma determinada di-
mensão e coloração. A empresa possuía na ocasião apenas 7 m3 do mármore
que o cliente desejava e tendo este adquirido a totalidade, prometeu voltar quando do mesmo tipo se disponibilizasse pelo menos mais 50 m3.
Se o mercado nacional já estava assegurado para o mármore em chapa serrada, brunida e polida, não menos perspetivas oferecia o mercado in-
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PARTE I - A EVOLUÇÃO INDUSTRIAL
ternacional, mercê dos esforços encetados por Lisboa de Lima, que trocou uma larga correspondência com casas estrangeiras negociantes de már- mores e enviou coleções dos vários tipos deste produto para diversas ci- dades da Europa e da América. Procurando alargar o mercado de expor- tação até em África se tentou abrir mercado. Na Sociedade de Geografia de Lisboa, muito visitada por estrangeiros, foi deixada uma coleção de interessantes amostras de mármores da empresa. Estas foram também enviadas para a Feira Internacional de Bordéus e concorreram brilhan- temente na Exposição do Rio de Janeiro de 1922-1923, na qual obtiveram uma medalha de prata e outra de ouro135.
Este engenheiro procurou ainda, sem qualquer encargo para a em- presa, durante uma viagem feita por Espanha, França e Bélgica em março de 1922, publicitar os Mármores de Estremoz e Borba, recolhendo também informações úteis para a sua exportação para estes países. Finalmente, durante a sua estadia no Brasil, em finais de 1922 e princípio de 1923, fez aí igual publicitação, resultando de todos estes esforços o início das exportações, em fins de 1923, para a Bélgica e o Brasil e iniciando-se con- tactos visando a possibilidade de exportar para Marrocos.
A descrição narrada a partir das notas do próprio engenheiro Lisboa de Lima mostra uma empresa pioneira na modernização da exploração destes mármores, na sua estratégia comercial, na necessidade de direcionar os investimentos e no modelo empresarial que procurava implementar. Pese embora o sucesso dos primeiros anos, a firma entrou em decadência a partir de 1924, após uma tentativa falhada de aumento de capital para a aquisição de mais meios para fazer face às encomendas. Situação que levou à saída de Lisboa de Lima da direção técnica, por desavenças com os sócios relativamente à forma de dirigir a exploração, o que acabou por dar origem a um processo contra a própria empresa, na sequência do qual Lisboa de Lima requereu uma indemnização pelo investimento de muitos capitais próprios inclusive de capitais que pedira emprestados para dispor de meios financeiros para aplicar na empresa. Para se defender das acu- sações que lhe eram movidas por má gestão, foi apenso ao processo o relatório que serviu de base à descrição feita acima. Neste texto, consi- derava que os novos diretores estavam a deixar degradar as máquinas e
135 A exposição do Rio de Janeiro de 1922-1923 detêm um especial interesse pelo facto
de o comissário geral ter sido o próprio Lisboa de Lima. Nela promoveu os mármores do Alentejo, pese embora todas as vicissitudes do conturbado processo da participação portuguesa, que só não redundou em fiasco completo pela sua energética atuação, aca- bando contudo por ser afastado a meio do processo e tendo que se defender de acusações várias movidas durante a sua ausência na imprensa portuguesa. Lima, Lisboa. A Verdade
sobre o Comissariado Geral Portuguez na Exposição Internacional do Rio de Janeiro. Lisboa: Tip.