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Distribution – Les composants et leur ombre

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mamelucos que viviam ao longo dos rios que deságuam na baía. Inclusive

na Ilha do Governador, onde deveria se implantar a França Antarctica.

Para Florestan Fernandes (2000:801-1), na passagem a seguir transcrita, essas relações dos franceses com os indígenas não tiveram o mesmo cunho exploratório das travadas pelos nativos com os portugueses.

Os brancos viviam nos grupos locais, literalmente sujeitos à vontade dos nativos; ou se agrupavam nas feitorias, dependendo tanto sua alimentação quanto sua segurança do que decidiam fazer os “aliados” indígenas. Os contactos dos Tupis com os franceses sempre se fizeram segundo esse tipo de relação. Mas, a partir de 1533, aproximadamente, os portugueses puderam alterar, em várias regiões ao mesmo tempo, o caráter de seus contactos com os indígenas, subordinando-os a um padrão de relação mais favorável com seus desígnios de exploração colonial da terra, dos recursos que ela possuía e dos moradores nativos. (....) Subverteu-se o padrão de relação, passando a iniciativa e a supremacia para as mãos dos brancos, que transplantaram para os trópicos o seu estilo de vida e as suas instituições sociais.

Essa apreciação do sociólogo paulista é equivocada. A imersão dos franceses no mundo dos Tamoio não significava senão refinado planejamento estratégico de construir aliança com aquela etnia indígena, elemento de vital importância para desmontar a máquina portuguesa instalada, não lhes sendo útil nem necessário iniciar um processo de apresamento, escravização e dizimação de índios como os portugueses fizeram muitas vezes de forma contraproducente. O que viria depois, se tivesse sido bem-sucedida a colonização francesa, é algo que não convinha pensar naquele momento. O que se vê dos vários passos dos escritos jesuíticos é que os Tamoio foram tecnicamente preparados pelos franceses para guerrear com os colonos e jesuítas portugueses. Anchieta deixa isso claro tanto em Cartas... (1988:209 e 219): “com isto e com lhes dar todo gênero de armas, incitando-os sempre que nos façam guerra e ajudando-os nela”, quanto em Informação do

Brasil e suas capitanias (1988:313): “a nação dos Tamoios, que ainda estava muito

soberba e forte com muitas armas dos Franceses, espadas, adagas, montantes, arcabuzes e tiros grossos”.

Pode-se dizer que a infiltração dos franceses na cooptação dos Tamoio foi eficiente. Esses métodos na persecução de etapas cada vez mais bem-sucedidas consistiam, muitas vezes, em hostilizar até mesmo seus nacionais de coloração católica, que pudessem representar uma dissensão ao discurso de desmonte da pregação dos jesuítas, a exemplo do que aconteceu com os frades da ordem de São Bernardo chegados ao Rio, que, mesmo vivendo afastados, foram submetidos a perseguição e morte pelos índios Tamoio a instância dos franceses. Os remanescentes deles, expulsos do Brasil, foram mortos pelos exploradores franceses antes de pisarem em solo francês, relata Anchieta (1988:218). A contraparte portuguesa era de igual medida, tanto que nas lutas de expulsão dos franceses do Rio de Janeiro em 1564, Estácio de Sá, depois de lançar fora “150 Franceses que havia dentro em uma nau”, decidiu por deixá-los “ir em paz por serem mercadores e ao parecer católicos, que não vinha povoar”, relata Anchieta em Informações... (1988:315).

Outro exemplo dessa eficiência nos meios suasórios instrumentalizados pelos franceses com o domínio da língua geral se vê do episódio do processo de paz em Iperoig, em que recorrentemente aparecia um desses índios vindos do Rio de Janeiro para tentar, insidiosamente, convencer seus irmãos de supostas más intenções dos cristãos portugueses na negociação de paz. Apesar de pilhados em suas mentiras, esses tamoios, mesmo depois de concluída com êxito a negociação, nunca se deixaram apartar do convívio e aliança com os franceses, como narra Anchieta (1988: 245): “Dos [tamoios] do Rio já quase tínhamos o desengano que não queriam pazes”. Mas ele mesmo admite que o sistema de aliança adotado pelos franceses tinha muita penetração, a ponto de prever que mesmo os Tamoio

de Iperoig poderiam voltar à animosidade inicial: “Só os moradores dos lugares de Iperuig hão sido constantes até agora e alguns deles ainda estão entre nós; mas por fim farão o que a maior parte dos seus fizerem”. Em outro passo, Anchieta (1988:244) mostra a dificuldade de quebrantar a manipulação ideológica dos franceses nos tamoios: “Eles mesmos nos avisavam que não nos fiássemos dos do Rio de Janeiro, porque estão mui soberbos com as muitas coisas que lhe dão os Franceses”.

O padre canarino deixa claro que a forma como foram “injustiçados” pelos portugueses criou essa desavença que tanto trabalho deu às missões jesuíticas, chegando a pôr-lhes em risco a sobrevivência (1988:202):

Desta outra banda do Norte temos os contrários, inimigos também destes nossos Índios, dos quais muitas vezes tenho escrito. Estes parece que têm justiça contra os Portugueses, pelas muitas injustiças e sem razões que deles têm sempre recebido, e por isso os ajuda sempre a Divina Justiça, porque vêm mui a miúdo por diversas partes, por mar e por terra, se sempre levam

escravos dos Cristãos, matando os mesmos homens.

Nas Informações...(1988:318) ele acresce: “ Os Franceses não desistiram do Brasil, e o principal foi no Cabo Frio e Rio de Janeiro, terra de Tamoios, os quais, sendo dantes muito amigos dos Portugueses se levantaram contra eles por grandes agravos e injustiças que lhes fizeram, e receberam os Franceses, dos quais nenhum agravo receberam”. É ainda esse jesuíta quem relata que a prática exterminadora levada a cabo pelos portugueses contra os índios era a responsável pelo despovoamento de áreas atacadas por exploradores estrangeiros, contra os quais a aliança com índios amigáveis fez muita falta (1988:314):

Deu tanta guerra [Duarte

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