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GPR Shadow Registers

9.1 Coprocessor 0 Register Summary

De uma forma geral o processo de reutilização permitiu aos docentes obter um retorno muito positivo sobre o seu investimento em tempo e esforço durante a primeira fase de desenho dos cenários de aprendizagem. Devemos, no entanto, ressalvar que nesta fase os docentes já não mencionaram, nem é considerado, o seu tempo de habituação ao sistema LAMS e que implicou, embora nuns casos mais do que noutros, o emprego de mais tempo e esforço na primeira fase de operacionalização.

De facto, no caso do docente D2, é possível verificar que o tempo de habituação à nova tecnologia permitiu reduzir substancialmente o tempo de desenho dos segundos cenários de aprendizagem, ainda no primeiro ciclo da investigação. Quando solicitado que efectuasse uma classificação da redução do tempo numa escala de zero a dez, o docente D2 indicou “o primeiro eu diria a escala máxima, 10, para termos um termo de comparação, o segundo seria metade do tempo, eu apontaria aí para um 5 (…) (EP3-D2)”.

Por conseguinte, é possível perceber que ocorreu uma redução ao nível da quantidade de tempo despedido, ainda na fase de desenho dos cenários de aprendizagem, e que a fase de reutilização permitiu acentuar ainda mais essa redução.

134 No caso do docente D1, a reutilização permitiu reduzir o tempo de concepção do cenário de aprendizagem em cerca de 70%. Como o próprio afirma, e referindo-se a uma escala de zero a dez valores, “muito menos, muito menos tempo (…) o primeiro 10, o segundo 3, (…) foi olhar e perceber que aquilo se encaixava perfeitamente no que eu queria fazer e, portanto, a nível de planificação foi muito rápido” (EP3-D1).

No caso do docente D2, como já vimos, ocorreu uma redução de 50% do tempo despendido no desenho de raiz do segundo cenário (D2-CA2). No que concerne à reutilização, o docente aponta para uma redução de 80% relativamente ao primeiro cenário construído de raiz, referindo “(…) um 2, porque depois tive que mudar os conteúdos, portanto, aí um 2, numa escala até 10” (EP3-D2), e uma redução de 40% comparativamente comsegundo cenário produzido também ainda no primeiro ciclo. O docente indica que, apesar da procura de conteúdos poder exigir-lhe muito tempo, a disponibilidade de uma estratégia que possua enquadramento no seu contexto facilita muito a construção dos cenários: “(…) demoro meia hora a preparar a sequência” (EP3-D2).

No caso do docente D3, entre o processo de desenho e o de reutilização ocorreu uma redução de tempo em cerca de 50%, “(…) quase metade do tempo” (EP3-D3). À semelhança do que indicou na fase de desenho, o docente refere que, na sua perspectiva, o que implica mais tempo e esforço é a imaginação e criatividade, “(…) que estratégia é que vou desenhar, de forma a atingir os objectivos e simultaneamente motivar os alunos”, e que o processo de reutilização se apresenta como “(…) uma fonte de inspiração (…), facilitou todo esse processo de construção” (EP3-D3). Também o docente D3 refere o processo de reutilização como fonte de sugestão pedagógica, útil numa primeira abordagem a um tema ou na descoberta de alternativas a estratégias de aprendizagem menos bem sucedidas.

De uma forma global os docentes também consideraram que existe uma redução substancial do esforço empregue na reutilização. Os docentes D1 e D3 referem uma redução de cerca de 50% e o docente D2 refere uma redução de 70% entre as duas fases do estudo, sendo que neste último caso, houve uma redução de 30% entre os dois cenários desenhados na primeira fase.

Os docentes consideraram que a reutilização implica uma quantidade de trabalho muito menor, ressalvando “(…) desde que, de facto, seja no timing certo e consigamos encaixar aquele esqueleto no nosso conteúdo, a partir daí o trabalho está muito mais facilitado” (EP3-D2), “(…) se a sequência não se adequa bem, aí temos um esforço maior, acrescido (…)” (EP3-D2).

Com efeito, se o processo de selecção da estratégia a reutilizar não for eficiente, os constrangimentos da reutilização poderão mostrar-se maiores do que os benefícios, porque há um emprego acrescido de esforço na procura de um enquadramento, que pode não existir.

O docente D2 acrescentou que a redução do tempo e esforço associados ao processo de reutilização, permitiu aumentar a motivação para a concepção e implementação de estratégias de aprendizagem activa, referindo “(…) tive mais vontade da segunda vez (…) para pegar na sequência e trabalhá-la e adaptá-la e disponibilizá-la (…), porque achei que o trabalho estava facilitado (…),

135 a motivação é maior (…)” (EP3-D2). Por sua vez, o docente D3, indica que a sua motivação para a realização deste tipo de estratégias se encontra dependente de cada caso concreto, “(…) há alturas em que eu quero mesmo criar uma coisa nova, uma coisa que não existe e [esse processo de criação] é para mim um factor de motivação (…)” (EP3-D3).

Como já tivemos oportunidade de constatar, um dos motivos que inibe os docentes de realizar actividades de aprendizagem activa, com recurso às tecnologias educativas, reside no facto de este ser um processo complexo, que exigem muito tempo e esforço. No entanto, pudemos confirmar que a motivação para a construção deste tipo de actividades pode ser aumentada através da reutilização de estruturas pré-feitas, que diminuíam a complexidade e o tempo das tarefas a realizar pelo docente.

Embora cada um dos docentes só tenha vivenciado uma experiência de reutilização, é possível perceber que esta proporciona, efectivamente, reduções substanciais, entre os 40% e os 70%, ao nível da planificação e operacionalização de cenários de aprendizagem, com recurso ao sistema LAMS. Da mesma forma, e partindo apenas da análise de uma experiência de reutilização por docente, podemos depreender que os valores indicados por estes sofram oscilações ao longo de diversas experiências similares, indiciando que a redução do tempo e do esforço, proporcionados pela reutilização, pode oscilar de acordo com a maior ou menor proximidade do cenário recuperado aos novos objectivos de ensino-aprendizagem.

7.3 Implementação dos cenários de aprendizagem