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Como foi possível concluir, os alunos vêem grandes vantagens na utilização das redes sociais para o designer contemporâneo. Os alunos afirmam que hoje em dia o apoio nestas redes é quase imprescindível, privilegiando a partilha de conhecimento que estas plataformas possibilitam. Sendo o Design uma atividade em crescimento e muito recente em Portugal, a maneira de contactar com trabalhos, profissionais e outros artistas do mundo inteiro é através destas plataformas.

Várias empresas e instituições partilham notícias nas redes sociais, permitindo ao designer seguir os seus recursos e projetos através destas plataformas, contribuído para a expansão de conhecimento. Segundo os alunos, estas redes permitem ao designer procurar inspiração, autopromover-se, partilhar

e expandir conhecimentos, contactar com colegas e profissionais. Tal como afirmado por Surowiecki (2004) as redes sociais fazem uso da inteligência coletiva, permitindo aos utilizadores a busca desta inteligência para assim tomarem decisões e resolverem problemas com mais eficácia e segurança.

Tudo isto pode ser feito através de um “clique” fazendo das redes sociais a forma mais rápida e fácil de experienciar tudo isto. Num mundo em que estamos ligados através da internet, a partilha de conhecimentos e a comunicação com outros nunca foi mais fácil, e sendo o Design uma disciplina onde o contato com outros e o feedback é essencial para a aprendizagem e evolução do designer e do próprio design, esta ferramenta torna-se vital para o sucesso de um determinado produto ou serviço.

O processo de design é algo complexo e difícil de entender. Sabemos que ele acompanha o designer desde o primeiro

momento em que este aceita o desafio de encontrar uma solução para um problema proposto, até à sua “conclusão”.

O número de fases poderá variar, dependendo da metodologia do designer, mas todas têm a mesma essência: ajudar o designer no desenvolvimento de uma resposta criativa

e eficaz. Concluímos que a grande maioria dos alunos tem a noção da existência de uma metodologia de trabalho e que o ensino e a própria experiência do aluno contribuem para o desenvolvimento dessa consciência.

Sendo assim, a fase conceptual, aquela que arranca o processo, é a mais importante e a que mais tempo exige. É neste momento em que duas classes de designers se pronunciam: aqueles que estão mais focados na solução e que a sua primeira preocupação é a procura de várias soluções possíveis, e aqueles que procuram analisar e perceber o problema. Concluímos ainda que os alunos estão mais motivados para a pesquisa nas redes sociais como uma primeira abordagem ao problema, ressaltando daí que a maioria está mais focada na solução. Esta consulta das redes sociais é utilizada pela grande maioria dos alunos assim que iniciam o seu processo de design.

Chegámos à conclusão que a rede preferida pelos alunos é o Pinterest, dada a sua compilação de conteúdos de várias áreas, permitindo a partilha de conhecimentos diversificados. O seu layout simples e intuitivo confere-lhe facilidade de navegação. Para além disto, esta plataforma permite a exposição de trabalhos e a criação de grupos de partilha.

Dada a natureza subjetiva da palavra criatividade existe uma grande dificuldade em percebê-la por completo, mas como pudemos verificar, os alunos identificam características comuns de designs criativos através da observação de soluções

já existentes, baseando-se nestas para avaliar as suas próprias soluções.

Tal como foi referido anteriormente, a própria avaliação do aluno não é objetiva, e poderá ser influenciada por fatores extrínsecos e intrínsecos, mas até existir uma maneira mais eficaz de estudar a criatividade, esta pode ser vista como mais um contributo para a evolução da sua compreensão.

Concluímos que a utilização das redes sociais tem influência no processo de design de duas formas:

Primeira, quando o aluno tem consciência das limitações destas redes, elas revelam-se uma ferramenta potenciadora do processo de design; Segunda, quando o aluno se afunda na sobrecarga de informação disponível nestas redes, poderá prejudicar o seu processo de design.

Em relação à primeira, a utilização destas redes parece facilitar o desenvolvimento da resposta ao problema em mãos.

Dada a quantidade de soluções existentes para problemas da mesma natureza, isto permite aos alunos terem uma fonte de referência e um ponto de partida. As redes sociais permitem a aceleração do processo conceptual permitindo ao aluno criar ligações entre problemas e soluções, no que poderia ser um processo mais demorado e analítico.

Como pudemos verificar, as redes sociais parecem substituir a partilha de conhecimento quando a natureza do trabalho é individual, e como foi referido, grupos de pessoas são melhores a tomar decisões e a resolver problemas. Por esta razão, os alunos sentem-se mais seguros a consultar fontes onde existe um universo de partilha em que se podem apoiar. São por isso, um elemento claramente facilitador. Esta possibilidade que as redes sociais oferecem permite a aceleração do processo de design, criando uma base de informação que possibilita aos alunos expandir os seus horizontes e regressarem a estas fontes sempre que se deparam com novos problemas.

No que respeita à segunda, as redes sociais poderão atrasar o processo de design se o tempo da sua utilização não for limitado. Contudo verificámos que os alunos parecem estar conscientes deste facto, referindo que a utilização excessiva destas, e a exposição à sobrecarga de informação disponível nestas plataformas, poderá fazê-los perder a noção da realidade e deixarem-se influenciar pelo universo que elas representam, impedindo-os de ver para além do mundo digital.

Eles vêem as redes sociais como uma ferramenta que os ajuda no seu processo de design, sem perder a noção da importância da interação com o mundo real.

Apesar de não termos evidências suficientes que respondam na totalidade a questão central de investigação, podemos referir que a consulta destas redes só por si, parece não ser decisiva para a criatividade do resultado final. A forma como os alunos apreendem e utilizam esta informação que lhes é disponibilizada é uma decisão inteiramente pessoal, e fatores como experiências pessoais, motivações, personalidade e valores determinarão a finalidade da utilização da informação adquirida.

Com a finalização deste documento, chegámos à conclusão de que as redes sociais são uma poderosa ferramenta para a criatividade do aluno quando utilizadas com a devida consciência e rigor. Contudo, para o aluno menos avisado, as redes sociais poderão atrasar ou comprometer o seu processo criativo, se este não souber equilibrar e distinguir o mundo digital do mundo real. Assim, sendo, e como muitos teóricos propõem, a utilização destas redes sob a consulta de um docente/ professor poderia ser vista como uma mais-valia para o processo do aluno. Com a manutenção de um professor, o qual estipulava um determinado período para a realização da pesquisa em aula, os alunos poderiam aprender a potenciar o seu processo criativo, através da exposição a novas técnicas e artistas.

Tudo isto poderia ser executado em grupo e enquadrados por ele. Os professores poderiam ainda combinar reuniões ou conversas online com profissionais na área do Design ou escolas que lecionam design, para que os seus alunos pudessem discutir ideias ou receber feedback instantâneo sobre uma determinada ideia para um projeto. Através da supervisão do docente, o feedback seria construtivo e não destrutivo como é frequente acontecer nas redes sociais, quando existe demasiada liberdade de expressão e em que o retorno de informação não é regulado. Estes procedimentos ajudariam também o aluno a entrar em contacto com o mercado de trabalho, pois existem inúmeras plataformas como o 99design que publicam concursos abertos ao público onde qualquer um pode participar, dando uma noção da competitividade do mercado do trabalho, tornando o aluno consciente da relação designer-cliente.

Como foi referido no início deste documento, falta pôr em prática um mesmo tipo de metodologia no campo profissional. O próximo passo seria perceber como utilizam os profissionais, na área do Design, as redes sociais.

Este estudo seria de extremo interesse, pois permitir-nos-ia fazer uma comparação entre os alunos que se estão a formar para se tornarem profissionais, e os experientes na área, para perceber se com a experiência adquirida de anos de trabalho, estes estão mais cientes da influência das redes sociais no seu processo de design. Uma outra questão que se nos coloca é a seguinte: Será que a existência destas redes sociais gera diferenças

relativamente aos designer atuais e aos do passado? Será que por terem nascido numa era de grande desenvolvimento tecnológico, os “novos” designers dependem da utilização das redes sociais contrariamente ao que acontece com os profissionais mais maduros? E será este especto limitador do génio criativo, ou pelo contrário, um estimulante?

Seria também de grande contributo para o entendimento do próprio processo de design mergulharmos no contexto profissional dos designers experientes, pois como

Dorst (2004, s.p.) afirma:

“para perceber o porquê de um designer abordar uma situação problemática de uma certa maneira, temos que nos virar para um modelo de design experiente. É onde podemos encontrar todos os elementos que necessitamos para uma descrição aprofundada do comportamento problema-solução. Os níveis de experiência têm o poder de descrever a maneira como os designers, procuram, interpretam, estruturam e resolvem problemas de design.” 26

Desmontar o processo complexo do design, acima de tudo um processo mental na sua origem, seria muito interessante, utilizando o método de Engenharia Reversa.

Em vez de seguirmos a sequência problema-solução, partiríamos da solução para compreendermos a origem da inspiração do designer.

Uma última recomendação no que toca ao estudo da criatividade e como esta poderá ser influenciada pelas redes sociais seria de prosseguir com a investigação iniciada neste documento, uma vez que devido à metodologia de investigação escolhida na fase de recolha de dados qualitativos, fomos limitados em chegar a conclusões concretas quanto à real influência das redes sociais na criatividade do resultado final. Assim, recomenda-se que um futuro estudo inicie o seu processo com dois grupos de alunos distintos: aqueles que consultaram as redes sociais e aqueles que não o fazem, no âmbito de Projeto. Isto permitirá uma comparação mais equilibrada, resultando em conclusões mais fundamentadas.

Segundo Mougenot, Bouchard e Aoussat (2008) este tipo de abordagens teria um grande impacto na forma como as ferramentas computacionais como apoio criativo são desenvolvidas, e guiaria os alunos de design na procura de fontes de informação e inspiração realmente enriquecedoras.

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