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Dynamique dans le mod`ele simplifi´e

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 33-38)

2.4 Mod`ele simplifi´e int´egrable des r´esonances

2.4.5 Dynamique dans le mod`ele simplifi´e

Quando o assunto é direcionado aos projetos implementados por iniciativa dos próprios moradores, no decorrer do trabalho de campo com as entrevistas e visitas aos empreendimentos desenvolvidos, ficava cada vez mais nítida a capacidade de articulação e negociação desses moradores.

Em realidade essa prática começou em meados dos anos de 1970, com a fundação do primeiro Grupo de Revenda na comunidade do Prata por iniciativa dos dois agentes pastorais. De acordo com as informações de vários moradores, desde aquela época até os dias atuais, foram realizados vários projetos comunitários, ora por iniciativa individual de empreendedores locais que posteriormente levavam as discussões para as associações de moradores, outras vezes tendo à frente o sindicato rural. Nem sempre os projetos conseguiam o resultado esperado. Mas nunca desistiram de continuar buscando em conjunto a solução para as dificuldades enfrentadas por eles.

O acesso à energia elétrica conseguido via micro central hidrelétrica é um exemplo de como os moradores do Eixo, independentemente das obstáculos, buscaram alternativas até solucionarem esse problema.

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Veja o depoimento de Dona Maria Iva, página 123. 91

A placa de inauguração do empreendimento, conforme mostra a figura 23, além do nome da associação informal, Hidrelétrica Sociedade Comunitária Açaizal – São Raimundo, expressa também a grande movimentação que teve que ser articulada para conseguir auxílio de instituições públicas e privadas. O apoio das instituições públicas se deu por meio da disponibilização de maquinários, porém sem o custeio do combustível. Com o setor privado foi negociado descontos financeiros sobre o material comprado.

Figura 23 - Placa de inauguração da MCH

Fonte: Youssef Filho, 2012.

A implementação da MCH foi um dos primeiros episódios descritos nesta pesquisa. Faltou acrescentar que a mobilização nesse caso partiu de dois moradores, um da comunidade São Raimundo adepto à crença evangélica e outro de Açaizal que professa o catolicismo. Nos povoados do Eixo Fé em Deus – Prata, apesar de a política religiosa ter sido responsável pela configuração espacial da região, isso nunca se constituiu em impeditivo para o desenvolvimento de projetos comunitários92.

Outra dificuldade enfrentada pelos moradores da região está relacionada à formação profissional dos filhos. Ao terminar o ensino fundamental restavam aos

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pais duas opções: enviar seus filhos para morar e estudar em Santarém, sendo que muitas vezes os jovens não mais retornavam para suas comunidades; ou incentivá- los a encerrar os estudos e se casar. Para os pais, a implantação de uma escola na região, cujo ensino fosse direcionado à agricultura familiar amenizaria esses problemas.

É nesse contexto que surgiu a Casa Familiar Rural de Belterra. A função principal das Casas Familiares é a qualificação profissional dos alunos, considerando-se as novas tecnologias para a produção agrícola com baixo impacto ambiental.

A CFRB nasceu dos esforços coletivos da Associação dos Produtores Rurais de Boa Esperança e Fé em Deus e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Belterra com apoio da Prefeitura Municipal de Belterra.

As vagas desse centro educacional foram divididas equitativamente para atender alunos de duas realidades distintas. Trinta vagas para os ribeirinhos e indígenas que vivem na Floresta Nacional do Tapajós e trinta vagas para os pequenos agricultores da região do Planalto que inclui o Eixo Fé em Deus – Prata e localidades circunvizinhas.

A escola proporciona o ensino médio integrado à agricultura familiar. A base pedagógica é a alternância, onde os alunos de ambos os sexos permanecem quinze dias na escola em regime de internato e os outros quinze dias aplicando e disseminando junto aos familiares o aprendizado do período anterior e assim sucessivamente. Devido às diferenças culturais dessas duas regiões, a grade curricular teve que ser adaptada para atender os diferentes anseios de cada categoria. Assim na quinzena em que os alunos da Flona estão em suas comunidades praticando o aprendizado, os alunos do Planalto estão na escola. Mas há momentos em que as duas turmas se encontram e interagem entre si. A duração total do curso é de três anos.

A manutenção da CFRB é dividida entre os pais dos alunos e a Prefeitura Municipal de Belterra. À prefeitura cabem os salários dos professores, demais colaboradores e manutenção da infraestrutura. A alimentação de todos os colaboradores da escola, assim como dos alunos é responsabilidade dos pais. Os alunos da Flona colaboram com 50 kg de peixe semanal, pescados por eles e seus familiares. A própria escola já produz galinhas, ovos e hortaliças que também são usados na complementação alimentar.

A Escola Familiar Rural de Belterra foi inaugurada no dia 05 de março de 2011. Está localizada estrategicamente na comunidade do Prata e representa o conjunto de esforços dos moradores locais para capacitar e manter seus filhos produzindo eficientemente nas próprias comunidades. A figura 24 retrata a vista parcial da CFRB.

Figura 24 – Casa Familiar Rural de Belterra

Fonte: Youssef Filho, 2012.

Vista parcial da Casa Familiar Rural de Belterra. Ao fundo na cor rosa é o alojamento destinado às meninas.

A escolha do local para a implantação desse projeto educacional não foi por acaso. Tem por objetivo incentivar a revitalização desse povoado que está prestes a se afogar, envolto a plantações de soja e milho.

A comunidade do Prata é vista pelos moradores do Eixo, como o símbolo da resistência, pois foi nesse lugar que se originou as primeiras contestações sobre as condições precárias vividas pelos pequenos agricultores, surgindo daí várias associações de trabalhadores rurais que se disseminaram por toda a região de Santarém.

Diante de tudo, percebeu-se que os movimentos sociais da região de Santarém surgiram a partir do espírito de associativismo desses trabalhadores rurais. Nesse sentido, Ricci (2009), parte do princípio que os

[...] movimentos sociais rurais brasileiros são nitidamente comunitaristas, marcados pela sociabilidade tipicamente rural que se apóia num código moral tradicional, não escrito e muitas vezes místico, também construído pela necessária solidariedade [...] (p. 323).

As informações sobre a CFRB foram fundamentadas pelos diálogos mantidos com os professores Edson Moura e Maria da Conceição Almada à época da visita a essa instituição de ensino.

É necessário enfatizar que os moradores do Eixo enfrentaram enormes dificuldades para implantar esses projetos. Na construção da MCH tiveram que suplantar várias barreiras: falta de recursos financeiros, assistência técnica especializada, apoio efetivo do poder público, dúvida de alguns moradores que não acreditaram no projeto, entre outras. A Casa Familiar Rural de Belterra também convive, além dos parcos recursos financeiros, com a carência de professores que não querem morar na zona rural, entre outras dificuldades. Não obstante, observou- se uma movimentação desses moradores para a superação dos problemas. São reuniões nas comunidades. Deslocam-se a Belterra e Santarém para solicitar apoio de diversas instituições. Formam comitivas para Belém e Brasília com o mesmo intuito. Diante disso, percebe-se o espírito de associativismo, a capacidade de articulação e mobilização desses moradores.

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