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propriétés physiques des conducteurs R & W MgB2

III.3 Mesures de la surface critique des conducteurs R & W MgB2

III.3.2 Design du mandrin pour mesure de courant critique

O caminho de desenvolvimento adotado pela humanidade e o tipo de relação com o ambiente natural decorrente dessa escolha incidem decisivamente sobre a potencialidade e a disponibilidade da água no planeta. O desenvolvimento racional e tecnológico da humanidade e as percepções da vulnerabilidade da natureza são reflexos da ação predatória pós-moderna que interferem nas relações da humanidade com a água. Aspectos dessas questões tão urgentes para a reflexão na humanidade são a seguir analisados.

1. Desenvolvimento racional e tecnológico da humanidade

O desenvolvimento tem favorecido o avanço social e tecnológico em todas as direções. Apesar disso, em várias realidades, é perceptível que tal desenvolvimento tem causado muitos males à natureza e às populações, principalmente àquelas que são pressionadas pela descoberta de riquezas em seus territórios. A análise da influência da técnica nas ações humanas, as mudanças provocadas por ela nas relações dos homens entre si e com a natureza e a abordagem do mito do “desenvolvimento ilimitado” são úteis e necessários nesse momento para a compreensão e o aprofundamento do tema proposto neste capítulo.

a) A techne e as mudanças da ação humana

Na história da humanidade, a racionalidade humana e a ciência, em conjunto com a técnica, foram confrontadas quase que diariamente, sem, porém, ter se tornado um paradoxo tão forte quanto o é atualmente. Ao longo de sua existência, o ser humano procurou construir um quadro em que, pela eficiência de seu pensamento, fosse capaz de plasmar um mundo transparente e racional, pleno de ordem e que nele se enquadrasse um sentido. Por meio de sua capacidade criadora e pelo desenvolvimento do pensar racional, buscou-se um tipo de existência modelada por princípios de normatividade moral e domínio sobre o mundo por intermédio da técnica. 152 Aconteceu assim desde o alvorecer da filosofia com os gregos, passando por Kant, até Schopenhauer e Nietszche. O crescimento exorbitante, por sua vez, motivado pelo conhecimento humano e pela aplicação da racionalidade trouxe como consequência o enfraquecimento das relações interpessoais e a subsequente relação de dominação da natureza.

Com o desenvolvimento do pensar e com o avanço das ciências e das técnicas, as ações dos homens também foram sendo ampliadas para todas as direções, ocupando os espaços da terra e descobrindo as riquezas naturais que satisfizessem suas necessidades. 153 O sentimento

de domínio e controle do mundo 154 foi encarnado por indivíduos e grupos econômicos que, fundamentados teoricamente numa racionalidade tecnológica em relação ao mundo e seus

152 Cf. PIKAZA, X. El fenómeno religioso. Curso fundamental de religión. Madrid: Editorial Trotta, 1999. p.

128.

153 Cf. COMBLIN, J. Mitos e realidades da secularização. São Paulo: Herder, 1970. p. 140-142. Pode-se

comparar ao mito de Prometeu que, desacorrentado pela ciência e pela economia, pede freios que se evite que o poder leve a desastres maiores do que os vividos. Para Comblin, essa história não passaria de uma transformação e uma continuação do mito antigo: Prometeu toma sua desforra e vence os deuses.

154 Este sentimento segue o princípio do ‘paradigma cartesiano’ pondo, de um lado, o sujeito pensante, espírito,

e, de outro, o que se pode chamar objeto, coisa, matéria, domínio da ciência. Cf. MORIN, E. Por um pensamento ecologizado. In: CASTRO, E.; PINTON, F. Faces do Trópico Úmido. Conceitos e questões sobre desenvolvimento e meio ambiente. Belém/PA: Cejup/UFPA/NAEA, 1997. p. 63.

recursos disponíveis, desenvolveram suas atividades não somente para satisfazer suas necessidades, mas em vista da obtenção de lucros e da acumulação de bens e riquezas. 155

A realidade histórica foi construída por uma sociedade profundamente marcada pela racionalidade tecnológica e favorecida pelo avanço das descobertas da ciência que é quem institucionaliza o progresso científico e técnico. Conforme o avanço penetrava nas esferas institucionais da sociedade ela ia se transformando, abrindo espaço para a interferência humana no mundo natural, imprimindo atitudes promotoras da secularização e do “desencantamento” das cosmovisões orientadoras da ação e da tradição cultural. 156 Partindo dessa característica que a racionalidade humana alcançou nos últimos séculos, vê-se que este conceito oferece diferentes interpretações, o que favorece também a percepção da influência dele na ação humana.

Introduzido na reflexão moderna por Max Weber,o termo racionalidade foi ampliado e aplicado principalmente às novas tecnologias, cuja força e poder influenciam todos os aspectos da vida humana. Analisando esse conceito, Habermas amplia a perspectiva de Weber, afirmando: “Racionalização significa, em primeiro lugar, a ampliação das esferas sociais, que ficam submetidas aos critérios da decisão racional.” 157 Aplicada à economia, diz respeito à força racional que impele as ações de pessoas e de corporações, empresas e indústrias em vista da obtenção de matérias-primas para a produção de bens de consumo.

A ciência e a técnica, por seu caráter instrumental de controles produtivos, ampliaram a dominação sobre a natureza e sobre os próprios homens. Segundo Habermas, Marcuse afirma que a racionalidade penetrou de tal modo na ação do homem que é impossível seu desligamento da ação concreta no cotidiano. Assim ele diz:

O método científico, que levava sempre a uma dominação cada vez mais eficaz da natureza, proporcionou depois também os conceitos puros e os instrumentos para uma dominação cada vez mais eficiente do homem sobre os homens, através da dominação da natureza [...] Hoje, a dominação eterniza-se e amplia-se não só mediante a tecnologia, mas como tecnologia; e esta proporciona a grande legitimação ao poder político expansivo, que assume em si todas as esferas da cultura. 158

Racionalidade significa também uma forma de dominação política oculta. 159 Sua eficiência é demonstrada na correta eleição de estratégias e na adequada utilização de

155 Cf. HABERMAS, J. Técnica e ciência como ‘ideologia’. Lisboa:- Portugal: Edições 70, 1987. p. 45. 156 Cf. Ibid., p. 45-46.

157 Ibid., p. 45.

158 Apud HABERMAS, J. Técnica e ciência, p. 49.

159 Marcuse, na sua análise de sociedade, funde técnica e dominação, racionalidade e opressão. Com essa

tecnologias à instauração de sistemas que justificam como indispensável a interferência nas relações dos homens entre si e destes com o mundo natural.160

A técnica é compreendida como a capacidade produtiva do ser humano em todos os seus aspectos. O homo sapiens é aquele que idealiza e o homo faber é o que realiza. 161 O homo faber é, por sua vez, o homem da técnica. Enquanto esta não oferecia ameaça à natureza, a relação com ela era neutra, tanto no nível objetivo, quanto no nível subjetivo da ação. No nível objetivo, a atividade produtiva pouco afetava a natureza das coisas e não se percebiam sinais desastrosos à integridade de seu objeto, no conjunto da ordem natural. Quanto ao sujeito da ação, a techne era considerada um determinado tributo pago à necessidade e não como um progresso justificado em si mesmo, em cuja realização implicava o supremo esforço e participação do homem.

Desse modo, a techne não era um caminho que conduzia a humanidade a uma meta pretendida, mas um meio com um grau finito de adequação e fins próximos bem definidos. Esta concepção foi sendo alterada ao longo dos tempos pelas novas formas de intervenção no mundo. Hoje, a techne é revestida de um sentido moderno, antropocêntrico e dominador. Um impulso infinito de progresso eterno, todo poderoso, válido para tudo e para todos. 162 Tanto faz se estar diante da natureza com as várias espécies de seres vivos ou diante do ser humano com suas realidades sociais, o êxito é obter o domínio máximo sobre eles. Entretanto, aflora a consciência de que o progresso econômico “com um objetivo em si mesmo” tem produzido em todas as partes do mundo consequências desumanas. 163

Pelo desenvolvimento alcançado e pelo poder do saber do homem, a techne tem modificado o caráter da ação humana. Mas, de que modo ela afeta a natureza das ações? A pergunta se encerra na contraposição que há entre a técnica moderna e todas as técnicas anteriores. Qual a diferença? A oposição surge no grito da humanidade contra a degradação dos ecossistemas, caracterizado pelas reações da natureza e pelo ser humano ao denunciar o

interesses de classe e pela situação histórica: a ciência projetou e fomentou um universo no qual a dominação da natureza se vinculou com a dominação dos homens – vínculo que tende a afectar fatalmente este universo enquanto todo. Cf. Idem. p. 50-51.

160 Implica para alcançar esse objetivo da racionalidade instrumental “a consecução metódica de determinado fim

prático através de um cálculo preciso de meios eficazes”. LEFF, E. Sociologia y ambiente: sobre el concepto de racionalidad ambiental y las transformaciones del conocimento. In: VIEIRA, P. F; MAIMON, D (orgs.). As

ciências sociais e a questão, p. 100.

161 Cf. SANTOS, J. Filosofia e Humanismo. São Paulo: Duas Cidades; Secretaria de Estado da Cultura, 1981. p.

120.

162 Cf. KÜNG, H. Projeto de ética Mundial. Uma moral ecumênica em vista da sobrevivência humana. São

Paulo: Paulinas, 1992. p. 28.

uso desregrado do relacionamento técnica e natureza. Esse grito, em outras ocasiões, não era ressoado.

Diante das imposições dos que defendem o modelo de desenvolvimento baseado na utilização dos avanços tecnológicos para o acúmulo de riquezas em benefício de poucos, é exigida uma posição que se oponha radicalmente “à ideologia pan-econômica que investiu a cultura, a política e os valores éticos.” 164

Para Mastrovincenzo, 165 a realidade exige uma metanóia que significa a superação do

suprapoder tecnológico, favorecendo a expressão plena da vida. Convicta das muitas alternativas para a saída da crise na qual a sociedade contemporânea foi envolvida, ela propõe a via da política, caracterizada pela vontade de libertar-se do poder dominador da tecnologia que penetra em todos os setores da atividade humana. É necessário o reconhecimento, em primeiro lugar, dos reais estragos em nível mundial que tal ideologia provocou, bem como uma atitude cultural que subtraia dos relacionamentos entre as nações, a lógica do dinheiro que tudo compra, gera e domina. 166

Em relação ao continente americano, houve um processo de exploração pela racionalidade tecnológica realizada sob o signo da superioridade de uns sobre os outros, caracterizada pelo “pressuposto de uma relativa dessacralização da natureza, mas também simultaneamente em consequência de uma progressiva sacralização do homem.” 167 A ideologia trazida pelos conquistadores era profundamente marcada por uma virada antropológica acontecida na Europa, marcada pelo domínio da técnica das grandes navegações, o que favorecia ao homem a visão de si mesmo e não do outro, como num espelho. 168 A virada, de fato, provocou uma mudança radical em toda a ordem, questionando a imagem inteira do mundo e a forma de como estava construído. Afirma Queiruga: “O cosmo, percebido até o momento como redondo e estático, inteiramente encerrado no harmonioso jogo das esferas, transformou-se em imenso sistema onde tudo tem sua gênese e encontra-se sempre a caminho.” 169

164 MASTROVINCENZO, E. Raimon Pannikar: espiritualidade da comunhão cósmica. In: MANCINI, R et al.

Éticas da mundialidade, p. 114;

165 Cf. Ibid., p. 114.

166 Cf. TEPE, D. F. V-OFM. Opção pela pobreza Evangélica. Revista Eclesiástica Brasileira, Petrópolis, v. 43,

fasc. 172, p. 766, 1983. A opulência, a fartura de bens, não é a alavanca que levanta realmente a pessoa e a sociedade para se desenvolverem harmoniosamente.

167 AZZI, R. Razão e fé, p. 45.

168 Cf. QUEIRUGA, A. T. Recuperar a criação. Por uma religião humanizadora. São Paulo: Paulus, 1999. 169 Ibid., p. 104.

O desencantamento do mundo e o consequente encantamento do homem, provocando escravização pela técnica e total submissão da humanidade à racionalidade mercantil, 170 foram demonstrados pela racionalidade dos colonizadores e pela superioridade em relação aos habitantes do novo mundo, por se julgarem os únicos capazes de ordenar a natureza, “porque dotados das luzes da razão.” 171 A posição de superioridade em relação à natureza e à nova terra era justificável para o projeto imperialista que presumia não somente o domínio da natureza, mas também o domínio de seus habitantes indígenas. Em relação aos negros, a superioridade era exercida por serem considerados pertencentes ao ínfimo grau da humanidade, bem próximos da pura animalidade. 172

Os favores da racionalidade e de seu desenvolvimento causaram também uma mutação cultural e religiosa de dimensões e proporções mundial nunca antes conhecida. A alteração substancial da cosmovisão criou uma nova maneira de o homem relacionar-se com o transcendente. Entrou em cheque, no fundo, a visão de mundo, o modo de entender a vida humana, a história, a sociedade e o cosmos. 173 Palácio percebe nisso o vislumbre da necessidade urgente de estabelecer uma ‘nova aliança’ dos seres humanos com a natureza para preservar o futuro da vida e sua qualidade humana. 174 É preciso a humanidade se conscientizar que a ciência e seu avanço tecnológico continuam sendo “uma parte, delimitada e concreta, da aventura humana”, e que “a grandeza de seu brilho” 175 abre com mais forças perguntas fundamentais e questionamentos existenciais ao ser humano.

A tomada de consciência, no fundo, deve opor-se à concepção puramente funcionalista e utilitarista da razão humana e da ciência que, em nome do projeto tecnicista moderno, considera os recursos naturais somente como fonte de riquezas e de lucros. 176 A conscientização também faz perceber que o projeto da modernidade com suas promessas de uma sociedade de bem-estar e de riquezas sem limites fracassaram. A “sensibilidade ecológica” resultante daí adquire importância especial por dois motivos: primeiro, porque o deslumbramento técnico começa a ser superado e que a cegueira positivista atingiu seus

170 Cf. GUILLEBAUD, J. O princípio de Humanidade. Aparecida/SP: Ideias e Letras, 2008. p. 377. 171 AZZI, R. Razão e fé, p. 56.

172 Cf. BOFF, L. Evangelizar a partir das culturas oprimidas. In: SUESS, P (org.). Culturas e Evangelização, p.

132.

173 Cf. PALACIO, C. El cristianismo, p. 172-173. 174 Cf. Ibid., p. 173.

175 Cf. QUEIRUGA, A. T. Recuperar, p. 111-112.

176 “A decadência da civilização do mercado, do ‘ter mais’, do consumo desenfreado, é por demais evidente. A

austeridade, a pobreza que não é miséria nem indigência, mas a vida cotidiana conquistada com o trabalho pode atacar pela raiz um sistema que gera morte e não vida”. TEPE, D. V-OFM. Opção pela pobreza, p. 766.

limites; segundo, a natureza está recuperando a plural e inesgotável profundidade de seus mistérios. 177

Para Hans Küng, as conquistas do mundo ocidental, por um lado, trouxeram grandes benefícios, mas também alguns prejuízos. Os benefícios são destacados pela ciência, tecnologia, indústria e democracia. Por outro lado, os sinais da ineficiência são bem visíveis: a ciência não foi acompanhada de uma sabedoria que evitasse o mau uso da pesquisa científica; a tecnologia não foi acompanhada de uma energia espiritual que controlasse os riscos imprevisíveis de uma eficiente megaloideologia; a indústria não foi seguida de uma ecologia que pudesse acompanhar a economia em constante expansão e a democracia não foi seguida de uma moral que pudesse se contrapor aos massivos interesses dos diferentes indivíduos ávidos por poder. 178

Vê-se, a partir desta análise, que o mundo moderno com o avanço tecnológico tem uma “dívida ecológica” para com os ecossistemas e para com a Terra. Esta percepção provém do entendimento de que a ecologia com seus temas afins colocados no centro das discussões apresentam-se não somente como um tema a mais agregado aos já existentes, mas um eixo novo que redefine todos os demais. 179

Apesar da mudança de algumas atitudes ao longo dos tempos, outras formas de subjugo e de dominação foram impostas. Urge, portanto, alargar a compreensão da realidade para além da racionalidade pós-moderna, valorizar o conhecimento simbólico e místico das populações e reconhecer a mensagem de vida que os mistérios do mundo carregam e inspiram para o reencantamento do homem e do mundo. 180

Pelas questões analisadas, o saber humano e as novas formas técnicas de manifestação desse saber tendem cada dia mais a crescer e a se desenvolver, porque novas necessidades são criadas que, por conseguinte, precisam ser atendidas. É por isso que a sede desenfreada de satisfação das necessidades oriunda do crescente avanço da tecnologia tem despertado a consciência da fragilidade dos ecossistemas, demonstrada claramente pelo colapso ecológico da água. Impulsionada por esses e outros fatores, abre-se um vasto campo de visão para a ideologia do crescimento ilimitado, travestido no discurso do desenvolvimento permanente e para todos.

177 Cf. QUEIRUGA, A. T. Recuperar, p. 112. 178 Cf. KUNG, H. Projeto de ética, p. 27-28.

179 Cf. BOFF, L. Do iceberg à Arca de Noé. O nascimento de uma ética planetária. RJ: Garamond, 2002. p. 62. 180 Cf. BOFF, L. Ecologia, mundialização e espiritualidade: a emergência de um novo paradigma. SP: Ática,

b) A humanidade e o “mito do desenvolvimento ilimitado”

Depois da Segunda Guerra Mundial, poluição e degradação ambiental se tornaram preocupação da humanidade por adquirirem dimensões planetárias. Os processos tecnológicos e industriais, associados à globalização, motivaram debates mundiais em torno dos problemas ambientais e soluções foram propostas em vista da unificação ecológica do mundo. Os efeitos destrutivos provocaram questionamentos relevantes merecedores de atenção, tais como: qual o critério de desenvolvimento adotado pela humanidade no seu processo de crescimento econômico? Que concepção de desenvolvimento adotar para a modificação do quadro atual, em vista de uma harmonia entre os povos e na oferta das mesmas oportunidades para todos?

Movida pela ideia de desenvolvimento ilimitado e pela expansão técnico-industrial a humanidade tem feito um caminho histórico de degradação dos ecossistemas planetários que se agrava a cada ano. Questionamentos sobre o modelo de civilização e de desenvolvimento predominante no mundo e os efeitos destrutivos sobre a água são, ao mesmo tempo, levantados nos vários setores da sociedade. Diversos desses setores passaram a analisar a realidade e as situações emergenciais que caracterizam a “crise da água”, demonstrando o colapso ecológico iminente e as consequências sobre a humanidade.

Além disso, a análise da realidade passou a oferecer pistas para o aprofundamento dos processos que estão se dando dentro do contexto de um desenvolvimento atrelado à globalização que degrada e marginaliza. Trata-se este de um tema convergente que está intrinsecamente ligado às questões que envolvem o ambiente e é apontado como um dos responsáveis pela situação degradante vivida na Amazônia.

O termo globalização oferece uma variedade de análises e múltiplas interpretações, envolvido como está por um debate em que são postas lado a lado duas visões diferentes: de um lado, um fenômeno real; de outro, por parte dos céticos, tudo não passa de ilusão. 181 Sem entrar no mérito dessas questões, a análise recai sobre o significado e as consequências para as relações da humanidade com a natureza, colaborando para o entendimento e o alcance dos efeitos desse processo da modernidade que atua com suas características específicas e dinâmicas próprias.

Globalização, segundo Robertson, repousa sobre duas ideias principais: uma basicamente econômica, e se refere à emergência da economia capitalista global dominada por um pequeno número de empresas multinacionais e pelos estados-nação; outra entende

globalização como uma ameaça não apenas ao futuro econômico de muitas nações, mas também às suas tradições culturais e identidades. Nesse contexto, ela não se refere aos processos de ocidentalização, americanização, modernização ou “imperialismo cultural”, mas “à compressão, temporal e espacial, do mundo como um todo.” 182

Para Wanderley, globalização é “um processo de aumento gradativo de relações, contatos e fluxos que se estabeleceram entre povos os mais variados, ocupando regiões dispersas pelo mundo, no campo econômico, político, cultural e religioso.” 183 Dessa concepção, constata-se a quase certeza que a globalização, enquanto processo transmundializado, já penetrou quase todos os cantos do mundo ou está em vias de penetração, alcançando os recantos mais distantes. Além desse alcance mundial, ela abarca todas as dimensões da vida humana, desde o micro até ao macro da sociedade.

A tomada de consciência dos efeitos do processo globalizatório e sua influência em todas as camadas sociais têm favorecido o despertar mundial para as situações de destruição dos recursos naturais. Sabendo que o culpado por esses processos é o modelo de desenvolvimento adotado pelas nações pós-modernas, negociações são feitas, acordos são assinados, tratados são assumidos e ações são implementadas no intuito de solucionar as crises provocadas pelos efeitos universais da denominada “crise ecológica” global.

O relatório intitulado “Los Limites del crecimiento”, de 1972, marca o início de um pensamento mundial em relação à crise ambiental e à necessidade de conservação dos diversos ecossistemas. 184 A humanidade tomou consciência de que a crise ecológica não se restringe somente a alguns ecossistemas, mas ao conjunto da biosfera e da humanidade toda. Isso motivou a reincorporação de temas capitais e cruciais para a humanidade nas discussões políticas e, mais ainda, permitiu a reintegração de temas socioambientais na consciência antropológica e social. 185

Descobriu-se, por exemplo, que as disparidades do desenvolvimento mostradas na crescente diferença entre o número daqueles que são abastados e aqueles que vivem na