4. MULTILEVEL ANALYSIS OF THE EFFECTS OF WELFARE STATES AND HEALTH CARE
4.1 Data and descriptive analysis
O movimento rastafári surgiu entre a classe trabalhadora jamaicana em meados da década de 1930 com preceitos religiosos. “A cultura jamaicana é o resultado híbrido do resultado de diversas culturas desde a chegada dos espanhóis, em 1943” (RABELO, 2006, p. 24). Dessa hibridização nasce a cultura rastafári que é fortemente marcada e identificada através da fusão com a música, precisamente com a música reggae, que primeiramente foi tocada nas montanhas, chamando-se Nyabinghy (Liberdade), mas até aí, ainda não vinculada ao gênero musical reggae. A música Nyabinghy é considerada uma cerimônia e se traduz em sentimento de liberdade e louvor, é tocada somente por tambores e cantada, onde o som das batidas dos tambores tem o significado de representar as batidas do coração do homem rastafári como forma de louvor e glória para Jah. Para os rastafáris Jah é Deus, o criador de tudo e todas as coisas. Utiliza-se o termo Jah por ser uma abreviação de Javé ou Jeová, pois estes termos aparecem escritos na Bíblia, em escrituras hebraicas e gregas.
Os seguidores deste movimento reverenciam Haile Selassie I, imperador da Etiópia – de 1930 a 1974 –, e rejeitam a sociedade capitalista ocidental, esta sendo vista como impura e
corrupta. O nome do movimento é uma junção do título nobre etíope Ras – que quer dizer cabeça, príncipe – com o próprio nome Tafari Makonnen, que viria a ser o imperador RasTafari. Depois de sua coroação, como Imperador da Etiópia, Tafari Makonnen passa a ser chamado de Haile Selassie I. Na Jamaica, o nome Rastafári acabou se tornando popular como uma nova denominação religiosa, utilizado para se referir aos seguidores de Haile Selassie I. O Rastafarismo, assim como outras denominações religiosas, encontra em suas práticas diversas ramificações trazendo distintos modos de vida de acordo com a experiência de cada segmento. Dentre elas temos, os Boboshanti; a Ordem Niyabinghi e as Dozes Tribos de Israel (KREMSER, 2000).
Com o passar dos tempos, precisamente no início da década de 1960, período em que a então colônia Jamaica conseguiu sua independência em relação à Inglaterra, o gênero musical forte entre os jamaicanos nessa época era o ska. Tal gênero representava uma onda de otimismo entre eles por um novo tempo que se iniciava com sua independência, otimismo que praticamente desapareceu entre os habitantes da ilha caribenha na metade daquela mesma década, pois a desigualdade social, a opressão política e a miséria em termos econômicos assolavam diariamente. Com isso, a música popular que antes transmitia otimismo começou a soar o caos vivenciado, sendo introduzidas letras de conscientização política que serviam para tratar de questões sociais e econômicas, além do principal fator que era propagar a mensagem de amor e paz através da fé em Jah, servindo como fonte de reflexão para libertar o povo da alienação e escravidão mental. Nesse contexto, o ritmo da música ska foi completamente alterado, e a partir dessa alteração rítmica e compromisso social, político e de fé em Jah, nasce então o reggae no final daquela década. A partir daí foram surgindo outros ritmos musicais considerados dentro da vertente do reggae, assim temos os seus estilos ou variações, dentre eles podemos citar: Roots, Dubwise, Dancehall, Early, Raggamuffin, etc..
O surgimento do reggae representou, e representa até hoje, não só na Jamaica como também em todo mundo, o “grito” poético das classes mais pobres da sociedade. Nesse contexto, o cantor e compositor alagoano Luiz de Assis7 afirma que quando é realizada alguma crítica sobre o sistema através da música reggae, está-se lutando contra toda condição que é imposta e que promove alienação e que alimenta a desigualdade. Trata-se da luta em prol do povo que algum dia já foi (e continua sendo) humilhado ou diminuído. Cada um tem o poder de mudar a história e é esse reggae que o referido cantor defende e difunde.
No tocante a alguns nomes de compositores e bandas considerados precursores do gênero musical em escala mundial, podemos citar Jimmy Cliff, Tootsand The Maytals, Gregory Isacs, Burning Spear, Black Uhuru, Augustus Pablo, Black Roots, The Mighty Diamonds, The Congos e The Wailers, este por sua vez composto por Bunny Wailer, Peter Tosh e Bob Marley. Vale salientar que o sucesso de Bob Marley & The Wailers na década de 1970 serviu para consolidar a ligação entre a música reggae e o movimento rastafári, não restando dúvidas de que os dois andavam lado a lado. Mesmo sendo considerado que o surgimento do movimento político denominado rastafári se deu na Jamaica, é importante ressaltar que ali ele não ficou restrito, pois em poucos anos em várias partes do mundo ganhou vários seguidores e adeptos a sua filosofia pautada na Bíblia.
Com base na análise do Velho Testamento, o sujeito rastafári considera que ocorreu uma diáspora africana, e por esse motivo os negros foram exilados de sua terra natal e escravizados para serem testados por Jah, passando pela provação das injustiças sociais e do preconceito racial. Buscam, nesse contexto, uma consciência pan-africana (pela defesa da unidade e solidariedade dos povos africanos). Dessa forma os negros estariam esperando o exato momento de retornarem ao continente africano, também chamado por eles de Zion, por acreditarem que lá nasceu a humanidade e é para lá que todos os filhos devem voltar, ou seja, retornar para o seio de sua mãe África. O retorno, o repatriar no qual estamos falando, se refere à busca interior de cada indivíduo para voltar as suas origens, ou seja, não se deixar corromper pelas armadilhas do contexto capitalista hegemônico no mundo ocidental. Dessa forma, tenta- se cumprir o que nos é ensinado na Bíblia, pois nos orienta a não depositar o nosso coração em ouro nem prata, onde a traça e a ferrugem corrói, o ladrão vem e leva. Devemos conservar limpos os nossos corações, e onde ele estiver ali também estará sua riqueza.
Por se considerar livre e entender que tudo que existe na natureza foi Jah que criou, o sujeito rastafári em seu culto religioso inclui o uso da Cannabis Sativa (popularmente conhecida como maconha) para ajudar na meditação e assim transcender para se encontrar com Jah. Mesmo dentro da análise do Velho Testamento, é importante deixar claro que o rastafári procura viver o cristianismo, ou seja, creem no Jesus Cristo vivo. Diante das adversidades em que se encontra o movimento rastafári, consideramos o rastafarismo desde a perspectiva que Laclau confere ao populismo, ou seja, uma experiência que não cabe em nenhuma definição positiva. Trata-se de uma subjetividade coletiva portadora de grande diversidade de manifestação – e que articula de forma contingente elementos do cristianismo, do pan- africanismo em tensão com a colonialidade, questões territoriais e diaspóricas, dimensões da
sensibilidade musical, etc. –, sendo impossível descrevê-lo como um movimento linear. Sem levar em conta que existem, nas diversas culturas, diferentes formas de acolher o que venha a ser entendido por "Rastafarismo". O populismo, nesse contexto, como descreve Laclau (2013), acontece quando
[...] o sistema institucional vigente entra em obsolescência e mostra sua incapacidade de absorver as novas demandas sociais pelas vias tradicionais; em decorrência disso, tais demandas tendem a se aglutinar fora do sistema, num ponto de ruptura com o sistema. É o corte popular (LACLAU, 2013. p. 21).
Pois bem, os sujeitos adeptos ao rastafarismo encontram muitas dificuldades de serem aceitos na sociedade que se incumbe de excluir, deixando-os à margem do sistema. De um lado está a sociedade capitalista com seu consumismo desenfreado, sempre disposto a nos atropelar com seus valores individualistas; de outro, o rastafarismo, buscando a igualdade social sob a égide de modos de vida outros. O populismo não se trata de uma corrente epistemológica que tenha um referente objetivamente dado. Pelo contrário, não possuindo uma unidade referencial, é uma lógica social que se constitui, ao modo, como vimos, do rastafarismo, por muitos fenômenos. Tal multiplicidade nos deixa confortável para pensá-los desde a abertura de distintos espaços populares (mundos) numa sociedade vista aqui como radicalmente heterogênea. Esses espaços, portanto, abarcam vários fenômenos e sentidos sociais. Por isso que “o populismo não é uma ideologia, mas uma forma de construção do político” (LACLAU, 2013. p. 21).
Peter Worsley (apud LACLAU, 2013),
[...] enxerga o populismo não como um tipo de organização ou ideologia a ser comparado com os outros tipos, tais como o liberalismo, o conservadorismo, o comunismo ou o socialismo, mas como uma dimensão da cultura política que pode estar presente em movimentos de sinal ideológico muito diferentes (p.49).
O autor ainda enfatiza,
A síndrome populista [...] é muito mais ampla do que sua manifestação específica, na forma e no contexto de qualquer política particular ou de qualquer tipo particular de sistema ideológico ou tipo de política: democracia,
totalitarismo etc. Isto sugere que melhor seria considerar o populismo como uma ênfase, uma dimensão da cultura política em geral e não simplesmente como um determinado tipo de um sistema ideológico geral ou como uma forma de organização. É claro que, conforme ocorre com todos os tipos ideais, ele pode ser abordado muito intimamente por algumas culturas e estruturas políticas, tais como aquelas rotuladas até agora como populistas (WORSLEY apud LACLAU, 2013, p.49).
Os rastafáris são sujeitos orientados pelos preceitos cristãos etíopes e pelo pensamento de Haile Selassie I, mas que não seguem nenhuma cartilha, manual ou sistema ideológico pretensamente fechado de significação. Atuam prioritariamente pelo desenvolvimento integral do ser humano, libertando-se do mundo capitalista através do seu modo de vida, ou seja, não se relacionam com as instituições das democracias ocidentais capitalistas desde os termos ou racionalidade aí hegemônicos. Tanto é assim, que os sujeitos rastas têm como principal instrumento (linguagem) de luta a arte – especificamente música reggae. Lutando diariamente para não cair nas “pedras de tropeço” do capitalismo e nem viver por elas (as pedras) subjetivados, procuram articular seu discurso, que se materializa em modos alternativos de vida, com valores marginais ao sistema capitalista. Haile Selassie I é considerado pelos rastafáris como a segunda vinda de Jesus Cristo à Terra e eles acreditam que todos podem ser o Cristo vivo encarnado, basta acreditar e seguir a vontade de Deus de acordo com a sagrada escritura. Selassie tem essa importância devido a sua descendência do Rei Salomão e da Rainha de Sabá e por sua luta por igualdade entre o povo etíope, desejando essa mesma igualdade para os povos de todas as nações.
Os motivos do homem e seus desejos egoístas de perseguir exclusivamente seus próprios e individuais interesses, falhando assim em sua tarefa divina de seguir o objetivo da unidade de todos, são testemunhas da fraqueza da natureza humana, e constitui o maior obstáculo para a unidade de todos os cristãos, a qual nós procuramos. Por quanto tempo nós, que somos discípulos do Senhor Jesus Cristo e que somos ensinados pela mesma Bíblia Sagrada, continuaremos divididos entre nós mesmos? (...) Nós, cristãos que vivemos pela fé de Cristo, a cabeça e o pilar nos quais a igreja foi fundada, não podemos escapar da responsabilidade de trabalharmos pela paz mundial, e de assegurar a igualdade para todos os homens criados por Deus. Não podemos falhar no nosso dever, sendo meras testemunhas do espetáculo da humanidade, privando as criaturas de Deus, por sua cor ou por sua pobreza, dos benefícios e bênçãos que são direitos de todos os homens, e que estão sofrendo em agonia, postos de lado da existência humana. (...) Que Deus nosso Criador, o ajudante e guia iluminado de todos nós, dê a você Sua sabedoria, que em você deve render frutos para sua glória. Nós sinceramente desejamos a você todo o sucesso e oramos para que Deus o leve a unidade,
pela qual todos os cristãos de todo o mundo esperam ansiosamente (grifo nosso) (Imperador Haile Selassie8).
Note-se então em consonância com aquele debate sobre a EP e seu projeto de unificação, que o maior obstáculo para a unidade "de todos os cristãos" é a existência de projetos individuais, "exclusivamente próprios". Há que se prestar atenção, nesse contexto, para o seguinte detalhe: os "benefícios e bênçãos" são "direitos de todos os homens", inclusive os que são oprimidos por sua "cor" ou "pobreza", mas quem conduziria à desejada unidade tão ansiosamente esperada, não é, como acabamos de ver, nenhum projeto específico, mas Deus, cujos desejos e razões, como se sabe, são inescrutáveis. Sua dimensão populista reside, assim, nos termos de Laclau, na impossibilidade de ter quaisquer sistemas fechados e estáveis de significação (uma racionalidade que se pretenda universal) como referência. Nessa mesma linha desconstrucionista é que lemos o discurso de Haile Selassie na Liga das Nações em 1936, quando enfatiza:
Enquanto a filosofia que declara uma raça superior e outra inferior não for finalmente e permanentemente desacreditada e abandonada; enquanto não deixarem de existir cidadãos de primeira e segunda categoria de qualquer nação; enquanto a cor da pele de uma pessoa não for mais importante que a cor dos seus olhos; enquanto não forem garantidos a todos por igual os direitos humanos básicos, sem olhar a raças, até esse dia, os sonhos de paz duradoura, cidadania mundial e governo de uma moral internacional irão continuar a ser uma ilusão fugaz, a ser perseguida, mas nunca alcançada. E igualmente, enquanto os regimes infelizes e ignóbeis que suprimem os nossos irmãos, em condições subumanas, em Angola, Moçambique e na África do Sul não forem superados e destruídos, enquanto o fanatismo, os preconceitos, a malícia e os interesses desumanos não forem substituídos pela compreensão, tolerância e boa vontade, enquanto todos os africanos não se levantarem e falarem como seres livres, iguais aos olhos de todos os homens como são no Céu, até esse dia, o continente africano não conhecerá a paz. Nós, africanos, iremos lutar se necessário, e sabemos que iremos vencer, pois somos confiantes na vitória do bem sobre o mal (grifos nossos)9.
Ou seja, aqui se desacredita como "ilusão fugaz" uma filosofia que, mesmo se dizendo desejosa de uma "paz duradoura" e de uma "cidadania mundial", parte do pressuposto etnocêntrico ocidental da existência de uma hierarquia de raças. Mas mesmo assim não abdica
8 http://omeganyahbinghi.blogspot.com.br/
9É importante lembrar que a música War, um dos grandes sucessos do cantor jamaicano Bob Marley foi inspirada nesse discurso do imperador etíope.
da luta do povo africano, só que essa luta, como vimos acima, não deve cair no mesmo erro da construção de uma unidade a partir de seus próprios termos, ou seja, de um projeto "egoísta".
Excluídos socialmente devido ao processo de estigmatização – modo de vida e aparência física –, o rastafári projeta sua vida baseado na filosofia, na sua cultura, que parte de preceitos vivenciados escritos no “Kebra Nagast”. Kebra Nagast ou em português, “Glória dos Reis”. Trata-se de um livro que conta a história lendária da origem da Dinastia salomônica dos imperadores da Etiópia. Escrita em ge'ez há mais de 700 anos, é considerada por muitos membros da Igreja Ortodoxa Etíope e do movimento Rastafári uma obra de inspiração divina. Na esteira do que vimos discutindo acima, o rastafarismo tem como princípio norteador a dialogicidade com o sujeito, o pensar criticamente a sua realidade, ou seja, refletir sobre e a partir de sua experiência, mas sem considerar seus termos como centrais para construção da unidade mundial. Ao contrário, seus princípios remetem, através de uma radical afirmação do particular, a certa interrupção e descontinuidade histórica da unidade civilizacional desde o Ocidente.
É assim que a experiência do imperador etíope fez com que seus seguidores se fortalecessem com seu exemplo e seus ensinamentos. Acostumados com uma realidade de exclusão e miséria, os negros da África e os jamaicanos se espantaram ao tomar conhecimento da existência de um soberano africano que aboliu a escravidão, buscou a "modernização" da Etiópia e deu ao seu país a primeira constituição escrita em 1931. Antropologicamente,
[...] a forma de vida Rastafári se caracteriza por um contato o mais intenso possível com a forma natural, com a origem da criação. Levando em conta que o princípio da humanidade se deu na Etiópia, fato consolidado até mesmo pela ciência moderna e suas descobertas (ELIAS, apud SOUSA, 2010, p.47).
Ou seja, este contato direto com a "forma natural" fez com que os rastafáris se vissem potentes para se sacar da narrativa da colonialidade e se contrapusessem ao seu modelo econômico vigente – consumismo industrial –, buscando viver em espaços relativamente autônomos à cultura hegemônica. É, assim, metaforicamente que lemos, um dos valores centrais dos rastafáris, que é a defesa ao afrocentrismo10, em suas várias aspirações sociais e políticas,
10Afrocentrismo se dedica ao estudo da história africana. Sua principal finalidade é buscar a autodeterminação pan- africana na cultura, filosofia e história. Tem o intuito de divulgar e incentivar o nacionalismo e o orgulho étnico entre os afro-americanos como uma arma de efeito psicológico contra o racismo global. Integrado por norte-
cujas maiores contribuições vêm do jamaicano Marcus Garvey, o qual conseguiu inspirar uma nova visão mundial através de suas interpretações políticas e culturais da sociedade.
Marcus Mosiah Garvey, nascido no dia 17 de agosto de 1887, em Saint Ann’sBay, Jamaica, e falecido em 10 de junho de 1940, em Londres, Reino Unido, foi um comunicador, empresário e ativista jamaicano. Considerado um dos maiores ativistas da história do movimento nacionalista negro, Garvey incentivava a luta política, ensinando que os negros deveriam aprender a se auto gerir, tendo seu espaço e buscando sua ancestralidade, sendo encarado como um radicalista pela luta por espaços – escolas, fábricas, hospitais – apenas para negros. O ativista deixa em seu legado a ciência como modelo, mas ressaltando que a experiência tem que ser a inspiração na busca de preceitos para a metodologia (Programa Soterópolis TVE BA)11, ou seja, criar uma metodologia a partir da prática e não o contrário. Este modelo idealizado por Garvey se choca com o padrão científico objetivista hegemônico, pois este se configura como superior, não levando em consideração as práticas experienciais da vida cotidiana. A doxa (opinião), nestes termos, é considerada inválida para aferir qualquer julgamento sobre determinado tema.
Por se tratar de uma experiência singular devido ao forte julgamento estereotipado da sua aparência física, os adeptos ao rastafarismo acabam sendo rechaçados pela sociedade capitalista burguesa sendo colocados às margens de um “modelo” pronto de sociedade. Acreditamos que é a partir daí, de um (não) lugar de exclusão, da margem, que os princípios e valores dos rastafáris podem ser vividos desde uma perspectiva experiencial singular, desatada de um modo ocidental cognitivista de conhecer, hegemonizada pelo objetivismo metodológico. Abrem-se então para fazer sentido em suas vidas a partir de preceitos cristãos etíopes, não se considerando uma instituição religiosa, mas um grupo espiritualizado através do amor, ou seja, da experiência com Jah (Deus).
Existe um Deus e nós acreditamos Nele. Não é uma pessoa, nem um ser físico. Ele é um espírito e Ele é a inteligência universal. (...) É a inteligência do homem que é como Deus, mas a sua inteligência é apenas uma partícula unitária da inteligência universal de Deus... Todas as inteligências unitárias do universo compõem Deus que é o conjunto de toda a inteligência, portanto,
americanos afrodescendentes da região do Caribe, especialmente os rastafáris da Jamaica, sustenta que os afro- americanos deveriam retornar ao continente de origem de seus antepassados, para viver livres da influência da cultura ocidental, judaico-cristã, de seus antigos opressores. Fonte Wikipédia.
nenhum homem pode ser tão grande quanto Deus, pois ele é apenas uma unidade e Deus é o todo (grifo nosso) (Marcus Mosiah Garvey).
Observe-se que, se tomarmos "nenhum homem" como equivalente a "nenhum projeto particular", podemos notar que, mesmo com toda a radicalidade do discurso de Garvey, ele termina seguindo o preceito de Haile Selassie I quanto à compreensão de certa insolvência, no plano humano, da tensão entre unidade e diversidade, cabendo a Deus ser uma espécie de todo/unidade que, entretanto, só vive na diversidade.
No início desta seção, afirmamos que o movimento rastafári surgiu na década de 1930, mas o sujeito rastafári não tem como delimitar uma data específica de sua origem, pois na