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3.4 Vers le contrôle de la composition et de la morphologie des fils

3.4.4 Impact de l'HCl de la source de gallium

3.4.4.2 Etude des propriétés optiques des nanofils

No século XIV, a transição do modo de produção feudal para o capitalismo mercantil ainda estava de modo prioritário no estágio agrário. Os senhores feudais não investiam em tecnologia e, por causa disso, o aumento da produção agrícola vinha sendo conquistado principalmente pelo desbravamento de novas terras. No entanto, é chegado um momento em que não havia mais terras disponíveis para ampliar o cultivo, sobrevindo a fome. Para piorar, os nobres e os reis aumentaram os impostos, mas simplesmente, a economia feudal não conseguiu mais produzir o suficiente para alimentar a população que crescia cada vez mais.

De acordo com Goff (2008), era necessário expandir os domínios da Europa, e isso se deu concomitantemente com a formulação do ideário do Regime Absolutista, dando surgimento ao Estado Nacional Moderno no século XV. Inicia-se a passagem da Idade Média para a Idade Moderna com o advento do chamado capitalismo mercantil e com as expedições marítimas. Nessa fase, os Estados incentivaram a descoberta e o domínio de novas áreas de exploração econômica por meio do processo de colonização do sul do planeta. Os comerciantes e a nobreza estavam à procura de ouro, prata, especiarias e matérias-primas não encontradas em solo europeu. Novamente vimos se repetir, na era das grandes navegações, a legalização do roubo na transformação de piratas em nobres, com o apoio moral e financeiro dos seus governos “reais.” É bom reconhecer que quando a transferência permanente de riqueza das colônias do sul para os países do Norte se deu através da extração e do comércio de trabalho escravo, já estávamos em pleno sistema de acumulação do capital.9

9 A ideia de expansão dos domínios é sempre atual. John Baxter (2010, p. 26) nos diz que desde 2009 bancos, fundos de investimentos e grandes grupos industriais de Estados e de milionários privados europeus e norte-

No auge do feudalismo o Estado Medieval era descentralizado, ou seja, com diversos centros de poder dispersos. Quem detinha o poder local (nobres, proprietários de terra, alto clero, corporações de ofícios e de mercadores), confiava a representação de seus interesses a uma pessoa sábia, que estivesse habitualmente nos ambientes que cercavam o rei. Bobbio (1994) diz que essa primeira representação política era feita mediante um pagamento pelos serviços prestados, o que deixa clara a natureza particular do interesse que o representante “representa”, pois a causa que defende é a do grupo que o patrocina.

Tal como já dissemos acima sobre a função ideológica da Igreja na “naturalização” das desigualdades sociais, é importante saber também que, além dos “homens da Igreja” serem as poucas pessoas que sabiam ler, a Igreja era dona de vastos feudos, muitos deles recebidos de nobres que deixaram seus dotes em testamento para ela, por causa de sua fé cristã. Com isso, os altos postos eclesiásticos eram preenchidos por filhos da nobreza, de maneira que a coroa, a cúpula da Igreja, os nobres e os intelectuais pertenciam à mesma classe dominante.

No século XVII aconteceram avanços na agricultura, como a implantação de charruas e uso de técnicas de irrigação para aumentar as colheitas. As descobertas tecnológicas oriundas do uso do vapor permitiram o crescimento da produção, estimulando ainda mais o desenvolvimento econômico. Muitos feudos começaram a produzir excedentes, ou seja, mais do que precisavam para manter sua sobrevivência física. O excedente produzido era vendido e, com o dinheiro obtido, compravam-se outros produtos, vindos de outras regiões. O uso das moedas10 fez com que o os mercadores se reunissem em grandes feiras para trocar mercadorias, informações e acumular dinheiro. Os lugares de realização dessas feiras medievais se tornaram tão permanentes que deram origem aos burgos e futuras cidades. Elas se localizavam à margem da unidade feudal, habitando uma região externa. Ali passaram a americanos, convencidos de obter grandes lucros, estão investindo em compra de terras férteis na África para a produção de monoculturas de alimentos e biocombustíveis, exclusivamente para exportação. Os investidores estrangeiros assinam acordos vantajosos sem que os lideres africanos consultem os respectivos parlamentos, de maneira que a África não tem imposto condições aos investidores estrangeiros que sejam favoráveis aos seus pais tais como desenvolvimento da infra-estrutura ou a reserva de pelo menos metade da colheita para os mercados locais. “Quando a comida é escassa, os investidores procuram um Estado fraco que não imponha suas regras”, comentou cinicamente Philippe Heiberg, presidente do banco nova-iorquino Jarch Capital (BAXTER, 2010, p.26).

10 Com a necessidade de trocar o que sobrava pelo que faltava, o homem criou desde cedo uma mercadoria de referência, para facilitar as transações. Assim, no estágio do capitalismo agrário em Roma, o boi, o sal, o fumo e outras “commodities” serviram com moedas. “Boi” em latim é “pecu”, de onde vieram os termos “pecúnia” = dinheiro, “pecuniário”, “peculato” etc. e o sal deram origem à palavra “salário”. Entretanto, os metais (e principalmente o ouro por ser mais raro) se impuseram como mercadorias ideais para serem usadas como moeda, pelo fato de serem indestrutíveis (um boi morre, uma moeda não); inalteráveis (não se desgastam com facilidade); homogêneas (duas moedas são iguais entre si, enquanto bois são sempre diferentes); portáteis

(podem ser carregadas no bolso); divisíveis (é possível fabricar meia moeda, para servir de troco) e escassas (a

viver a maioria dos comerciantes e artesãos que vendiam ou faziam as mercadorias que os nobres tanto apreciavam.

A burguesia medieval implantou uma nova configuração à economia europeia, na qual a busca pelo lucro e a circulação de bens a serem comercializados em diferentes regiões ganharam maior espaço. Com a escassez do trabalho escravo, decorrente do crescimento da vida econômica e aumento da população absoluta, passaram os cidadãos romanos a fazer uso do arrendamento dos serviços de escravos alheios e, gradualmente, a locação de serviços passou a ser exercitada também por homens livres das classes mais baixas (OLEA, 1984, p. 80).

Como vimos, havia dentro dos feudos a prática rudimentar do artesanato, que não era, entretanto, especializada por ofício, sendo ainda usualmente combinada com a prática da agricultura. Quando, porventura, necessitavam de trabalho mais elaborado, os camponeses recorriam aos artesãos ambulantes, acostumados a oferecer seus trabalhos de casa em casa. Encontravam-se artesãos ambulantes especializados no ofício de moleiro, tintureiro, oleiro, carpinteiro, ou ainda praticantes de uma “cirurgia elementar” (OLEA, 1984, p. 14). De acordo com Moraes Filho (1998, p. 17), os artesãos funcionavam como uma autêntica empresa familiar que utilizava de aprendizes que, depois de decorrido o tempo necessário para o aprendizado, vendiam sua força de trabalho ao mestre artesão, mesmo sendo os idealizadores e executores do seu trabalho. Eles compravam a matéria-prima dos camponeses para atender a encomendas particulares e vendiam em seguida o produto aos seus clientes, já acumulando excedente em capital financeiro. Os artesãos avançaram técnica e politicamente, pois, com o intuito de se protegerem mutuamente, evitando a concorrência desleal e regulamentando o exercício da profissão, os artesãos criaram as corporações de ofício, que uniam profissionais especializados em determinada arte e mecanismos de controle do exercício profissional (OLIVEIRA, 1995, p. 62-63).

A cidade e o campo foram especializando suas atividades econômicas. Ou seja, enquanto o campo se dedicava principalmente à agricultura e à criação de animais, as cidades começaram a concentrar os artesãos e comerciantes. Diversas foram as causas, diretas ou indiretas, que concorreram para o desenvolvimento das cidades. Enumeram-se, dentre as mais relevantes: o aumento dos excedentes agrícolas, principalmente por conta do desmatamento dos bosques, do cultivo dos terrenos desmatados e do desenvolvimento das técnicas para a agricultura; o aumento populacional experimentado por conta de causas diversas, dentre elas o fim do escravismo estrito e os períodos que se seguiram sem guerras, como já citamos

acima, e, ainda, a superação dos efeitos desencadeados pelas epidemias da peste do século VIII (OLEA, 1984, p. 97).

O aumento gradativo da população, associado ao desenvolvimento dos meios de

transporte – carroças, pontes, embarcações resistentes e maiores – e a criação dos primeiros meios de comunicação propiciaram o crescimento da classe mercantil. Já não se limitava a troca aos mercados locais, estendendo-a a mercados cada vez mais distantes. Desenvolvia-se, consequentemente, o poder da classe antes intermediária do comerciante. A distribuição da mercadoria separava-se da sua produção e se fortalecia como processo econômico autônomo (MORAES FILHO, 1998, p. 20).

A prática comercial experimentada imprimiu uma nova lógica econômica na qual o comerciante substituiu o valor-de-uso das mercadorias pelo seu valor-de-troca, deixando de julgar o valor das mercadorias com base na sua utilidade e demanda, ou seja, o valor foi perdendo referência ao objeto físico. Uma mercadoria específica ganha destaque por simbolizar essa própria circulação: o dinheiro.

É dinheiro a mercadoria que serve para medir o valor e, diretamente ou através de representante, de meio de circulação. Por conseguinte, ouro (ou prata) é dinheiro. [...] Desempenha o papel de dinheiro diretamente ou por meio de representante, quando configura com exclusividade o valor ou a única existência adequada do valor-de-troca das mercadorias, em oposição à existência delas como valores-de-uso. (MARX, 1988, p. 144).

Essa primeira fase do capitalismo, conhecido como capitalismo comercial, mercantil ou pré-capitalismo, estendeu-se do século XVI ao XVIII. Nesse contexto, podemos identificar as seguintes características capitalistas: busca do lucro; uso de mão-de-obra escrava e assalariada; moeda substituindo o sistema de trocas; instituição de relações bancárias; fortalecimento do poder da burguesia; e desigualdades sociais. Foi nessa época que os continentes americano e africano passaram a integrar uma economia mundialmente articulada aos interesses das poderosas nações europeias. Além de possibilitar uma impressionante acumulação de riquezas, o capitalismo mercantil criou uma economia de aspecto concorrencial, através da qual as potências econômicas buscavam acordos, implantavam tarifas e promoviam guerras com o objetivo de ampliar suas perspectivas comerciais. Aliado ao poderio militar da nobreza, os burgueses passaram a contar com o fomento político para dominar novos mercados, regular impostos e padronizar moedas. No entanto, a relação harmônica entre a burguesia e os monarcas ganhou uma nova feição na medida em que a

manutenção dos privilégios da nobreza se transformava em um empecilho ao desenvolvimento burguês.

Foi nesse período que os princípios da filosofia iluminista defenderam uma maior autonomia das instituições políticas e criticaram a ação autoritária da realeza, dando início à convulsão sócio-política que ganhou espaço na Inglaterra do século XVII. Na ilha britânica observamos a primeira experiência de limitação do poder real em favor de uma maior autonomia da economia, processo desencadeado durante a Revolução Inglesa. A ciência moderna contribuiu significativamente para a vitória do Iluminismo, limpando o terreno para o desenvolvimento prático da Revolução Industrial. Em consequência disso, nasceu um novo tipo de relacionamento entre ciência, tecnologia e indústria que sustentou a realização das potencialidades produtivas da sociedade em uma extensão anteriormente inimaginável.