L'art et la manière d'être aux mondes
2.3. Confrontation des mondes
2.3.3. Interlocution et contextualisation
2.3.3.3. En regard du contexte
A partir da reorganização da Federação Argentina de Unidades Acadêmicas de Trabalho Social - FAUATS nas décadas de 1980 e 1990, a organização política acadêmica profissional passou por períodos de avanços e retrocessos na orientação da formação profissional, no sentido de realizar e facilitar intercâmbios e debates profissionais do currículo.
A inquietação com o currículo e com a direção da formação profissional se constitui interesse particular tanto da FAUATS como das próprias unidades acadêmicas de Trabalho Social. Enquanto, na década de 1980, a FAUATS se reorganizava e a „normalização universitária‟ promovia a normalização das profissões. Na década de 1990, a capacidade de mobilização profissional das organizações políticas de Trabalho Social (FAUATS como Federação Argentina de Associações Profissionais de Serviço Social- FAAPSS) viu-se novamente alterada. A orientação teórico-política dos dirigentes profissionais e das unidades acadêmicas da profissão estava vinculada às diretrizes do processo de privatizações, de precariedade de trabalho e demissões massivas dos trabalhadores na época do „menemismo‟.
Por isso, a paralisia da possibilidade de mobilização levou a um processo de devastação das organizações políticas da profissão; ainda que, especificamente, a FAAPSS tenha contribuído na organização do Comitê MERCOSUL e o Comitê de Ética Internacional da Federação Internacional de Trabalhadores Sociais (FITS). Já no século XXI se produz uma reativação da organização política, contribuindo especialmente aos debates curriculares216.
Desta forma as transformações da universidade argentina, nesse processo socioeconômico e político e de estagnação da organização política acadêmica tiveram grandes influências na formação profissional de Trabalho Social. Neste processo penetraram com intensidade deformações teóricas, práticas focalizadas e uma movimentação institucional de limitados horizontes teórico - críticos nesta profissão217.
A gênese da profissão de SS/TS na Argentina teve uma trajetória vocacional e não registrou um reconhecimento histórico da natureza de profissão assalariada. Os antecedentes desta posição teórica foram fornecidos a partir das contribuições teóricas da profissão no Brasil. É Marilda Iamamoto, em 1982, quem vai defini-la como profissão inserida na divisão social e técnica do trabalho, como um saber especializado e como resultado do processo histórico das relações e das necessidades da sociedade de classes. Sustenta que “o Serviço Social só pode afirmar-se como prática institucionalizada e legitimada na sociedade ao responder a necessidades sociais derivadas da prática histórica das classes sociais na produção e reprodução dos meios de vida e de trabalho de forma socialmente determinada” (IAMAMOTO e CARVALHO, 2008, p. 16).
A primeira experiência de intercâmbio com as discussões de uma formação histórica e crítica e da profissão assalariada na Argentina se encontra no convênio da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP - Brasil com a Escola de Trabalho Social da Universidade de La Plata para o desenvolvimento da pós-graduação nesta Escola em 1995. Por outro lado, a disputa profissional pela direção política das FAUATS foi outro fator importante para a vinculação do projeto ético-político do Serviço Social do Brasil com os
216 Para o aprofundamento desta temática, o desenvolvimento das organizações políticas dos Trabalhadores
Sociais e da formação, conferir minha dissertação de Mestrado, intitulada “A organização política dos Trabalhadores Sociais da Argentina e da Província de Neuquén: as resistências entre as „contra-reformas‟ estatais e as lutas da classe trabalhadora”, UFPE, 2010.
217
Nas conclusões elaboradas pelas Coordenadoras do Encontro Acadêmico Nacional da FAUATS de 1995 com eixo “A Especificidade do Trabalho Social e a Formação profissional”, Nora Aquín e Margarita Rozas “ratificam que o coletivo profissional se constitui numa “colagem”, no sentido das discussões dicotômicas: prática/teoria, ser/dever ser; fazer/conhecer; intervir/investigar; academia/exercício, tudo mediado por um versus” (ROZAS, AQUIN, 2010 p. 85).
novos debates argentinos. A disputa da direção acadêmica se aprofundou no período da crise sociopolítica argentina no início do século XXI (anos 2000 e 2001). Os questionamentos sobre os rumos dos Trabalhadores Sociais e a formação diante do agravamento social da classe trabalhadora, o aumento crescente do desemprego e da flexibilização e a precarização do trabalho que atingiram os Trabalhadores Sociais possibilitam uma tendência de crítica em relação à função social da profissão.
No início do século XXI a FAUATS realizou diversos encontros acadêmicos nacionais218, particularmente, relacionados aos processos de reforma curricular e de orientações curriculares comuns para a formação acadêmica219. A entidade identificou na Argentina “a heterogeneidade curricular como uma dificuldade, pela implementação da Lei de Educação Superior durante a década de 1990 ao gerar uma reconfiguração das instituições de educação superior universitária e não universitária”. Neste sentido, “a proposta que se tem é trabalhar a partir de referências das diretrizes curriculares básicas ou comuns que contém a diversidade, a partir de uma matriz de identidade comum, e para isso, a estratégia escolhida tem sido a via curricular”220.
Nos avanços destes debates, o Documento Nº 3 da FAUATS “Fundamentos para uma proposta de diretrizes curriculares básicas para as carreiras de Trabalho Social da República Argentina”221
requisitou a existência de “uma aspiração da formação de Trabalhadores Sociais na Argentina de perfil profissional crítico, com capacidade de analisar a complexidade da realidade social, superar o imediato, desenvolver o sentido propositivo e a procura da autonomia relativa; e que a ética fosse o fundamento do que fazer pela defesa dos direitos
humanos, sociais, econômicos, culturais e políticos” (2008, p. 3).
O conteúdo destes documentos considerava que “as orientações curriculares básicas fossem entendidas como um conjunto de diretrizes que estabelecessem uma base comum, que supunha a construção coletiva de um projeto profissional coletivo, no nível nacional para os cursos de graduação de TS/SS, a partir do qual cada Unidade Acadêmica elaborava seu Plano
218 Luján, 2004; Rosário, 2005; Mar del Plata, 2006, Santa Fé, 2007.
219 Documento Nº 3 “Fundamentos para uma proposta de lineamentos curriculares básicos para as carreiras de
Trabalho Social da República Argentina”, 2008.
220 Documento Nº 2 de debate, Maio 2007, elaborado pela Comissão Diretiva de FAUATS.
221
Comissão Redatora: integrada pelas docentes Pilar Fuentes (Universidad Nacional de La Plata - UNLP), Carolina Mamblona - UNLP, Melisa Campana - Universidad Nacional de Rosario - UNR e María Eugenia Garma - UNR.
de Estudos”222
. A gênese destas discussões teórico-metodológicas profissionais e do método de conhecimento da realidade social está na legitima e necessária relação profissional dos debates contemporâneos continentais, a partir da própria crise do sistema social que aprofunda a desigualdade social.
Na Argentina, a formação acadêmica profissional no nível de graduação de SS/TS (Licenciatura) é generalista e se ensina em 29 Universidades, com mais de 25.000 alunos. Só sete (7) universidades têm programa de pós-graduação de/ou com menção em Trabalho Social (OLIVA et. al., 2009). Esse nível de graduação de Licenciatura223, com planos de estudo de cinco anos – majoritariamente -, outorga diplomas universitários nacionais e sua expansão se dá após ditadura, a partir de 1984. Por outro lado, existem cursos e diplomas de Assistente Social/Trabalhador Social de institutos terciários não universitários, principalmente na Província de Buenos Aires. Segundo o diretório de Unidades Acadêmicas da FAUATS, existe
222 A) As diretrizes são:
I. Flexibilidade da organização dos planos de estudo que favoreçam a dinâmica curricular II. Indissociabilidade entre as dimensões de ensino, investigação e extensão.
III. A intervenção como eixo que articula a formação, reafirmando a unidade conhecimento-ação.
IV. As dimensões teórico/metodológica, ético/política e operativo/instrumental se reconhecem como transversais a formação.
V. O pluralismo como fundamento da vida acadêmica e profissional, o qual implica fixar acordos em relação ao sentido dos conceitos, o debate entre as varias tendências teóricas e ao mesmo tempo aportar a uma orientação clara dos planos de estudo.
VI. O desenvolvimento da articulação entre graduação e pós-graduação.
VII. A formação de formadores no contexto pedagógico particular do ensino do Trabalho Social, o que significa impulsionar, de forma permanente, a capacitação docente e promover o acesso aos cargos docentes via concursos.