CHAPITRE I - INVENTAIRE DES DÉCHETS PAR NATURE, QUANTITÉ ET ORIGINE
4. DÉCHETS D’ACTIVITÉS ÉCONOMIQUES NON DANGEREUX NON INERTES (DAE)
4.1 Estimation du gisement de DAE hors assimilés
Outra forma de entender a EPT, identificada entre os professores entrevistados foi a que estabelece a formação dentro da perspectiva da atuação responsável. Entendemos que aspectos citados nas falas, como: “compromisso” e “condições de dar uma contribuição positiva”, por exemplo, não estão vinculados àquela ideia reducionista, que defende a EPT como formação para o mercado, exclusivamente.
Nas falas dos professores P4, P5 e P7 foram identificados pontos que sugeriram um enfoque de superação da perspectiva que adapta a formação profissional ao mercado de trabalho e à instrumentalização técnica. Nessa outra perspectiva, por exemplo, o foco está em uma formação centrada na ética e na preocupação com um trabalhador que atue responsavelmente no mundo do trabalho. A fala do professor (P4) reforça esse argumento:
O técnico em Controle Ambiental? Ele é o ator principal dessa história. Onde ele for atuar, seja numa empresa privada, seja num órgão público, ele tem o compromisso e o dever, nessa instituição, de zelar pelo meio ambiente [...] (P4).
Ao dizer que o técnico “[...] tem o compromisso e o dever nessa instituição de zelar pelo meio ambiente [...]” o professor entrevistado manifesta sua convicção de que o técnico é mais que um mero executor de tarefas e de analista de água e esgoto. O docente demonstra sua preocupação com um atuar comprometido e mais responsável por parte do técnico, pois, em sua opinião, este teria dever de zelar pelo meio ambiente, promovendo melhores condições sanitárias e ambientais também no meio em que está inserido.
Carleto (2009), pesquisando a atuação de engenheiros e tecnólogos, cujos pressupostos se adequam à formação dos TSA/CA, aponta aspectos que possibilitam o enfrentamento dos problemas e desafios relacionados à responsabilidade social dos tecnólogos e engenheiros. São eles: a definição das prioridades para fazer frente às carências da população; a atitude em face de formas de conhecimento não assimiladas pela ciência ocidental; as mudanças na formação técnica e os modelos de comunicação do conhecimento científico. Todos esses pontos levantados por Carleto (2009) favorecem reorientar as relações ciência/sociedade, potencializando o complexo científico-tecnológico para, por meio da atuação dos técnicos formados na perspectiva crítico-transformadora, responder mais adequadamente as expectativas e necessidades do mundo em transformação.
Essa preocupação com o comprometimento profissional do técnico também aparece na resposta do professor (P5). Mas esse docente centraliza seu argumento na atuação do técnico nos processos de saneamento da esfera municipal, pois:
[...] se o município tiver um técnico de controle ambiental ele tem condições de promover uma coleta seletiva do lixo, ele tem condições de orientar aquele pessoal que cata, para ter um aproveitamento econômico do lixo, ele tem como orientar a empresa, concessionária que faz a retirada do lixo, no sentido de dar destino
correto, mesma coisa em relação ao sistema de esgoto, então o técnico realmente tem condições de dar uma contribuição bastante positiva (P5).
Embora em seu depoimento o docente expresse a importância conferida a uma atuação responsável, por parte do profissional Técnico, percebemos que ele a reduz às atividades de saneamento básico: coleta seletiva, aproveitamento econômico do lixo, sistema de esgoto, o que expressa uma visão pouco abrangente do trabalho do TSA/CA. De acordo com Menezes (1984) as ações implementadas numa concepção de saneamento básico, ainda que importantes, são limitadas porque acabam conferindo atenção especial apenas à contenção dos patogênicos e seus vetores.
O professor também menciona o papel do Técnico de orientar os catadores de lixo, porém se referindo apenas à questão do aproveitamento econômico do material a ser reciclado. De acordo com as discussões de Guimarães (2008) e Brügger (2004) essa orientação proposta pelo professor (P5), que parece trabalhar somente com a possibilidade de geração de renda, necessitaria de outro enfoque. A reciclagem, segundo esses autores, é uma ação que precisa ser problematizada e articulada àquilo que a define, como estilos de vida, padrão de consumo e de produção, por que se, assim não for, pode até estar servindo para ampliação da acumulação capitalista e não para a transformação das condições de vida dos catadores.
Já a fala do professor (P3) parece revelar um entendimento diferenciado, pois traz à tona termos expressando preocupações com a legislação, conscientização ambiental e um maior envolvimento profissional, elementos importantes a uma formação e atuação crítica:
Dentro da legislação eles têm que defender os princípios do saneamento básico, e aí quando se trata de efluentes, entendo que ele coloca que a gente tem que se envolver - o profissional... Defender a conscientização ambiental dentro da própria indústria (P3).
Porém, ao declarar que os técnicos “[...] têm que defender os princípios do saneamento básico [...]” o entrevistado nos revela ainda estar presa a uma visão restrita de
saneamento, entendida apenas como prestação de serviços e ações voltadas à contenção de patogênicos e seus vetores (COSTA, 1994; MENEZES, 1984). Como já discutido anteriormente, essas ações são importantes, mas se a formação do TSA/CA se limitar ao aprendizado destas, pouco estaremos contribuindo para uma formação crítico-transformadora, mas apenas a uma atuação responsável às demandas das empresas e indústrias, como se refere o entrevistado. Atuar de forma responsável visando à transformação incluiria pensar o saneamento também numa perspectiva mais abrangente, que envolvesse a promoção de saúde.
Nos depoimentos dos professores entrevistados, todavia, notamos que a atuação responsável se refere a uma perspectiva individualista para o enfrentamento da questão ambiental. Guimarães (2004) faz um alerta que pode ser contemplada quando o problema for a visão de EPT. O autor assegura que o objetivo final do processo educativo não deve ser individual, como se, individualmente, fosse possível transformar a realidade social. A atuação individual, mesmo que responsável, é importante apenas quando associada à compreensão de que a individualidade é impotente em face das estruturas de poder historicamente consolidadas.
Assim, atuar responsavelmente, num sentido crítico- transformador, prevê que as decisões humanas não sejam meras opções pessoais, ou mesmo somente de caráter técnico- científico, mas também estejam embasadas por princípios e compromissos sócio-históricos bem definidos. Dessa forma, os aspectos que favorecem a responsabilidade estariam relacionados às decisões coletivas.