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6.7. DIGITAL SECURITY CERTIFICATE PROFILES
As últimas décadas continuam por registrar boa dinâmica no polo Juazeiro-Petrolina, com a expansão da área plantada, da produção e da comercialização dos produtos agrícolas, assim como do bom desempenho de outros setores da economia, como do terciário, com o
382,88 628,74 1.470,80 1.015,61 2.141,07 2.095,61 2.458,92 3.210,04 3.499,33 3.410,50 - 500,00 1.000,00 1.500,00 2.000,00 2.500,00 3.000,00 3.500,00 4.000,00 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014
comércio e a prestação de serviços, bem como o setor da construção civil, com a notória expansão do mercado imobiliário.
Essa dinâmica pode ser constatada pela evolução do produto interno bruto (PIB), principalmente quando se compara a região com outros espaços produtivos de frutas.
A partir de meados do século XX, os números apresentados pelo polo são expressivos, tanto em razão dos investimentos públicos realizados pelos governos, quanto pelos empreendimentos privados que se instalaram na região. Neste contexto, a intervenção estatal merece um destaque ainda maior, dado o volume dos investimentos e a escala dos projetos implantados, que permitiram positivos encadeamentos.
De acordo com Vergolino e Vergolino (1997), as especificidades do complexo implantado no polo Juazeiro e Petrolina estavam associadas ao mercado consumidor que se desejava atingir com a produção ali desenvolvida. O destino internacional da produção de frutas, ao invés da produção de hortaliças de baixo valor agregado para o mercado interno, fez da região um importante polo exportador alimentado por elementos tanto do lado da oferta quanto da demanda agregada.
Segundo os autores, a oferta na região é assegurada pela ampla existência de recursos como mão de obra de baixo custo e insumos adequados à produção de frutas, como solo, água e sol, e a demanda é caracterizada pelas exigências do mercado internacional como direcionador das ações e investimentos adotados pelos grupos empresariais e mesmo pelos pequenos produtores, os colonos, que se integram à cadeia exportadora.
Essas movimentações permitiram à região conquistar números substanciais em termos de produção, produtividade, geração de emprego e renda. O crescimento do PIB mostrou-se muito vigoroso ao longo dos anos 1970 e 1990, alterando sobremaneira as posições das duas cidades em relação aos seus Estados, o que fez da região um centro absorvedor de fluxos migratórios, conforme ilustra a Tabela 24 (4) a seguir.
Tabela 24 (4)-Evolução do PIB a preços constantes do polo Juazeiro-Petrolina (1970 - 2010)
1970 1975 1980 1985 1996 2000 2005 2010
Juazeiro 87,26 185,10 337,26 525,59 442,00 644,62 715,90 859,91
Petrolina 83,04 190,93 340,04 424,91 570,96 725,48 1.052,68 1.405,15
Jua-Pet*** 222,59 435,43 787,59 1.098,12 1.186,12 1.835,01 2.333,43 2.976,03
*Considerou-se apenas a região semiárida do Nordeste, não contemplando a região de Minas Gerais. ** Para os estados de Bahia e Pernambuco os dados são a preços do ano 2010.
*** O polo Juazeiro-Petrolina contempla também os municípios de Lagoa Grande, Santa Maria da Boa Vista e Orocó, em Perna,buco, e Casa Nova, Sobradinho e Curaçá, na Bahia.
Conforme descrito na tabela anterior, a economia do polo Juazeiro-Petrolina apresentou forte vigor a partir do final dos anos 1970, notadamente em razão dos resultados apurados com a implantação das infraestruturas de irrigação e demais ações institucionais que promoveram maior e melhor dinamismo econômico. O PIB da região, que considera Juazeiro, Petrolina e mais 6 municípios do entorno, mais do que decuplicou entre os anos de 1970 e 2010, destacando-se o de Petrolina que sai de pouco mais do que o equivalente a R$ 83 milhões em 1970, para mais de R$1,4 bilhão em 2010, o que corresponde a um crescimento de quase 1.700%, como ilustra a Figura 12 (4) a seguir.
Figura 12 (4)-Evolução do PIB a preços constantes de 2000 do polo Juazeiro – Petrolina (R$mi) (1970-2010)
Fonte: Ipea (2015)
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o polo apresentou significativo crescimento do seu PIB, da população e das exportações, em taxas superiores àquelas dos estados da Bahia, Pernambuco, do Nordeste e, mesmo do Brasil. A Tabelas 25 (4) e a Figura 13 (4) a seguir ilustra melhor esta informação.
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 1970 1975 1980 1985 1996 2000 2005 2010 Juazeiro Petrolina Jua-Pet
Tabela 25 (4)- Evolução do Produto Interno Bruto (PIB) a preços correntes: 2000-2010 2000 (R$ mi) 2010 (R$ mi) % Crescimento
Brasil 1.179.482 3.770.084 219,64% Nordeste 146.827 507.501 245,65% Bahia 46.523 154.340 231,75% Pernambuco 26.959 95.186 253,08% Juaz-Pet 1.834 6.669 263,63% Fonte: IBGE (2015)
A primeira década do século XXI revela, assim, a continuidade do forte dinamismo da região, com crescimento da economia muito acima das taxas da região e do Brasil, conforme ilustrado pela Figura 13 a seguir:
Figura 13 (4)- Evolução comparativa do PIB do polo Juazeiro-Petrolina com outras regiões selecionadas (2000-2010) (%)
Fonte: IBGE (2014)
4.10.3.1.1 Comparação com outras regiões produtivas de frutas
A porção do submédio São Francisco, onde está inserido o polo Juazeiro-Petrolina, está localizada entre o norte do estado da Bahia e o extremo oeste de Pernambuco. A área
219,64 245,65 253,08 231,75 263,63 0 50 100 150 200 250 300 Brasil NE PE BA Jua-Pet
total supera 33 mil km2, sendo constituída por oito municípios, quatro em cada estado, todos fazendo limites com o rio São Francisco.
Os municípios têm grandes extensões territoriais, destacando-se o de Juazeiro, com 6,5 mil km2, e o de Casa Nova, na Bahia, um dos mais extensos do estado, com mais de 9,6 mil km2, sendo o com maior margem de rio estando às margens do lago de Sobradinho, aonde é feita a tomada d’água para o canal principal do perímetro irrigado senador Nilo Coelho, que fica quase que totalmente em Petrolina-PE.
Os municípios de Pernambuco também são extensos, destacando-se os de Petrolina, com mais de 4,5 mil km2, e o de Santa Maria da Boa Vista, com 3 mil km2. Convém ressaltar que há, no interior desses municípios, localidades razoavelmente urbanizadas, os distritos como o de Santana do Sobrado em Casa Nova, o de Izacolândia, em Petrolina, o de Itamotinga, em Juazeiro, e o de Vermelhos, em Lagoa Grande, todos com significativa estrutura de produção agrícola irrigada, pois ficam também às margens do rio.
A Tabela 26 (4) a seguir descreve os números das áreas territoriais, população e PIB dos oito municípios do Vale do submédio São Francisco:
Tabela 26 (4)-Dados dos municípios do Vale do submédio São Francisco
Fonte: IBGE (2015)
Quando comparado com outras regiões de vales, aonde existe a agricultura irrigada, o polo Juazeiro-Petrolina destaca-se, tanto pela maior área irrigada e em produção de bens agrícolas, com mais de 100 mil hectares, quanto pelos números de população e de PIB apresentados. O Banco do Nordeste, que tem atuação em toda a região do semiárido, delimita as áreas denominando-as de polos de desenvolvimento, nos quais tem realizado ações de promoção do seu dinamismo. Dentre elas, destacam-se as do Vale do Açu, no Rio Grande do Norte, e a do Vale do Rio Jaguaribe, no Ceará. Os dados dessas regiões são descritos na Tabela 27 (4) a seguir.
No Município Área (km2) Popul. (2010) PIB (2012) R$ mi
1 Casa Nova-BA 9.647,00 64.940 381,00 2 Juazeiro-BA 6.500,00 197.965 2.135,00 3 Curaçá-BA 6.079,00 32.168 210,00 4 Sobradinho-BA 1.238,00 22.000 496,00 5 Petrolina-PE 4.561,00 293.962 3.786,00 6 Lagoa Grande-PE 1.848,00 22.760 244,00
7 Santa Maria da B. Vista -PE 3.001,00 39.435 304,00
8 Orocó-PE 554,00 13.180 107,00
Tabela 27 (4)- Dados dos municípios do Vale do Açu no Rio Grande do Norte
No MUNICÍPIO ÁREA (km2) POPUL
(2010) PIB (2012) R$MI 1 AÇU 1.303,00 53.227 566,00 2 AFONSO BEZERRA 576,00 10.844 56,00 3 ALTO DO RODRIGUES 191,00 12.305 292,00 4 BARAÚNA 825,00 24.182 336,00 5 CARNAUBAIS 542,00 9.762 182,00 6 IPANGUAÇU 374,00 13.856 94,00 7 ITAJÁ 203,00 6.932 63,00 8 MOSSORÓ 2.099,00 259.815 4.493,00 9 PENDÊNCIAS 419,00 13.432 249,00 10 SERRA DO MEL 616,00 10.281 97,00 11 UPANEMA 874,00 12.985 10,00 TOTAL 8.022,00 427.621 6.438,00 Fonte: IBGE (2015)
Conforme observado na tabela anterior, o Vale do Açu compõe-se de 11 municípios, cuja área total é de aproximadamente 8 mil km2, uma população de 427 mil habitantes, e uma economia de R$ 6,4 bilhões, segundo dados do IBGE. Nesta região, a agricultura irrigada é feita pelo Departamento de Obras Contra as Secas, o Dnocs aproveitando-se as águas do rio Açu acumuladas no açude público federal Armando Ribeiro Gonçalves, localizado no município de Itajá. Este é um dos maiores reservatórios construídos pelo Dnocs, com capacidade de acumular mais de 2 bilhões de m3, e a área irrigável é de 5,3 mil hectares, aonde prevalecem os cultivos da banana e do melão (DNOCS, 2015).
Convém ressaltar, ademais, que o município de Mossoró acaba por concentrar a dinâmica econômica da região, no entanto a composição do seu PIB tem na indústria, o segmento de maior contribuição em razão das atividades de exploração de petróleo, dado que o município potiguar é o maior produtor em terra desse produto. Isso faz com que mais de 33% do seu PIB seja decorrente do segmento industrial, e somente 2,83% do segmento da agropecuária. Entretanto, é significativa a expansão da agricultura irrigada naquela região, notadamente da fruticultura, registrando-se investimentos expressivos de grupos privados na aquisição e estruturação de áreas para cultivos de frutas com destino ao mercado externo.
No estado do Ceará, destaca-se a área de produção do vale do rio Jaguaribe, na porção nordeste do Estado, numa região composta por 11 municípios e 10 mil km2 de área (BNB, 2015). Nessa região, a produção da agricultura irrigada é desenvolvida nos projetos de irrigação do Dnocs instalados a partir da captação de água do rio Jaguaribe perenizado, a
partir da construção do açude de Orós e do Castanhão, destacando-se os projetos Tabuleiros de Russas, Jaguaribe-Apodi e Morada Nova, aonde prevalecem as culturas de melancia e melão. A Tabela 28 (4) mostra os dados por município.
Tabela 28 (4)- Dados dos municípios do Vale do Jaguaribe no Ceará
No MUNICÍPIO ÁREA (km2) POPUL (2010) PIB (2012) R$MI 1 ARACATI 1.228,00 69.159 932,00 2 ICAPUÍ 423,00 18.392 223,00 3 ITAIÇABA 212,00 7.316 36,00 4 JAGUARUANA 867,00 32.236 215,00 5 LIMOEIRO DO NORTE 750,00 56.264 424,00 6 MORADA NOVA 2.779,00 62.065 416,00 7 PALHANO 440,00 8.866 42,00 8 QUIXERÊ 613,00 19.412 157,00 9 RUSSAS 1.590,00 69.833 634,00 10 SÃO JOÃO DO JAGUARIBE 280,00 7.900 40,00 11 TABULEIRO DO NORTE 861,00 29.204 180,00 TOTAL 10.043,00 380.647 3.299,00 Fonte: IBGE (2015)
Conforme descrito na tabela anterior, os 11 municípios somam cerca de 380 mil habitantes e um PIB de R$ 3,3 bi, destacando-se os municípios de Limoeiro do Norte e Russas, aonde existe maior dinâmica, mas, convém ressaltar, não se observa grande concentração do dinamismo em um ou outro município, decorrente da atividade incentivada da agricultura irrigada que, neste polo de desenvolvimento, tem se espalhado por, inclusive, pequenos municípios, como o de Icapuí, sede de importante grupo empresarial exportador de melões.
Quando comparadas as três regiões produtoras, observa-se que a do Vale do Submédio São Francisco apresenta os maiores números em termos absolutos, assim como analisando-se a composição do produto, os municípios de Juazeiro e Petrolina, embora sejam de médio portes e tenham estrutura produtiva bem diversificada, a produção da agricultura é muito significativa, sendo mais de 7% em Juazeiro, e quase 12% em Petrolina As ilustrações na Tabela 29 (4) e na Figura 14 (4) descrevem melhor essa situação.
Tabela 29 (4)- Dados dos municípios dos Vales comparados
MUNICÍPIO VALE COMPOSIÇÃO DO PIB 2012 (R$mi) PIB TOTAL AGROPEC. %
MOSSORÓ - RN AÇU-RN 4.493,00 127,00 2,83%
BARAÚNA - RN AÇU-RN 336,00 55,00 16,37%
RUSSAS - CE JAGUARIBE-CE 634,00 56,00 8,83%
LIMOEIRO DO NORTE-CE JAGUARIBE-CE 424,00 41,00 9,67%
JUAZEIRO - BA SUBMED. SF BA-PE 2.136,00 155,00 7,26% PETROLINA-PE SUBMED. SF BA-PE 3.786,00 436,00 11,52%
Fonte: IBGE (2015)
Figura 14 (4)- Evolução do PIB dos vales selecionados
Fonte: IBGE (2015)